. O que acontece quando você junta A-Track, AraabMuzik e Ape Drums em uma só música? A resposta é simples: ação. Desenvolvida em parceria pelo trio, a inédita Action vai além de uma “simples” colaboração em estúdio, anunciando a série de apresentações que os produtores devem realizar ao longo do mês de junho em diferentes cidades dos Estados Unidos. Mesmo orientada pela sonoridade comercial de A-Track – nítido na forma como os sintetizadores e vocais são aplicados -, a canção não esconde o peso e natural flexibilidade dos trabalhos…Continue Reading “A-Track, AraabMuzik & Ape Drums: “Action””

Danny Brown
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://xdannyxbrownx.com/

Por: Cleber Facchi

Enquanto o cenário norte-americano é abastecido por cenas, estéticas e coletivos que desaparecem tão rápido quanto surgem, Danny Brown se apresenta como dono de um território isolado. Insano, bem humorado e um dos poucos artistas capazes de não tropeçar na rima – mesmo quando recebe sexo oral de uma fã em uma apresentação ao vivo -, o rapper chega ao terceiro registro solo alcançando não apenas seu melhor exemplar até aqui, mas uma das obras mais complexas do panorama recente. Longe do retorno conceitual aos anos 1990 e sem buscar pela mesma atmosfera de referências que esbarram em obras como My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010) e Good Kid M.A.A.D City (2012), Brown, mais uma vez, materializa um universo próprio, um lugar onde drogas, sexo e o discurso cru do artista ditam todas as regras.

Enquanto XXX, álbum de 2011, orientava o artista em uma sequência alucinada de rimas e tramas lisérgicas, com Old (2013, Fool’s Gold) esse mesmo “padrão” flui potencializado, sem que Brown necessariamente perca o controle dos versos. “Fecho meus olhos, sinto que estou indo para baixo/ Em um elevador a 90 quilômetros por hora/ E tudo que eu vejo são as estrelas vindo para mim como uma espécie de chuva de meteoros”, exageradamente chapadas ou não, mas as rimas expostas em Kush Coma parecem caracterizar com acerto tudo o que orienta o presente disco. De bases e batidas velozes, princípio para os vocais do rapper, o registro beira a overdose, como se tudo fosse um embaralhado jogo de sensações, temas e pequenas referências tratadas em uma linguagem totalmente esquizofrênica, própria do artista.

Entretanto, longe de uma parada cardíaca, Brown faz valer o título da obra – “velho” -, reforçando a maturidade durante a execução de cada nova faixa. Mais uma vez passeando pelas periferias e o cotidiano de Detroit, Michigan, o artista mantém um registro que flutua entre o presente e o próprio passado, resgatando diversos conceitos de quando era traficante de drogas e vivia mergulhado nas sombras da cidade. A estrutura, longe de esbarrar no egocentrismo tão típico do Hip-Hop, faz com que o rapper apareça de forma reflexiva em grande parte da obra, algo que Lonely (“Eu não preciso de sua ajuda mano/ Porque não ninguém realmente me conhece”) e Torture (“E é tortura/ Olhar em minha mente e ver os horrores/ Toda a merda que eu já vi”) manifestam em um efeito nítido de melancolia.

A obra de Brown, longe de se espatifar no elevador metafórico que cai em Kush Coma, é um trabalho que permite ao artista o próprio crescimento. Parte natural desse sintoma de grandeza do álbum está no número maior de colaboradores. Ainda que o principal composto da obra seja fruto da individualidade do rapper, em uma sequência natural ao mesmo efeito exposto em XXX, a presença de SchoolBoy Q, Ab-Soul e A$ap Rocky tira o álbum de um possível estágio de redundância. Mais do que se manter atento dentro do próprio cenário, Brown acerta ao transitar por diferente territórios, encontrando na presença de velhos colaboradores, como Charli XCX em Float On e a dupla Purity Rings na ótima 25 Bucks, um complemento natural para a obra.

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. Tem sido difícil baixar a expectativa em relação ao segundo e ainda inédito álbum de Danny Brown, o aguardado Old. A cada novo lançamento do rapper, a evolução em proximidade ao “debut” XXX (2011) é clara e ampla. Agora, depois de um longo período de espera, Brown finalmente anuncia para o dia 30 de Setembro a chegada do registro, álbum que conta com lançamento pelo selo Fool’s Gold, mesmo do trabalho anterior. Com a presença de Rustie, A-Track e mais uma sequência de colaboradores…Continue Reading “Danny Brown: “ODB””

. Ainda que os trabalhos de Dizzee Rascal tenham decaído com o tempo, vez ou outra o rapper britânico surge com algum achado que dança pelo rap e a eletrônica. Caso mais recente disso está em H-Town, single lançado em parceria com Bun B & Trae e que traz a produção do cada vez mais requisitado A-Trak. Desde 2009 sem o lançamento de nenhum novo disco – o último trabalho do artista atende pelo título de Tongue n’ Cheek -, Rascal faz da nova música…Continue Reading “Dizzee Rascal: “H-Town””