"Semicircle"

Ano: 2018
Selo: Memphis Industries
Gênero: Indie Pop, Funk, Pop Rock
Para quem gosta de: Los Campesinos! e Of Montreal
Ouça: All The Way Live e Semicircle Song
Nota: 7.3

Resenha: “Semicircle”, The Go! Team

O grande problema de qualquer artista que lida com um gênero ou conceito bastante específico está no inevitável senso de repetição. Exemplo disso está na profunda similaridade dos arranjos, batidas e temas instrumentais/poéticos que a mais de uma década orientam o trabalho do coletivo britânico The Go! Team. Um permanente olhar para o passado, como se o grupo de Brighton fosse incapaz de ir além de uma base específica, pré-determinada.

Em Semicircle (2018, Memphis Industries), a mesma repetição de ideias que acompanha o trabalho do grupo desde o curioso Thunder, Lightning, Strike (2004). Composições que vão de encontro ao som produzido na década de 1970 – principalmente as trilhas sonoras de clássicos da Blaxploitation –, mergulham nos primórdios do Hip-Hop e chegam até o início dos anos 1990 para flertar com uma série de elementos típicos rock alternativo produzido na época.

Interessante notar que mesmo dentro desse cenário “previsível”, Semicircle, diferente do antecessor The Scene Between (2015), sustenta na força dos elementos um curioso ponto de transformação para a carreira do The Go! Team. Trata-se de uma obra essencialmente enérgica e minuciosa na inserção de cada componente. Composições que replicam parte da atmosfera detalhada nos antigos trabalhos do grupo, porém, sutilmente ampliam parte desse conceito.

Basta uma rápida passagem pelas duas primeiras canções do disco para perceber o cuidado da banda – hoje formada por Ian Parton, Ninja, Sam Dook, Angela “Maki” Won-Yin Mak, Cheryl Pinero e Simone Odaranile –, na construção de cada elemento. Do código morse que clama por ajuda na inaugural Mayday, passando pela base orquestral e uso de referências eletrônicas em Chain Link Fence, música que lembra a boa fase do Gorillaz, difícil não se encantar pelo trabalho do grupo inglês.

Surgem ainda músicas como a radiante The Answer’s No – Now What’s the Question?, um pop rock crescente e sujo, por vezes íntimo do trabalho de Liz Phair no início dos anos 1990. Em All The Way Live, uma explosão de metais que lembra a abertura da comédia Brooklyn Nine Nine, também ancorada na mesma referência aos anos 1970. Uma criativa colisão de ideias que se reflete também na versátil Semicircle Song, espécie de resumo conceitual de toda a base instrumental proposta para a realização do álbum.

Claramente pensado para atingir quem há mais de uma década acompanha o coletivo inglês, Semicircle segue como o registro mais acessível já produzido pelo sexteto desde o bom Rolling Blackouts, de 2011. Perceba como cada composição parece arquitetada de forma a grudar na cabeça do ouvinte. Do canto doce em If There’s One Thing You Should Know ao clima de despedida que toma conta de Getting Back Up, mesmo livre de grandes transformações, difícil não ser seduzido pela banda.