"Screen Memories"

Ano: 2017
Selo: Ribbon Music
Gênero: Experimental, Synthpop, Lo-Fi
Para quem gosta de: Ariel Pink e Oneohtrix Point Never
Ouça: Touchdown e Teenage Witch
Nota: 7.5

Resenha: “Screen Memories”, John Maus

Depois de um longo período como colaborador no Ariel Pink’s Haunted Graffiti, John Maus decidiu investir na carreira solo, fazendo dos dois primeiros registros autorais, Songs (2006) e Love Is Real (2007), uma síntese preciosa do próprio trabalho. Todavia, foi com o lançamento de We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves (2011) e, consequentemente, a coletânea de sobras A Collection of Rarities and Previously Unreleased Material (2012), que o músico norte-americano foi oficialmente apresentado a uma parcela ainda maior do público.

Seis anos após o último álbum de inéditas, Maus está de volta com o climático Screen Memories (2017, Ribbon Music). São 12 faixas e pouco menos de 40 minutos de duração em que o músico estadunidense continua a se aprofundar na construção de composições marcadas pelo uso de texturas eletrônicos, sintetizadores claramente inspirados pelo som produzido nos anos 1970/1980, além, claro, de versos que servem de passagem para um universo de essência particular.

Assim como no material apresentado pelo músico em We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves, Maus se concentra na produção de composições essencialmente curtas, porém, complexas mesmo na efemeridade de suas ambientações e atos. Exemplo disso está na atmosférica Touchdown, faixa que joga com o uso de vozes abafadas e sintetizadores cósmicos, lembrando um improvável (e lisérgico) encontro entre Suzzane Ciani e Onoehtrix Point Never.

Segunda faixa do disco, Teenage Witch é outra que explora o mesmo conceito. São pouco mais de dois minutos em que Maus convida o ouvinte a se perder em meio a camadas de sintetizadores e melodias etéreas, ampliando grande parte do material que vem sendo produzido desde a estreia com Songs. Em Decide Decide, sexta música do álbum, o esforço evidente do músico em provar de temas psicodélicos, transformando a voz carregada de efeitos em uma espécie de instrumento complementar.

A grande diferença em relação ao trabalho apresentado há seis anos está na busca de Maus em explorar uma série de composições rápidas, dominadas pelo ritmo frenético das batidas e guitarras. Faixa mais extensa do disco, Over Phantom e a sequência formada por Bombs Away talvez seja a melhor representação desse conceito. Arranjos e vozes trabalhados paralelamente, lembrando em alguns aspectos o mesmo pop hipnagógico detalhada por Ariel Pink em Dedicated to Bobby Jameson (2017).

Segura continuação do material apresentado pelo artista há seis anos, Screen Memories é apenas a primeira parte de um projeto que Maus vem construindo nos últimos meses. Para para o início do próximo ano, o músico prepara o relançamento de toda a discografia em vinil, além, claro, de Addendum, registro que deve se conectar conceitualmente ao presente trabalho, ampliando ainda mais o som torto que vem sendo produzido pelo músico desde o fim dos anos 1990, quando deu início ao trabalho em carreira solo.

 

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