"Yaeji / EP2"

Ano: 2017
Selo: Godmode
Gênero: Eletrônica, Techno Pop
Para quem gosta de: Kelly Lee Owens e Kedr Livanskiy
Ouça: Noonside e Drink I’m Sippin’ On
Nota: 8.0 / 8.1

Resenha: “Yaeji” / “EP2”, Yaeji

De origem sul-coreana, porém, residente na cidade de Nova York, Kathy Yaeji Lee passou os últimos meses se aventurando em uma série de composições caseiras. No isolamento em um estúdio montado dentro do próprio quarto, o jovem produtora acabou colidindo uma série de elementos do techno, pop, Hip-Hop e diferentes braços da música eletrônica de forma particular, fazendo do curioso diálogo com as pistas o ponto de partida para uma seleção de faixas marcadas pela constante transformação dos arranjos, batidas e vozes.

Prova disso está no curto repertório que sustenta o autointitulado EP de estreia da artista. Sem necessariamente mergulhar em um gênero específico, Yaeji passeia pelo disco brincando com as possibilidades. São pouco menos de 20 minutos em que a produtora sul-coreana vai da repetição hipnótica, por vezes psicodélica de Noonside, um techno-pop ensolarado e leve, ao doce experimento de Full of It, composição dominada pelo delicado uso de sintetizadores e batidas tortas.

Em Guap, composição mais extensa do trabalho, uma passagem delicada pela música dos anos 1990, como se Yaeji mergulhasse na mesma atmosfera referencial do Disclosure em Settle (2013), porém, ampliando a relação com elementos do Hip-Hop/R&B, efeito reforçado pela rima lenta que cresce ao fundo da canção. Um fino toque nostalgia, conceito também evidente nos temas dançantes de New York 93 e, principalmente, Feel It Out, música em que a produtora parece brincar com camadas de texturas eletrônicas.

Interessante perceber nas canções de EP2 (2017, Godmode), segundo e mais recente trabalho de inéditas da produtora, uma lenta desconstrução do material apresentado há poucos meses. Síntese dessa transformação sobrevive na ambientação densa, camadas e vozes de Drink I’m Sippin’ On. Enquanto as rimas crescem lentamente, ocupando todas as brechas da canção, Yaeji brinca com o uso de temas eletrônicos que vão da Deep House ao R&B, convidando o ouvinte a se perder em um labirinto de sensações.

Sem necessariamente se afastar das pistas, a sul-coreana ainda transforma Raingurl, segunda faixa do disco, em uma de suas canções mais dançantes, como um complemento direto ao território desbravado em músicas como Noonside, do EP anterior. Crescem ainda pequenos experimentos, caso de Feelings Change e After That, composições em que os sentimentos detalhados nos versos servem de estímulo para a ambientação minimalista de Yaeji.

Com a já conhecida versão para Passionfruit como faixa de encerramento do trabalho, Yeaji sutilmente amplia a relação com a música pop que vem sendo construída desde o primeiro EP de inéditas. Um criativo catálogo de ideias que se conecta a outras faixas produzidas pela artista nos últimos meses, caso da colorida Therapy. Experimentações contidas, particulares, mas que acabam fazendo da artista sul-coreana um dos nomes mais interessantes da cena eletrônica recente.