"Truth Is a Beautiful Thing"

Ano: 2017
Selo: Metal & Dust / Ministry of Sound
Gênero: Indie Pop, Soul e R&B
Para quem gosta de: The XX, U2 e Coldplay
Ouça: Rooting For You e Big Picture
Nota: 7.3

Resenha: “Truth Is a Beautiful Thing”, London Grammar

Os sentimentos tomam conta de Truth Is a Beautiful Thing (2017, Metal & Dust / Ministry of Sound). Sem pressa, quatro anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, If You Wait (2013), Hannah Reid e os parceiros de banda, os músicos Dominic ‘Dot’ Major e Dan Rothman, estão de volta com um novo registro de inéditas. Um doloroso retrato sobre a necessidade de amadurecer, relacionamentos conturbados e conflitos pessoais que servem de estímulo para a delicada construção dos versos.

Estarei aqui com você / Assim como disse que estaria / Eu adoraria te amar para sempre / Mas tenho medo da solidão / Quando eu estou, quando estou sozinha com você“, canta Reid logo nos primeiros minutos do disco, em Rooting For You. Um melancólico lamento musicado, como uma clara continuação do material produzido pela banda durante o lançamento do primeiro álbum de estúdio, porém, encarado com maior força e comoção, cuidado evidente em cada fragmento do presente álbum.

A mesma força dos versos acaba se refletindo durante a construção de Big Picture, segunda canção do disco. “Não diga que você nunca me amou / Não diga que você se importou … Só agora vejo a verdadeira / Mas juro que essas cicatrizes estão bem“, desaba Reid em uma dolorosa exposição sentimental. Uma letra sensível, íntima de qualquer ouvinte sofredor e completa pela fina camada instrumental que conta com a produção de Jon Hopkins, artista que já trabalhou com nomes como Coldplay e Purity Ring.

Além de Hopkins, Truth Is a Beautiful Thing se abre para a chegada de um time seleto de colaboradores. São nomes como conterrâneo Tom Elmhirst, músico que já trabalhou com Amy Winehouse e Lorde, o californiano Greg Kurstin, parceiro de Sia e Kelly Clarkson, e o principal deles, o veterano Paul Epworth, produtor responsável pelos trabalhos de gigantes como Adele e Florence and the Machine. Uma relação que ultrapassa o simples polimento das canções e acaba se refletindo na nova postura do trio inglês.

Responsável pela produção dos últimos discos do Coldplay e U2, Epworth transporta para dentro do álbum a mesma ambientação soturna de obras como Ghost Stories e Songs of Innocence, ambas de 2014. Entretanto, longe da morosidade que marca os dois registros citados, evidente é o cuidado e dinamismo no trabalho proposto pelo London Grammar. Batidas eletrônicas, guitarras enevoadas e texturas cuidadosamente delineadas, como uma rica tapeçaria instrumental que serve de base para a voz forte de Reid.

O resultado está na montagem de uma obra marcada pela força das histórias e sentimentos detalhados pelo trio. Instantes em que o London Grammar flerta com a música pop, caso de Oh Woman Oh Man e Leave The War With Me, porém, sem necessariamente perder a ambientação densa que marca o primeiro álbum de estúdio, proposta reforçada durante a construção de músicas como Rooting For You e Wild Eye. Uma clara tentativa do grupo em provar de novas sonoridades e ainda preservar a própria essência.

 


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