"Ruína"

Ano: 2017
Selo: Howlin’ Records / PWR Records / Efusiva / Hérnia de Discos
Gênero: Punk, Rock, Indie Rock
Para quem gosta de: Savages e Mercenárias
Ouça: Mother Nature e Cotidiano
Nota: 8.5

Resenha: “Ruína”, In Venus

Feminismo, libertação sexual, consumismo, padronização coletiva, meio ambiente e caos. Em um intervalo de apenas 30 minutos, esses são alguns dos principais temas que movimentam as canções de Ruína (2017), primeiro álbum de estúdio do grupo paulistano In Venus. Uma intensa (e amarga) interpretação de tudo aquilo que invade o nosso cotidiano. Estímulo criativo para a poesia urgente do quarteto formado por Cint F. (voz e teclados), Camila Ribeiro (bateria), Rodrigo Lima (guitarras) e Patricia Saltara (baixo).

Nascido da propositada colisão de ideias e influências, o trabalho de nove faixas segue exatamente de onde a banda parou há poucos meses, durante o lançamento da enérgica Mother Nature. Ecos do pós-punk inglês (Joy Division, The Fall), passagens pelo movimento Riot Grrrl no começo dos anos 1990 (Bikini Kill, Sleater-Kinney), ruídos e captações caseiras que perturbam a audição do ouvinte durante toda a construção da obra. Uma rica base melódica que serve de estimulo para a formação dos versos.

Nós somos jovens / E estamos perdidos / Correndo em círculos / Procurando por nada“, canta a vocalista na inaugural Youth Generation, uma reflexão sobre a ausência de sentido, consumo excessivo e a artificialidade dos sentimentos que movem a presente geração. Jovens e adultos com “Olhos embaçados / Como um filtro do Photoshop“, como completa a faixa. Uma provocação que ainda serve de estímulo para Digital Relationships, quarta música do disco – “Seus dias são controlados e cheios de mentiras“.

A mesma crueza na composição dos versos movimenta o trabalho até a dobradinha de encerramento. Enquanto Cotidiano nasce como um grito de guerra em meio ao caos urbano – “Uma vida de luta, cobrando conduta / Omissão da verdade, falsa liberdade” –, para a derradeira Inverno da Alma, Cint F. e os parceiros de banda detalham uma instável crônica musicada – “Eu / O frio da alma que mata / Na cidade cinza / Atropelados pela pressa“. Um acúmulo de ideias que potencializa a raiva e descrença presente em todo o álbum.

Importante reforçar a força dos arranjos para o completo crescimento da obra. São camadas de ruídos e texturas instrumentais que ainda servem de sustentação para os versos, muitas vezes sufocados em meio a camadas excessivas de efeitos e captações caseiras. Difícil não lembrar do trabalho de artistas como Second Come, Killing Chainsaw e outros projetos que movimentaram a cena independente do Brasil nos anos 1990. Surgem ainda passagens pelo mesmo punk-rock de veteranos como a banda paulistana Mercenárias, influência evidente no aspecto niilista dos versos e crueza dos arranjos.

Com produção assinada pelo músico Lucas Lippaus (Herod, Dolphins On Drugs) e distribuição pelos selos Howlin’ Records, PWR Records, Efusiva e Hérnia de Discos, Ruína ainda chega acompanhado de um fanzine que serve de complemento visual ao trabalho. Um criativo resgate de temas instrumentais e referências que dialoga com diferentes aspectos do punk/rock/hardcore de diferentes épocas, porém, sem necessariamente sufocar a essência autoral da banda, identidade que cresce de maneira explícita durante toda a composição do trabalho.

 

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