. Chance The Rapper não para. No último ano, enquanto integrava o projeto Donnie Trumpet & the Social Experiment, coletivo com quem lançou o ótimo Surf – um dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 -, o rapper norte-americano em nenhum momento esqueceu da própria carreira. Além da série de faixas assinadas em colaboração com outros artistas – como Tinashe e Kehlani -, Chance apresentou ao público a inédita Angels. Parceria com o conterrâneo Saba, a canção de versos melódicos e batidas que resgatam elementos da música…Continue Reading “Chance The Rapper: “Angels” (VÍDEO)”

. Embora já acumule dois trabalhos em estúdio – % (2010) e Best Behavior (2012) -, a banda nova-iorquina Dinowalrus só deve receber a merecida atenção com o novo disco, Complexion (2014). Previsto para estrear no dia quatro de junho, o terceiro álbum de estúdio está longe de ser uma sequência dos registros que o antecedem: é uma quebra. Parte dessa mudança não vem da própria imposição da tríade de compositores – Pete Feigenbaum, Liam Andrew e Max Tucker -, mas do produtor do disco,…Continue Reading “Dinowalrus: “Tropical Depression””

. O pop é parte substancial da presente fase do coletivo Architecture In Helsinki. Dando sequência aos inventos coloridos de Moment Bends, álbum de 2011, a banda australiana reserva para o dia 1º de abril a chegada de NOW + 4EVA, quinto trabalho de estúdio do grupo e um catálogo de boas melodias. Assim como em Dream a Little Crazy, lançada ao final de janeiro, em I Might Survive, novo single do inédito disco, as boas reverberações orientam a atuação da banda. Soando como uma…Continue Reading “Architecture In Helsinki: “I Might Survive””

. Os parceiros Michael Paradinas e Lara Rix-Martin não querem nem deixar Love & Devotion (2013) esfriar e já reservam para 2014 um novo disco à frente do Heterotic. Intitulado Weird Drift, o novo álbum tem tudo para ser uma exata continuação do registro lançado há alguns meses, referência anunciada no mais novo single da dupla e primeiro exemplar do inédito registro: Rain. Parceria com o cantor Vezelay – um dos filiados ao selo Planet Mu, do próprio Paradinas -, a canção é uma completa…Continue Reading “Heterotic: “Rain” (feat. Vezelay)”

. O flerte com as batidas do Hip-Hop e as vocalizações eletrônicas guiam o trabalho da dupla Zoe Silverman e Adam Pallin, ou melhor, ASTR. Seguindo a trilha de outros artistas próximos, caso de Purity Ring e Phantogram, o casal nova-iorquino abre espaço para a chegada do mais novo trabalho de estúdio, o EP Varsity. Como aquecimento, duas faixas de peso: Blue Hawaii e We Fall Down. Em uma arquitetura noturna, ambas as faixas passeiam pelas pistas sem necessariamente parecerem motivadas a fazer o ouvinte…Continue Reading “ASTR: “Blue Hawaii” & “We Fall Down””

. O misto de bom humor, romantismo e esquizofrenia ainda parece ser a base do trabalho de Mac DeMarco. Apresentado durante o lançamento de 2, um dos registro mais estranhos e essenciais de 2012, o músico canadense usa da mesma composição para anunciar o inédito Salad Days, mais novo registro da carreira. Lançado como parte do selo Captured Tracks, o disco previsto para o dia 1º de Abril pouco parece se distanciar do universo do cantor, pelo menos é o que Passing Out Pieces, faixa…Continue Reading “Mac DeMarco: “Passing Out Pieces””

. Rock clássico de 1960, Miami Bass dos anos 1980. Grupos de garotas dos anos 1950, cruzamentos pelo Hip-Hip da década de 1990. Em poucos segundos é possível perceber tantas nuances dentro da obra do quarteto Misun que é praticamente impossível não ser absorvido pelo universo de essências que a banda de Washington D.C. busca ressaltar. Ainda que carregue o nome da vocalista Misun Wojcik, o projeto ainda é a morada de William Devon (baixo), Nacey (Guitarra) e Jon Jester (Bateria), todos responsáveis pelo acerto…Continue Reading “MISUN: “Travel With Me””

. Imagine as mesmas emanações etéreas de Julianna Barwick, porém, acrescidas do mesmo R&B Lo-Fi de How To Dress Well. É justamente dentro desse cenário de sutilezas e pequenas emanações abrandadas que se desenvolve o trabalho do nova-iorquino Floral V. Com influências que vão de Thom York ao trabalho da extinta Handsome Furs, Erik David Hidde usa de cada espaço das próprias composições como um objeto de experimento e detalhismo apurado. Dream Pop, Ambient e Eletrônica, tudo isso agrupado de forma atenta em um mesmo…Continue Reading “Floral V: “Crying Fit””

Angel Haze
Hip-Hop/Rap/R&B
http://www.angelhazemusic.com/

Por: Cleber Facchi

Angel Haze

Ser absorvida pela indústria da música se transformou em uma benção e ao mesmo tempo uma maldição para Angel Haze. Se por um lado a entrada no catálogo dos selos Republic e Island – parte da gigante Universal -, garantiu ao primeiro álbum da rapper o acesso ilimitado a grandes estúdios, produtores e todo um conjunto de elementos restritos para boa parte dos artistas independentes, por outro lado, os grilhões de uma grande gravadora tiraram de Haze o domínio da própria obra. Controlada pelas linhas de um contrato, a rapper viu o aguardado Dirty Gold (2013, Republic/Island) ser adiado por diversas vezes ao longo de 2013, encontrando uma data de lançamento somente no dia 30 de Dezembro – um dos períodos mais ingratos para a estreia de qualquer disco.

O atraso, o descaso da gravadora e a angústia da própria rapper estão longe de sufocar a autonomia do registro, que independente do formato ou qualquer outro bloqueio específico, se sustenta de forma assertiva em totalidade. Naturalmente distante da composição estética anunciada por Haze em seus primeiros lançamentos – caso de New York EP ou das mixtapes Reservation e Classik -, Dirty Gold é uma típica obra remodelada para atender as exigências grande público, o que não quer dizer que a rima particular da norte-americana tenha perdido sua autenticidade, apenas encontrou um nova caminho para brilhar.

Como Echelon (It’s My Way) e A Tribe Called Red conseguiram antecipar há poucos meses, cada instante do registro se divide entre a crueza urbana das rimas e as melodias plásticas das bases. Soando como versões encorpadas daquilo que a rapper trouxe em Werkin Girls, No Bueno e parte das primeiras composições, o disco curiosamente parece assumir a mesma curva radiofônica da rival Azealia Banks, substituindo a proposital mutabilidade da rapper nova-iorquina por um conjunto de referências aproximadas. Assim, da particular Sing About Me, na abertura do álbum, até a chegada da homônima faixa de encerramento, cada música do disco partilha a mesma estrutura, garantindo ao registro um evidente tratamento homogêneo e coerência.

Mais do que costurar uma mesma composição instrumental para o registro, Haze encontra na sobriedade do discurso um inevitável caráter conceitual para a obra. Boa parte das canções projetadas pelo disco carregam monólogos, entrevistas e opiniões amargas lançadas pela rapper, que entre faixas como Black Dahlia, White Lilies / White Lies e Black Synagogue aprofunda com detalhe a composição de um universo particular. O melhor recorte da obra talvez esteja na abertura de A Tribe Called Red, quando Haze define de maneira atenta todo o propósito do trabalho, a temática que ocupa as composições, bem como a própria vida – “Minha identidade é a música, tudo o que você precisa saber sobre mim é a música, a minha casa é a música, é onde eu nasci“.

Continue Reading "Disco: “Dirty Gold”, Angel Haze"

. Um ano de transformações para a música brasileira. Depois da coleção de obras que marcaram 2012 – Metá Metá, Silva, Céu e Tulipa Ruiz entre eles -, 2013 se estabeleceu como uma temporada de renovação para a cena nacional. A avalanche de novos artistas – boa parte deles lançando seus primeiros discos -, serviu como aquecimento para o que deve ser estabelecido de forma precisa em um cenário próprio ao fim da década. Além do evidente catálogo de novidades, artistas veteranos como Emicida, Wado,…Continue Reading “Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2013”