"Ti Amo"

Ano: 2017
Selo: Glassnote
Gênero: Indie Pop, Synthpop
Para quem gosta de: Passion Pit e Cut Copy
Ouça: J-Boy, Goodbye Soleil e Ti Amo
Nota: 7.5

Resenha: “Ti Amo”, Phoenix

Fuga propositada de tudo aquilo de tudo aquilo que os integrantes do Phoenix vêm produzindo desde o lançamento do jovem clássico Wolfgang Amadeus Phoenix (2009), Ti Amo (2017, Glassnote) reflete o lado romântico e doce do grupo francês. Uma coleção de versos essencialmente apaixonados, como um delicado passeio pelo território musical da Itália, ponto de partida para cada uma das dez faixas que abastecem o presente registro.

Vindo em sequência ao material produzido pelo grupo em Bankrupt! (2013) o trabalho que conta com produção dividida entre Pierrick Devin e a própria banda passeia por entre décadas. De um lado, sintetizadores e batidas eletrônicas que apontam para a segunda metade dos anos 1970, bebendo da obra de Giorgio Moroder e outros veteranos da Italo-disco. No outro oposto, guitarras e vozes cuidadosamente encaixadas, como um regresso ao primeiro álbum de estúdio da banda United (2000).

Da chuva de sintetizadores que cai em J-Boy, música de abertura do disco, passando pela atmosfera dançante da faixa-título, ou mesmo a doce melancolia de Fiori de Latte, até alcançar a derradeira Telefono, música que se apropria de um diálogo pelo telefone como base para a composição dos versos, cada fragmento do registro parece pensado para fisgar o ouvinte. Uma pluralidade de ideias que amplia consideravelmente grande parte dos conceitos apresentados pela banda no trabalho anterior.

O que acaba aproximando todo esse material são justamente os sentimentos detalhados nos versos de cada composição. Como indicado no título da obra, Ti Amo mergulha em um universo de exaltações românticas, preferência reforçada logo nos primeiros minutos do disco, em J-Boy (“Só por você / Essas coisas eu tenho que passar / É mais do que isso / E não há como culpar / Para nós dois“). Um cuidado que se repete e amadurece lentamente durante toda a formação do trabalho.

Um bom exemplo disso está em Goodbye Soleil. Sétima canção do disco, a faixa alimentada pela utilização de versos bilíngues detalha os desencontros de um casal em um cenário marcado pelas descrições. O mesmo cuidado se reflete na agridoce Lovelife, um doloroso registro autoral que cresce nos sintetizadores e bases melódicas da canção. “Eu nunca quis deixá-lo sozinho / Muitas promessas implacáveis / E se eu perceber quero que você saiba / Estou me tornando sozinho“, canta o melancólico Thomas Mars.

Dançante, intimista, doloroso e sorridente, Ti Amo mostra o esforço do grupo francês em se reinventar dentro de estúdio. Da pluralidade de referências que abastecem o disco ao uso de samples que surgem em faixas pontuais, caso de October (Love Song), da dupla Chris & Cosey em Lovelife e Expensive Shit, do músico Fela Kuti em Fleur de Lys, o sexto álbum de estúdio confirma o pleno amadurecimento do grupo francês, postura que em nenhum momento prejudica a jovialidade e leveza que há quase duas décadas orienta o trabalho da banda.


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