"Sacred Hearts Club"

Ano: 2017
Selo: Columbia
Gênero: Pop Rock, Eletrônica
Para quem gosta de: Two Door Cinema Club e MGMT
Ouça: SHC e Loyal Like Sid & Nancy
Nota: 5.0

Resenha: “Sacred Hearts Club”, Foster The People

Você pode não gostar do som produzido pelo Foster The People, entretanto, difícil ignorar o impacto criativo e a forte influência causada pelo primeiro registro de inéditas da banda, o divertido Torches (2011). De bandas como Portugal. The Man a veteranos como o grupo britânico Coldplay, não foram poucos os artistas que acabaram flertando com o mesmo pop-rock-eletrônico que orienta o trabalho da banda em músicas como Pumped Up Kicks, Houdini e Helena Beat.

Terceiro e mais recente álbum de inéditas do grupo formado por Mark Foster, Sean Cimino, Isom Innis e Mark Pontius, Sacred Hearts Club (2017, Columbia) parece sofrer do mesmo “problema” causado pela forte influência do registro de estreia do grupo no trabalho de outros artistas. Trata-se de uma obra que claramente busca emular as principais características (e clichês) que tanto orientam a música pop atual, como se a banda californiana lentamente perdesse a própria identidade.

Mesmo que Mark Foster tenha defendido em uma série de entrevistas recentes a influência do rock psicodélico dos anos 1960 na produção do disco – o próprio título da obra parece uma referência ao clássico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967) –, sobrevive na plástica composição do trabalho um claro diálogo com o presente. Músicas que torpeçam em elementos do Trap/EDM, caso de Doing It for the Money, sem necessariamente apresentar um mínimo traço de novidade.

Do momento em que tem início, em Pay The Man, passando pela formação de músicas como Sit Next To Me, Loyal Like Sid & Nancy e, principalmente, Harden The Paint, Sacred Hearts Club se perde em meio a ambientações eletrônicas, batidas e samples que poderiam facilmente ser encontradas em um trabalho menor de produtores como Skrillex ou Steve Aoki. Um material sintético, pobre, como um remix barato de tudo aquilo que o grupo havia experimentado em Supermodel (2014).

Outro forte problema do álbum está nas letras medianas de Mark Foster. É como se o músico norte-americano escrevesse e cantasse a todo instante parta um adolescente de 12 anos – possivelmente a real faixa de idade do público que acompanha o trabalho do grupo. Um bom exemplo disso está em I Love My Friends – “Eu amo meus amigos, eu amo meus amigos / Nós temos nós mesmos, não precisamos de outros” –, perfeita síntese da poesia pobre que alimenta o disco.

Entre instantes de breve acerto, vide as guitarras e versos dançantes que marcam a quarta faixa do disco, SHC, Sacred Hearts Club parece seguir a trilha do antecessor Supermodel, crescendo como uma obra destinada ao completo esquecimento. Sobreposições eletrônicas que indicam o claro desejo do Foster The People em se reinventar dentro de estúdio, porém, apenas ocultam temporariamente o explícito desgaste que desde o último disco se apodera do som produzido pelo grupo.

 

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