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Resenha: “Sabotage”, Sabotage

Artista: Sabotage
Gênero: Hip-Hop, Rap

 

Treze anos separam a morte de Mauro Mateus dos Santos, o Sabotage, do homônimo e recém-lançado álbum póstumo em homenagem ao rapper. Construído em um intervalo de mais de uma década, o sucessor do elogiado Rap É Compromisso! (2000) — 3º lugar na nossa lista dos 100 Melhores Discos Nacionais dos anos 2000 —, mostra o que teria acontecido se o artista, morto em janeiro de 2003, aos 29 anos de idade, ainda estivesse na ativa. Um time de produtores, músicos e velhos colaboradores que se reveza para garantir continuidade ao trabalho do paulistano.

Com direção musical assumida por Tejo Damasceno e Rica Amabis, do Instituto, e Daniel Ganjaman, parceiro de longa data do rapper, o registro de 11 faixas nasce como um resgate de diferentes projetos iniciados logo após o lançamento da trilha sonora de O Invasor (2002), filme de Beto Brant que conta com o próprio Sabotage no elenco. Trechos gravadas nos estúdios da gravadora YB ou mesmo esboços que acabaram encostados após o assassinato de rapper.

Durante o processo de produção e explícito refinamento do disco, um convite reservado apenas a velhos parceiros e artistas com quem o Sabotage já havia trabalhado em estúdio. “A dinâmica foi só trabalhar com quem trabalhava com ele, já que ele não está aqui para dar opinião. São pessoas das quais ele respeitava as qualidades musicais. Amigos ele tinha milhares, mas me refiro a gente que trabalhou com ele mesmo”, explicou Damasceno em entrevista à Rolling Stone.

Entre os colaboradores do álbum, nomes como Sandrão (Míssel), Negra Li (Canão foi Tão Bom), DJ Cia, responsável pela produção de três composições do disco (País da Fome: Homens Animais, Quem Viver Verá e Míssel) e Rappin’ Hood (Maloca é Maré) – todos integrantes do RZO, grupo apresentou Sabotage em meados dos anos 1990. Sobram ainda nomes Fernandinho Beat Box (Levada Segura), Dexter (Quem Viver Verá), a cantora Céu (O Gatilho), além de diversas faixas em que Damasceno e Amabis assumem de vez o manto do Instituto.

Misto de passado e presente, o trabalho acaba se dividindo em dois blocos de canções. De um lado, uma sequência de crônicas musicadas, versos descritivos e rimas que detalham o cotidiano do rapper na periferia paulistana; músicas como a nostálgica (e já conhecida) Canão Foi Tão Bom ou mesmo Maloca é Maré. No outro oposto, uma clara tentativa em adaptar o trabalho de Sabotage ao presente. Composições como Mosquito, produzida pela dupla Tropkillaz, e, principalmente, a melancólica País da Fome: Homens Animais, faixa que utiliza de recortes e reportagens da época em que o rapper foi assassinado.

Nas rimas, um discurso que permanece atual, mesmo empoeirado pelo uso de referências que datam o começo dos anos 2000 – como a cantora Tiazinha e a novela O Clone. Fuga dos clichês e possíveis exageros de outros registros póstumos, cada faixa no interior do disco assume uma posição de destaque. Composições pontuadas pela forte interferência urbana (Canão Foi Tão Bom, Gatilho), versos intimistas (País da Fome: Homens Animais) e reflexões sobre drogas, racismo e criminalidade (Quem Viver Verá). Canções montadas a partir de diferentes fragmentos e memórias musicais do rapper. Mais do que uma homenagem, uma obra necessária.

 

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Sabotage (2016, Independente)

Nota: 8.6
Para quem gosta de: Racionais MC’s, RZO e Instituto
Ouça: País da Fome: Homens Animais, Canão Foi Tão Bom e Maloca é Maré

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