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Resenha: “Up and Coming Tour”, Paul McCartney

Paul McCartney
Up and Coming Tour 2010 – São Paulo/SP
Morumbi – 21 de Novembro

“Um espetáculo para toda a família”, por mais clichê que seja não há melhor definição para o show de Paul McCartney em sua turnê Up and Coming do que essa. Explorando um repertório que passeava pelos Beatles, Wings, The Fireman e sua fase solo o eterno rapaze de Liverpool fez do Morumbi uma enorme celebração para fãs (e até não-fãs) de todas as idades.

É impossível e até vergonhoso chamá-lo de senhor. Alguém que corre, canta, dança, conversa com a plateia, chuta balões e se movimenta de um canto a outro por mais de três horas não pode em hipótese alguma ser chamado de senhor. Macca parecia mais um moleque que se divertia ao ter acabado de ganhar um brinquedo novo. O brinquedo nesse caso era um público de 64 mil pessoas. O músico puxava coro dos homens e mulheres presentes, fazia caras engraçadinhas e dialogava com a multidão, boa parte disso em português. A plateia é claro, ia ao delírio.

Por todos os lados famílias inteiras acompanhavam o espetáculo. Senhores sexagenários que foram acompanhados de filhos e netos não eram figuras raras no local, pelo contrário, uma porção de senhoras e senhores grisalhos era visível e participativa durante todo o show.

As clássicas canções dos Beatles funcionavam quase como combustível, para animar ainda mais o publico que parecia sedento após uma longa espera pelo seu ídolo (o último show de McCartney no país foi em 1993). “All My Loving”, “Eleanor Rigby”, “Back In the U.S.S.R.”, “A Day In Life”, “Let It Be” e “Hey Jude” levavam a multidão ao extremo, provando que o efeito “Febre de Juventude” ainda era válido.

Explosões em Live and Let Die

 

O repertório seguia rigorosamente o DVD da turnê. Tanto os efeitos de pirotecnia e as atuações de McCartney eram previsíveis, entretanto os diálogos em “português” com o público (como quando destina My Love aos casais e para sua “gatinha Linda”) e as caras e bocas do músico faziam tudo valer à pena. Paul McCartney sabe fazer com que horas de espera na fila embaixo de sol forte sejam facilmente esquecidas, dando lugar a uma apresentação que com certeza será memorável para aqueles que estiveram no Morumbi na noite de 21 de novembro.

Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post, editor de conteúdo no Itaú. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.