O minimalismo incorporado por Darren J. Cunningham em Ghettoville (2014) parece ter ficado para trás. Três anos após o lançamento do último álbum de inéditas como Actress, o produtor britânico anuncia a chegada de um novo trabalho. Intitulado AZD (2017) – pronuncia-se “Azid” –, o registro conta com 12 composições inéditas, estabelecendo uma espécie de regresso ao mesmo som produzido pelo artista inglês na dobradinha Splazsh (2010) e R.I.P (2012).

Primeira composição do disco a ser apresentada ao público, X22RME – pronuncia-se “extreme” –, traz de volta a mesma soma de experiências, ruídos e diálogos com a música techno que apresentaram o trabalho de Actress. Batidas secas e sujas, o uso controlado de sintetizadores e a lenta desconstrução de todo esse universo. Pouco mais de cinco minutos em que o som produzido por Cunningham vai provando de novas possibilidades e pequenas referências.

AZD (2017), será lançado no dia 14/04 via Ninja Tune.

 

Actress – X22RME

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. Darren J. Cunningham não para. Em uma série de três grandes discos produzidos desde o começo da presente década – Splazsh (2010), R.I.P. (2012) e Ghettoville (2014) -, o produtor britânico aproveitou o (pouco) tempo livre para investir em mais um novo projeto pelo Actress. Por enquanto, nada de um novo registro de inéditas, mas uma sequência de remixes, adaptações e versões para o trabalho de diferentes produtores dentro da série DJ-Kicks – projeto lançado pelo selo !K7 Records por onde passaram nomes como…Continue Reading “Actress: “Bird Matrix””

Lone
Electronic/IDM/Hip-Hop
https://www.facebook.com/magicwirelone

Por: Cleber Facchi

Lone

O teor frenético encontrado por Matt Cutler há dois anos, em Galaxy Garden (2012), parece longe de orientar a presenta fase do produtor como Lone. Ainda que a relação do artista inglês permaneça sustentada pela eletrônica dos anos 1990 – House, Ambient ou os experimentos da IDM -, em Reality Testing (2014, R&S), mais recente invento do artista, o resultado passa a ser outro. Menos “conceitual”, o disco se manifesta como uma verdadeira colagem de essências, fórmula que está longe de fugir da precisão estética dos últimos álbuns.

Talvez com exceção da faixa de abertura, First Born Seconds, cada segundo dentro da obra se manifesta como uma readequação do Instrumental Hip-Hop. Ainda olhando para o passado – principalmente para o trabalho de J Dilla, Madlib e, de forma autoral, DJ Shadow -, Lone utiliza de cada criação do disco como uma doce adequação de velhas imposições. Nostálgico, mas não menos transformador – vide o diálogo com a cena Garage -, o novo catálogo de Cutler é uma obra de temas atmosféricos, abstratos, mas não menos desafiadores em relação aos antigos temas do produtor – ou mesmo suas influências.

Da mesma forma que o bem sucedido single Airglow Fires, de 2013, Reality Testing usa de sintetizadores atmosféricos (no melhor estilo Boards Of Canada) como uma delicada base instrumental para o restante do disco. Todavia, enquanto a canção apresentada há poucos meses alcançava o mesmo detalhamento entusiasmado do disco de 2012, abraçando as pistas em sua “segunda parte”, com o presente disco Lone mantém os beats densos, típicos do Hip-Hop.

Outro aspecto importante em relação ao novo cenário desenvolvido por Cutler, diz respeito ao uso de diálogos e vocalizações aleatórias no meio das faixas. Livre de qualquer caráter “gratuito” e dissolvidos ao longo do registro, os samples de vozes criam uma imposição ruidosa em proximidade ao efeito essencialmente límpido do álbum de 2012. Basta perceber como Restless City e Meeker Warm Energy gerenciam essa estrutura, expandindo o teor “urbano” que recheia o álbum. A medida parece vir como uma alternativa à ausência de rimas – instintivas em faixas como a arrastada 2 is 8.

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. Quatro anos depois de apresentar um dos trabalhos mais criativos da cena Instrumental Hip-Hop, Ardour (2010), Teebs está de volta com um novo álbum de estúdio: E S T A R A. Ainda sem previsão de lançamento, o disco deve mais uma vez aproximar o público do universo de texturas eletrônicas propostas pelo produtor. São bases tortas e beats climáticos que fazem de View Point o primeiro e bem resolvido single do novo projeto. Lançada pelo selo Brainfeeder – casa de Flying Lotus e…Continue Reading “Teebs: “View Point””

Actress
Ambient/Experimental/Electronic
http://www.werkdiscs.com/

Por: Cleber Facchi

Actress

Darren J. Cunningham sempre conseguiu lidar com a Ambient Music e suas estranhas variações de forma particular. Desde a estreia com Hazyville, em 2008, cada composição assinada pelo produtor britânico parece extrapolar os limites tradicionais do gênero, alicerçando na reverberação suja das bases um ponto de equilíbrio entre a calmaria e a agitação. Em um curioso estágio de regresso ao primeiro disco, o artista faz do novo trabalho de estúdio, Ghettoville (2014, Werk/Ninja Tune), uma obra que passeia por diferentes camadas da própria obra, utilizando da solução obscura das próprias referências um mecanismo de direção para o álbum.

Completamente separado da estrutura imposta em Splazsh (2010) e R.I.P. (2012), Cunningham usa do álbum como um trabalho que se afasta das pistas de forma a lidar com um bloco de sons climáticos e essencialmente introspectivos. Quase um esboço – como a própria capa do álbum logo entrega -, Ghettoville é um disco que brinca com aspectos específicos da obra do artista, sem necessariamente interferir nesse resultado. São loops básicos, soluções pacatas e uma estranha sensação de experimento controlado que direciona toda a construção da obra.

Anunciado como um registro triplo – são quase 70 minutos de duração espalhados ao longo de 17 músicas -, o álbum assume em cada faixa um objeto específico dentro da arquitetura final do trabalho. Sem uma ordem específica e longe da comunicação temática expressa em R.I.P. – com todas suas referências mitológicas e tramas específicas -, o disco se arrasta em um condensado de experiências que buscam revisitar o universo autoral de Cunningham. Transições eletrônicas rápidas, caso de Don’t, ou mesmo criações extensas, aos moldes de Grey Over Blue, faixas que se espalham em verdadeiros labirintos de texturas dentro de um curto ou longo espaço de tempo.

Atravessar Ghettoville é ser constantemente bombardeado pela sensação de “já ter ouvido isso antes”. Como uma imensa colcha de retalhos e canções abandonadas durante a construção dos anteriores projetos do produtor inglês, o álbum sobrevive das cinzas de ideias e temas tradicionais. Um exercício evidente na atmosfera de Rims e Birdcage, que mais parecem sobras do trabalho passado, de 2012, ou mesmo Skyline, que revive a mesma agitação expressa nos primeiros singles de Cunningham. Um conjunto de referências que beiram o Lo-Fi (Rap) e a repetição de ideias (Time) sem necessariamente derrubar a imposição hipnótica de seu criador.

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. Amor é inferno. O brasiliense Luis Fernando, ou simplesmente ^L_ não poderia ter encontrado um título mais exato para o ambiente de referências instáveis que ocupam o primeiro trabalho da carreira. Em produção desde o último ano, o registro ultrapassa os limites tradicionais da Ambient Music/IDM, solucionando na estrutura ruidosa e homogênea da obra um princípio de estímulo para brincar com a mente do espectador. Poderia ser Aphex Twin, Tim Hecker, Actress ou qualquer nome de peso da cena estrangeira, mas aos poucos se…Continue Reading “^L_: “Love Is Hell””

. Base para o projeto de alguns dos produtores mais atentos – ou seria excêntricos? – do cenário musical carioca, o selo 40% Foda/Maneiríssimo aos poucos começa a expandir seus domínios. Primeiro grande lançamento além do catálogo de artistas  do Rio de Janeiro, Seu Lugar é o Cemitério EP apresenta o trabalho do mineiro residente em São Paulo seixlacK. Figura já conhecida do cenário eletrônico “alternativo” da capital paulista, o produtor usa das composições do registro como um ponto de afastamento daquilo que DJ Guerrinha…Continue Reading “Seixlack: “Seu Lugar é o Cemitério EP””

. Um dos projetos mais ambiciosos reservados para 2014 (e consequentemente um dos mais aguardados) é o imenso Ghettoville. Terceiro álbum de estúdio do britânico Darren J. Cunningham pelo Actress, o registro triplo reserva em um catálogo de 16 extensas composições uma natural sequência daquilo que Splazsh (2010) e R.I.P. (2012) trouxeram recentemente dentro das invenções climáticas do produtor. Contudo, antes da chegada do novo trabalho – que conta com lançamento para o dia 28 de Janeiro pelo selo Werkdiscs/Ninja Tune -, Cunningham resolveu preparar…Continue Reading “Actress: “Grey Over Blue””

. Dois anos se passaram desde que Noah Lennox apresentou ao público o último trabalho de estúdio pelo Panda Bear, Tomboy (2011). Se em pouco tempo o músico voltou para junto dos experimentos do Animal Collective, nas horas vagas o regresso ao projeto solo serve como um estímulo para brincar com a colagem de referências que definem de maneira natural a sua assinatura. Morador de Lisboa, Portugal, Lennox reserva para os próximos dias um festival em sua cidade residência, projeto que concentra nomes como Actress,…Continue Reading “Panda Bear: “Green Ray Mix””

. O fim do Sonic Youth não necessariamente significa um encerramento nas atividades de seus integrantes. Resultado visível disso está na produção contínua de Thurston Moore, Lee Ranaldo e agora Kim Gordon. Próxima de apresentar ao público Coming Apart, primeiro exemplar de sua nova banda, o Body/Head, parceria com Bill Nace, a cantora e compositora norte-americana reforça os próprios inventos com a chegada de Actress, primeiro single do novo projeto. Quase uma extensão natural daquilo que a artista encontrou na década de 1980, com a…Continue Reading “Body/Head: “Actress””