Tag Archives: Alternative Rock

Cymbals Eat Guitars: “4th Of July, Philadelphia (SANDY)”

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A sonoridade ensolarada de LOSE (2014) definitivamente parece ter ficado para trás. Dois anos após o lançamento do terceiro álbum de estúdio, os integrantes do Cymbals Eat Guitars seguem um caminho completamente distinto, sombrio e marcado por referências que dialogam com a música dos anos 1970 e 1980. Passado o lançamento de Wish, composição que flerta com a obra de David Bowie e The Smiths, o grupo apresenta a inédita 4th Of July, Philadelphia (SANDY), mais uma vez buscando por novas possibilidades e influências.

Típica composição do CEG, a faixa de versos explosivos, respiros angustiados e guitarras marcadas pela distorção temporariamente explora um passado ainda recente, mergulhando de cabeça na primeira metade dos anos 2000. Da forma como os vocais em coro flutuam ao fundo da canção, passando pelas sobrecargas de ruídos, todos os elementos apontam para a obra de grupos como The Wrens, American Football e Modest Mouse, nomes de destaque da cena independente dos Estados Unidos no começo da década passada.

Pretty Years (2016) será lançado no dia 02/10 pelo selo Sinderlyn.

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Cymbals Eat Guitars – 4th Of July, Philadelphia (SANDY)

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Resenha: “Puberty 2”, Mitski

Artista: Mitski
Gênero: Indie Rock, Alternative, Rock
Acesse: http://mitski.com/

Em um intervalo de apenas três anos, Mitski Miyawaki deu vida a três registros completamente distintos. O inaugural Lush, em 2012, Retired from Sad. New Career in Business, de 2013 e Bury Me At Makeout Creek, entregue ao público em 2014. Uma coleção de faixas repletas de temas confessionais, discussões sobre a vida sentimental da cantora e tormentos existencialistas que se revelam de forma ainda mais complexa com a chegada de Puberty 2 (2016, Dead Oceans), quarto e mais recente álbum de inéditas da cantora.

Trabalho mais complexo de toda a discografia de Mitski, o registro de 11 faixas e pouco mais de 30 minutos de duração nasce como uma extensão madura do som desenvolvido em Bury Me at Makeout Creek. Guitarras que flertam com a produção ruidosa de diferentes álbuns produzidos no começo da década de 1990 – como Dry (1992) e Rid of Me (1993) da britânica PJ Harvey –, mas que a todo momento incorporam pequenos experimentos e colagens eletrônicas que afastam a artista de uma possível zona de conforto.

Um bom exemplo disso está na inaugural Happy. Enquanto os versos exploram o peso da felicidade na vida de qualquer indivíduo – “A alegria veio me visitar, ela comprou biscoitos no caminho / Eu lhe servi chá e ela me disse que tudo vai ficar bem”–, musicalmente, Mitski dá um salto. Da bateria eletrônica que abre e finaliza a canção, passando pelo jogo de guitarras dançantes, até alcançar o saxofone que orienta os instantes finais da música, uma chuva de pequenos detalhes delicadamente cobre toda a extensão da faixa, grandiosa a cada novo ruído ou encaixe eletrônico.

Movida pela mesma herança musical de artistas como Waxahatchee, Sharon Van Etten e Torres, a cantora acerta ao fazer de cada composição um ato isolado. Enquanto músicas como My Body’s Made of Crushed Little Stars e A Loving Feeling exploram o mesmo conceito “caseiro” dos dois primeiros álbuns da cantora, faixas como Crack Baby e Happy indicam um maior refinamento, flertando com novos estilos, como se mesmo segura da própria sonoridade, Mitski buscasse por novas sonoridades. Continue reading

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Não Ao Futebol Moderno: “Saia”

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Com o lançamento de Janeiro e Cansado de Trampar, os integrantes do grupo gaúcho Não Ao Futebol Moderno conseguiram reforçar a busca por uma nova sonoridade, rompendo parcialmente com o material originalmente apresentado em Onde Anda Chico Flores? EP, de 2014. Entretanto, a caminho do primeiro álbum de inéditas, o quarteto de Porto Alegre faz da recém-lançada Saia, última canção antes da chegada do aguardado registro, uma espécie de regresso ao material apresentado há dois anos, deixando os recentes temas psicodélicos em segundo plano.

Marcada pela precisão das guitarras, a canção de apenas dois minutos parece seguir em uma sequência de vozes, batidas e sintetizadores que se amarram perfeitamente, quase matemáticos. Uma curiosa interpretação do mesmo som produzido por bandas como American Football e The Wrens no começo dos anos 2000, mas que acaba indo além, lembrando em alguns aspectos as primeiras canções de grupos como Weezer e até Yo La Tengo, no começo da década de 1990.

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Não Ao Futebol Moderno – Saia

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Resenha: “Teens of Denial”, Car Seat Headrest

Artista: Car Seat Headrest
Gênero: Indie Rock, Alternative, Rock
Acesse: https://carseatheadrest.bandcamp.com/

 

Guitarras sujas que atravessam a discografia do Guided By Voices e tropeçam na obra do Yo La Tengo. Versos irônicos, tão íntimos de Stephen Malkmus quanto das canções do Belle and Sebastian. O canto melódico The New Pornographers em contraste ao grito seco de Ted Leo and the Pharmacists. Delírios de um registro assinado por diferentes nomes da cena independente norte-americana? Longe disso. Em Teens of Denial (2016, Matador), novo álbum Car Seat Headrest, fragmentos criativos vindos de diferentes décadas e cenários servem como estímulo para a construção de uma obra tão intensa e versátil quanto trabalhos produzidos na década de 1990 e começo dos anos 2000.

Entregue ao público poucos meses após o lançamento de Teens of Style (2015), obra que apresentou oficialmente o trabalho do grupo comandado por Will Toledo, o registro de 12 composições extensas mostra a capacidade da banda em brincar com as referências sem necessariamente perder a própria essência musical. Canções que poderiam se encontradas em obras de artistas como Beck (Drunk Drivers / Killer Whales) e Pixies (Just What I Needed / Not Just What I Needed), mas que acabam encantando pela poesia descompromissada e guitarras sempre vivas de Toledo.

Musicalmente desafiador, Teens of Denial, diferente do trabalho entregue em 2015, revela ao público todo seu potencial logo na sequência de abertura. São três composições – Fill in the Blank, Vincent e Destroyed by Hippie Powers – em que Toledo e os parceiros Ethan Ives, Andrew Katz e Seth Dalby parecem arremessar o ouvinte para todas as direções. Recortes, batidas crescentes, mudanças bruscas de ritmo, ruídos, gritos e instantes de pura sutileza melódica. A mesma esquizofrenia (controlada) de clássicos como Crooked Rain, Crooked Rain (1994) e Alien Lanes (1995).

Movido pela mesma urgência de grupos como Fucked Up e Titus Andronicus, Toledo finaliza uma obra que mantém a atenção do ouvinte em alta mesmo em canções arrastadas, caso da extensa The Ballad of the Costa Concordia, com mais de 11 minutos de duração. Um permanente ziguezaguear de ideias e arranjos flexíveis, como se grande parte do material produzido de forma caseira pelo músico nos últimos fosse adaptado e polido para o presente disco. Cuidado evidente em cada nota ou ruído sujo de guitarra, mas que acaba seduzindo o ouvinte na criativa composição dos versos. Continue reading

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Cymbals Eat Guitars: “Wish”

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Com o lançamento do melódico Lose, em 2014, ficou claro o interesse do Cymbals Eat Guitarrs pela produção de um som cada vez mais acessível, talvez pop. Curioso encontrar na recém-lançada Wish um completo oposto do material apresentado ao público há dois anos. Da voz descontrolada (e suja) de Joseph D’Agostino, passando pelo uso de saxofones e sintetizadores pouco usuais dentro da discografia da banda, todos os elementos se orientam de forma torta, apontando a direção seguida em Pretty Years (2016), novo álbum de inéditas do quarteto.

Inspirado por diferentes cenas dos anos 1970 e 1980, além de obras específicas produzidas por nomes como The Cure, The Smiths, Bruce Springsteen, Neil Young e principalmente David Bowie, Pretty Years concentra grande parte das referências que abasteceram o trabalho da banda. John Congleton, produtor que já trabalhou com nomes como St. Vincent, Modest Mouse, Franz Ferdinand e Swans é quem assina a produção do trabalho.

Pretty Years (2016) será lançado no dia 02/10 pelo selo Sinderlyn.

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Cymbals Eat Guitars – Wish

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Disco: “Human Performance”, Parquet Courts

Artista: Parquet Courts
Gênero: Indie Rock, Alternative, Post-Punk
Acesse: https://parquetcourts.wordpress.com/

 

Evoluir sem necessariamente perverter a própria essência musical. Dois anos após o lançamento da dobradinha Sunbathing Animal (2014) e Content Nausea (2014) – este último, apresentado ao público sob título de Parkay Quarts – Andrew Savage (voz, guitarras), Austin Brown (voz, guitarras), Sean Yeaton (baixo) e Max Savage (bateria) estão de volta um novo registro de inéditas do Parquet Courts: Human Performance (2016, Rough Trade).

Obra mais “ousada” de toda a discografia dos nova-iorquinos, musicalmente o presente álbum dá um salto em relação ao material produzido anteriormente pela banda. Ainda que o diálogo com elementos do pós-punk e rock alternativo dos anos 1990 seja mantido durante toda a execução do trabalho, pouco do som pensado para os iniciais American Specialties (2011) e Light Up Gold (2012) parece ter sobrevivido, revelando um claro exercício de reposicionamento por parte do quarteto.

Mesmo que a inaugural Dust sirva para exemplificar toda a transformação da banda, detalhando uma coleção de sintetizadores cósmicos e guitarras crescentes, típicas de gigantes como The Velvet Underground, está na própria faixa-título do disco a busca por um conjunto de novas possibilidades. Um material inicialmente tímido, mas que logo transporta o quarteto para um novo cenário, como se o grupo exagerasse de forma propositada na utilização de efeitos e distorções.

Em uma estrutura essencialmente versátil, cada uma das 13 composições que abastecem Human Performance se fragmenta em diferentes temas e ambientações instrumentais. Salve a rigidez de músicas como Berlin Got Blurry, difícil encontrar uma canção que mantenha a mesma estrutura do primeiro ao último acorde. Da explosão de sons na extensa One Man No City ao toque melancólico de Steady On My Mind, faixa após faixa, o grupo detalha um mundo de texturas e pequenos detalhes. Continue reading

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Disco: “Mantra Happening”, Lê Almeida

Lê Almeida
Nacional/Indie Rock/Psychedelic
http://lealmeida.bandcamp.com/

 

Com o lançamento de Paraleloplasmos, em março de 2015, o cantor e compositor fluminense Lê Almeida parecia indicar a busca por um novo conjunto de referências e sonoridades. Entre composições essencialmente efêmeras, guitarras sujas e ruídos caseiros, Fuck The New School, com mais de 11 minutos de duração, e Câncer dos Trópicos, com quase nove, sutilmente conseguiram transportar o ouvinte para um cenário parcialmente renovado, marcado pela psicodelia. Uma extensão torta do mesmo som produzido pelo músico durante quase uma década de atuação.

Em Mantra Happening (2016, Transfusão Noise Records), terceiro e mais recente registro de inéditas do guitarrista, um delicado regresso ao mesmo ambiente cósmico apresentado há poucos meses. Cinco composições extensas, pouco mais de 50 minutos de duração, tempo suficiente para que Almeida e o time de instrumentistas formado por João Casaes (guitarra), Bigú Medine (baixo) e Joab Régis (bateria) brinque com os ruídos, ondas de distorção e vozes de forma sempre mutável.

Escolhida para inaugurar o disco, a longa Oração da Noite Cheia, com mais de 15 minutos de duração, cria uma ponte involuntária para o trabalho apresentado no último ano. Emanações psicodélicas, imensos paredões de guitarra e a voz pueril de Almeida, assim como em grande parte dos registros do artista, explorada como um “instrumento” complementar. Dois atos distintos, mas que se completam ao longo da execução da faixa, como uma visita o rock da década de 1970, mas sem necessariamente abandonar o presente.

Fina representação do lado mais “experimental” da obra, Maré, segunda canção do disco, não apenas garante sequência ao material apresentado nos primeiros minutos de Mantra Happening, como ainda estabelece uma série de regras para o restante da obra. São quase 13 minutos de texturas sobrepostas e vozes carregadas de efeitos. Arranjos e conceitos que esbarram de forma autoral na obra de Ty Segall, Thee Oh Sees e outros representantes da cena norte-americana. Continue reading

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Chelsea Wolfe: “Hypnos” (VÍDEO)

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Com o lançamento de Abyss (2015), Chelsea Wolfe deu vida ao melhor registro de toda sua carreira.  Acompanhada de John Congleton, produtor que já trabalhou com Swans, St. Vincent e Sigur Rós, a cantora e compositora norte-americana não apenas deu sequência ao universo de temas góticos ressaltados no antecessor Pain Is Beauty, de 2013, como conseguiu se reinventar, flertando com elementos do Shoegaze/Progressive Metal ao longo de toda a obra.

Em Hypnos, mais recente composição assinada por Wolfe, uma fuga desse mesmo universo. Ainda que os versos da cantora passeiem por um mundo de tormentos e desilusões, os arranjos semi-acústicos revelam o oposto do material apresentado há poucos meses. Uma espécie de refúgio, como se Wolfe visitasse a mesma sequência de obras produzidas de forma caseira no final da década passada, quando foi apresentada ao público oficialmente. Assista ao clipe da canção:

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Chelsea Wolfe – Hypnos

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Mourn: “Evil Dead”

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Ha, Ha, Ha (2016), esse é o nome do mais novo registro de inéditas do coletivo espanhol Mourn. Com o homônimo álbum de estreia apresentado em 2015 – um trabalho de 11 faixas e pouco mais de 20 minutos de duração -, o quarteto original da cidade de Barcelona parece manter firme a mesma sonoridade explorada há poucos meses. Um meio termo entre o garage rock e o post-punk que serve de estímulo para a recém-lançada Evil Dead.

Raivosa e efêmera, a canção canção de apenas dois minutos traz de volta todos os elementos incorporados pela banda há poucos meses. Uma curiosa sobreposição de vozes, guitarras, bateria e versos sempre enérgicos, como uma versão mais “jovem” do trabalho produzido há poucos meses pelo Savages em Adore Life (2016). Além da presente faixa, o grupo ainda reserva mais onze composições inéditas para o novo álbum.

Ha, Ha, Ha (2016) será lançado no dia 03/06 pelo selo Carpark Records.

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Mourn – Evil Dead

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Mitski: “Your Best American Girl”

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Dona de um vasto catálogo de obras acumuladas no bandcamp, incluindo o ótimo Bury Me At Makeout Creek, de 2014, Mitski Miyawaki passou os últimos cinco anos construindo o próprio espaço dentro da cena norte-americana. Um lento exercício de amadurecimento que passa por obras como LUSH (2012) e Retired from Sad, New Career in Business (2013), até alcançar o novo registro de inéditas da cantora, o aguardado Puberty 2 (2016).

Em Your Best American Girl, composição escolhida para apresentar o ainda inédito trabalho da musicista, o claro sentimento de mudança. Ainda que habite o mesmo universo de Torres, Waxahatchee e todo o time de novas representantes da música alternativa, está no diálogo com PJ Harvey e todo o grupo de veteranas da década de 1990 a real beleza da recém-lançada composição. Guitarras e vozes que flertam abertamente com o passado, entretanto, mantém firme o som produzido nos últimos discos da cantora.

Puberty 2 (2016) será lançado no dia 17/06 pelo selo Dead Oceans.

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Mitski – Your Best American Girl

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