"Vida Ventureira"

Ano: 2017
Selo: Independente
Gênero: Pop Psicodélico, Pop Rock
Para quem gosta de: Céu e Pélico
Ouça: Hoje eu quero passar longe e Vida Ventureira
Nota: 8.4

Resenha: “Vida Ventureira”, Bárbara Eugenia e Tatá Aeroplano

“Dois seres que saem em busca de si mesmos.
Um casal destemido à procura de tudo.
Uma viagem.
A reconexão com a natureza.
A volta pra dentro, a abertura pra fora.
A vida, o amor, o som que sempre nos acompanha.”

 

A atmosfera bucólica e o canto sertanejo da inaugural Vida Ventureira apontam com naturalidade o caminho seguido pela dupla Bárbara Eugenia e Tatá Aeroplano no primeiro álbum colaborativo. “A vida abençoada, é a vida a te largar andando pelo mundo … É vida pé na estrada, mania de jogar as coisa lá pro alto e se mandar“, detalha o casal enquanto uma doce ambientação se espalha vagarosa ao fundo da canção, como um convite a se perder no interior do trabalho.

Produto direto do claro amadurecimento que marca os dois últimos registros de inéditas de cada artista – Eugênia com o romântico Frou Frou (2015) e Aeroplano no colorido Step Psicodélico (2016) –, o trabalho de 12 faixas, três delas vinhetas, parece crescer em uma medida própria de tempo, sem pressa. Uma fuga declarada de possíveis exageros típicos de uma obra urbana, como uma passagem para um recanto criativo que parece desvendado em essência apenas pela dupla.

Libertador, Vida Ventureira (2017, Independente) encontra no rock rural e no folk psicodélico dos anos 1960/1970 um precioso estímulo para a composição dos versos. Um bom exemplo disso está na delicada construção poética e instrumental de músicas como As Asas São Escadas Para Voar (“Voa e vê lá, paisagens ancestrais onde a gente ia brincar / Te pego na mão, te levo comigo / O céu da manhã, um beijo na testa“) e a florestal O Verde das Matas (Bichos e flores e cores e aves no ar, no ar).

O romantismo é outro ponto importante para o natural crescimento do trabalho. “E eu me acabo nesta cama de motel / Sozinho, pensando, em voltar … Dói, dói, dói, escutar Chris Isaak cantando Wicked Games“, canta Aeroplano em meio a arranjos densos e vozes em coro, como um complemento direto à poesia angustiada que costura a canção, fino exemplo do eu lírico apaixonado e sofredor que passeia pelo trabalho e cresce na confessional Hoje eu quero passar longe.

Baby, hoje eu quero passar longe / Das coisas que você me fez passar / Deite no meu colo / Silêncio, silêncio, silêncio“, sussurra Eugênia enquanto sintetizadores atmosféricos se espalham ao fundo da composição. Um refúgio sensível, mesmo dentro da ambientação serena que marca o disco. Melodias brandas e versos cuidadosamente polidos, como um retrato vivo de uma personagem angustiada, chorando e, ao mesmo tempo, liberto de um antigo amor.

Para além do domínio conceitualmente estabelecido por Eugênia e Aeroplano, Vida Ventureira conta com a presença de músicos como Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque, parceiros da dupla paulistana não apenas dentro do presente disco, mas em toda a sequência de obras produzidas pelos músicos nos últimos anos. Inserções precisas, sempre complementares, como pinceladas coloridas que ampliam ainda mais a imensa paisagem musical detalhada pelo casal.

 

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