O universo em preto e branco de Pluvero (2014) se abre para as cores de Planar Sobre o Invisível (2016). Dois anos após o lançamento do segundo álbum de estúdio da Kalouv – 15º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, o quinteto pernambucana está e volta duas canções inéditas. Para celebrar a passagem do grupo de Recife por uma série de cidades do Sul e Sudeste do país – veja a agenda completa –, Peixe Voador e Da Bravura, Inocência mais uma vez reforçam o preciosismo do coletivo em estúdio.

Enquanto a primeira, Peixe Voador, se espalha em um ato crescente, detalhando uma solução de pianos, guitarras coloridas e distorções que raspam de leve na música psicodélica, com a chegada de Da Bravura, Inocência, segunda composição do single, um regresso ao ambiente criativo do álbum lançado há dois anos. Experimentos minimalistas que servem de pano de fundo para uma composição essencialmente versátil, dominada pela uso de sintetizadores e pequenas quebras rítmicas.

Kalouv – Planar Sobre o Invisível

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Dois anos após o lançamento de Primal Swag (2014), os paulistanos da INKY estão de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado Animania (2016), o álbum que conta com produção de Guilherme Kastrup, – artista que trabalhou na construção do elogiado A Mulher do Fim do Mundo (2015), de Elza Soares –, mostra a transformação do quarteto, focado em explorar novas sonoridades e temas orgânicos, expandindo conceitos inicialmente testados no primeiro disco de inéditas.

Além de Parallax, música escolhida para anunciar o disco há poucas semanas e uma das criações mais intensas do rock (inter)nacional nos últimos meses, o grupo reserva ao público outras oito faixas. Canções como a experimental Devil`s Mark, faixa que conta com a presença dos músicos da Bixiga 70, e a derradeira In The Middle Of A Rising, uma colagem de vozes, ruídos controlados e batidas que parecem de algum terreiro.

INKY – Animania

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Artista: Dinosaur Jr.
Gênero: Alternative Rock, Indie, Rock
Acesse: http://www.dinosaurjr.com/

 

De todos os artistas que decidiram entrar em hiato no final da década de 1990 – como Weezer, Soundgarden e The Smashing Pumpins –, o Dinosaur Jr. talvez seja a banda que fez o melhor retorno aos palcos e estúdios. Uma década após o lançamento de Hand It Over (1997), o trio de Amherst, Massachusetts, estava de volta com o intenso Beyond (2007), uma continuação do mesmo som urgente que apresentou a banda no final dos anos 1980 e a base de toda a sequência de obras que viriam a ser produzidas pelo grupo nos próximos anos.

Em Give a Glimpse of What Yer Not (2016, Jagjaguwar), quarto registro de inéditas desde o regresso há nove anos, J Mascis (guitarra e voz), Lou Barlow (baixo e voz) e o baterista Murph se concentram na produção de um material essencialmente cru, raivoso. Uma propositada fuga da sonoridade densa que acabou orientando os dois últimos trabalhos produzidos pela banda – Farm (2009) e I Bet on Sky (2012).

São pouco mais de 40 minutos de duração. Um total de 11 faixas em que a banda norte-americana se reveza na construção de faixas que dialogam com o rock dos anos 1970 (I Walk For Miles), investem na aceleração das vozes e batidas (Tiny), além de presentear o público com alguns dos melhores solos já produzidos por Mascis (Goin Down). De fato, para a divulgação do trabalho, o guitarrista concentrou todos os solos de guitarra do álbum em uma única playlist no Spotify, indicando a fúria do registro.

Inaugurado pela urgência de Goind Down, Give a Glimpse of What Yer Not segue em uma estrutura dinâmica até o último instante. Uma colisão de vozes berradas e arranjos que confirmam a boa fase do trio de veteranos. Um bom exemplo disso está na construção de Good To Know. Sexta faixa do disco, a canção dominada pelas guitarras de Mascis instantaneamente transporta o ouvinte para o final da década de 1980, como uma extensão do som produzido para clássicos como You’re Living All Over Me (1987) e Bug (1988).

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As guitarras e temas psicodélicos mais uma vez tomam conta do som produzido por Thee Oh Sees. Um ano após o lançamento do ótimo Mutilator Defeated At Last (2015), John Dwyer e seus parceiros de banda estão de volta com um novo registro de estúdio: A Weird Exits (2016). São oito composições inéditas, incluindo a já conhecida The Axis, canção com mais de seis minutos de duração apresentada pela banda em meados de julho.

Entre os destaques do disco, faixas como Dead Man’s GunTicklish Warrior, verdadeiros paredões de ruídos. Assim como o álbum apresentado em 2015, o novo trabalho conta com distribuição pelo selo Castle Face, ponto de partida de alguns dos principais exemplares do garage rock norte-americano. Quem assina a imagem de capa do registro é Robert Beatty, artista gráfico que já trabalhou com nomes como Neon Indian, Tame Impala e Oneohtrix Point Never.

 

Thee Oh Sees – A Weird Exits

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. Há tempos que o Dinosaur Jr. não presenteava o público com uma faixa tão suja e “caseira” quanto a recém-lançada Goin Down. Parte do novo álbum de estúdio do grupo norte-americano, o aguardado Give A Glimpse Of What Yer Not (2016), a canção de quatro minutos cresce em meio ao jogo de guitarras de J Mascis, revelando uma sonoridade abafada, inicialmente contida, mas que explode nos instantes finais da faixa, efeito do poderoso solo que corta a composição. Apresentada ao público poucas semanas após o lançamento do…Continue Reading “Dinosaur Jr.: “Goin Down””

. Seis anos após o lançamento do ótimo Breakdance (2010), os gaúchos da Walverdes estão de volta com mais um novo registro de inéditas. Intitulado Repuxo (2016), o trabalho que conta com sete composições e distribuição pelo selo Loop Records traz de volta o mesmo som cru produzido pela banda original de Porto Alegre desde o lançamento dos primeiros álbuns em estúdio, caso de clássicos como 90º (2000) e Anticontrole (2002). Aos comandos de Gustavo Mini (Guitarra e Voz), Marcos Rübenich (Bateria), Patrick Magalhães (Baixo e Voz) e Julio Porto…Continue Reading “Walverdes: “Repuxo””

. O romantismo explícito em Roupa Linda, Figura Fantasmagórica (2014) está longe de parecer o principal componente dentro da nova “fase” da Séculos Apaixonados. Dois anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio – 8º lugar em nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 –, Gabriel Guerra e os parceiros de banda encontram um novo mundo de referências e temas a serem explorados, firmando no discurso social e fragmentos da evolução natural a base para a recém-lançada Origem das Espécies. Primeiro single do…Continue Reading “Séculos Apaixonados: “Origem das Espécies””

. O peso das guitarras é claro dentro de Parallax. Mais recente composição do quarteto paulistano INKY – projeto formado por Luiza Pereira, Guilherme Silva, Stephan Feitsma e Luccas Villela –, a faixa que conta com pouco mais de quatro minutos pode até estimular o ouvinte a dançar, mergulhando no mesmo dance-rock-obscuro do álbum lançado há dois anos, Primal Swag (2014), entretanto, está no uso de pequenos encaixes experimentais o estímulo não apenas para a presente faixa, mas a base para o novo registro de inéditas do grupo….Continue Reading “INKY: “Parallax””

Artista: Ombu
Gênero: Alternative Rock, Post-Hardcore, Pós-Rock
Acesse: https://www.facebook.com/bandaombu

 

Calma“. O verso sereno e levemente melancólico que abre a quarta faixa de Pedro EP (2016, Balaclava Records) parece dizer muito sobre a presente fase da banda paulistana Ombu. Três anos após o lançamento do primeiro registro de estúdio, o artesanal Caminho Das Pedras EP, João Viegas (baixo e voz), Santiago Mazzoli (guitarra e voz) e Thiago Barros (bateria) assumem uma postura sóbria e parcialmente renovada com o presente trabalho de inéditas, revelando ao público uma sequência de composições marcadas pela complexidade dos detalhes.

Passo além em relação ao trabalho apresentado há pouco mais de um ano em Mulher EP (2016), registro de seis faixas e uma espécie de recomeço dentro da curta trajetória do grupo, o novo álbum confirma o profundo esmero na construção de cada música produzida pelo grupo. Ideias que passeiam pelo mesmo cenário urbano apresentado no primeiro EP do trio, porém, encorpadas por um conjunto de novas ambientações, ruídos e temas etéreos.

Ainda que Calma, composição escolhida para anunciar o trabalho pareça sintetizar toda a transformação do grupo paulistano, sobrevive na dolorosa Sem Mais, faixa de abertura do disco, um conjunto de novos experimentos e colagens instrumentais que confirmam a completa evolução do trio. Enquanto os versos resgatam de forma angustiada as memórias de um passado ainda recente, musicalmente a canção cresce de forma a revelar um verdadeiro labirinto instrumental, mergulhando em diferentes cenários, solos arrastados de guitarra, texturas e até vozes assumidas por um grupo de crianças.

Observado em proximidade aos dois últimos registros da banda, Pedro – o nome é um misto de homenagem e brincadeira com um fã do grupo – se revela como o trabalho mais seguro da Ombu, fruto da profunda interação entre cada integrante da banda em estúdio. “No estúdio, eu estava me sentindo em casa. É importante respeitar o tempo de gestação de casa música”, confessou Mazzoli em entrevista ao site da Noisey.

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. A sonoridade ensolarada de LOSE (2014) definitivamente parece ter ficado para trás. Dois anos após o lançamento do terceiro álbum de estúdio, os integrantes do Cymbals Eat Guitars seguem um caminho completamente distinto, sombrio e marcado por referências que dialogam com a música dos anos 1970 e 1980. Passado o lançamento de Wish, composição que flerta com a obra de David Bowie e The Smiths, o grupo apresenta a inédita 4th Of July, Philadelphia (SANDY), mais uma vez buscando por novas possibilidades e influências. Típica composição…Continue Reading “Cymbals Eat Guitars: “4th Of July, Philadelphia (SANDY)””