Tag Archives: Alternative Rock

Dinosaur Jr.: “Goin Down”

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Há tempos que o Dinosaur Jr. não presenteava o público com uma faixa tão suja e “caseira” quanto a recém-lançada Goin Down. Parte do novo álbum de estúdio do grupo norte-americano, o aguardado Give A Glimpse Of What Yer Not (2016), a canção de quatro minutos cresce em meio ao jogo de guitarras de J Mascis, revelando uma sonoridade abafada, inicialmente contida, mas que explode nos instantes finais da faixa, efeito do poderoso solo que corta a composição.

Apresentada ao público poucas semanas após o lançamento do clipe de Tiny, trabalho que conta com a direção de Laurie Collyer e mostra até um buldogue andando de skate, a nova faixa mostra o conceito jovial que rege o 11º álbum de inéditas do grupo de Amherst, Massachusetts. Para promover o disco, há poucos dias, Mascis reuniu todos os solos de guitarras presentes no disco em uma curiosa seleção intitulada Solo Extractions.

Give A Glimpse Of What Yer Not (2016) será lançado no dia 05/08 pelo selo Jagjaguwar.

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Dinosaur Jr. – Goin Down

 

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Walverdes: “Repuxo”

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Seis anos após o lançamento do ótimo Breakdance (2010), os gaúchos da Walverdes estão de volta com mais um novo registro de inéditas. Intitulado Repuxo (2016), o trabalho que conta com sete composições e distribuição pelo selo Loop Records traz de volta o mesmo som cru produzido pela banda original de Porto Alegre desde o lançamento dos primeiros álbuns em estúdio, caso de clássicos como 90º (2000) e Anticontrole (2002).

Aos comandos de Gustavo Mini (Guitarra e Voz), Marcos Rübenich (Bateria), Patrick Magalhães (Baixo e Voz) e Julio Porto (Guitarra), o álbum vai do Punk ao Dub em pouco menos de 20 minutos de duração. No Facebook, a banda listou todos os diferentes canais onde o novo disco pode ser ouvido na íntegra. Junto do trabalho, o grupo aproveita para lançar o clipe de É Muita Gente, quarta faixa do registro e vídeo que conta com a direção de Julio Porto e Leandro Sá.

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Walverdes – É Muita Gente

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Walverdes – Repuxo

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Séculos Apaixonados: “Origem das Espécies”

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O romantismo explícito em Roupa Linda, Figura Fantasmagórica (2014) está longe de parecer o principal componente dentro da nova “fase” da Séculos Apaixonados. Dois anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio – 8º lugar em nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 –, Gabriel Guerra e os parceiros de banda encontram um novo mundo de referências e temas a serem explorados, firmando no discurso social e fragmentos da evolução natural a base para a recém-lançada Origem das Espécies.

Primeiro single do segundo álbum de estúdio do grupo carioca – intitulado O Ministério da Colocação (2016) –, a nova faixa não apenas sufoca o som exageradamente romântico do trabalho entregue há dois anos, como reflete a busca do quinteto por novos ritmos e combinações. Ainda que os sintetizadores apontem para o final da década de 1980, vozes em coro, batidas e guitarras indicam a busca do coletivo por um som essencialmente festivo, pop, como se um jingle de supermercado se chocasse com a abertura de um programa do SBT.

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Séculos Apaixonados – Origem das Espécies

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INKY: “Parallax”

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O peso das guitarras é claro dentro de Parallax. Mais recente composição do quarteto paulistano INKY – projeto formado por Luiza Pereira, Guilherme Silva, Stephan Feitsma e Luccas Villela –, a faixa que conta com pouco mais de quatro minutos pode até estimular o ouvinte a dançar, mergulhando no mesmo dance-rock-obscuro do álbum lançado há dois anos, Primal Swag (2014), entretanto, está no uso de pequenos encaixes experimentais o estímulo não apenas para a presente faixa, mas a base para o novo registro de inéditas do grupo.

Difícil não lembrar de Savages e outros grupos recentes de pós-punk quando o baixo se desmancha suavemente ao fundo da canção, estimulando o uso dos demais instrumentos ou mesmo a voz de Pereira, forte durante toda a construção da faixa. Parallax, assim como o novo álbum da INKY, conta com produção de Guilherme Kastrup, músico que trabalhou na construção do elogiado A Mulher do Fim do Mundo (2015). Em entrevista ao site da Red Bull, Pereira comenta o processo de gravação do novo disco, bem como a recém-lançada composição.

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INKY – Parallax

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Resenha: “Pedro”, Ombu

Artista: Ombu
Gênero: Alternative Rock, Post-Hardcore, Pós-Rock
Acesse: https://www.facebook.com/bandaombu

 

Calma“. O verso sereno e levemente melancólico que abre a quarta faixa de Pedro EP (2016, Balaclava Records) parece dizer muito sobre a presente fase da banda paulistana Ombu. Três anos após o lançamento do primeiro registro de estúdio, o artesanal Caminho Das Pedras EP, João Viegas (baixo e voz), Santiago Mazzoli (guitarra e voz) e Thiago Barros (bateria) assumem uma postura sóbria e parcialmente renovada com o presente trabalho de inéditas, revelando ao público uma sequência de composições marcadas pela complexidade dos detalhes.

Passo além em relação ao trabalho apresentado há pouco mais de um ano em Mulher EP (2016), registro de seis faixas e uma espécie de recomeço dentro da curta trajetória do grupo, o novo álbum confirma o profundo esmero na construção de cada música produzida pelo grupo. Ideias que passeiam pelo mesmo cenário urbano apresentado no primeiro EP do trio, porém, encorpadas por um conjunto de novas ambientações, ruídos e temas etéreos.

Ainda que Calma, composição escolhida para anunciar o trabalho pareça sintetizar toda a transformação do grupo paulistano, sobrevive na dolorosa Sem Mais, faixa de abertura do disco, um conjunto de novos experimentos e colagens instrumentais que confirmam a completa evolução do trio. Enquanto os versos resgatam de forma angustiada as memórias de um passado ainda recente, musicalmente a canção cresce de forma a revelar um verdadeiro labirinto instrumental, mergulhando em diferentes cenários, solos arrastados de guitarra, texturas e até vozes assumidas por um grupo de crianças.

Observado em proximidade aos dois últimos registros da banda, Pedro – o nome é um misto de homenagem e brincadeira com um fã do grupo – se revela como o trabalho mais seguro da Ombu, fruto da profunda interação entre cada integrante da banda em estúdio. “No estúdio, eu estava me sentindo em casa. É importante respeitar o tempo de gestação de casa música”, confessou Mazzoli em entrevista ao site da Noisey. Continue reading

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Cymbals Eat Guitars: “4th Of July, Philadelphia (SANDY)”

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A sonoridade ensolarada de LOSE (2014) definitivamente parece ter ficado para trás. Dois anos após o lançamento do terceiro álbum de estúdio, os integrantes do Cymbals Eat Guitars seguem um caminho completamente distinto, sombrio e marcado por referências que dialogam com a música dos anos 1970 e 1980. Passado o lançamento de Wish, composição que flerta com a obra de David Bowie e The Smiths, o grupo apresenta a inédita 4th Of July, Philadelphia (SANDY), mais uma vez buscando por novas possibilidades e influências.

Típica composição do CEG, a faixa de versos explosivos, respiros angustiados e guitarras marcadas pela distorção temporariamente explora um passado ainda recente, mergulhando de cabeça na primeira metade dos anos 2000. Da forma como os vocais em coro flutuam ao fundo da canção, passando pelas sobrecargas de ruídos, todos os elementos apontam para a obra de grupos como The Wrens, American Football e Modest Mouse, nomes de destaque da cena independente dos Estados Unidos no começo da década passada.

Pretty Years (2016) será lançado no dia 02/10 pelo selo Sinderlyn.

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Cymbals Eat Guitars – 4th Of July, Philadelphia (SANDY)

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Resenha: “Puberty 2”, Mitski

Artista: Mitski
Gênero: Indie Rock, Alternative, Rock
Acesse: http://mitski.com/

Em um intervalo de apenas três anos, Mitski Miyawaki deu vida a três registros completamente distintos. O inaugural Lush, em 2012, Retired from Sad. New Career in Business, de 2013 e Bury Me At Makeout Creek, entregue ao público em 2014. Uma coleção de faixas repletas de temas confessionais, discussões sobre a vida sentimental da cantora e tormentos existencialistas que se revelam de forma ainda mais complexa com a chegada de Puberty 2 (2016, Dead Oceans), quarto e mais recente álbum de inéditas da cantora.

Trabalho mais complexo de toda a discografia de Mitski, o registro de 11 faixas e pouco mais de 30 minutos de duração nasce como uma extensão madura do som desenvolvido em Bury Me at Makeout Creek. Guitarras que flertam com a produção ruidosa de diferentes álbuns produzidos no começo da década de 1990 – como Dry (1992) e Rid of Me (1993) da britânica PJ Harvey –, mas que a todo momento incorporam pequenos experimentos e colagens eletrônicas que afastam a artista de uma possível zona de conforto.

Um bom exemplo disso está na inaugural Happy. Enquanto os versos exploram o peso da felicidade na vida de qualquer indivíduo – “A alegria veio me visitar, ela comprou biscoitos no caminho / Eu lhe servi chá e ela me disse que tudo vai ficar bem”–, musicalmente, Mitski dá um salto. Da bateria eletrônica que abre e finaliza a canção, passando pelo jogo de guitarras dançantes, até alcançar o saxofone que orienta os instantes finais da música, uma chuva de pequenos detalhes delicadamente cobre toda a extensão da faixa, grandiosa a cada novo ruído ou encaixe eletrônico.

Movida pela mesma herança musical de artistas como Waxahatchee, Sharon Van Etten e Torres, a cantora acerta ao fazer de cada composição um ato isolado. Enquanto músicas como My Body’s Made of Crushed Little Stars e A Loving Feeling exploram o mesmo conceito “caseiro” dos dois primeiros álbuns da cantora, faixas como Crack Baby e Happy indicam um maior refinamento, flertando com novos estilos, como se mesmo segura da própria sonoridade, Mitski buscasse por novas sonoridades. Continue reading

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Não Ao Futebol Moderno: “Saia”

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Com o lançamento de Janeiro e Cansado de Trampar, os integrantes do grupo gaúcho Não Ao Futebol Moderno conseguiram reforçar a busca por uma nova sonoridade, rompendo parcialmente com o material originalmente apresentado em Onde Anda Chico Flores? EP, de 2014. Entretanto, a caminho do primeiro álbum de inéditas, o quarteto de Porto Alegre faz da recém-lançada Saia, última canção antes da chegada do aguardado registro, uma espécie de regresso ao material apresentado há dois anos, deixando os recentes temas psicodélicos em segundo plano.

Marcada pela precisão das guitarras, a canção de apenas dois minutos parece seguir em uma sequência de vozes, batidas e sintetizadores que se amarram perfeitamente, quase matemáticos. Uma curiosa interpretação do mesmo som produzido por bandas como American Football e The Wrens no começo dos anos 2000, mas que acaba indo além, lembrando em alguns aspectos as primeiras canções de grupos como Weezer e até Yo La Tengo, no começo da década de 1990.

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Não Ao Futebol Moderno – Saia

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Resenha: “Teens of Denial”, Car Seat Headrest

Artista: Car Seat Headrest
Gênero: Indie Rock, Alternative, Rock
Acesse: https://carseatheadrest.bandcamp.com/

 

Guitarras sujas que atravessam a discografia do Guided By Voices e tropeçam na obra do Yo La Tengo. Versos irônicos, tão íntimos de Stephen Malkmus quanto das canções do Belle and Sebastian. O canto melódico The New Pornographers em contraste ao grito seco de Ted Leo and the Pharmacists. Delírios de um registro assinado por diferentes nomes da cena independente norte-americana? Longe disso. Em Teens of Denial (2016, Matador), novo álbum Car Seat Headrest, fragmentos criativos vindos de diferentes décadas e cenários servem como estímulo para a construção de uma obra tão intensa e versátil quanto trabalhos produzidos na década de 1990 e começo dos anos 2000.

Entregue ao público poucos meses após o lançamento de Teens of Style (2015), obra que apresentou oficialmente o trabalho do grupo comandado por Will Toledo, o registro de 12 composições extensas mostra a capacidade da banda em brincar com as referências sem necessariamente perder a própria essência musical. Canções que poderiam se encontradas em obras de artistas como Beck (Drunk Drivers / Killer Whales) e Pixies (Just What I Needed / Not Just What I Needed), mas que acabam encantando pela poesia descompromissada e guitarras sempre vivas de Toledo.

Musicalmente desafiador, Teens of Denial, diferente do trabalho entregue em 2015, revela ao público todo seu potencial logo na sequência de abertura. São três composições – Fill in the Blank, Vincent e Destroyed by Hippie Powers – em que Toledo e os parceiros Ethan Ives, Andrew Katz e Seth Dalby parecem arremessar o ouvinte para todas as direções. Recortes, batidas crescentes, mudanças bruscas de ritmo, ruídos, gritos e instantes de pura sutileza melódica. A mesma esquizofrenia (controlada) de clássicos como Crooked Rain, Crooked Rain (1994) e Alien Lanes (1995).

Movido pela mesma urgência de grupos como Fucked Up e Titus Andronicus, Toledo finaliza uma obra que mantém a atenção do ouvinte em alta mesmo em canções arrastadas, caso da extensa The Ballad of the Costa Concordia, com mais de 11 minutos de duração. Um permanente ziguezaguear de ideias e arranjos flexíveis, como se grande parte do material produzido de forma caseira pelo músico nos últimos fosse adaptado e polido para o presente disco. Cuidado evidente em cada nota ou ruído sujo de guitarra, mas que acaba seduzindo o ouvinte na criativa composição dos versos. Continue reading

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Cymbals Eat Guitars: “Wish”

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Com o lançamento do melódico Lose, em 2014, ficou claro o interesse do Cymbals Eat Guitarrs pela produção de um som cada vez mais acessível, talvez pop. Curioso encontrar na recém-lançada Wish um completo oposto do material apresentado ao público há dois anos. Da voz descontrolada (e suja) de Joseph D’Agostino, passando pelo uso de saxofones e sintetizadores pouco usuais dentro da discografia da banda, todos os elementos se orientam de forma torta, apontando a direção seguida em Pretty Years (2016), novo álbum de inéditas do quarteto.

Inspirado por diferentes cenas dos anos 1970 e 1980, além de obras específicas produzidas por nomes como The Cure, The Smiths, Bruce Springsteen, Neil Young e principalmente David Bowie, Pretty Years concentra grande parte das referências que abasteceram o trabalho da banda. John Congleton, produtor que já trabalhou com nomes como St. Vincent, Modest Mouse, Franz Ferdinand e Swans é quem assina a produção do trabalho.

Pretty Years (2016) será lançado no dia 02/10 pelo selo Sinderlyn.

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Cymbals Eat Guitars – Wish

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