"Windswept"

Ano: 2017
Selo: Italians Do It Better
Gênero: Dream Pop, Synthpop,
Para quem gosta de: Chromatics, Desire e Glass Candy
Ouça: Windswept, Saturday e Blue Moon
Nota: 7.7

Resenha: “Windswept”, Johnny Jewel

Pense em todos os projetos que Johnny Jewel esteve envolvido nos últimos anos. Registros como Kill For Love (2012), jovem clássico desenvolvido em colaboração com os integrantes do Chromatics, a trilha sonora de filmes como Drive (2011) e Lost River (2015), canções em parceria com Glass Candy, Symmetry, Heaven e demais membros do selo Italians Do It Better, com quem lançou a coletânea After Dark, em 2013. Não faltam trabalhos que reforcem a coerência em torno da obra assinada pelo músico/produtor norte-americano.

Não por acaso, em Windswept (2017, Italians Do It Better), mais recente trabalho de Jewel em carreira solo, todos esses elementos são cuidadosamente resgatados e apresentados ao público. Mais do que um novo registro de inéditas, o sucessor de The Other Side Of Midnight, lançado em 2014, concentra alguns dos principais projetos paralelos do músico, parte expressiva feita sob encomenda, além, claro, de composições finalizadas em parceria com outros artistas próximos.

Desse primeiro grupo vem grande parte do material apresentado em Windswept. São composições essencialmente climáticas, caso de Between Worlds e da inaugural Television Snow, ou mesmo atos ancorados na obra do compositor ítalo-estadunidense Angelo Badalamenti, artista responsável pela trilha sonora de Twin Peaks e outras obras de David Lynch. Canções atmosféricas, por vezes perturbadoras, como Insomina, e que devem abastecer parte da nova temporada da série.

Confortável, porém, em nenhum momento previsível, Jewel passeia por entre épocas, explorando diferentes aspectos de grandes trilhas sonora. São flertes com a extensa discografia de John Carpenter (Halloween, O Enigma de Outro Mundo), referência exaltada em composições como Missing Pages, além de músicas que buscam conforto no jazz, caso da faixa-título do disco. Uma construção quase cênica, cinematográfica, conceito reforçado na série de curtas produzidos pela dupla Rene & Radka para grande parte dos singles do álbum.

Como pequenos respiros criativos, Jewel passeia pelo disco costurando fragmentos de seus principais projetos colaborativos. É o caso da hipnótica Saturday, música que ressalta o que há de mais delicado na curta discografia do Desire, parceria com a dupla Megan Louise e Nat Walker. O mesmo cuidado se repete na já conhecida faixa de encerramento do disco, Blue Moon, clássico do cancioneiro popular, mas que se transforma na voz de Ruth Radelet, do Chromatics.

Entregue ao público poucos dias após a perturbadora revelação de que todas as cópias de Dear Tommy, aguardado (e quase mitológico) novo álbum do Chromatics, foram destruídas por Jewel depois de uma experiência de quase morte, Windswept chega em boa hora. Um precioso resumo de tudo aquilo que o músico vem produzindo desde o começo da presente década, como a passagem para um universo dominado pela construção de personagens complexos, relacionamentos instáveis e instantes de profundo isolamento.

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