"The Fifth State of Consciousness"

Ano: 2017
Selo: Two Flowers
Gênero: Pop Psicodélico, Dub, Eletrônica
Para quem gosta de: Forest Swords e Gang Gang Dance
Ouça: Love Can Move Mountains
Nota: 7.8

Resenha: “The Fifth State of Consciousness”, Peaking Lights

Aaron Coyes e Indra Dunis podem até preservar a mesma essência musical dos primeiros trabalhos em estúdio, entretanto, a repetição está longe de ser uma constante na obra do duo norte-americano. Três anos após o flerte com o pop no acessível Cosmic Logic (2014), e de contribuir com a marca de perfumes Régime des Fleurs em Little Flower / Conga Blue (2016), The Fifth State of Consciousness (2017, Two Flowers) inaugura um novo capítulo na discografia da banda.

Extenso, são quase 80 minutos de duração, o novo álbum sustenta no uso de temas eletrônicos e melodias etéreas o principal componente para a formação do registro. “Ao declarar seu amor pela música psicodélica, house, eletrônica e reggae, cada faixa parece seguir sua própria vida, revelando um fio mágico que une todas as canções“, resume o texto de apresentação da obra. Uma perfeita representação da sonoridade plural que há tempos orienta o trabalho da dupla estadunidense.

Com Dreaming Outside como faixa de abertura, grande parte do material produzido para o trabalho se revela de forma cuidadosa, hipnótica. Sintetizadores cósmicos, a cadência típica do reggae, vozes e guitarras psicodélicas, curvas rítmicas que convidam o ouvinte a dançar. Um verdadeiro labirinto de cores e formas que ocupa os quase sete minutos de duração. Instantes em que a dupla parece resgatar uma série de referências originalmente testadas nos discos 936 (2011) e Lucifer (2012).

A mesma ambientação letárgica acaba se revelando em outros momentos ao longo do trabalho. É o caso de Eclipse of Thr Heart, música que reforça o interesse da dupla pelo dub, mergulhando em camadas de distorções e nuvens de ruídos essencialmente ecoados. Passagens pela música jamaicana que voltam a se repetir em Put Down Your Guns e Coyote Ghost Melodies, músicas que garantem novo enquadramento ao som explorado pelo duo em Lucifer in Dub (2012).

Em Love Can Move Mountains, um indicativo do lado mais acessível da obra. Sintetizadores marcados pelo frescor dos anos 1980, como um convite a dançar. Para a crescente Everytime I See the Light, guitarras, sintetizadores e batidas rápidas que se completam, resultando em um espiral de sensações. Na extensa Sweetness Isn’t Far Away, com mais de dez minutos de duração, melodias eletrônicas que esbarram no mesmo dub-pop que abastece o restante da obra.

Dinâmico, mesmo na longa duração de suas faixas, The Fifth State of Consciousness resume de forma curiosa grande parte do material produzido pelo Peaking Lights nos últimos sete anos. Sem necessariamente parecer redundante, cada composição ao longo do registro se apropria de uma série de referências autorais, estímulo para a formação de um som marcado pelo uso de diferentes texturas instrumentais, camadas de influências e versos que refletem de forma doce sobre o cotidiano da dupla.