"Ziyou"

Ano: 2017
Selo: Tropical Twista Records
Gênero: Eletrônica, Experimental
Para quem gosta de: Meneio, Plipp e ^L_
Ouça: Ni Hao, 798 e Khayyam
Nota: 8.4

Resenha: “Ziyou”, Jovem Palerosi

Uma viagem ao oriente na completa imersão dos fones de ouvido. Primeiro registro de estúdio do produtor paulistano Jovem Palerosi pelo selo Tropical Twista Records, Ziyou (2017), transforma os sons e referências à cultura chinesa no principal componente para a delicada construção do trabalho. Samples enevoados, melodias e sobreposições eletrônicas que conectam a milenar formação histórica de Pequim ao centro de São Paulo, no bairro da Liberdade, onde hoje reside o artista.

Sucessor do experimental Mouseen EP, o registro de oito faixas confirma a versatilidade do produtor paulistano. Resultado de uma viagem de Palerosi à capital da República Popular da China em 2014, Ziyou aponta para o oriente sem necessariamente parecer conceitual ou preso a um tema específico. Assim como o trabalho que vem desenvolvendo com os integrantes da Meneio, o grande acerto do artista sobrevive na rica costura instrumental que aproxima diferentes referências dentro de um mesmo registro.

Prova desse imenso catálogo de ideias que se conectam sobrevive na faixa de abertura do disco, Ni Hao. Ao mesmo tempo em que estabelece um curioso diálogo com a cultura do oriente, efeito dos arranjos e bases caricaturais da música, sintetizadores frenéticos e bases ao fundo da canção crescem de forma a emular a trilha sonora de um estranho jogo de vídeo game dos anos 1980. Nas batidas, a versatilidade de Palerosi, detalhista e naturalmente íntimo da obra de veteranos da ambient techno/IDM, caso de Aphex Twin.

De essência dançante, Ziyou ultrapassa o limite das pistas ao brincar com a complexidade dos elementos e texturas instrumentais que se escondem ao fundo de cada composição. É o caso da minuciosa 798. Terceira faixa do disco, a canção dominada pelo uso das batidas ganha destaque lentamente, detalhando um mosaico de beats e curvas rápidas que servem de estímulo para a lenta inserção dos sintetizadores e vozes sampleadas. Um exercício que se repete em músicas como Auréolas e Chinateaw, esta última, um verdadeiro labirinto instrumental.

Maior a cada nova audição, o sucessor de Mouseen repete a trilha do material lançado em 2014, criando pequenas brechas para rápida interferência de um time de colaboradores. Da rabeca de Di Dreitas em Moseley Road, música que ainda conta com batidas e efeitos produzidos por Automaton, passando pelos sintetizadores de Fernando TRZ em Mercúrio 3.1, até alcançar a voz de Mah Mooni na derradeira Khayyam, um universo de cores e sonoridades ocupa o interior do disco.

Reflexo do claro amadurecimento de Jovem Palerosi, Ziyou — em chinês, “liberdade” —, mostra a capacidade do artista paulistano em se reinventar a cada nova composição. Ainda que seja possível amarrar todas as canções dentro de um mesmo ambiente musical, durante toda a execução do trabalho, o produtor parece testar os próprios limites. Um cuidado evidente durante o lançamento de Ceneri (ciao Mauro), parceria com Caio Bosco lançada há poucos meses, mas que ganha real destaque em cada instante do presente disco.

 

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