"Tenderness"

Ano: 2017
Selo: Arbutus Records
Gênero: Dream Pop, Indie Pop
Para quem gosta de: Braids e Hundred Waters
Ouça: No One Like You e Younger Heart
Nota: 7.5

Resenha: “Tenderness”, Blue Hawaii

Se existe uma coisa que Raphaelle Standell-Preston e Alex Cowan sabem como produzir melhor do qualquer outra dupla são composições essencialmente acessíveis, íntimas da música pop, porém, detalhadas em uma atmosfera minimalista. Um cuidado evidente desde a produção do primeiro registro de inéditas do duo canadense como Blue Hawaii, Untogether (2013), mas que ecoa de forma ainda mais interessante nas canções do recente Tenderness (2017, Arbutus Records).

Obra de possibilidades, o trabalho que veio sendo apresentado em pequenas doses nos últimos meses mostra a necessidade do casal em se reinventar dentro de estúdio. Sem necessariamente parecer uma obra desconexa, confusa, cada composição ao longo do disco transporta o ouvinte para um novo território musical, como se grande parte das influências da dupla canadense fossem resgatadas e espalhadas no decorrer do álbum.

Basta observar o forte distanciamento sonoro entre Free at Last e No One Like You. Enquanto a faixa de abertura do disco se espalha em meio a batidas e fragmentos eletrônicos que dialogam com a década de 1990, ambientações dançantes e melodias ensolaradas fazem da canção seguinte a passagem para um novo universo musical. Trata-se de um claro flerte da dupla com a música disco, como uma releitura curiosa do som produzido nos anos 1970.

Em Versus Game, quarta faixa do disco, a ponte para um novo universo musical. Entre batidas secas e vozes carregadas de efeito, Standell-Preston e Cowan transportam o ouvinte para um território marcado pela nostalgia, resgatando uma série de elementos incorporados à música eletrônica há mais de duas décadas. Possibilidades que encontram novo posicionamento no pop doloroso de Belong To Myself e, principalmente, no trip-hop de Younger Heart, faixa que mais se aproxima do disco anterior da dupla.

O mais interessante dentro desse universo marcado pela forte transformação está no esforço da dupla em fazer de cada faixa um experimento também diverso musicalmente. Exemplo disso está em Make Love Stay, nona canção do álbum. Ainda que a dupla preserva a própria essência, claro é o esforço em costurar diferentes ritmos dentro da mesma canção, indo minimalismo habitual do Blue Hawaii para um pop quente, lembrando Rihanna e outros nomes de peso da música pop.

Entre uma composição e outra, a dupla canadense ainda aproveita para detalhar pequenos fragmentos de vozes e gravações que servem de complemento direto ao trabalho. Diálogos que atravessam o cotidiano do casal, convidam o ouvinte a mergulhar em temas particulares ou mesmo abstratos, mas que acabam funcionando como pequenos respiros criativos, fazendo do álbum uma experiência que merece ser explorada em totalidade, da primeira à última canção.