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Resenha: “Skip a Sinking Stone”, Mutual Benefit

Artista: Mutual Benefit
Gênero: Folk, Indie, Singer-Songwriter
Acesse: http://www.mutualbenef.it/

 

Muito embora tivesse acumulado uma sequência de obras “caseiras” e discos produzidos desde o fim da década passada, foi com o lançamento de Love’s Crushing Diamond, em 2013, que Jordan Lee teve o primeiro álbum do Mutual Benefit oficialmente apresentado ao público. Marcado pelo uso dos detalhes e composições como Advanced Falconry e Golden Wake, o registro continua a servir de base criativa para o norte-americano, percepção reforçada na manipulação sereno dos vocais e arranjos que recheiam o novo trabalho do músico: Skip a Sinking Stone (2016, Mom + Pop).

Tão delicado quanto o registro entregue há três anos, cada faixa do presente disco se orienta de forma a revelar um mundo detalhes e encaixes sempre minimalistas. Não é difícil se perder no interior de cada canção, como se arranjos tímidos fossem ocultos e sutilmente revelados em cada manobra instrumental. Ainda que a curtinha Madrugada, música de abertura do disco, pareça indicar o som arquitetado para o disco, está em Lost Dreamers, quarta faixa do álbum a perfeita representação do som sustenta a obra.

Arranjos de cordas atmosféricos, violões e vozes serenas, batidas sempre controladas, como se um delicioso clima matutino tomasse conta da canção, ponto de partida para todo o restante da obra. Um material que comunga com a mesma proposta de artistas como The Shins, Sufjan Stevens e Fleet Foxes, mas sustenta na plena comunicação entre as faixas um som que parece íntimo apenas dos trabalhos de Mutual Benefit. Em Skip a Sinking Stone, cada composição serve de base para a música seguinte.

De proposta intimista, mais do que uma continuação do trabalho apresentado há três anos, lentamente o registro escancara os sentimentos mais profundos de Lee. “Leve-nos de volta para o passado / E eu não quero que esse amor / Torne-se uma memória”, desaba em Not For Nothing, música que sintetiza toda a paixão (e melancolia) presente no disco. A mesma tristeza volta a se repetir em The Hereafter, canção que transporta o trabalho para o mesmo universo de artistas como Elliott Smith e Jeff Buckley, tamanha confissão que escapa dos versos.

O amor é o mais alto de todos os sons / É o zumbido no ar, é a sujeira do chão / Você exerce um poder sobre mim / Até meu mundo desaparece e você é tudo que vejo”, confessa na emocionante faixa-título do disco, ponte para o mesmo romantismo que cresce em Closer, Still e Lost Dreamers. Versos que que parecem reproduzir o que há de mais doloroso e romântico na vida de qualquer indivíduo apaixonado. Do primeiro ao último fragmento de voz do trabalho, letras que sussurram temas sempre intimistas.

Mais que uma colcha de retalhos sentimentais, com o novo álbum, Lee parece detalhar um imenso cenário instrumental. Perceba como o canto de grilos e sapos toma conta da delicada Nacturne, conceito que se estende até a canção seguinte Slow March. Uma constante sensação de que o dia amanhece nos primeiros instantes do disco – vide faixas como Skipping Stones e Lost Dreamers –, seguindo em direção ao entardecer nos instantes finais do trabalho.

Skip a Sinking Stone (2016, Mom + Pop)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Sufjan Stevens, The Shins e Kevin Morby
Ouça: Last Dreamers, Not for Nothing e Skip a Sinking Stone

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