"Soft Sounds from Another Planet"

Ano: 2017
Selo: Dead Oceans
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Mitski e Jay Som
Ouça: Diving Woman e Boyish
Nota: 8.0

Resenha: “Soft Sounds from Another Planet”, Japanese Breakfast

Mesmo em um ano marcado pelo completo brilhantismo de Angel Olsen (My Woman), Mitski (Puberty 2) e Frankie Cosmos (Next Thing), Michelle Zauner conseguiu atrair a atenção do público para o primeiro trabalho sob o título de Japanese Breakfast, Psychopomp (2016). Uma seleção de faixas marcada pela completa sensibilidade dos arranjos e versos, produto das experiências e sentimentos que dominavam a mente da cantora e compositora norte-americana durante o processo de desenvolvimento da obra.

Em Soft Sounds from Another Planet (2017, Dead Oceans), segundo álbum de estúdio da também vocalista do grupo Little Big League, Zauner consegue ir além. Inspirada pelo cosmos e clássicos da ficção científica, a artista original de Eugene, Oregon, transporta os próprios sentimentos para um novo universo, costurando canções de amor, delírios existencialistas, temas feministas e reflexões típicas de uma jovem adulta durante toda a formação do trabalho.

Próxima e ao mesmo tempo distante do som produzido por veteranos do rock alternativo, Zauner passeia pela obra de artistas como Slowdive, Asobi Seksu e Chapterhouse sem necessariamente perder a própria essência. Um bom exemplo disso está na faixa de abertura do disco, a densa Diving Woman. Uma canção que dialoga com a música produzida no começo dos anos 1990, porém, sustenta no uso de temas atuais, como empoderamento feminino e contestação ao patriarcado, um poderoso componente criativo.

Da mesma forma que em Psychopomp, o grande charme do presente álbum está na capacidade de Zauner em explorar diferentes ritmos, épocas e possibilidades mesmo em um curto espaço de tempo. Instantes em que a cantora prova de elementos típicos do R&B, caso de Road Head, ou mesmo melodias eletrônicas, conceito ressaltado em Machinist, reservando à melancolia Boyish, música inspirada na obra de Roy Orbinson, um passeio pelo mesmo pop melódicos dos anos 1950 e 1960.

Interessante perceber na segunda metade do trabalho uma maior aproximação entre as faixas. Composições como 12 Steps, Jimmy Fallon Big! e The Body is a Blade em que Zauner parte de uma mesma base instrumental para a construção dos versos. Uma clara passagem para o mesmo universo desbravado durante a produção do primeiro álbum de estúdio. Doses controladas de distorção e ruídos que servem de alicerce para a voz limpa da cantora.

Acompanhada pelo produtor Craig Hendrix durante toda a execução da obra, Zauner faz do segundo álbum de estúdio do Japanese Breakfast um trabalho grandioso. Não se trata mais de um novo registro caseiro da artista , mas uma obra de essência colaborativa, passagem para a chegada de músicos como David Bartler (saxofone) e Asher Brooks (trompete), além, claro, do diretor de fotografia Adam Kolodny, responsável pela unidade estética nos clipes que acompanham as canções de Soft Sounds from Another Planet.

 

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