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Resenha: “Strands”, Steve Hauschildt

Artista: Steve Hauschildt
Gênero: Experimental, Ambient, Electronic
Acesse: https://www.facebook.com/stevehauschildt/

 

Os últimos cinco anos foram bastante produtivos para Steve Hauschildt. Com o fim das atividades do Emeralds, projeto montado em parceria com os músicos John Elliott e Mark McGuire, o produtor original da cidade de Bay Village, Ohio passou a se dedicar na construção de obras marcadas pela sutileza dos detalhes. Registros como Tragedy & Geometry (2011), S/H (2013) e o último deles, o complexo Where All Is Fled, de 2015.

Em Strands (2016, Kranky), mais recente invento autoral de Hauschildt, melodias e bases minimalistas se espalham sem pressa, como se o produtor norte-americano se concentrasse apenas na manipulação dos detalhes. Uma lenta sobreposição de sintetizadores e ruídos eletrônicos, conceito explícito logo nos primeiros instantes do disco, em Horizon of Appearances, música que dialoga de forma nostálgica com a essência de veteranos da Kosmische Musik, como Tangerine Dream e Ash Ra Tempel.

São mantras eletrônicos que investem abertamente na completa repetição das bases e vozes ecoadas, percepção reforçada a cada novo ato do trabalho, mesmo na curtinha A False Seeming, música que se fecha em um cuidadoso looping instrumental. O mesmo conceito acaba se repetindo em Transience of Earthly Joys, faixa que utiliza de pianos delicadamente espalhados em uma atmosfera sombria – no melhor estilo Tim Hecker –, para prender a atenção do ouvinte.

Da curta discografia produzida com os parceiros do Emeralds, Hauschildt transporta para dentro do disco a lenta sobreposição de temas eletrônicos. Um bom exemplo disso está dentro de Same River Twice. Em intervalo de seis minutos, o músicos espalha uma sequência de melodias cósmicas, farelos instrumentais e bases eletrônicas que ocupam todas brechas da composição, a mesma atmosfera incorporada ao álbum Does It Look Like I’m Here?, de 2010.

Interessante perceber que mesmo na sutileza e propositada “lentidão” do trabalho, Hauschildt em nenhum momento permite que o álbum ecoe de forma penosa, arrastado. Por trás de cada composição, um mundo de detalhes e encaixes sutis que estimulam a audição do público, o mesmo cuidado evidente em outros trabalhos do gênero, como a série Selected Ambient Works, de Aphex Twin, ou mesmo os trabalhos mais recentes de Oneohtrix Point Never.

Hipnótico, Strands se projeta como um exercício de pura leveza, refletindo o cuidado de Hauschildt a cada nova composição. São músicas que partem de um direcionamento específico, sempre isoladas, mas que acabam se complementando no interior do registro. Um curioso emaranhado de ideias e melodias serenas que dialoga diretamente com a capa do disco, trabalho que conta com a assinatura da artista gráfica Leigh Silverblatt.

 

Strands (2016, Kranky)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Aphex Twin, Tim Hecker e Emeralds
Ouça: Strands, Same River Twice e Horizon of Appearances