"Too Real"

Ano: 2017
Selo: Counter Records
Gênero: Eletrônica, R&B, Synthpop
Para quem gosta de: Slow Magic e Baths
Ouça: Maybes e Slowly
Nota: 7.5

Resenha: “Too Real”, Giraffage

Em 2013, quando deu vida à mixtape Needs e foi oficialmente apresentado a uma parcela maior do público, o californiano Charlie Yin parecia seguir mergulhado um conceito particular, brincando com a lenta desconstrução do R&B em meio a pinceladas consideráveis de nostalgia e emanações empoeiradas. Um som propositadamente hermético, intimista e provocante, como um curioso olhar do artista sobre toda a produção da música pop nas últimas duas (ou mais) décadas.

Ponto de partida para uma nova fase na carreira de Yin, Too Real (2017, Counter Records), primeiro álbum de estúdio do produtor sob o título de Giraffage, sutilmente amplia os limites e temas explorados desde a construção da última mixtape de inéditas. Entre sintetizadores carregados de efeitos, cores e vozes sampleadas, cada composição parece incorporar diferentes estilos, flutuando em uma cama de pequenas possibilidades e aproximações curiosas com o pop.

Como indicado logo na inaugural Do U Want Me, Yin parte em busca do mesmo som melódico/radiofônico que tomou conta das principais paradas de sucesso durante grande parte dos anos 1980 e 1990. Composições que passeiam por elementos do Hip-Hop, R&B e rynthpop sem necessariamente parecer presas a um único gênero. Um ziguezaguear de ideias que aproxima passado e presente, transformação evidente no colorido melódico de Earth, faixa que costura diferentes sonoridades em um curto espaço de tempo.

A principal diferença em relação ao material apresentado por Giraffage nos últimos trabalhos está no time seleto de colaboradores que acompanham o artista durante toda a execução da obra. Quem poderia imaginar que um dia Yin iria estreitar a relação com a cantora/produtora Michelle Zauner (Japanese Breakfast)? É justamente desse encontro que nasce uma das principais composições do disco, Maybes, faixa que passeia por diferentes estilos e ambientações de forma sempre curiosa, como se a dupla compartilhasse segredos.

Em Slowly, terceira faixa do disco, Yin não apenas resgata parte do r&b enevoado de Needs, como ainda cria uma pequena brecha para a chegada do convidado Matosic, espalhando fragmentos de vozes e sintetizadores do começo ao fim da canção. O mesmo conceito se repete na quase pop 19 Hours, parceria com Harrison Lipton que mostra como seria o trabalho de Oneohtrix Point Never se o produtor flertasse com a mesma EDM de nomes como Major Lazer, MØ e Justin Bieber.

Nascido da lenta sobreposição de ideias, vozes, samples e inserções melódicas sempre minuciosas, Yin faz do primeiro álbum do Giraffage uma obra capaz de prender a atenção do ouvinte logo em uma primeira audição, mas que parece ainda maior a cada nova passagem pelo disco. Composições que mostram a capacidade do artista norte-americano em perverter o pop/r&b de forma autoral, costurando décadas de referências em uma obra alimentada pelos instantes das batidas e sentimentos detalhados pelos convidados.

 


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