Resenha: “Ty Segall”, Ty Segall

Categories Resenhas

Artista: Ty Segall
Gênero: Rock, Garage Rock, Rock Alternativo
Acesse: https://tysegall.bandcamp.com/

 

Passado o lançamento de Manipulator, em 2014, Ty Segall decidiu revisitar uma série de composições esquecidas dentro do próprio repertório. O resultado dessa busca está na produção de uma bem-sucedida coletânea de singles — $INGLE$ 2 (2014) —, um trabalho em homenagem ao grupo inglês T. Rex, lançado em 2015, além de um registro ao vivo, Live in San Francisco, apresentado meses depois. No começo de 2016, a chegada de um novo álbum de inéditas, o mediano Emotional Mugger, e o início de um longo período de hiato — pelo menos para os padrões do músico.

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor californiano em meses, Ty Segall (2017, Drag City), autointitulado trabalho de dez faixas, segue em direção ao passado. Trata-se de um precioso resgate de temas e referências que passa pelo pop-rock da década de 1960 — principalmente The Beatles —, mergulha no som psicodélico produzido nos anos 1970 e cresce como uma reciclagem de diferentes estilos de forma sempre enérgica, crua, estímulo para grande parte da discografia do guitarrista.

A principal diferença em relação aos últimos lançamentos de Segall está na forma como cada composição ao longo do presente disco se revela de forma acessível ao grande público. Logo nos primeiros minutos do trabalho, a explosão das guitarras e vozes de Break A Guitar, música que passeia por algumas das principais referências do músico norte-americano – como Nirvana e T. Rex –, sem necessariamente fazer disso um som copioso ou pouco inventivo.

Quanto mais o disco avança, mais Segall brinca com as possibilidades. Em Freedom, segunda faixa do disco, o possível resultado de como seria um encontro entre The Beach Boys e Ramones. Nas guitarras de The Only One, uma clara reverência ao Hard Rock dos anos 1970, efeito da movimentação firme dos arranjos, no melhor estilo Led Zeppelin. Na curtinha e acústica Orange Color Queen, um breve instante de pura leveza e romantismo, como se o músico resgatasse as mesmas melodias originalmente testadas em obras como Twins (2012) e Sleeper (2013).

De fato, grande parte do trabalho parece ancorado em conceitos anteriormente explorados pelo músico em outros registros autorais. Experimentos psicodélicos, harmonias coesas e conceitos sujos que capturam diferentes aspectos lançados em obras como Melted (2010), Goodbye Bread (2011) e até na crueza punk de Slaughterhouse (2012), este último, apresentado ao público sob o título do colaborativo Ty Segall Band. Um universo de temas particulares, mas que involuntariamente dialogam com a obra de gigantes do rock clássico.

Costurado por grandes composições – caso de Break a Guitar, Orange Color Queen e Warm Hands (Freedom Returned) –, este talvez seja o caminho mais fácil para que uma nova parcela do público se aproxime da obra de Segall. Versos pegajosos, o peso das guitarras, diferentes possibilidades a cada nova curva do disco. Um considerável flerte com a música pop, mas que em nenhum momento empobrece o som produzido pelo artista californiano.

 

Ty Segall (2017, Drag City)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Thee Oh Sees, Mikal Cronin e White Fence
Ouça: Break a Guitar, Orange Color Queen e Freedom

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Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post e hoje é editor de conteúdo no Itaú. Apaixonado por GIFs de gatinhos, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil como presente.

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