"Three Futures"

Ano: 2017
Selo: 4AD
Gênero: Rock Alternativo, Eletrônica, Folk
Para quem gosta de: Sharon Van Etten e PJ Harvey
Ouça: Skim e Three Futures
Nota: 8.0

Resenha: “Three Futures”, Torres

O coração partido de Mackenzie Scott continua rendendo bons frutos. Sob o título de Torres, a cantora e compositora norte-americana fez nascer dois álbuns de forte sensibilidade poética. O primeiro deles, lançado em 2013, um minucioso registro homônimo dominado pela inserção de pequenas ambientações acústicas e forte diálogo com o country/folk. Em Sprinter, finalizado dois anos mais tarde, a passagem para uma obra de forte experimentação, como a passagem para um novo capítulo na carreira da musicista.

Terceiro registro de inéditas da artista norte-americana, Three Futures (2017, 4AD) continua a jogar com os sentimentos e pequenas exposições sentimentais de Scott, porém, de forma ainda mais sensível, intimista. Em uma mescla clara do som desbravado nos dois primeiros registros de estúdio, Torres desacelera para reforçar ainda mais a dor da separação, medo e angústia retratada nos versos, conceito detalhado em cada uma das dez faixas do disco.

Com produção assinada em parceria com o britânico Rob Ellis, parceiro de longa data da cantora PJ Harvey, o sucessor de Sprinter sustenta no uso climático dos sintetizadores o componente central para o crescimento da obra. Exemplo disso está na lenta sobreposição das melodias eletrônicas que abastecem Greener Stretch, música que lembra um improvável encontro da dupla Soft Cell (em faixas como Say Hello, Wave Goodbye) com o clássico World of Echo (1986), de Arhur Russell.

De fato, a influência de Russell parece evidente durante toda a execução do trabalho. Perceba como melodias enevoadas e batidas econômicas sutilmente tomam forma no interior da faixa-título do disco, reforçando a poesia melancólica de Scott. Composição escolhida para a abertura do trabalho, Tongue Slap Your Brains Out é outra que investe na mesma atmosfera. Instantes de profunda serenidade e dor, reforçando a proximidade de Torres em relação ao ouvinte.

Mesmo nos instantes em que norte-americana “pesa” na produção dos arranjos, Three Futures em nenhum momento se distancia de um conceito pré-estabelecido logo na abertura da obra. São faixas como Skim, em que Torres adapta parte do material testado em Sprinter, ou mesmo Bad Baby Pie, composição em que os temas eletrônicos são trabalhados em paralelo ao canto de Scott. Surgem ainda músicas como Helen in the Woods, um fragmento raivoso, como o produto de um encontro entre PJ Harvey e St. Vincent dentro de estúdio.

Conduzido em uma medida própria de tempo, Three Futures encolhe e cresce a todo instante, como se Torres mantivesse distanciamento de uma obra previsível. Perfeita representação desse propósito ecoa na faixa de encerramento do disco. São pouco mais de oito minutos em que Scott, Ellis e demais colaboradores, entre eles, Adrian Utley, do Portishead, testassem os próprios limites, fazendo de cada elemento da composição — voz, batidas e sintetizadores —, um objeto de destaque.

 

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