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Resenha: “Woman”, Justice

Artista: Justice
Gênero: Eletrônica, Dance, Alternativo
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Os primeiros minutos de Safe and Sound são fundamentais para entender o conceito desenvolvido pelo Justice em Woman (2016, Ed Banger / Because). A linha de baixo funkeada, hipnótica, sintetizadores emulando arranjos de cordas, batidas que replicam a mesma atmosfera nostálgica da Disco Music no começo dos anos 1970. Em um intervalo de apenas cinco minutos, tempo de duração da faixa, o ouvinte é sutilmente conduzido em direção ao passado.

Primeiro álbum de inéditas dos produtores Gaspard Augé e Xavier de Rosnay em cinco anos, o registro de apenas dez faixas segue exatamente de onde a dupla francesa parou em 2011, durante o lançamento do mediano Audio, Video, Disco. Composições montadas em uma arquitetura crescente, épica, ponto de partida para a constante interferência de vozes em coro, batidas fortes e versos que parecem feitos para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição.

Salve o curioso diálogo com o prog-rock, conceito explícito em diversos momentos ao longo do trabalho, pouco do material produzido para o disco se distancia do som incorporado anteriormente pela dupla. Trata-se de uma preguiçosa repetição de ideias, arranjos e bases, como se a fonte criativa inaugurada no maximalista Cross (2007), álbum de estreia do Justice, tivesse secado. Da abertura ao fechamento do álbum, uma material essencialmente previsível, morno.

Muito além da explícita reciclagem de conceitos autorais, Woman surge como um registro musicalmente datado. Perceba como grande parte das canções ao longo do disco soam como uma tentativa do Justice em emular o mesmo som produzido pelos conterrâneos do Daft Punk em Random Access Memories (2013). Um bom exemplo disso está na construção de Fire, faixa que mesmo divertida, utiliza de diversos elementos originalmente testados em hits como Get Lucky.

Ainda que seja um erro comparar as canções do presente disco com o material apresentado pela dupla em Cross, falta ao novo álbum o mesmo ineditismo e provocação que marca o trabalho lançado em 2007. Perceba como D.A.N.C.E., Waters of Nazareth, Stress e DVNO assumem trilhas completmaente independentes, pegando o ouvinte de surpresa a cada nova curva do disco. Em Woman, a forte similaridade entre as faixas torna a passagem pelo álbum arrastada, tediosa.

De fato, durante toda a audição de Woman, difícil saber qual é o real propósito do Justice com a produção do trabalho. Não se trata de um registro que parece pensado para as pistas, efeito do limitado número de músicas realmente dançantes, tampouco um álbum inventivo, vide a forte morosidade que orienta as canções. Trata-se apenas de um trabalho perdido. Uma clara continuação do mesmo som confuso produzido pela dupla desde Audio, Video, Disco.

 

Woman (2016, Ed Banger / Because)

Nota: 5.0
Para quem gosta de: Daft Punk, Mr. Oizo e Sebastian
Ouça: Safe and Sound, Randy e Fire

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3 thoughts on “Resenha: “Woman”, Justice

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