Tag Archives: Alternative Rock

Mogwai: “Teenage Exorcists”

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Depois da euforia, silêncio. Em quase duas décadas de andanças pelo Pós-Rock, ao alcançar Rave Tapes (2014, Rock Action) os escoceses do Mogwai buscam por uma evidente zona de conforto. Em uma orientação opositiva ao que Hardcore Will Never Die, But You Will (2011), sétimo registro em estúdio, trouxe de forma exageradamente caótica há três anos, o novo disco usa da leveza como um estágio de agitação estrutural. De volta à estética dos primeiros álbuns, a banda une passado e presente em uma obra de puro recolhimento.

Sustentado pela mesma massa de experimentos testada desde o registro de estreia, Young Team(1997), o novo álbum encontra na interferência de equipamentos analógicos – principalmente sintetizadores – um mecanismo de transformação para a proposta do grupo. Seguindo as pistas apontadas por Remurdered, lançada há alguns meses, o presente disco ruma para a década de 1970, usando de referências ao Krautrock como um matéria-prima para o movimento autoral de boa parte das canções. Veja a resenha completa.

Assista ao clipe de Teenage Exorcists, primeiro singles do novo EP da banda escocesa, Music Industry 3. Fitness Industry 1, previsto para 1 de dezembro. A direção é de Craig Murray.

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Mogwai – Teenage Exorcists

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Parkay Quarts: “Content Nausea”

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O lançamento de Uncast Shadow Of A Southern Myth em meados de outubro parecia servir como convincente aviso: em 2014 os membros do Parquet Courts não vão ficariam satisfeitos em apresentar apenas Sunbathing Animal. Abertura para o novo projeto paralelo do coletivo, o Parkay Quarts, a canção também é uma das 12 faixas que abastecem o recém-lançado Content Nausea (2014), uma espécie de catálogo de sobras e aparente desconstrução conceitual do último álbum dos nova-iorquinos.

Com distribuição pelo selo What’s Your Rupture?, o trabalho já pode ser apreciado na íntegra pelo soundcloud e, também, no player abaixo. Próximo e ao mesmo tempo distante do disco apresentado há poucos meses, o atual projeto mostra que a banda continua imersa entre os anos 1970 e 1980, revisitando elementos do pós-punk, a base do rock alternativo e outras referências alheias aos temas comerciais da época.

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Parkay Quarts – Content Nausea

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The Dead Weather: “Buzzkill(er)”

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Jack White funciona perfeitamente em carreira solo. Tanto Blunderbuss (2012) como Lazaretto (2014) são representações coesas do bom desempenho do artista em estúdio. Todavia, são os projetos em parceria que reforçam a verdadeira face e natural crueza do músico. Mais uma vez acompanhado pelos amigos do The Dead Weather – Alison Mosshart (The Kills), Dean Fertita (Queens of the Stone Age) e Jack Lawrence (The Greenhornes) -, White brinca com as próprias referências ao apresentar a inédita Buzzkill(er).

Intensa e controlada, a peça é um mergulho no mesmo som apresentado anteriormente com Open Up (That’s Enough), em 2013. Ruídos, batida seca a voz dominadora de Mosshart. Um meio termo entre o trabalho da cantora com o The Kills e os primeiros anos de White, “o baterista”, pelo The White Stripes. Junto de It’s Just Too Bad, a canção é parte do novo single da banda, trabalho que conta com distribuição pelo Third Man Records e estreia prevista para quatro de novembro. Embora insuficiente para controlar a ânsia do público, a canção serve de estímulo parte do material que a banda deve apresentar em 2015 com o aguardado sucessor de Sea of Cowards (2010).

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The Dead Weather – Buzzkill(er)

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Sleater-Kinney: “Bury Our Friends”

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Mesmo elogiado por grande parte da crítica e recebido com total adoração pelo público, o sucesso de The Woods (2005) não foi suficiente para impedir o hiato do Sleater-Kinney. Em junho de 2006, passada a turnê de divulgação do álbum – sétimo registro de inéditas na discografia do grupo -, Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss resolveram silenciar a banda, passando a investir em outros trabalhos e projetos paralelos, entre eles, o Wild Flag.

Depois de oito anos de “férias”, o grupo encerra o hiato, anuncia uma série de shows e ainda reserva para janeiro de 2015 um novo registro de estúdio: No Cities To Love (2015). Produzido por John Goodmanson, velho parceiro do trio, o álbum carrega dez composições inéditas e distribuição pelo selo Sub Pop. Como aquecimento, nada melhor do que a inédita Bury Our Friends, um resumo eficiente do som produzido pelo trio desde a década de 1990. Também lançada em clipe, a faixa conta com direção de Miranda July.

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Sleater-Kinney – Bury Our Friends

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Disco: “Plowing Into the Field of Love”, Iceage

Iceage
Post-Punk/Punk/Alternative Rock
http://iceagecopenhagen.eu/

Por: Cleber Facchi

Por mais referencial que seja o trabalho do Iceage, encarar o som incorporado por Elias Bender Rønnenfelt e demais parceiros de banda como uma “homenagem” aos anos 1980 seria um erro. Ainda que em New Brigade (2011) e You’re Nothing (2013) a banda flerte com o mesmo Pós-Punk de Public Joy Division, Image Ltd. e o rock sujo de Sonic Youth, a composição autoral dos versos, arranjos e até apresentações ao vivo caóticas trouxeram ao coletivo dinamarquês um frescor atual, por vezes particular. Todavia, com a chegada de Plowing Into the Field of Love (2014, Matador), difícil não observar o trabalho do grupo como uma interpretação quase caricatural do som desenvolvido há três décadas.

The Fall, Mekons, X, Meat Puppets e The Pogues. Cada curva do terceiro álbum de estúdio da banda de Copenhague é como um recorte específico de diferentes cenas ou gêneros em ascendência ao longo da década de 1980. Minutos em que Rønnenfelt incorpora o mesmo espírito anárquico do veterano Mark E. Smith (How Many), guitarras invadem a atmosfera temática de Rum Sodomy & the Lash (Forever) e lirismo romântico das faixas parecem ressuscitar o mesmo drama de Nick Cave. Uma obra ainda presente, porém totalmente inclinada ao passado.

Por falar em Cave, difícil não perceber a influência do cantor australiano em toda a concepção lírica do disco. Da voz dramática do vocalista em The Lord’s Favorite, ao exercício cênico de boa parte das canções, toda a estrutura do álbum ecoa como um interpretação de obras clássicas do veterano, caso de From Her to Eternity (1984) e The Firstborn Is Dead (1985), ambas em parceria com o The Bad Seeds. A diferença e natural “ponte” para o presente está na posição de Rønnenfelt quanto personagem central da obra. Como o próprio afirmou em entrevista: “É tudo sobre mim. Há muita coisa acontecendo na minha vida e eu fiz escolhas sobre quais assuntos dramatizar e como dramatizá-los“.

É este mesmo aspecto confessional que transforma PITFOL no registro mais atrativo e “fácil” do Iceage. Diferente da lírica torta lançado nos dois primeiros trabalhos da banda, o novo álbum segue de forma linear, como se o vocalista mergulhasse em um explícito drama sentimental – conceituo evidente logo no título da obra. Mais importante do que isso é ressaltar a estrutura que define os versos de Rønnenfelt, agora mergulhado em composições detalhistas, como uma fuga do material cru explorado até o último ano. Da inaugural On My Fingers (“Eu sempre menti para você, você não percebeu?“) ao desespero ilustrado em How Many (“Preso a um corpo que não age sobre o pensamento“), os versos resumem algo maior do que uma simples obra de pós-relacionamento, mas a interpretação musical de um indivíduo perturbado pelo amor.  Continue reading

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Wry: “Deeper In A Dream”

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Nascida em um cenário analógico, onde bandas independentes aprenderam a lidar com pouquíssimos recursos, espaço limitado para divulgação e muito ruído, a sorocabana Wry encarou a transição para o meio digital nos anos 2000 de forma bastante assertiva. Além do próprio site, sempre abastecido com boas novidades – conheça/baixe a discografia da banda aqui -, do perfil na extinta Trama Virtual ao conteúdo no MySpace, espaços (virtuais) para ouvir e baixar as canções do grupo nunca faltaram ao público.

Todavia, em Deeper In A Dream (2014), primeiro registro oficial desde o “hiato” anunciado em 2010, curiosamente a banda regressa ao mesmo “território analógico” do começo de carreira. São cinco composições – Deeper in a Dream, Everybody’s Dancing, Nossa História Começa Agora, Regresso e Waves -, faixas lançadas fisicamente apenas em fita cassete. Com distribuição pelo selo curitibano Terry Crew – casa da banda Subburbia -, o “EP” pode ser adquirido por apenas R$ 10,00, além, claro do frete. Abaixo você ouve uma das composições do trabalho.

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Wry – Nossa História Começa Agora

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Charme Chulo: “Crucificados Pelo Sistema Bruto”

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No dia 14 de dezembro, grande parte dos veículos nacionais já devem ter fechado suas listas de melhores lançamentos do ano. Um erro. Quem assumir tal decisão vai ter deixado para trás um dos grandes trabalhos de 2014: Crucificados Pelo Sistema Bruto. Terceiro álbum de estúdio da banda curitibana Charme Chulo, o registro duplo é uma coleção de 20 faixas que resume um pouco do “hiato” da banda desde o lançamento de Nova Onda Caipira, em 2009. Com o financiamento do trabalho recém-confirmado pelo Catarse.me, a banda resolveu presentear o público com seis ótimas composições.

Trata-se de um aperitivo do novo álbum; um conjunto de seis composições inéditas que rechearão o mais abrangente ato do coletivo caipira. Além da parceria com Hélio Flanders em Fuzarca, o grupo comandado por Igor Filus e Leandro Delmonico entregou as ótimas Palhaço de Rodeio, É que às Vezes (Melhor é Morar na Fazenda), Dia de Matar Porco, Carcaça Sensacional e Multi Stillus. O nome do disco – uma brincadeira com o clássico Crucificados Pelo Sistema (1984), da banda Ratos de Porão e Sistema Bruto da dupla Chitãozinho & Xororó – resume parte do acervo que deve ser apresentado na íntegra em dezembro. Veja a agenda de shows da banda.

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Charme Chulo – Fuzarca (part. Hélio Flanders)

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Charme Chulo – Palhaço de Rodeio

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Charme Chulo – É que às vezes (melhor é morar na fazenda)

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Charme Chulo – Dia de Matar Porco

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Charme Chulo – Carcaça sensacional

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Charme Chulo – Multi stillus

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Speedy Ortiz: “Doomsday”

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Há poucas semanas comentamos sobre o lançamento de This Is Happening Now, novo single da banda Parquet Courts para atender a ONG Ariel Panero Memorial Fund. Agora é a vez de mais um artista integrar o mesmo projeto, intitulado LAMC Single Series, o Speedy Ortiz. Assumindo o Lado A do single split com o músico Chris Weisman, a banda norte-americana mergulha mais uma vez na década de 1990 para apresentar a inédita Doomsday.

Comandada pela voz limpa de Sadie Dupuis, a composição inicialmente silenciosa logo desemboca em uma sequência de ruídos típicos do material lançado em Major Arcana (2013). Míseros três minutos e 32 segundos em que referências como Liz Phair, Pavement e The Breeders logo são recuperados pela banda, acomodada em um oceano de distorções melódicas, sempre íntimas da voz segura de Dupuis. Bem sucedida, a canção segue a boa forma do EP Real Hair (2014) apresentado há poucos meses.

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Speedy Ortiz – Doomsday

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Disco: “LOSE”, Cymbals Eat Guitars

Cymbals Eat Guitars
Indie Rock/Alternative/Rock
http://cymbalseatguitars.com/

Por: Cleber Facchi

Da geração de bandas norte-americanas que nasceram na segunda metade da última década, poucas amadureceram tanto quanto a Cymbals Eat Guitars. Fruto da mesma safra de Titus Andronicus, The Pains of Being Pure at Heart e outros coletivos próximos, o grupo de Nova York carrega no peso das guitarras e melodias abertas a ponte que conecta o rock alternativo do fim dos anos 1990 ao presente. Referências tão próximas de Built to Spill, The Wrens e Modest Mouse, quanto do quarteto, hoje um comprovado veterano ao alcançar o terceiro álbum da carreira, LOSE (2014, Barsuk).

Obra mais segura (e ampla) já projetada por Joseph D’Agostino, Andrew Dole, Matt Whipple e Brian Hamilton, o presente álbum é um verdadeiro exercício de consolidação. Se há pouco menos de três anos as guitarras sujas de Lenses Alien (2011) revelavam “apenas” uma extensão aprimorada do som cru lançado em Why There Are Mountains (2009), hoje cada porção instrumental espalhada pela obra se movimenta em parcimônia, seduzindo o ouvinte pelos detalhes.

Em um cenário tão próximo do Indie Rock de 1990 como da essência do rock progressivo, LOSE é uma obra de arranjos extensos, a serem desbravados pelo ouvinte. Ainda que leve em seus 44 minutos e 45 segundos de duração – média aproximada dos últimos lançamentos da banda -, grande parte das canções espalhadas pelo disco ultrapassam os limites de uma faixa “comercial”. São atos acima dos seis minutos, como em Jackson e 2 Hip Soul, e até músicas aos moldes de Laramie, com mais de oito minutos de distorções, cantos e novos improvisos.

Longe de ser interpretado como uma obra “revival”, como os dois primeiros trabalhos da banda, o acerto do novo disco está na expressiva formação de uma identidade musical por parte do CEG. Da essência melódica (Built To Spill) e agressiva (Superchunk) de grandes veteranos da cena alternativa nasce apenas a estrutura da obra, esqueleto aos poucos encorpado por pianos sutis (Jackson), batidas firmes (Chambers) e uma delicadeza rara em se tratando do uso das guitarras distorcidas (Place Names).   Continue reading

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Cozinhando Discografias: R.E.M.

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Formado em 1980 por Bill Berry, Peter Buck, Mike Mills e Michael Stipe, o R.E.M. ocupa um lugar de destaque como uma das pioneiras do Rock Alternativo. Inspiração confessa para o trabalho de grupos como Pavement, Nirvana, Pearl Jam, Guided By Voices e outros gigantes da música, o quarteto original da cidade de Athens, Geórgia sustentou ao longo de três décadas – e três fases distintas – uma coleção de obras tão influentes, quanto referenciais.

Inicialmente voltado ao College Rock/Jangle Pop que homenageava bandas como Big Star e The Byrds, o grupo aos poucos dissolveu elementos do folk e country, flertou eletrônica e ainda brincou com uma série outros experimentos ocasionais. Com uma sonoridade diferente a cada novo álbum, o grupo que encerrou suas atividades em meados de 2011 é de longe o responsável pela discografia mais difícil de ser organizada que já passou pela seção. Continue reading

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