"The Pacific Visions of Martin Glass"

Ano: 2017
Selo: Kit / Dramatic
Gênero: Eletrônica, Ambient Music
Para quem gosta de: Washed Out e Mark Barrott
Ouça: Okinawa Fantasia e Paradise Bubble
Nota: 7.5

Resenha: “The Pacific Visions of Martin Glass”, Martin Glass

Poucas vezes antes o rótulo de “música ambiente” fez tanto sentido quanto nas canções de The Pacific Visions of Martin Glass (2017, Kit / Dramatic). Como indicado logo na imagem de capa do trabalho, trata-se de um convite sutil a visitar um cenário nostálgico, colorido pela atmosfera empoeirada dos anos 1970. Composições alimentadas pela sonoridade e estética de um passado não vivenciado, ainda que permanente na cabeça do norte-americano Martin Glass.

Produto do natural isolamento do artista na Tailândia, o trabalho de 11 faixas e pouco mais de 30 minutos de duração faz do passado um elemento presente a cada nota ou encaixe minimalista assinado pelo músico. Entre sintetizadores tropicais, sons de pássaros, vozes maquiadas pelo uso de efeitos e pinceladas etéreas, Glass transforma o registro em uma espécie de abrigo temporário, brincando com diferentes elementos e referências típicas da cultura oriental.

Um bom exemplo desse material sobrevive logo na sequência de abertura do disco. Enquanto a inaugural Okinawa Fantasia joga com a repetição, detalhando um jogo climático de sintetizadores a captações caseiras, em Sound & Image, segunda faixa do disco, Glass aponta para o passado de forma curiosa. Sintetizadores coloridos, batidas e samples que pintam um cenário à beira-mar, lembrando em alguns aspectos os primeiros registros de Washed Out e Memory Tapes.

Interessante perceber que mesmo íntimo de uma série de referências e ambientações exploradas há três ou mais décadas, Glass mantém firme a própria identidade. Na contramão de outros exemplares recentes que provam de referências tropicais, o produtor norte-americano parece não economizar nos detalhes, postura reforçada no jazz-pop de Paradise Bubble, música que soa como uma versão ensolarada do trabalho de Angelo Badalamenti para a trilha sonora de Twin Peaks.

Em Reach The Beach, um labirinto instrumental que passa pela obra de veteranos como Phillip Glass e Ryuichi Sakamoto, porém, repete uma série de elementos testados pelo norte-americano desde o começo do disco. Surgem ainda músicas como Acura Cruise, composição que flerta com elementos da Balearic Beat, ou mesmo a climática Floatin to Work, faixa que transporta o ouvinte para um universo de emanações cósmicas, como uma fuga breve do restante da obra.

Maior do que a própria duração das faixas parece indicar, The Pacific Visions of Martin Glass oculta um mundo de detalhes e pequenas possibilidades dentro de cada composição. Com um pé nos anos 1970 e outro no presente, Glass convida o próprio ouvinte a mergulhar em um cenário paradisíaco, mágico, como uma ilha tropical escondida em algum ponto do extremo oriente. Melodias eletrônicas, batidas e vozes que sutilmente parecem dançar em torno do público.

 

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