"Superorganism"

Ano: 2018
Selo: Domino / Banquet
Gênero: Indie Pop, Pop Psicodélico
Para quem gosta de: MGMT, Glass Animals e Passion Pit
Ouça: Everybody Wants To Be Famous e Nobody Cares
Nota: 8.0

Resenha: “Superorganism”, Superorganism

A versatilidade talvez seja a principal marca do som produzido pelo coletivo multiétnico Superorganism. Com membros vindos de diferentes partes do globo, como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Londres, Austrália e Nova Zelândia, o mínimo que se esperava do primeiro álbum de estúdio da banda comandada por Orono Noguchi seria uma obra grandiosa, marcada pela permanente ruptura e criativa costura de ritmos. Satisfatório perceber no registro de dez faixas que apresenta de forma definitiva o trabalho do grupo uma obra ainda maior.

Produzido pelos próprios integrantes em um intervalo de poucos meses, o trabalho completo pela presença dos músicos Christopher Young (Harry), Mark Turner (Emily), Tim Shann (Tucan), Blair Everson (Robert Strange), Ruby, B e Soul vai do pop psicodélico ao neo-soul em uma inusitada combinação de ritmos. São camadas de temas eletrônicos, vozes em coro, fragmentos extraídos de vídeos do YouTube, melodias e batidas dançantes que transportam o ouvinte para diferentes territórios. Um imenso turbilhão criativo que continua ecoando mesmo depois dos últimos acordes da derradeira Night Time.

Pop sem necessariamente parecer descartável, a estreia do Superorganism sutilmente resgata a mesma tonalidade esquizofrenia que tanto marca o trabalho de veteranos do indie pop/neo-psicodelia. Difícil não lembrar de The Flaming Lips, of Montreal e demais artistas que receberam maior destaque entre o final da década de 1990 e início dos anos 2000. De fato, não são poucos os momentos em que o coletivo resgata a essência de obras como Yoshimi Battles the Pink Robots (2002) e Hissing Fauna, Are You the Destroyer? (2007), brincando com as possibilidades dentro de estúdio.

Exemplo disso está na colorida sobreposição de ideias que toma conta da pegajosa Everybody Wants To Be Famous. Enquanto os versos exploram o desejo de qualquer indivíduo em ser famoso (“Todo mundo quer, ninguém tem vergonha / Todo mundo deseja que conheçam seu nome“), musicalmente, a canção se espalha em meio a camadas de fina transformação instrumental, samples e temas vindos de diferentes campos da música. Um cuidado que se reflete na canção seguinte, Nobody Cares, música que vai do country-folk ao pop eletrônico de forma descomplicada, transformando o simples som de um espirro na base para a composição.

Livre de possíveis excessos, a estreia do Superorganism faz de cada composição um objeto precioso. Do momento em que tem início, em It’s All Good, passando pela parcial melancolia de Reflections On The Screen, música que lembra o trabalho de Wayne Coyne, passando por faixas como SPRORGNSM e a já conhecida Something for Your M.I.N.D., difícil não se deixar conduzir pela criativa base instrumental e poética do disco. Um lento desvendar de ideias e experiências que acompanha o ouvinte durante toda a execução da obra.

Próximo e, ao mesmo tempo, distante de outros representantes do pop rock atual, a estreia do Superorganism não apenas dialoga com a obra de Foster The People, Passion Pit e Glass Animals, como sutilmente expande esse repertório da banda de forma inteligente, pouco convencional. Trata-se de uma completa fuga do óbvio, como se mesmo repleto de composições feitas para grudar na cabeça do ouvinte, os integrantes do Superorganism fossem capazes de ir além, colidindo fórmulas e experiências que fazem do disco disco o princípio de uma obra ainda maior.

 


One thought on “Resenha: “Superorganism”, Superorganism

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Send this to friend