Star Roving, esse é o título da primeira composição inédita do Slowdive em 22 anos. Ponto de partida para um novo registro de estúdio do grupo de Reading – o primeiro desde o ótimo Pygmalion, lançado em 1995 –, a canção parece seguir exatamente de onde a banda parou no meio da década de 1990. Vozes submersas, paredões imensos de guitarras e texturas produzidas a partir da atenta sobreposição de ruídos. Pouco mais de cinco minutos em que a essência do grupo britânico se revela por completo.

Formado no final da década de 1980, o Slowdive conta com um limitado, porém, rico acervo de obras. Entre os trabalhos da banda, o clássico Souvlaki (1993), um dos principais registros da década de 1990 e a inspiração para diferentes projetos do dream pop/shoegaze recentes. Em hiato desde 1995, o grupo anunciou o retorno aos palcos em 2014 com uma série de apresentações ao vivo. Com lançamento pelo selo Dead Oceans, o novo disco da banda  para os próximos meses.

 

Slowdive – Star Roving

Continue Reading "Slowdive: “Star Roving”"

 

Mais conhecido pelo trabalho com o Pavement, Scott Kannberg, também integrante da banda Preston School of Industry, anuncia a chegada de um novo álbum sob o título de Spiral Stairs. Intitulado Doris & The Daggers (2017), o registro de dez faixas é o primeiro trabalho do músico norte-americano desde o álbum The Real Feel, de 2009. Para a divulgação do registro, Kannberg apresenta ao público a inédita Dance (Cry Wolf).

Estranhamente polida quando observamos os antigos trabalhos do músico, a faixa dominada pelo uso de boas guitarras, íntimas de gigantes dos anos 1980, como R.E.M., lentamente se espalha e meio a versos convidativos, descomplicados. No clipe da faixa, a presença de Jason Lytle, líder do Grandaddy e um dos parceiros de Kannberg no trabalho. O registro ainda conta com a presença de nomes como Matt Berninger (The National) e Kevin Drew (Broken Social Scene).

 

Doris & The Daggers

01 Dance (Cry Wolf)
02 Emoshuns
03 Dundee Man
04 AWM
05 No Comparison
06 The Unconditional
07 Trams (Stole My Love)
08 Exiled Tonight
09 Angel Eyes
10 Doris And The Daggers

Doris & The Daggers (2017) será lançado no dia 27/03 via Nine Mile/Domino

 

Spiral Stairs – Dance (Cry Wolf) 

Continue Reading "Spiral Stairs: “Dance (Cry Wolf)”"

 

Depois de um longo período de hiato, Brian King e David Prowse anunciaram a chegada do terceiro álbum de inéditas do Japandroids: Near To The Wild Heart Of Life (2017). Primeiro disco de estúdio da dupla canadense desde o elogiado Celebration Rock – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o novo álbum fez da enérgica Near To The Wild Heart Of Life um estímulo para aguardado registro.

Em No Known Drink Or Drug, mais novo single da dupla de Vancouver, uma extensão segura da mesma sonoridade. Entre guitarras crescentes e batidas pontuais, vozes em coro servem de base para a construção de versos melódicos, mesmo ocultos em meio a pequenas camadas de ruídos. Pouco mais de três minutos em que King e Prowse estabelecem pequenos atos, resgatando uma série de elementos originalmente testados nos primeiros registros do Japandroids.

Near To The Wild Heart Of Life (2017) será lançado no dia 27/01 via Anti-.

 

Japandroids – No Known Drink Or Drug

Continue Reading "Japandroids: “No Known Drink Or Drug”"

Artista: Hierofante Púrpura
Gênero: Rock Alternativo, Psicodélico, Experimental
Acesse: https://hierofantepurpura.bandcamp.com/

Foto: Hendi DuCarmo

“Seremos a banda do ano?”, pontua o coro de vozes ensandecidas nos instantes finais de Cachorrada. Ainda que o questionamento seja apenas um fragmento complementar à cômica narrativa assinada por Danilo Sevali, difícil passear pelas canções de Disco Demência (2016, Balaclava Records), mais recente álbum da Hierofante Púrpura, e não perceber o registro como um dos trabalhos mais significativas da cena independente nos últimos meses.

Resultado da ativa interferência de cada integrante da banda – além de Sevali (voz, teclados, guitarra), completa com Helena Duarte (baixo, voz), Gabriel Lima (guitarra, voz) e Rodrigo Silva (bateria) –, o álbum construído a partir de cinco composições extensas reflete o que há de melhor no material produzido pelo grupo de Mogi das Cruzes: a loucura. Em um intervalo de apenas 40 minutos, cada canção se transforma em um experimento torto, insano.

Um bom exemplo disso está na curiosa montagem de Acalenta Lua, segunda faixa do disco. Inaugurada pelo canto arrastado dos integrantes, a canção de melodias inebriantes se espalha sem pressa, detalhando delírios típicos do trabalho de Arnaldo Baptista no clássico Lóki? (1974). No segundo ato da canção, uma quebra brusca. Pianos melancólicos que flutuam em meio ao som ruidoso que escapa das guitarras de Lima. Distorções, batidas e vozes que dançam em meio a pequenas curvas rítmicas.

Mesmo que a relação com o trabalho de gigantes da música psicodélica seja percebida durante toda a construção da obra, faixa após faixa, o quarteto paulista se concentra na formação de uma identidade musical própria. No interior de cada composições, diferentes blocos instrumentais, sempre complexos, ricos em detalhes e texturas. Uma constante sensação de que pequenos fragmentos vindos de diversas canções foram espalhados de forma aleatória no interior do trabalho.

Continue Reading "Resenha: “Disco Demência”, Hierofante Púpura"

 

Formada por Cinty Murph (vocal e teclado), Priscila Lopes (baixo), Camila Ribeiro (bateria) e Rodrigo Lima (guitarra), In Venus é uma banda de pós-punk/rock alternativo que se divide entre o som sujo da década de 1980 e um discurso bastante atual. Original da cidade de São Paulo, o quarteto acaba de lançar o primeiro single da carreira, Mother Nature, uma perfeita síntese de todo o universo de referências (instrumentais e poéticas) que abastecem o trabalho do grupo.

Com distribuição por três selos diferentes – Efusiva, PWR e Howlin Records –, a canção de apenas três minutos confirma toda a versatilidade do grupo. Enquanto os versos exaltam Gaia, a Mãe Natureza, musicalmente, a canção se espalha em meio a ruídos, quebras bruscas e doses consideráveis de distorções. Arranjos e vozes que dialogam com o som produzido por estrangeiros como Savages e Preoccupations, porém, mantém firme a essência do quarteto paulistano.

 

In Venus – Mother Nature

Continue Reading "In Venus: “Mother Nature”"

Artista: Terno Rei
Gênero: Dream Pop, Indie, Alternativo
Acesse: http://ternorei.com.br/

 

Um sussurro angustiado entre os versos de Criança – “As coisas que eu perdi / Nunca voltam” –, e a essência melancólica da Terno Rei se revela por completo em Essa Noite Bateu Com Um Sonho (2016, Balaclava Records). Sucessor do delicado Vigília (2014), o segundo álbum de estúdio do quinteto paulistano nasce como uma extensão madura do som intimista que há tempos orienta a obra de Ale Sater (voz e baixo), Bruno Paschoal (guitarra), Greg Vinha (guitarra), Luis Cardoso (bateria) e Victor Souza (percussão).

Produzido em um intervalo de quase dois anos, o registro que conta com produção assumida pelo músico Guilherme Chiappetta, parceiro do grupo desde o primeiro álbum de estúdio, mostra a busca do quinteto pela construção de um material cada vez mais complexo, soturno e alimentado de forma explícita pelos detalhes. Memórias de um passado ainda recente, confissões e delírios psicodélicos. Composições em que a poesia sorumbática do grupo dialoga diretamente com o ouvinte.

A letra cíclica em Sinais (“Sina, sina, sina, sina / Espero te encontrar”), um labirinto de guitarras e cores em Circulares, a poesia descomplicada que se espalha entre os ruídos de Para o Centro. São versos, melodias e estilhaços instrumentais que servem de estímulo para atrair a atenção do público, convidado a provar de cada momento, detalhe ou verso subjetivo que se espalha ao fundo do disco. Uma clara evolução quando observamos a ambientação tímida do antecessor Vigília.

Entre versos marcados pela saudade (“Solidão se põe / no fundo da janela”), temas existencialistas (“Eu era ele / Ou era eu mesmo / Desde o começo”) ou mesmo reflexões típicas de jovens adultos (“Conheço bem a madrugada / Ela é minha sina”), a nítida interferência de cada integrante da banda. São melodias encorpadas por arranjos minuciosos, sempre nostálgicos e empoeiradas. Ruídos e distorções climáticas dançam pelo tempo, incorporando diferentes aspectos do Dream Pop e até instantes em que o grupo flerta com a psicodelia.

Continue Reading "Resenha: “Essa Noite Bateu Com Um Sonho”, Terno Rei"

Artista: Macaco Bong
Gênero: Instrumental, Rock Alternativo, Indie
Acesse: https://www.facebook.com/Macaco-Bong

 

Produzida a partir de diferentes recortes, imagens sobrepostas e cores saturadas, o trabalho concebido como capa para o quarto álbum de estúdio da Macaco Bong diz muito sobre a direção seguida pelo trio mato-grossense. Entregue ao público poucos meses após o lançamento de Macumba Afrocimética (2015), o registro de oito canções inéditas joga com as possibilidades, costurando diferentes ritmos, fórmulas e referências em um curto intervalo de tempo.

Movido pela urgência dos arranjos, conceito explícito na inaugural Lurdz, o registro homônimo faz de cada composição um ato isolado, sempre intenso. Salve exceções, como a extensa Chocobong, grande parte das músicas no interior do disco se revela em totalidade logo nos primeiros minutos. Um permanente diálogo entre a guitarra versátil de Bruno Kayapy e o baixo de Daniel Hortides com a bateria de Daniel Fumegaladrão.

Interessante notar que mesmo esse propositado sentido de urgência em nenhum momento interfere na construção de faixas mais complexas, detalhistas. Um bom exemplo disso está na segunda canção do disco, Beijim da Nega Flor. De essência melancólica, a composição que flerta com a obra de veteranos como Slint e Mogwai se espalha sem pressa, mergulhando na construção de bases melódicas e instantes de maior delicadeza, capazes de estimular a consturção de letras imaginárias na cabeça do ouvinte.

O mesmo cuidado acaba se refletindo na derradeira Macaco. Em um intervalo de quase seis minutos, Kayapy e os parceiros de banda visitam a mesma sonoridade incorporada pelo Pixies dentro de obras como Bossanova (1990) e Trompe le Monde (1991). Blocos imensos de ruídos que acabam silenciados em poucos instantes, como se o trio brincasse com o uso de pequenos contrastes, conceito que acaba se repetindo nos quase nove minutos de Chocobong.

Continue Reading "Resenha: “Macaco Bong”, Macaco Bong"

 

Estão prontos para um novo álbum do Japandroids? Quatro anos após o lançamento do ótimo Celebration Rock – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 –, Brian King e David Prowse anunciam a chegada de um novo registro de inéditas, o terceiro na carreira da banda. Intitulado Near To The Wild Heart Of Life (2017), o disco previsto para janeiro do próximo ano conta com oito novas composições, incluindo a intensa faixa-título, primeiro exemplar do trabalho apresentado ao público.

Como tudo que o Japandroids vem produzindo desde o primeiro álbum de inéditas, Post-Nothing, de 2009, a nova composição mantém firme a crueza dos arranjos, detalhando vozes em coro, versos melódicos e o constante embate entre as guitarras de King e a bateria insana de Prowse. São quase cinco minutos de distorções, batidas e versos pegajosos, esbarrando na mesma atmosfera do hit The House That Heaven Built.

Near To The Wild Heart Of Life (2017) será lançado no dia 27/01 via Anti-.

 

Japandroids – Near To The Wild Heart Of Life

Continue Reading "Japandroids: “Near To The Wild Heart Of Life”"

 

Até o lançamento de Nothing Feels Natural, em janeiro do próximo ano, os integrantes do Priests devem presentear o público com uma sequência de grandes composições. Dias após a apresentação da enérgica JJ, composição escolhida para anunciar o primeiro álbum de estúdio do grupo norte-americano, Katie Alice Greer e os parceiros de banda estão de volta com uma nova e intensa criação inédita: Pink White House.

Dominada pelo uso de guitarras frenéticas, completamente instáveis, além, claro, da voz forte de Greer, a canção muda de direção a cada nova curva instrumental do grupo. Difícil não lembrar de Sleater-Kinney e outros veteranos do rock alternativo, a todo instante referenciados dentro do disco. Junto da faixa, um divertido (e louco) clipe caseiro dirigido pelos próprios integrantes do Priests.

Nothing Feels Natural (2017) será lançado no dia 27/01 via Sister Polygon.

 

Priests – Pink White House

Continue Reading "Priests: “Pink White House” (VÍDEO)"

Poucos meses após o lançamento da melancólica Vida Sem Sentido, Filipe Alvim está de volta com uma nova composição inédita. Em Poderosa, mais recente criação do cantor e compositor mineiro, versos curtos e guitarras rápidas apontam a direção seguida pelo artista. Um curioso exercício criativo que passeia pela confissão romântica, detalha instantes de submissão e, lentamente, encontra na fuga do eu lírico um desfecho para o pequeno ato musicado de Alvim.

Você tem / O poder / Sobre mim … Ela é poderosa / Me fascina / Ela é poderosa / Me deixa ficar“, canta a voz empoeirada pela gravação enquanto guitarras e batidas ocupam todos os espaços da faixa. Assim como Vida Sem Sentido, a nova composição faz parte do primeiro álbum de inéditas do cantor. Um registro abastecido por oito faixas e o primeiro grande lançamento de Alvim desde o EP Zero, entregue ao público em meados de 2013.

Beijos (2016) será lançado no dia 08/11 via Pug Records.

Filipe Alvim – Poderosa

Continue Reading "Filipe Alvim: “Poderosa”"