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Resenha: “Stranger Things, Vol. 1 / Vol. 2”, Kyle Dixon & Michael Stein

Artista: Kyle Dixon & Michael Stein
Gênero: Synthpop, Ambient, Eletrônica
Acesse: http://survive.bandcamp.com/

 

O Senhor dos Anéis, referências aos filmes de Steven Spielberg, The Smiths, o terror de John Carpenter e Wes Craven, Star Wars, RPG, Goosebumps, os livros de Stephen King, The Clash, Alien: O Oitavo Passageiro, John Hughes, Os Goonies e toda uma coleção de referências nostálgicas. Se você cresceu nas décadas de 1980 ou 1990, talvez seja difícil não ser seduzido pela trama, doses concentradas de mistério e personagens que surgem em Stranger Things, série produzida pelos irmãos Matt e Ross Duffer – “Duffer Brothers” – para a Netflix.

Entretanto, para além dos limites do seriado, teorias, metáforas e personagens cativantes, sobrevive na trilha sonora da produção uma delicada homenagem à música produzida no mesmo período em que se passa a série. Em Stranger Things, Vol. 1 e Vol. 2 (2016, Lakeshore), os integrantes do S U R V I V E, Kyle Dixon e Michael Stein, se concentram na construção de um som não apenas climático e restritivo, mas que dialoga de forma natural com os instantes de tensão da obra, movimentando parte expressiva das cenas, diálogos e acontecimentos da trama.

Da homônima faixa de abertura da série – um jogo de texturas eletrônicas com pouco mais de um minuto de duração –, passando pelo clima aventureiro de Kids, o minimalismo sombrio de Eleven e Crying, até alcançar o suspense de músicas como The Upside Down, I Know What I Saw e Photos in the Woods, difícil ouvir a trilha sonora da série e não ser imediatamente transportado para o cenário de Hawkins, Indiana, onde se passa toda a ação de Stranger Things. Ruídos sintéticos, detalhes e batidas pontuais que cercam o ouvinte a todo o instante.

Donos de uma rica seleção de obras catalogadas no Bandcamp – como discos, singles e versões digitais de registros lançados em fita cassete –, Dixon e Stein incorporam parte do material produzido nos últimos anos para dentro da trilha de Stranger Things. Seja na produção de faixas mais curtas, caso de Fresh Blood e A Kiss, como na construção de peças extensas, vide Hawkins e No Weapons, durante toda a formação do álbum, pequena pontes atmosféricas incorporam a mesma ambientação detalhista explorada em obras como LLR002 (2010) e TLLT21 (2012).

A mesma sonoridade explorada pela dupla acaba aproximando as canções de Stranger Things de outras obras recentes. Trabalhos como a preciosa trilha sonora de Drive (2011), produzida poe Cliff Martinez; Lost River (2015), obra que conta com a produção de Johnny Jewell (Chromatics), e, principalmente os temas sintéticos que o produtor Rich Vreeland (Disasterpeace) desenvolveu para o filme It Follows (2015). Sobram ainda pequenas referências aos clássicos de John Carpenter, vide a parceria do diretor com Ennio Morricone em O Enigma de Outro Mundo (1982), obra referenciada em diversos momentos da série da Netflix.

Dividido em dois volumes – o primeiro com 36 composições e o segundo com outras 39 músicas –, a trilha de Stranger Things parece seguir o ritmo proposto pela série. Nos instantes iniciais do trabalho, uma delicada atmosfera claustrofóbica, íntimas dos pequenos segredos e lenta apresentação dos personagens explorados ao longo da série. No ato seguinte, o movimento rápido das batidas, sintetizadores e pequenas curvas rítmicas, como se a mesma aceleração que orienta os episódios finais fosse transportado para o interior do disco.

 

Stranger Things, Vol. 1 / Stranger Things, Vol. 2 (2016, Lakeshore)

Nota: 8.5 / 8.2
Para quem gosta de: Disasterpeace, Chromatics e Cliff Martinez
Ouça: Stranger Things (Extended), The Upside Down, e Photos in the Woods