"Soledad"

Ano: 2017
Selo: EAEO
Gênero: Rock, MPB
Para quem gosta de: Céu, Cidadão Instigado e Bárbara Eugênia
Ouça: Jardim Suspenso, Beco da Noite e Portenosa
Nota: 8.3

Resenha: “Soledad”, Soledad

Um movimento bêbado da guitarra, e o trabalho de Soledad se revela por completo logo nos primeiros versos: “Quero deitar com você / Tocar suas incertezas no escuro”. Formada em teatro, estudante de Ballet e profunda conhecedora de diferentes aspectos da cultura popular, a cantora e compositora nascida em Fortaleza faz do primeiro álbum de estúdio uma obra marcada pela provocação. Sussurros, carícias e pequenos delírios românticos que se entrelaçam de forma a revelar um de som doce, inebriante.

Gravado durante o inverno de 2016, em São Paulo, o registro que conta com arranjos de Gui Amabis, Guilherme Mendonça, Bruno Rafael e Vitor Colares parece trabalhado de forma a acolher e exaltar a voz forte da cantora. Do romantismo brega que cresce em Portenosa, faixa de abertura do disco, passando pela leve aceleração de Corpo Solto, o minimalismo de Vermelho Azulzim, até o rock político de Beco da Noite, todos os elementos se projetam como um complemento à poesia densa do álbum.

Produto do mesmo universo de referências exploradas por Céu em Caravana Sereia Bloom (2012), obra que também conta com a interferência de Amabis, o homônimo álbum de oito faixas passeia pela década de 1970 sem necessariamente fixar residência. Um jogo de guitarras empoeiradas, psicodélicas, efeito do permanente diálogo entre Colares e Rafael. Composições que se espalham sem pressa, vagarosas, detalhando um imenso pano de fundo conceitual que orienta cada uma das canções do disco.

De emoções e sentimentos fortes, o registro faz de cada composição um objeto de evidente destaque. Um bom exemplo disso está na composição de Jardim Suspenso, segunda faixa do disco. Acompanhada pela guitarra provocativa de Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Soledad canta sobre um passado ainda recente. “Se lembra aquele filme que você me contou / Eu acho que você já se esqueceu do horror / E que eu chorei porque o fim lembrava a gente“, desaba em meio ao ondulado leve das guitarras.

Quanto mais o disco avança, mais o ouvinte é tragado pela força das emoções e versos lançados por Soledad. “Hoje a noite eu vou sair / Vestindo solidão / Eu vou sair / Vestido de mar / Despir tua intenção“, canta em Carnaval, música que utiliza dos instrumentos como um complemento à voz da cantora. Na acústica Mil Setas, terceira faixa do disco, uma reflexão internalizada e a necessidade do eu lírico em se encontrar — “Às vezes esqueço meu caminho / Mil Setas avisam que não é pra cá / Volto pra onde sou livre“.

Cercada por um time de colaboradores — além dos nomes acima citados, Regis Damasceno, Fernando Sanches, Felipe Lima e Igor Caracas integram a lista de parceiros —, Soledad faz do primeiro álbum de estúdio uma obra de acertos. São pouco mais de 30 minutos em que a poesia intimista do disco reflete sobre desilusões típicas de qualquer indivíduo. Decepções, medos, confissões e tormentos musicados, como se a artista transformasse a história de diferentes personagens em um registro particular.

 

 

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