"The Future and the Past"

Ano: 2018
Selo: ATO
Gênero: Indie Pop, Soul
Para quem gosta de: Eleanor Friedberger, Courtney Barnett e Matthew E. White
Ouça: Sisters e Short Court Style
Nota: 7.8

Resenha: “The Future and the Past”, Natalie Prass

Em fevereiro de 2016, Michael David e Tyler Blake, produtores responsáveis pelo Classixx, decidiram dar novo acabamento à poesia melancólica de Natalie Prass, jogando com as batidas em Bird of Pray. Inicialmente concebida em meio a arranjos orquestrais, instrumentos de sopro e melodias brandas, base de todo o primeiro álbum da cantora e compositora de Ohio, a canção sutilmente foi adaptada para as pistas, resultando em uma interpretação curiosa, mas não menos interessante do som produzido pela artista.

Propositada ou não, é justamente dentro dessa mesma atmosfera “dançante” que Prass explora as canções do segundo e mais recente álbum de inéditas da carreira: The Future and the Past (2018, ATO). Um desvendar da alma feminina, desilusões amorosas e conflitos românticos que se projetam de forma essencialmente acessível. Frações intimistas que dialogam de maneira envolvente com todo e qualquer ouvinte, efeito da rica (e nostálgica) base instrumental que serve de alicerce para o disco.

Longe das ambientações orquestrais e diálogos com o pop de câmara produzido no final dos anos 1960, Prass e o produtor Matthew E. White, com quem vem trabalhando desde o disco anterior, vão além, se entregando ao desvendar do funk, soul e R&B explorado durante toda a década de 1970. O resultado dessa parceria está na produção de uma obra essencialmente colorida, pop, conceito reforçado logo na abertura do trabalho, com a dobradinha formada por Oh My e a agridoce Short Court Style.

O mais interessante talvez seja perceber em composições como Sisters, sétima faixa do álbum, um precioso ponto de encontro entre esse “passado e presente” criativo de Prass. Ápice do disco, a canção não apenas se entrega à música negra, efeito do coro de vozes e melodias funkeadas, como preserva o mesmo detalhismo evidente em My Baby Don’t Understand Me e todo o fino repertório do álbum anterior. Um claro exercício da versatilidade da cantora, postura reforçada em Never Too Late e na crescente Ship Go Down.

Ponto de partida para uma nova fase na carreira de Prass, The Future and the Past ainda revela músicas como The Fire, um pop-rock-empoeirado que lembra os instantes de maior entrega de Stevie Nicks no Fleetwood Mac, porém, em uma linguagem atual, íntima do som produzido pelo Haim em Days Are Gone (2013). Mesmo Ain’t Nobody, faixa de encerramento do disco, busca garantir novo acabamento ao soul incorporado pela artista ao longo da obra, costurando arranjos de cordas e sintetizadores de forma essencialmente dançante.

Confessional do primeiro ao último verso, The Future and the Past sustenta na poesia intimista de Prass um precioso elemento de conexão entre as faixas. São composições em que a artista norte-americana reflete sobre os próprios relacionamentos, sejam eles antigos ou recentes, fazendo do álbum uma extensa carta musicada. Canções que vão da fina melancolia (Nothing To Say, Lost) à breve libertação (Far From You) de forma sutil, ampliando parte expressiva das emoções detalhadas pela cantora no álbum anterior.

 


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