"You're Welcome'"

Ano: 2017
Selo: Ghost Ramp
Gênero: Rock, Garage Rock
Para quem gosta de: Cloud Nothings e Ty Segall
Ouça: Million Enemies e No Shape
Nota: 7.3

Resenha: “You’re Welcome”, Wavves

Do Noise Rock apresentado nos dois primeiros álbuns de estúdio — Wavves (2008) e Wavvves (2009) —, pouco parece ter sobrevivido. Em busca de um som cada vez mais acessível, pop e melódico, Nathan Williams acabou encontrando no garage rock dos anos 1980 um poderoso estimulo para a composição de cada novo trabalho do Wavves. A busca declarada por um material íntimo de uma parcela ainda maior do público, base de grande parte do repertório apresentado em You’re Welcome (2017, Ghost Ramp).

Menos polido em relação ao último registro de inéditas da banda californiana, V (2015), o trabalho de 12 faixas traz de volta a mesma crueza e energia ressaltada pelo grupo em obras como King Of The Beach (2010) e Afraid of Heights (2013). Esse aspecto “caseiro” do disco surge como resposta ao descontentamento de Williams durante o curto período de atuação dentro de uma grande gravadora, a Warner Bros. O esforço claro em produzir um som caótico, anárquico, como um resgate da essência da banda.

Da abertura do disco, em Daisy, passando por músicas como No Shade, Stupid In Love e Exercise, guitarras e vozes sujas crescem de maneira frenética até o último instante da obra, mantendo a atenção do ouvinte em alta até a derradeira I Love You. A julgar pela força das composições, não seria um erro encarar o presente álbum como o trabalho mais intenso do Wavves desde King of The Beach. Rajadas de guitarras sujas, batidas e vozes rápidas. Um indicativo da permanente jovialidade da banda californiana.

Em paralelo com a ferocidade dos arranjos, ruídos e distorções sujas, uma solução de versos descomplicados, feitos para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição. Seja na propositada repetição da faixa-título, crueza de No Shade ou completo romantismo de Stupid In Love e I Love You, não faltam composições marcantes durante toda a construção da obra. Um rico catálogo de músicas que mostra a capacidade de Williams em dialogar com uma parcela ainda maior do público.

Seja na composição teatral de Million Enemies, conceito reforçado no clipe da canção, passando pelo som litorâneo que invade Daisy ou mesmo o rock leve de Dreams of Grandeur, Williams e o time completo com Alex Gates, Stephen Pope e Brian Hill faz de cada faixa ao longo do disco um objeto pegajoso. São pouco mais de 30 minutos em que o quarteto californiano se reveza na construção de uma obra dinâmica, como se cada fragmento do disco fosse executado com merecido destaque.

A boa execução em grande parte da obra não impede que o Wavves tropece em momentos específicos do disco. É o caso da caricata Come To The Valley, música que parece deslocada do restante do álbum ou mesmo faixas demasiado simplistas, caso da anêmica Exercise. Mesmo Under, com sua ambientação eletrônica à la Devo perverte a temática “oitentista” que orienta parte expressiva do trabalho. Instantes de breve desequilíbrio que acabam prejudicando um maior crescimento da obra.