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Resenha: “Weval”, Weval

Artista: Weval
Gênero: Electronic, Techno, Ambient
Acesse: https://soundcloud.com/weval

 

Harm Coolen e Merijn Scholte passaram os últimos seis anos em busca de um ponto de equilíbrio entre as experiências que abasteceram o trabalho de cada produtor em carreira solo. Como resultado dessa parceria, uma coleção de músicas avulsas, remixes e EPs em que o duo holandês colide ideias e experiências que tanto incorporam a House Music – base do trabalho de Coolen –, como esbarram em elementos do Trip-Hop/Ambient Music – ponto de partida da carreira solo de Scholte –, estímulo para o material seguro que cresce delicadamente no interior da homônima estreia da dupla como Weval.

Com distribuição pelo selo alemão Kompakt – casa de artistas como The Field e Gui Boratto –, o registro de 12 faixas e pouco mais de 50 minutos de duração parece seguir um caminho isolado em relação a outros trabalhos relacionados ao selo. Trata-se de uma obra que não apenas incorpora uma série de elementos típicos de diferentes produtores do mesmo grupo, como fragmenta cada batida e base de forma a reproduzir um material essencialmente climático, sutil.

Em I Don’t Need It, terceira faixa do disco, um resumo preciso de grande parte das canções produzidas pela dupla. Enquanto o verso central da composição flutua livremente – “I Don’t Need It / I Don’t Need It”–, funcionando como um instrumento complementar, batidas e pequenos ruídos eletrônicos crescem lentamente, sempre pontuais, criando uma espécie de alicerce para o delicada base de sintetizadores produzida pelos holandeses.

De fato, sobrevive no delicado uso dos sintetizadores o principal componente da obra. Da abertura do disco, em Intro, passando por músicas como The Battle, Just In Case e Years To Build, Coolen e Scholte apresentam um mundo de pequenas ambientações instrumentais, não economizando nos detalhes e no uso de pequenas manobras eletrônicas que distanciam o registro de uma possível repetição, fazendo do disco um trabalho sempre mutável, rica em detalhes.

Um bom exemplo disso está em You’re Mine. Sétima faixa do disco, a canção de batidas lentas revela um catálogo de pequenas sobreposições etéreas, vozes picotadas e diversas interferências sutis que parecem dançar ao fundo da composição. O mesmo cuidado volta a se repetir nos dois atos de You Made It, música que sustenta na manipulação eletrônica dos vocais um poderoso componente para a dupla, esbarrando momentaneamente em elementos típicos da obra de Nicolas Jaar.

Obra de detalhes, mesmo em seu minimalismo, a estreia do Weval cresce como um trabalho diferente a cada nova audição. Perceba como The Battle, Square People e demais composições ao longo obra se partem em diferentes fórmulas, ziguezagueando por entre ambientações sempre distintas.  São vozes submersas, sintetizadores voláteis, fragmentos eletrônicos e batidas que se espalham de forma delicada do primeiro ao último ato do registro.

 

Weval (2016, Kompakt)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Nicolas Jaar, Pantha Du Prince e Pional
Ouça: You’re Mine, The Battle e I Don’t Need It

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