"Sea of Sand"

Ano: 2018
Selo: Dekmantel
Gênero: Pop Psicodélico, Eletrônica, Dub
Para quem gosta de: Forest Swords e Gang Gang Dance
Ouça: Blind Corner e I Can Read Your Mind
Nota: 7.0

Resenha: “Sea of Sand”, Peaking Lights

Passado o lançamento de Cosmic Logic (2014), Indra Dunis e Aaron Coyes passaram a investir na composição de um material cada vez mais calcado na música eletrônica. Prova disso está na ambientação sintética de The Fifth State of Consciousnes (2017), obra que transportou o som produzido pelo casal norte-americano para dentro de um universo ainda mais experimental, complexo, direcionamento que se reflete logo nos primeiros minutos de Blind Corner, composição que abre o novo registro autoral do Peaking Lights, o lisérgico Sea of Sand (2018, Dekmantel).

Entre batidas cíclicas e sintetizadores climáticos, a voz doce de Dunis tenta ganhar forma aos poucos, ocupando todas as brechas da canção. São melodias e entalhes econômicos que acabam servindo de passagem para a faixa seguinte do disco, Hypnotized. Como o próprio nome indica — do português, “hipnotizado” —, cada elemento da música se projeta de forma a mergulhar o ouvinte em uma base delirante e mágica. Um misto de pop psicodélico e dub, como um diálogo com os dois principais trabalhos da dupla, 936 (2011) e Lucifer (2012).

Com a chegada de Shift Your Mind, terceira faixa do disco, a passagem para o lado mais experimental (e louco) da obra. São colagens eletrônicas, samples e vozes que se entrelaçam de forma propositadamente confusa, proposta que em nenhum momento distorce o caráter dançante da canção. Perceba como a bateria eletrônica de Coyes assume formas nunca antes exploradas pela dupla, indicativo do claro desejo do Peaking Lights em avançar criativamente.

Passado esse instante de breve euforia, I Can Read Your Mind, quarta música do álbum, convida o ouvinte e se perder em um território marcado por melodias embriagadas e vozes deliciosamente etéreas. “Eu posso ler sua mente”, canta Dunis enquanto sintetizadores nostálgicos parecem apontar para a década de 1980. Uma clara reinterpretação do material entregue pela dupla durante o lançamento de Cosmic Logic. Pinceladas eletrônicas que dialogam de forma particular com o trabalho de artistas como Chromatics, efeito da atmosfera empoeirada que orienta a experiência do ouvinte até o último instante da faixa.

É justamente dentro dessa mesma estrutura rítmica que Coyes detalha as batidas e melodias eletrônicas que invadem Noise of Life. Pouco menos de sete minutos em que o ouvinte é conduzido sem pressa em direção às pistas, como uma interpretação menos eufórica do som testado em Blind Corner e Shift Your Mind. Mesmo a voz de Dunis parece trabalhada de forma ainda mais sensível, flutuando em meio a variações climáticas capazes de confortar o ouvinte.

Tamanha leveza acaba servindo de passagem para a homônima faixa de encerramento do disco. Com a voz da esposa trabalhada como instrumento, Coyes se concentra em detalhar melodias de pianos e pequenas porções atmosféricas. É como uma fuga criativa de tudo aquilo que a dupla norte-americana vinha experimentando nos últimos anos, indicativo de uma nova fase na carreira da banda, porém, nada que necessariamente pareça sufocar a rica identidade melódica do Peaking Lights.

 


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