"Tangerine Reef"

Ano: 2018
Selo: Domino
Gênero: Experimental, Pop Psicodélico
Para quem gosta de: Deakin e Avey Tare
Ouça: Hair Cutter e Airpipe (To a New Transition)
Nota: 5.0

Resenha: “Tangerine Reef”, Animal Collective

Em algum momento o Animal Collective parece ter se perdido. Passada a euforia gerada em Merriweather Post Pavilion (2009), pouco do que vem sendo produzido pelo coletivo de Baltimore, Maryland, tem se mostrado minimamente interessante ou provocativo. Sobram boas ideias, como no pop psicodélico de Painting With (2016), obra em que o grupo norte-americano decidiu reverenciar os principais movimentos artísticos do começo do século XX — como o dadaísmo e surrealismo —, entretanto, na prática, tudo não passa de uma reciclagem triste do som originalmente testado pela banda no início dos anos 2000.

Mais recente álbum de inéditas do grupo norte-americano, Tangerine Reef (2018, Domino) é um bom exemplo disso. Concebido em parceria com o Coral Morphologic, um projeto de ciência e arte organizado pelo biólogo Colin Foord e o músico J.D. McKay, o trabalho de 13 faixas deveria funcionar como uma trilha sonora embebida pela temática subaquática, como uma viagem submarina pelas cores e texturas das estruturas de corais. Um direcionamento que começa convincente, entretanto, acaba se perdendo no meio do caminho.

Ainda que orientado pela mesma estrutura conceitual originalmente testada no clássico Sung Tongs (2004), em que cada composição do disco parecia se amarrar à faixa seguinte, Tangerine Reef acaba pecando pela completa similaridade entre as músicas. Se nos minutos iniciais o trabalho prende atenção pelo evidente detalhismo do material, vide os samples aquáticos de Hair Cutter, ao avançar pelo disco, tudo que sobre é a voz arrastada de Avey Tare e parcos ruídos, como se a banda desse voltas em torno de uma cansativa estrutura rítmica.

Sem grandes variações, cada fragmento do disco parte sempre de uma mesma sobreposição de ideias e ritmos lentos. Entre poemas marcados pela subjetividade dos versos, sintetizadores climáticos, ruídos e samples se espalham de forma vagarosa, como uma propositada fuga do som colorido e enérgico anteriormente testado em músicas como FloriDada e Lying in the Grass, do álbum anterior. Emanações atmosféricas que conduzem sem pressa o ouvinte até a derradeira Best of Times (Worst of All).

Parte desse direcionamento monótono vem da clara ausência de Noah Lennox, o Panda Bear, na concepção do disco. Por se tratar de um coletivo aberto, onde os membros podem variar a cada novo projeto de estúdio, apenas Geologist, Deakin e o já citado Avey Tare atuaram na produção do álbum, deixando de lado o habitual pop psicodélico que tanto orienta os registros autorais de Lennox. São pouco mais de 50 minutos de duração em que o ouvinte vaga sem direção exata, perdido em meio a camadas de um som delirante, torto.

Dos poucos momentos em que se permite crescer e mudar de direção, como na psicodelia eletrônica que invade Airpipe (To a New Transition), Tangerine Reef impressiona o público, entretanto, logo mergulha em uma espiral de temas redundantes, como se fosse impossível distinguir uma faixa da outra. Melodias e vozes aleatórias, lançadas sem ordem aparente, como se o grupo regressasse aos mesmos experimentos embrionários de Danse Manatee (2001) e Campfire Songs (2003), quando o Animal Collective buscava se encontrar criativamente.