. A busca por uma sonoridade menos complexa, mas ainda assim desafiadora parece ser o caminho assumido por EMA dentro do inédito The Future’s Void (2014). Terceiro registro em estúdio da artista californiana, o novo álbum trouxe na insanidade de Satellites, faixa lançada em dezembro do último ano, um princípio de recomeço para a cantora, entretanto, é com o pop excêntrico de So Blond que a artista parece revelar de fato toda a ruptura dentro do presente invento. Lembrando em alguns aspectos uma St. Vincent…Continue Reading “EMA: “So Blonde””

. Originalmente lançada no último ano como parte de True EP (2012) – melhor trabalho de Solange Knowles até agora -, Look Good with Trouble ganha um tempero extra em nova versão. Além do R&B suavizado que se derrama pela versão original da faixa, quem aparece para colaborar com a cantora é Kendrick Lamar. Seguindo o mesmo propósito que o testado em How Many Drinks?, parceria com Miguel, a canção se esparrama em um composto melancólico, inicialmente tramado nos versos dolorosos de Solange e posteriormente…Continue Reading “Solange: “Look Good with Trouble” (Ft. Kendrick Lamar)”

. Kendrick Lamar é um pequeno gênio. Ainda que Good Kid, M.A.A.d City (2012) se sustente pela completude da obra, é na suavidade de Bitch, Don’t Kill My Vibe que o rapper prende o ouvinte dentro do pequeno universo que se expande pelo trabalho. Uma das faixas (e frases) mais repetidas do último ano, a canção chega agora em clipe explorando ainda mais o cenário amargo e as pequenas conquistas em torno da obra do artista. Além da versão original – com o rapper passeando…Continue Reading “Kendrick Lamar: “Bitch, Don’t Kill My Vibe””

. Faixa de abertura do bem sucedido Claridão, trabalho de estreia do músico capixaba Silva, 2012 ganha agora um acabamento totalmente intimista nas mãos de seu criador. Longe das batidas crescentes, efeitos eletrônicos e do coro de vozes que acompanha a faixa originalmente, a canção transporta o músico para a quietude de um estúdio, enquanto o uso adequado de piano e voz dão conta de alimentar os versos pré-apocalipticos da canção. Inicialmente apresentada em Maio do último ano, a canção reapareceu posteriormente como parte do…Continue Reading “Silva: “2012””

Galinha Preta
Brazilian/Punk/Hardcore
http://www.galinhapreta.net/
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Por: Sylvia Tamie

Galinha Preta

Em outubro do ano passado, a banda brasiliense de grindcore Galinha Preta lançou um teaser do seu terceiro álbum, 2012. O vídeo de Ratoburguer foi rodado na rodoviária de Brasília, que centraliza o transporte público do Distrito Federal e é o ponto de convergência de toda a classe trabalhadora da região. Como não poderia deixar de ser, ali se vende um lanche tradicional – no caso, pastel com caldo de cana. Mas na parte externa do terminal instalou-se um quiosque de sanduíches que passou a dividir as preferências dos frequentadores, e que ganhou um singelo apelido em função da quantidade de roedores que também circula por ali. Capaz de agradar até vegetarianos e agentes da vigilância sanitária, o clipe conta com a participação especial de Esdras Nogueira, saxofonista barítono do Móveis Coloniais de Acaju, sendo, como o sanduíche que celebra, “rápido, bom e barato”.

Ratoburguer é um bom exemplo do rock do Galinha Preta na linha “um minuto é tempo demais”: a história por trás da música, muito mais comprida do que a mesma, o andamento alucinado e as letras extremamente sintéticas, de forte conteúdo crítico, político e social, e calcado em problemas do cotidiano. Depois de dez anos de existência, registrados em 3 em 1 (2007) – que juntava as três demos da banda, inacreditáveis 34 faixas em pouco mais de meia hora de duração – e o mais bem-acabado Ajuda Nóis Ae (2010), a banda formada por Frango Kaos (vocal, samplers, guitarra), Bruno Tartalho (baixo), Hudson Hells (guitarra) e Guilherme Tanner (bateria) não traz nenhuma surpresa para os fãs. O novo álbum mantém a rotina de samples pontuando as guitarras em profusão e os vocais gritados, num som orgulhosamente sujo, que sempre termina de forma brusca.


Por conta do formato despretensioso das canções, é comum que muitos ouvintes encarem o som do Galinha Preta como mera diversão para headbangers, que enchem os shows da banda, e não atentem para os temas muito sérios que suas letras abordam: a profusão de teorias conspiratórias (como o próprio fim do mundo), a dependência das mídias sociais (“meu mundo acabou e ninguém tuitou”), a arrogância de certas camadas sociais brasileiras, representadas aqui por Boris Casoy, e a situação de endividamento permanente do trabalhador brasileiro. Em entrevista, o vocalista Frango Kaos já expressou sua intenção de fazer o público refletir sem apontar o dedo na cara de ninguém, por isso o tom quase de piada que muitas de suas letras adotam.

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Uma das grandes obras de 2012, Nocturne do norte-americano Wild Nothing continua rendendo bons frutos nas mãos de seu líder, Jack Tatum. Depois que o bom vídeo de Paradise, registro que inclusive conta com a participação da atriz queridinha Michelle Williams, é chegada a hora de Only Heather se transformar no mais novo clipe do músico. Sem grandes exageros visuais, o diretor Ryan Reichenfeld aposta no uso de uma câmera que passeia suave, acompanhando os últimos passos de um homem que conta com uma espada…Continue Reading “Wild Nothing: “Only Heather””

. Transformações tomaram conta da produção nacional em 2012. Com o lançamento de registros cada vez mais distantes das barbas dos Los Hermanos e uma maior necessidade de experimentar, pela primeira vez em mais de meia década o cenário nacional entrega de fato novidade. Enquanto o Norte e Nordeste fornecem cor e ritmo à nossa música, São Paulo e Rio de Janeiro se perdem em experimentos acinzentados que ultrapassam o óbvio – vide a boa forma de Metá Metá e Sobre a Máquina. Ainda que…Continue Reading “Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2012”