"Summer Long"

Ano: 2017
Selo: Joinha Records
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Stereolab, Céu e China
Ouça: Berlin Friend e Power of Touch
Nota: 7.6

Resenha: “Summer Long”, Mombojó e Laetitia Sadier

O fascínio pela obra do Stereolab em nenhum momento foi tratado como segredo pelos integrantes da banda pernambucana Mombojó. Basta uma rápida audição de trabalhos como Nadadenovo (2004) e Homem-Espuma (2006) para perceber a influência do coletivo. Uma relação que acabou se aprofundando durante o lançamento de Alexandre (2014), obra que conta com a presença de Lætitia Sadier, vocalista do grupo franco-britânico.

Desse breve encontro nasce o mais recente trabalho de inéditas da banda, o EP Summer Long (2017, Joinha), registro que se abre para a completa interferência de Sadier, colaboradora do grupo em cada uma das quatro composições que abastecem o disco. Uma criativa troca de experiências, resultado do curto período de imersão da cantora em terras pernambucanas e do isolamento do grupo em um estúdio improvisado dentro de uma chácara na região de Aldeia, nos arredores de Recife.

Inaugurado pela crescente C’est Le Vent, Summer Long reforça o cruzamento de ritmos, referências e possibilidades logo nos primeiros minutos. Entre arranjos de cordas, sintetizadores e batidas sempre contidas, a voz forte de Sadier se espalha de forma hipnótica em meio a versos cantados em francês. Um pop orquestral, delicado, como uma adaptação levemente ensolarada do mesmo som produzido pela banda durante o lançamento do álbum Amigo do Tempo, em 2010.

Segunda faixa do disco, The Source talvez seja a composição que mais se aproxima do último registro de inéditas da banda. Da percussão marcante, passando pelo uso controlado das guitarras, efeitos e vozes em coro cuidadosamente encaixadas, grande parte da canção parece apontar para o material lançado em Alexandre. São quase cinco minutos em que o grupo — hoje formado por Chiquinho, Felipe S, Marcelo Machado, Missionário José e Vicente Machado —, prova de diferentes sonoridades.

Delicada, Power of Touch, terceira faixa do disco, encontra na leveza dos arranjos um precioso componente criativo. Melodias eletroacústicas que se apropriam de elementos da bossa nova sem necessariamente se distanciar do experimentalismo eletrônico que há mais de uma década movimenta as canções do grupo pernambucano. Um instante de pura serenidade e acolhimento, como um respiro breve dentro da criativa coleção de ideias que abastece o trabalho.

Escolhida para o fechamento do disco, Berlin Friend sobrevive como a composição em que o grupo mais se aproxima da obra do Stereolab. Guitarras propositadamente instáveis, samples, texturas eletrônicas e o delicado dueto entre Sadier e Felipe S. Um resumo criativo do imenso quebra-cabeça musical que caracteriza o trabalho. Com arte de Julia Falcão, Summer Long ainda vem acompanhado de um divertido documentário que mostra todo o processo de gravação do álbum.