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Resenha: “Sirens”, Nicolas Jaar

Artista: Nicolas Jaar
Gênero: Eletrônica, Experimental, Ambient
Acesse: http://nicolasjaar.net/

 

Os últimos cinco anos foram bastante produtivos para Nicolas Jaar. Entre remixes produzidos para nomes como Grizzly Bear (Sleeping Ute) e Florence and The Machine (What Kind of Man), o produtor nova-iorquino ainda presenteou o público com uma sequência de músicas inéditas – como Fight, parte da série Nymphs –, deu vida à coletânea Don’t Break My Love (2012), trabalho lançado pelo próprio selo, o Sunset & Clown, além de revisitar o clássico filme A Cor da Romã (1969), de Sergei Parajanov, em Pomegranates (2015). Isso sem contar os trabalhos em parceria com Dave Harrington no Darkside – caso do ótimo Psychic, de 2013.

Com a chegada de Sirens (2016, Other People), segundo registro de estúdio de Jaar e sucessor do elogiado Space Is Only Noise (2011), uma lenta desconstrução de tudo aquilo que artista vem produzindo na última meia década. Em um intervalo de apenas seis faixas – Killing Time, The Governor, Leaves, No, Three Sides of Nazareth e History Lesson –, Jaar costura fragmentos instrumentais, brinca com a própria essência e ainda prova de novas sonoridades de forma sempre curiosa, experimental.

Sem pressa – grande parte das faixas ultrapassam os seis minutos de duração –, Jaar testa diferentes combinações e ritmos. Um bom exemplo disso está em No. Quarta faixa do disco, a canção de batidas  lentas cresce com leveza, mergulhando em uma atmosfera quente, por vezes íntima das batidas e do romantismo presente na cúmbia. Nos versos, o peso político e um retrato da luta pela democracia no Chile no final dos anos 1980. Um resgate de frases e fragmentos que mostram a articulação para a derrubada do ditador Augusto Pinochet e o início do período democrático no país. A própria frase estampada na capa do disco –“Ya dijimos no pero el si esta en todo” –, dialoga de forma explícita com plebiscito de 1988, campanha perfeitamente retratada no filme No (2013), de Pablo Larraín.

Dividido entre a euforia e instantes de maior serenidade, Jaar brinca com os contrastes durante toda a construção da obra. Se em minutos são os ruídos atmosféricos de Killing Time que cercam o ouvinte, logo em seguida, os temas eletrônicos, batidas e até guitarras Three Sides of Nazareth tomam conta do trabalho. Um ato turbulento. Pouco menos de dez minutos em que Jaar prova de diferentes fases e conceitos da música Techno, mergulha em ambientações soturnas e ainda flerta com o trabalho de outros produtores e obras recentes, como Wolfgang Tillmans em Device Control (2016).

Perfeita síntese do álbum, The Governor, segunda faixa do disco, mostra a capacidade de Jaar em colidir diferentes fórmulas e ambientações instrumentais dentro de uma única composição. Em um intervalo de quase sete minutos, o produtor parece brincar com a interpretação do público, costurando ruídos aquáticos, samples de pianos, experimentos jazzísticos, vozes e toda uma massa de sons eufóricos que dialogam com a poesia política da canção, íntima do mesmo material testado pelo produtor em músicas como No e Killing Time.

Movido pelo uso de pequenos diálogos, vozes picotadas, temas políticos e diferentes referências musicais – vide o diálogo com a obra dos Beach Boys na derradeira History Lessons –, Sirens talvez seja o registro mais pessoal da carreira de Jaar. A própria capa do disco, feita para ser raspada, oculta uma imagem da instalação A Logo for America, trabalho produzido pelo pai do produtor, o artista plástico Alfredo Jaar. Memórias, cenas e influências que flutuam de maneira propositadamente instável durante toda a construção do trabalho.

 

Sirens (2016, Other People)

Nota: 9.0
Para quem gosta de: Darkside, Wolfgang Tillmans e James Blake
Ouça: The Governor, No e Killing Time

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