"Sugar at the Gate"

Ano: 2017
Selo: Arbutus Records / Balaclava Records
Gênero: Indie Pop, Dream Pop
Para quem gosta de: Mac DeMarco e Yumi Zouma
Ouça: Further e Petals
Nota: 7.5

Resenha: “Sugar at the Gate”, TOPS

Sugar at the Gate (2017, Arbutus Records / Balaclava Records) é tudo que você poderia esperar de um álbum do TOPS. Da ambientação minimalista que abastece a doce Cloudy Skies, música de abertura do disco, ao soft-rock levemente dançante que cresce em Further, todos os elementos originalmente testados nos dois primeiros trabalhos do grupo canadense — Tender Opposites (2012) e Picture You Staring (2014) — ganham novo e delicado enquadramento.

Trata-se de um claro exercício do grupo comandado pela vocalista Jane Penny em reforçar grande parte das influências e temas que vêm sendo explorados desde o começo da carreira. Melodias enevoadas e pequenos diálogos com o som produzido no final dos anos 1970, base para a referencial Petals, música que se apropria da boa fase do Fleetwood Mac em Rumours (1977). Um respiro leve antes da explosão de guitarras e ruídos de Dayglow Bimbo, uma espécie de retalho do indie rock/shoegaze produzido no começo dos anos 1990.

Na dobradinha formada por Marigold & Gray e Hours Between, dois atos complementares. Enquanto os versos detalham o que há de mais doloroso e intimista na vida sentimental da vocalista, guitarras tratadas com versatilidade parecem dançar na cabeça do ouvinte. Melodias empoeiradas que soam como um encontro imaginário entre Mac DeMarco e Ariel Pink, mas acabam encantando pela forma como a voz doce de Penny serve de estímulo aos arranjos, costurando instantes de pura leveza e doce melancolia.

A mesma ambientação dolorosa acaba se refletindo durante a construção de I Just Wanna Make You Real, oitava faixa do disco. “Eu penso em você todos os dias / Eu quero você perto de mim / Eu quero que você me sinta / Eu só quero torná-lo real“, confessa a vocalista em uma triste exaltação romântica. Uma solução de versos densos que se completa na instrumentação diminuta da faixa. Guitarras arrastadas que se completam com a base de sintetizadores psicodélicos espalhados ao fundo da composição.

Com um pé na década de 1980, Sugar at The Gate reserva para os instantes finais o som nostálgico de Second Erase e Topless. Enquanto a primeira conduz o ouvinte em direção ao primeiro álbum solo de Stevie Nicks, Bella Donna (1981), com a canção seguinte, Penny e os parceiros de banda, os músicos David Carriere e Riley Fleck, abraçam o dream pop. São pouco menos de três minutos em que sintetizadores obscuros e arrastados geram um curioso contraste com a voz da artista.

Produzido e gravado pela banda sob o Sol forte da cidade de Los Angeles, na Califórnia, o terceiro álbum de estúdio do TOPS segue um caminho oposto à trilha percorrida por diferentes obras produzidas no mesmo território. São versos consumidos em essência pela dor, arranjos entristecidos e melodias noturnas que sufocam o ouvinte durante toda a execução do trabalho. Um convite a explorar e compartilhar as principais angústias que perturbam a mente de Jane Penny.