"Scorpion"

Ano: 2018
Selo: Young Money / Cash Money / Republic
Gênero: Hip-Hop, Rap, R&B
Para quem gosta de: Partynextdoor e Big Sean
Ouça: God's Plan e Emotionless
Nota: 6.5

Resenha: “Scorpion”, Drake

A irregularidade talvez seja uma das principais marcas do trabalho de Drake. Pelo menos no que diz respeito aos próprios registros de estúdio. Enquanto mixtapes como If You’re Reading This It’s Too Late (2015) e More Life (2017) confirmam a completa versatilidade do artista canadense, em se tratando de obras oficiais, como Nothing Was the Same (2013) e Views (2016), o rapper parece flutuar em um território marcado pelos excessos e instantes de completa instabilidade que tornam a experiência do ouvinte desgastante.

Quinto álbum de inéditas na carreira do rapper de Toronto,  Scorpion (2018, Young Money / Cash Money / Republic) é um bom exemplo disso. São dois discos, um total de 25 músicas e quase 90 minutos de duração. Tempo demais para uma obra que oscila durante toda sua execução, como se Drake apontasse para todas as direções sem necessariamente buscar refúgio em um conceito específico. Uma obra de excessos, descontrole que acompanha o ouvinte até a derradeira March 14.

Produzido em um intervalo de poucos meses e contando com o suporte de mais de 30 produtores — entre eles, parceiros como Noah “40” Shebib, PartyNextDoor, Oliver El-Khatib, Boi-1da e No I.D. —, Scorpion, curiosamente, se projeta como uma obra homogênea musicalmente. Longe do flerte com a música pop/dancehall detalhado no álbum anterior, cada elemento do presente disco convida o ouvinte a mergulhar em um ambiente dominado por batidas minimalistas e diálogos com o R&B dos anos 1990, elementos que garantem beleza ao registro, porém, acabam sufocando o ouvinte em uma atmosfera morosa, por vezes exaustiva.

Salve exceções, como Emotionless, música trabalhada em cima de um sample de Emotion, da cantora Mariah Carey, e a romântica In My Feelings, guiada pela força das batidas, Scorpion parece dar voltas em torno de uma mesma base rítmica. Falta distinção entre as faixas, proposta que acaba diminuindo o alcance de preciosidades como Don’t Matter to Me, composição guiada por trechos de Love Never Felt So Good, canção póstuma de Michael Jackson originalmente gravada em 1983, porém, apresentada ao público como parte da coletânea Xscape, de 2014.

Outro problema do disco está na clara expectativa criada pelo rapper com o lançamento de Nice For WhatGod’s Plan. Da construção das batidas à formação dos versos, pouco do material apresentado no restante da obra parece seguir a trilha dos dois primeiros singles, como se Drake seguisse um caminho oposto ao indicado. São raras as canções do disco, como como Blue Tint e o encontro com Jay-Z, em Talk Up, que distanciam de um som e versos redundantes.

Embora arrastado, Scorpion está longe de parecer uma decepção completa. Difícil não se deixar conduzir pelo trabalho do rapper em faixas como 8 Out Of 10, canção em que reflete (de forma sutil) sobre os recentes conflitos com Kanye West e Pusha-T, além, claro, de composições como a melódica Sandra’s Rose, Summer Games e toda a sequência de músicas acima citadas. Assim como em Views, uma obra de ideias, como fragmentos criativos espalhados sem ordem aparente.

 


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