Tag Archives: Alternative Rock

Modest Mouse: “The Ground Walks, with Time in a Box”

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A expectativa em relação a Strangers To Ourselves (2015), novo trabalho do Modest Mouse, cresce e diminui a cada single inédito apresentado pelo grupo norte-americano. Em um exercício proposital – ou não -, Isaac Brock e colegas de banda se concentram na projeção de faixas tão melódicas e “cantaroláveis”, por vezes íntimas dos dois últimos álbuns de estúdio, como em peças arrastadas e musicalmente densas, evidência reforçada nos versos e temas “políticos” da extensa The Best Room.

Mudança brusca em relação ao último single da banda – talvez, correndo atrás do prejuízo -, com a chegada de The Ground Walks, With Time In A Box o coletivo de Issaquah, Washington entrega ao público seu exemplar menos complexo mais até “pop” do novo disco. Soando como uma possível “sobra” de We Were Dead Before the Ship Even Sank (2007), a composição de seis minutos equilibra boas guitarras e versos cantados/narrados por Brock, marca desde os projetos iniciais em estúdio.

Agendado para o dia 17 de março e distribuição pelo selo Epic, Strangers to Ourselves é primeiro trabalho de inéditas do grupo depois de um hiato de oito anos.

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Modest Mouse – The Ground Walks, with Time in a Box

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Speedy Ortiz: “Raising The Skate”

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Os anos 1990 voltaram? Não, é apenas mais um disco do Speedy Ortiz. Dois anos depois de estrear (oficialmente) com Major Arcana (2013) – em 2011 o grupo já havia lançado de forma independente o debut The Death of Speedy Ortiz -, a banda de Northampton, Massachusetts continua a investir no mesmo som pesado, sujo e melódico do começo de carreira, posicionamento reforçado no interior de Rising The Skate, a primeira faixa inédita do esperado Foil Deer (2015).

Da mesma forma que no álbum apresentado há dois anos, atos curtos, instantes de silêncio e pequenas explosões rítmicas sustentam o trabalho da banda. Enquanto a voz firme de Sadie Dupuis assume a direção da música, referências ao trabalho de Pixies, The Breeders e Pavement ecoam em cada canto da obra, uma extensão do som reforçado há poucos meses em Real Hair (2014). Também lançado pelo selo Carpark Records, Foil Deer estreia no dia 21 de abril.

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Speedy Ortiz – Raising The Skate

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Disco: “No Cities to Love”, Sleater-Kinney

Sleater-Kinney
Indie Rock/Rock/Alternative
http://www.sleater-kinney.com/

Havia uma sensação de “dever cumprido” quando o hiato do Sleater-Kinney foi anunciado em junho de 2006. Além do fortalecimento no discurso/poesia em relação aos primeiros trabalhos em estúdio, um ano antes, com a entrega de The Woods (2005), o grupo parecia ter alcançado mais do que um “refinamento estético” na próprio som. Depois de uma década de experiência e continua renovação, o trio conseguiu delimitar um influente cercado autoral; uma espécie ambiente seguro, compartilhado e base para crescimento de projetos também inspirados pela mesma temática progressista do grupo.

Em No Cities to Love (2015, Sub Pop), oitavo álbum em estúdio da banda, Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss regressam ao mesmo território criativo de 2006, entretanto, uma leve alteração no lirismo da obra indica a explícita ruptura no discurso do grupo. De forma lenta, porém expressiva, o trabalho parece sufocar em uma atmosfera de forte incredulidade, frieza e pessimismo, conceito inicialmente ressaltado de forma simbólica nas flores murchas que estampam a capa do disco.

Produtor do álbum e parceiro de longa data do trio, John Goodmanson encontra na captação limpa dos instrumentos uma ponte para a temática cinza que define os versos. Com exceção do som flexível, quase pop, da faixa-título, não seria um erro encarar NCTL como o trabalho mais acelerado, cru e “punk” do grupo desde a transformação melódica em All Hands on the Bad One (2000). Dez faixas, pouco mais de 30 minutos de duração, tempo suficiente para flertar com veteranos do cena punk nova-iorquina e ainda resgatar peças autorais, vide o som “caseiro” de Fade, quase um retalho de Dig Me Out (1997).

Como a banda enfatiza na inaugural de Price Tag – “Eu fui atraída pelo diabo / Atraído pelo preço” -, em se tratando dos temas explorados pela obra, pouco foi alterado desde o início do recesso há nove anos. Tal qual o registro homônimo que revelou o grupo em 1995, No Cities to Love explode em meio a temas políticos, feminismo, críticas ao consumismo excessivo e até histórias românticas/confessionais – caso da amarga Hey Darling. A diferença em relação ao antigo acervo do grupo está no sentimento de conformismo e desgaste que invades as canções, marca explícita na referencial No Anthems. Continue reading

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Mikal Cronin: “Made My Mind Up”

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Em busca de boas melodias e guitarras levemente distorcidas? Então talvez seja hora de visitar o universo nostálgico de Mikal Cronin. Dois anos depois de transformar MCII (2013) em um clássico recente do Power Pop, o músico norte-americano está de volta, reservando para o dia três de maio a chegada do terceiro álbum da carreira: MCIII (2015). Como aperitivo para o material produzido e gravado pelo próprio Cronin, a Marge Records, distribuidora do álbum, apresentou o primeiro single do trabalho: Made My Mind Up.

Ainda acomodado em elementos do rock clássico lançado na década de 1970, ao mesmo tempo em que interpreta elementos típicos do rock alternativo dos anos 1980 e 1990, Cronin garante pouco mais de três minutos de vocais acessíveis e guitarras que chegam rapidamente aos ouvidos. Um misto de descompromisso e natural liberdade que apenas fortalece toda a carga de elementos reforçados pelo músico no último álbum. Acima, a capa do disco, trabalho que conta com 11 faixas inéditas.

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Mikal Cronin – Made My Mind Up

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Mew: “Satellites”

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Desde a estreia com A Triumph for Man, em 1997, a banda dinamarquesa Mew sempre soube como equilibrar arranjos marcados pelo experimento e versos íntimos do pop. Hoje, com duas décadas de experiência e cinco trabalhos de peso na bagagem, o quarteto de Hellerup não apenas mantém a boa forma, como mantém uma dose de surpresa a cada novo lançamento, marca explícita na recém-lançada Satellites.

Na trilha de outros “hits” da banda, caso de Special e Am I Wry? No, a composição parece crescer sem dificuldades, dosando arranjos distorcidos e boas melodias dentro de uma estrutura própria do grupo. Faixa de abertura de + - (lê-se “plus minus”), sexto álbum de estúdio do Mew, a canção também marca o fim do hiato de quase seis anos canções inéditas da banda – o último trabalho do grupo foi a coletânea Eggs Are Funny (2010). Com dez composições, o novo álbum está previsto para o dia 27 de abril.

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Mew – Satellites

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California X: “Red Planet”

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Poucos artistas replicam com tamanho acerto (e certa dose de originalidade) o mesmo rock sujo lançado ao final dos anos 1980 quanto a banda California X. Responsável por um dos trabalhos mais intensos e divertidos de 2013, o grupo de Amherst, Massachusetts reserva para o começo do próximo ano a chegada de mais um novo álbum de estúdio: Nights In The Dark (2015). Ainda habitantes do mesmo cenário desenvolvido para o registro de estreia, o quarteto sustenta na recém-lançada Red Planet um aperitivo saboroso do material que chega completo no próximo mês.

Acelerada, a faixa de três minutos logo invade o território de Bob Mould, mergulha em arranjos típicos do Dinosaur Jr e ainda flerta com uma série de artistas veteranos sem necessariamente escapar do ambiente bêbado projetado pela banda. Riffs sujos, ruídos e vozes berradas: uma boa síntese do trabalho apresentado há poucos meses. Com lançamento previsto para o dia 13 de janeiro, Nights In The Dark conta com distribuição pelo selo Don Giovanni.

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California X – Red Planet

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Sleater-Kinney: “Surface Envy”

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As garotas do Sleater-Kinney andam inspiradas. Desde o regresso com Bury Our Friends, há poucas semanas, o caminho que vem sendo preparado para o inédito No Cities To Love (2015) revela uma banda tão intensa quanto aquela que resolveu entrar em hiato em meados de 2006. Dando sequência ao novo material, trabalho que conta com a produção do velho parceiro John Goodmanson, Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss pesam e aceleram ainda mais os instrumentos para impressionar com Surface Envy.

São apenas três minutos e 12 segundos, tempo mais do que o suficiente para guitarras tortas, batidas insanas e doses colossais de distorção cresçam ao fundo da composição. Em determinados momentos, arranjos tão complexos quanto aqueles ressaltados em The Woods (2005), em outros, a mesma jovialidade exaltada nos primeiros anos em estúdio do trio. Com 10 canções inéditas e lançamento pelo selo Sub Pop, No Cities To Love estreia oficialmente no dia 20 de janeiro.

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Sleater-Kinney – Surface Envy

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Disco: “Quarup”, Lupe de Lupe

Lupe de Lupe
Alternative Rock/Indie Rock/Shoegaze
http://lupedelupe.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Quarup (2014, Independente) é uma obra imensa. São 21 canções inéditas e estruturalmente sujas, quase artesanais. Fragmentos divididos em atos curtos de dois ou três minutos – PKA Prefácio, Minha Cidade Em Ruínas -, até blocos extensos de ruídos densos, longas formações distorcidas capazes de ultrapassar os dez minutos de duração – Jurupari, Carnaval. Todavia, não são os 110 minutos do (ambicioso) registro que fazem dele a peça mais grandiosa já projetada pela mineira Lupe de Lupe. Em um cenário torto, “podre” e caótico, talvez o mesmo Reino de Minas Gerais desconstruído em Sal Grosso (2012), o quarteto lentamente expande os limites do próprio universo, desenvolvendo um dos retratos mais honestos da música (e sociedade) brasileira recente.

Longe do romantismo melancólico que corrompe grande parte do rock nacional, cada segundo do álbum (duplo) ultrapassa os limites acolhedores do eu lírico de forma a explorar um cenário arquitetado em torno dos indivíduo – sejam eles personagens reais ou fictícios. Da declaração partidária/ideológico em O Futuro É Feminino (“Meu coração é brasileiro/ Pois o futuro é feminino/ Minha presidente é uma mulher“), ao descritivo ambiente desbravado no interior de Carnaval, Quarup é uma obra que se esquiva da comodidade óbvia do “amor” e “dor”, reforçando no uso de temas sociais um exercício provocativo, temperado pela crueza.

Ainda que esse mesmo conceito seja evidente desde o primeiro trabalho da banda, o curto Recreio, de 2011, parte substancial das composições nascem como fruto de uma transformação recente do quarteto. Desde o lançamento de Distância EP, no último ano, faixas como Os Dias Morrem e Areia Suja parecem reforçar o lado “crítico” da banda, hoje ampliado em canções amargas como Você é Fraco e Eu Já Venci – esta última, uma das melhores e, talvez, mais acessíveis faixas da Lupe de Lupe.

De fato, grande parte do conteúdo entregue no decorrer do presente registro cresce como uma extensão inteligente dos conceitos apresentados no último ano pelo grupo, postura evidente não apenas no discurso “social” imposto em boa parte das canções, mas principalmente no aspecto caótico que guia os sentimentos de cada um dos vocalistas – Renan Benini, Gustavo Scholz e Vitor Brauer, este último, também produtor do disco.

Mesmo nos instantes de maior delicadeza (Gaúcha) e humor (Esse Topper Foi Feito Para Andar), há sempre um tempero extra de desespero, condimento que aos poucos sufoca e perturba a mente do ouvinte – arremessado em todas as direções. Como uma bomba relógio, tensa, Quarup amarra desilusões, cacos aleatórios de um coração partido e fragmentos vindos de diversos relacionamentos fracassados. Um agregado de experiências amargas, base para faixas curtas como Moreninha (RJ) (“Por que tanta mágoa assim nesse mundo que é só seu?“) ou mesmo peças extensas aos moldes de Querubim (“Houve um tempo/ Em que o céu era azul pra mim também“). Continue reading

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Mogwai: “Teenage Exorcists”

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Depois da euforia, silêncio. Em quase duas décadas de andanças pelo Pós-Rock, ao alcançar Rave Tapes (2014, Rock Action) os escoceses do Mogwai buscam por uma evidente zona de conforto. Em uma orientação opositiva ao que Hardcore Will Never Die, But You Will (2011), sétimo registro em estúdio, trouxe de forma exageradamente caótica há três anos, o novo disco usa da leveza como um estágio de agitação estrutural. De volta à estética dos primeiros álbuns, a banda une passado e presente em uma obra de puro recolhimento.

Sustentado pela mesma massa de experimentos testada desde o registro de estreia, Young Team(1997), o novo álbum encontra na interferência de equipamentos analógicos – principalmente sintetizadores – um mecanismo de transformação para a proposta do grupo. Seguindo as pistas apontadas por Remurdered, lançada há alguns meses, o presente disco ruma para a década de 1970, usando de referências ao Krautrock como um matéria-prima para o movimento autoral de boa parte das canções. Veja a resenha completa.

Assista ao clipe de Teenage Exorcists, primeiro singles do novo EP da banda escocesa, Music Industry 3. Fitness Industry 1, previsto para 1 de dezembro. A direção é de Craig Murray.

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Mogwai – Teenage Exorcists

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Parkay Quarts: “Content Nausea”

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O lançamento de Uncast Shadow Of A Southern Myth em meados de outubro parecia servir como convincente aviso: em 2014 os membros do Parquet Courts não vão ficariam satisfeitos em apresentar apenas Sunbathing Animal. Abertura para o novo projeto paralelo do coletivo, o Parkay Quarts, a canção também é uma das 12 faixas que abastecem o recém-lançado Content Nausea (2014), uma espécie de catálogo de sobras e aparente desconstrução conceitual do último álbum dos nova-iorquinos.

Com distribuição pelo selo What’s Your Rupture?, o trabalho já pode ser apreciado na íntegra pelo soundcloud e, também, no player abaixo. Próximo e ao mesmo tempo distante do disco apresentado há poucos meses, o atual projeto mostra que a banda continua imersa entre os anos 1970 e 1980, revisitando elementos do pós-punk, a base do rock alternativo e outras referências alheias aos temas comerciais da época.

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Parkay Quarts – Content Nausea

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