"The Greatest Gift Mixtape"

Ano: 2017
Selo: Asthmatic Kitty
Gênero: Indie, Folk, Lo-Fi
Para quem gosta de: Bon Iver e Fleet Foxes
Ouça: Wallowa Lake Monster e The Greatest Gift
Nota: 7.5

Resenha: “The Greatest Gift Mixtape”, Sufjan Stevens

Memórias sorumbáticas da infância, a dor de uma relação familiar corrompida pela depressão e o álcool, melodias tristes e o peso da morte. Com o lançamento de Carrie & Lowell (2015), 7º álbum de inéditas em carreira solo, Sufjan Stevens decidiu se afastar do universo do personagens fantásticos detalhados em obras como Illinois (2005) e The Age of Adz (2010), fazendo de cada composição um resgate sensível da relação com a mãe e o padrasto apontados logo na imagem de capa e título da obra.

Complemento direto do material entregue ao público há dois anos, The Greatest Gift Mixtape – Outtakes, Remixes, & Demos from Carrie & Lowell (2017, Asthmatic Kitty) delicadamente amplia o universo entristecido de Stevens. Composições que acabaram de fora do corte final do registro, além de pequenos encontros com diferentes produtores, garantindo novo acabamento ao som doloroso que cresce no interior de faixas como All of Me Wants All of You e Death with Dignity.

Entre as canções inéditas que abastecem a coletânea, a inaugural Wallowa Lake Monster, música que joga com um universo de referências metafóricas, cenários e melodias, porém, sempre regressando ao núcleo particular do trabalho, centrado na infância problemática do músico. “E como o picoteiro-americano, ela estava bêbada o dia todo“, canta enquanto resgata a memória de uma viagem com a mãe ao Lago Wallowa, no Oregon, apontando a direção seguida no restante do álbum.

Em The Greatest Gift, sexta faixa do registro, o cuidado de Stevens na construção dos arranjos e versos. São pouco menos de dois minutos em que o músico norte-americano colide temas religiosos e sussurros intimistas de forma a conduzir o ouvinte pelo interior de um cenário dominado por pequenas incertezas. Um som agridoce, cuidado que se reflete nas também inéditas The Hidden River of My Life e City of Roses. Fragmentos que crescem em uma cama de arranjos e vozes minimalistas, mágicas.

Dentro desse cercado autoral, nomes como Helado Negro, Doveman e 900X buscam reforçar os sentimentos de Stevens em um conjunto limitado de remixes. Composições que ampliam o conceito eletrônico detalhado pelo músico desde a boa fase em The Age of Adz, porém, sempre preservando o acabamento minucioso dos arranjos, batidas e vozes da obra original. Preciosidades como a nova versão para Fouth of July e o fino toque de psicodelia que costura toda a base de sintetizadores da faixa.

Surgem ainda composições como a já conhecida versão de Stevens para Blue Bucket of Gold, entregue ao final de 2015, além de demos gravadas de forma caseira no iPhone do músico – caso de John My Beloved. Instantes em que o artista passeia de forma curiosa pelo interior da própria obra. Um cuidado que repete o mesmo exercício testado na coletânea The Avalanche (2006), complemento ao material entregue um ano antes durante o lançamento do clássico Illinois.