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Resenha: “Silva Canta Marisa”, Silva

Artista: Silva
Gênero: Pop, Eletrônica, R&B
Acesse: http://www.silva.tv/

 

Em setembro de 2015, Silva deu início a um novo e inusitado projeto. Durante duas noites no SESC Vila Mariana, em São Paulo, uma homenagem à cantora e compositora carioca Marisa Monte. No repertório, músicas como Beija Eu e Não É Fácil, fragmentos do lado pop da artista, conceito explícito em obras como o Mais (1991) e Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (2000). Delicada continuação desse trabalho, o recém-lançado Silva Canta Marisa (2016, Slap) lentamente sintetiza toda a admiração do músico capixaba em relação à obra da veterana da MPB.

Quarto álbum de estúdio de Silva, o sucessor do mediano Júpiter (2015) mostra a busca do artista em produzir um som cada vez mais comercial, pop, íntimo do grande público. Entre peças radiofônicas, como Ainda Lembro e Não Vá Embora, a particular adaptação de quase três décadas da rica trajetória de Monte. Composições que vão do clássico Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, de 1994, até o recente O Que Você Quer Saber de Verdade (2011), último registro de inéditas da cantora.

Em um jogo de batidas e bases minimalistas, versos que detalham a poesia envolvente de Monte. Estão lá canções pegajosas e comercialmente bem-recebidas, caso de Eu Sei e Não Vá Embora, além, claro, de outras pouco conhecidas, mas não menos significativas. Um bom exemplo disso é a melancólica Pecado É Lhe Deixar De Molho, música originalmente gravada em parceria com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown para o álbum dos Tribalistas, mas que se transforma na ambientação serena e sintetizadores econômicos da remodelada composição.

De fato, a economia dos arranjos, por vezes íntimos do R&B/Soul, acaba se revelando como o grande charme da obra. Difícil não lembrar de artistas como The XX e James Blake ao passear pelas batidas de Infinito Particular. Décima faixa do disco, Verdade, Uma Ilusão encanta pelo som empoeirado que escapa das guitarras e vozes de Silva. No samba O Bonde do Dom, originalmente gravado em Universo ao Meu Redor, de 2006, sintetizadores e batidas secas que se dobram de forma a cercar os versos tímidos da canção.

Entre pequenas adaptações e diálogos com o passado, o som aconchegante da inédita Noturna (Nada de novo na noite). Primeiro registro da parceria entre Silva, o irmão Lucas e Monte, a canção de arranjos diminutos cresce de forma a revelar um precioso dueto entre o músico capixaba e a cantora carioca. “É só relaxar / É só se entregar / Não se preocupar / É bom pra pensar em nada”, detalha a letra da canção, quase um mantra, passagem para a mesma atmosfera bucólica o doce que alimenta o trabalho da cantora nos instantes finais do álbum Infinito Particular (2006).

Mais do que uma homenagem ao trabalho de Marisa Monte, Silva Canta Marisa nasce como um resgate de diversos elementos originalmente testados pelo músico capixaba dentro do primeiro álbum de estúdio, o elogiado Claridão (2012). A própria capa do presente disco, em preto e branco, dialoga com a estética do material apresentado há quatro anos. São batidas cíclicas, guitarras minimalistas e bases sempre contidas, intimistas, como se o músico, aliado ao parceiro de produção, o guitarrista Rodolfo Zamor, lentamente expandisse o próprio domínio criativo.

 

Silva Canta Marisa (2016, Slap)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Mahmundi, Marcelo Jeneci e Céu
Ouça: Noturna, Pecado é lhe Deixar de Molho e Na Estrada


3 thoughts on “Resenha: “Silva Canta Marisa”, Silva

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