Artista: Jude
Gênero: Rock Psicodélico, Alternativo, Rock
Acesse: https://soundcloud.com/jude-banda

 

Não faltam registros inspirados na boa safra do rock psicodélico produzido entre o final dos anos 1960 e começo da década de 1970. Trabalhos ancorados de forma explícita na obra de veteranos da música nacional – como Os Mutantes e Clube da Esquina –, ou mesmo gigantes da cena estrangeira – principalmente The Beatles e Pink Floyd. Todavia, poucos são os registros capazes de ir além da mera reciclagem de conceitos, sufocando pela completa ausência de identidade.

Prazeroso encontrar em Ainda Que de Ouro e Metais (2016, Crooked Tree Records), álbum de estreia do grupo alagoano Jude, uma seleção de músicas que vão além do empoeirado resgate de velhas ideias e melodias. Dividido com naturalidade entre a nostalgia e o frescor dos arranjos, o trabalho entregue ao público em dezembro do último ano confirma o esmero e verdadeira entrega do trio Reuel Albuquerque (guitarras, violão, baixo, teclados, programações, bateria e vocais) Fernando Brasileiro (vocais e violão) Alex Moreira (baixo e violão) em estúdio.

A cada nova composição, um precioso diálogo com o passado. Entre falsetes e arranjos descomplicados, a homônima música de abertura do disco orienta a direção seguido pela trinca de Maceió. Guitarras, pianos e batidas que se espalham de maneira sutil, detalhando um colorido pano de fundo para o canto melódico da faixa, por vezes íntima do clássico Pet Sounds (1966), dos Beach Boys. O mesmo cuidado se repete ainda na divertida Vá Ser Feliz Como o Arnaldo Baptista, faixa assinada em parceria com o músico João Paulo, vocalista e líder da conterrânea Mopho.

Por falar no trabalho da Mopho, sobrevive em Ainda Que de Ouro e Metais parte da essência lisérgica e grande parte das referências que abasteceram a curta discografia da banda alagoana. Difícil ouvir músicas como Gigante de Aço e Com Olhos Serenos e não lembrar de obras como Volume 3 (2011) ou o homônimo registro de estreia do grupo – 56º lugar na nossa lista dos 100 Melhores Discos Nacionais dos Anos 2000. A mesma ambientação psicodélica, louca. Arranjos e vozes que analisam o passado de forma curiosa, porém, mantendo firme os dois pés no presente.

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Empoderamento – Solange, Angel Olsen e ANOHNI –, o retorno de gigantes em diferentes campos da música – Radiohead, The Avalanches e A Tribe Called Quest –, experimentos – Nicolas Jaar e Bon Iver – e um explícito fortalecimento do Hip-Hop/Pop – Rihanna, Chance The Rapper e Frank Ocean. Em um ano em que a morte se transformou na matéria-prima para diferentes artistas – David Bowie, Leonard Cohen e Nick Cave –, não faltam registros marcados pela vivacidade dos elementos, ritmos e versos. Depois de resgatar os melhores clipes e capas lançadas nos últimos meses, além, claro, da nossa seleção de álbuns brasileiros, apresentamos nossa tradicional lista com os 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

[50 – 41] [40 – 31] [30 – 21] [20 – 11] [10 – 01]

Os Melhores Clipes | As Melhores Capas

Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2016

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Original da cidade de Salvador, Bagum é um coletivo de Jazz, Hip-Hop, Funk e ritmos africanos que parece flutuar por entre diferentes gêneros musicais. Formado há poucos meses por Gabriel Burgos (bateria), Pedro Tourinho (baixo) e Pedro Leonelli (guitarra), o grupo que já conta com um EP em mãos – Dá um tapa e corre (2016) –, acaba de apresentar um novo trabalho de inéditas. Trata-se de É o que, registro de apenas quatro faixas que resume com naturalidade o som versátil do trio.

A julgar pelo som hipnótico que escapa de composições como Sopro e a inaugural Curto, trata-se de uma versão descomplicada do mesmo material produzido por outros coletivos de jazz/rock instrumental recentes. O possível resultado de um encontro entre os experimentos do grupo canadense BADBADNOTGOOD e o ritmo quente que escapa das canções produzidos pelo grupo paulistano Bixiga 70. Para ouvir os dois trabalhos da banda, basta uma visita ao Facebook ou Youtube do trio.

 

Bagum – É o que EP

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Um ano para ser esquecido lembrado. Em meio a diversos acontecimentos que marcaram de forma trágica o cenário político, econômico e cultural brasileiro nos últimos meses, sobrevive na rica produção musical um considerável acervo de pequenos clássicos da recente fase da música popular brasileira. Uma coleção de acertos que passa pelo explícito amadurecimento do pop nacional – vide os trabalhos de Mahmundi, O Terno e Céu –, as diferentes tonalidades do rock – caso do “rock triste” de Belo Horizonte e o sempre colorido rock goiano –, além, claro, rico acervo de videoclipes brasileiros. Um imenso conjunto de ideias, sonoridades e conceitos em constante expansão. Nesta lista, um resumo particular dos principais trabalhos lançados entre janeiro e dezembro de 2016.

 

[50 – 41] [40 – 31] [30 – 21] [20 – 11] [10 – 01] 

Os Melhores Clipes | As Melhores Capas

Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2016

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Quem esperava pelo primeiro álbum de Hannah Diamond em 2016 teve de se contentar com as duas canções lançadas pela cantora/produtora inglesa. De um lado, a pegajosa Paradise, faixa assinada em parceria com a conterrânea britânica Chali XCX em Vroom Vroom EP, no outro, a crescente Fade Away, uma perfeita síntese do som produzido pela artista desde os primeiros singles e um verdadeiro passeio pelo pop-eletrônico dos anos 1980 e 1990.

Em Make Believe, mais recente criação de Diamand, um novo ato de pura delicadeza. Enquanto os versos passeiam em meio a sussurros confessionais, típicos do trabalho da jovem produtora, sintetizadores e batidas se espalham sem pressa, detalhando o mesmo pop caricato produzido desde o hit Attachment. Com lançamento pelo selo PC Music, a faixa ainda conta com download gratuito, sendo o primeiro grande trabalho desde a coletânea PC Music Vol, 2 (2016).

 

Hannah Diamond – Make Believe

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Dias após o lançamento do clipe de Elogio à Instituição do Cinismo, os integrantes da banda goiana Boogarins estão de volta com uma composição “inédita”. Na trilha do material produzido em parceria com Pedro Bonifrate (Supercordas), a já conhecida Olhos mostra um fortalecimento dos temas psicodélicos e experimentos testados pela banda desde o último registro de inéditas, o ótimo Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos – 5º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015.

Olhos nos olhos / Vejo seu mundo / E as voltas de sua translação / Fecho os meus olhos / e vou ao fundo / entre as frestas da percepção“, canta o vocalista Dinho Almeida enquanto batidas comportadas e guitarras etéreas, carregadas de efeito, se espalham lentamente ao fundo da composição. Um ato curto, pouco mais de três minutos, como uma espécie de indicativo do som que deve abastecer o novo registro de inéditas do quarteto de Goiás.

 

Boogarins – Olhos

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Quem acompanha o Unknown Mortal Orchestra no Soundcloud já deve ter se deparado com uma série de composições extensas intitulada SB. Trata-se de uma série de experimentos produzidos pelo grupo desde dezembro de 2013, meses após o lançamento do elogiado II, segundo álbum de estúdio da banda. Depois de duas variações do mesmo trabalho apresentadas ao público nos anos seguintes – SB-02 e SB-03 –, os integrantes da banda neo-zelandesa/norte-americana estão de volta com a inédita SB-04.

Trata-se de um extenso ato instrumental. Pouco mais de 20 minutos em que guitarras e sintetizadores passeiam pelas principais referências do grupo comandado por Ruban Nielson. Melodias eletrônicas, sons empoeirados e pequenas ambientações psicodélicas, como uma extensão curiosa do som produzido pelo grupo há pouco mais de um ano, durante o lançamento do ótimo Multi-Love (2015), terceiro álbum de estúdio do UMO.

 

Unknown Mortal Orchestra – SB-04

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