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Resenha: “Sorrow – A Reimagining of Gorecki’s 3rd Symphony”, Colin Stetson

Artista: Colin Stetson
Gênero: Avant-Garde, Experimental, Contemporary Classical
Acesse: http://colinstetson.bandcamp.com/

 

Poucas vezes antes o trabalho de Colin Stetson pareceu tão “ameaçador” e ainda assim musicalmente acessível quanto em Sorrow – A Reimagining of Gorecki’s 3rd Symphony (2016, 52HZ). Mais recente álbum de estúdio do saxofonista norte-americano, o registro de apenas três faixas nasce como um curioso exercício de reinterpretação. A visão distorcida, por vezes obscura e caótica de Stetson sobre a 3ª sinfonia do compositor polonês Henryk Górecki.

Trabalho que mais se distancia de toda a sequência de álbuns apresentados por Stetson nos últimos anos – caso da série New History Warfare e o colaborativo Never Were the Way She Was (2015), disco lançado em parceria com a violinista Sarah Neufeld –, Sorrow é uma obra de ruptura. Longe da melancolia tradicionalmente despejada pelo saxofone do músico estadunidense, um catálogo de novas regras, melodias e ambientações instrumentais.

Música de abertura do disco, Sorrow: I – Lento — Sostenuto Tranquillo Ma Cantabile nasce como uma passagem brusca para esse novo universo explorado por Stetson. São pouco mais de 28 minutos em que arranjos orquestrais tecem uma preciosa e sufocante tapeçaria instrumental. Ideias sobrepostas que garantem novo significado ao saxofone versátil do músico norte-americano e toda o conjunto de instrumentos, ruídos e até mesmo vozes operísticas que ocupam o ato final da canção.

Na segunda parte do disco, Sorrow: II – Lento E Largo — Tranquillissimo, a manipulação sutil das melodias mostra o diálogo de Stetson com outros campos da música. Ao mesmo tempo em que a voz cresce e se espalha ao fundo da composição, bases lentas, sempre arrastadas e atmosféricas revelam um curioso interesse pelo trabalho de veteranos do pós rock. É fácil lembrar de grupos como Godspeed You! Black Emperor e, principalmente, o Sigur Rós dos discos Valtari (2012) e Kveikur (2013).

A mesma estrutura que sustenta o segundo ato da obra parece servir de base para a porção final do disco. Em Sorrow: III – Lento — Cantabile-Semplice, ao mesmo tempo em que a voz se destaca, arranjos orquestrais essencialmente distorcidos esbarram em uma sonoridade próxima do Shoegaze. Uma completa distorção dos temas clássicos, como se Stetson visitasse o mesmo terreno instável explorado nas canções do também insano New History Warfare Vol. 3: To See More Light, de 2013.

Ruídos claustrofóbicos, distorções amargas e elementos originalmente complexos, porém, tratados com maior honestidade e leveza. Travestido de homenagem, Sorrow lentamente se revela como uma obra marcada pela incerteza dos movimentos. Ainda que seja possível perceber a essência de Górecki na forma como os arranjos de cordas e vozes melancólicas orientam o trabalho, está na mente perturbada de Stetson o principal componente do registro.

 

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Sorrow – A Reimagining of Gorecki’s 3rd Symphony (2016, 52HZ)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Max Richter, Jóhann Jóhannsson e Steve Reich
Ouça: Sorrow: I – Lento — Sostenuto Tranquillo Ma Cantabile