Tag Archives: Alternative

Sleater-Kinney: “Bury Our Friends”

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Mesmo elogiado por grande parte da crítica e recebido com total adoração pelo público, o sucesso de The Woods (2005) não foi suficiente para impedir o hiato do Sleater-Kinney. Em junho de 2006, passada a turnê de divulgação do álbum – sétimo registro de inéditas na discografia do grupo -, Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss resolveram silenciar a banda, passando a investir em outros trabalhos e projetos paralelos, entre eles, o Wild Flag.

Depois de oito anos de “férias”, o grupo encerra o hiato, anuncia uma série de shows e ainda reserva para janeiro de 2015 um novo registro de estúdio: No Cities To Love (2015). Produzido por John Goodmanson, velho parceiro do trio, o álbum carrega dez composições inéditas e distribuição pelo selo Sub Pop. Como aquecimento, nada melhor do que a inédita Bury Our Friends, um resumo eficiente do som produzido pelo trio desde a década de 1990. Também lançada em clipe, a faixa conta com direção de Miranda July.

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Sleater-Kinney – Bury Our Friends

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Cult Of Youth: “Roses”

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Por mais que os trabalhos de Sean Ragen sejam marcados pela utilização de arranjos acústicos, a explícita relação do norte-americano com os temas e elementos típicos do Pós-Punk, naturalmente tendem a afastar o ouvinte de um material brando e cômodo. Como bem reforçou durante o lançamento de Empty Faction, há poucas semanas, grande parte das canções assinadas pelo músico para o Cult Of Youth quase sempre mergulham em uma estrutura rápida e crua, formação rompida parcialmente com a chegada de Roses.

Pouco mais extensa que a canção anterior, a nova música cresce lentamente, envolvendo o ouvinte em um jogo de vozes e violões quase acolhedores durante os minutos iniciais. Por vezes íntima do material apresentado por Michael Gira em The Seer, álbum de 2012 do Swans, a canção brinca com a desconstrução das melodias. Assim como o single anterior, a nova música é parte do aguardado Final Days (2014), terceiro disco do Cult Of Youth e obra agendada para 11/11 pelo selo Sacred Bones.

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Cult Of Youth – Roses

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Andy Stott: “Faith in Strangers”

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Andy Stott parece ter um mundo novo nas mãos. Ainda que Violence, faixa inédita apresentada há poucas semanas, tenha servido de aviso para essa “transformação” do produtor britânico, é com a chegada de Faith in Strangers que os horizontes se ampliam. Faixa-título do novo álbum de Stott, a canção encanta não apenas pela inclusão parcialmente límpida de vozes e versos, mas no completo reforço nas batidas que definem a criação.

Enquanto a voz de Alison Skidmore – também responsável pelos vocais de Violence e grande parte das canções de Luxury Problems (2012) -, segue de maneira precisa, batidas sobrepostas, diálogos com o Techno e um distanciamento dos elementos do Dub transportam o ouvinte para um cenário parcialmente novo. São quase sete minutos em que ecos da década de 1990 são adaptados ao presente contexto de Stott, cada vez mais afastado do som atmosférico e denso dos últimos discos e EPs. Com lançamento pelo selo Modern Lovers, Faith in Strangers estreia no dia 17 de novembro.

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Andy Stott – Faith in Strangers

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Disco: “Cosmic Logic”, Peaking Lights

Peaking Lights
Psychedelic Pop/Indie/Alternative
http://peakinglights.com/

Por: Cleber Facchi

As guitarras sujas e voz firme em Infinite Trips, faixa de abertura do recém-lançado Cosmic Logic (2014, Weird World) confirmam: o som incorporado pelo Peaking Lights está longe de ser o mesmo dos outros álbuns. Ainda que o casal Aaron Coyes e Indra Dunis tenha explorado uma sonoridade menos “artesanal” desde o antecessor Lucifer, de 2012, bastam os minutos iniciais do presente disco para notar a completa mudança na estrutura incorporada pela dupla.

Se por um lado os temas psicodélicos, variações do Dub e uso apurado de sintetizadores mergulham o ouvinte no mesmo contexto dos últimos discos, ao isolar os arranjos e vozes de cada composição, a proposta é outra. Como evidente desde o lançamento de Breakdown, em meados de agosto, Coyes e Dunis exploram agora um som cada vez mais pop, raspando de leve em um resultado comercial. De certo modo, uma interpretação ainda mais polida do material exposto em 936 (2011), obra que apresentou o trabalho do duo californiano ao mundo.

Naturalmente dinâmico, Cosmic Logic é uma fuga dos excessos incorporados de forma assertiva pelo casal nos últimos dois discos. Longe de reproduzir peças extensas, caso de Marshmellow Yellow, LO HI e Birds of Paradise, Coyes se concentra em desenvolver canções rápidas, esquivas de bases climáticas e totalmente moldadas aos vocais da esposa. De fato, se há pouco tempo Dunis atuava como uma espécie de instrumento musical, emulando vocalizações típicas do dub, hoje a cantora é a grande engrenagem do trabalho.

Com exceção das últimas faixas do disco – New Grrrls, Breakdown e Tell Me Your Song -, todo o acervo do presente álbum é de composições essencialmente rápidas, efêmeras. Três ou quatro minutos de versos plásticos, arranjos coesos e até certa dose de urgência. Quem foi seduzido pelas massas densas de 936 ou variações psicodélicas do trabalho passado, talvez encontre em Cosmic Logic um universo estranho. Uma completa ruptura em se tratando dos conceitos que definiram a curta obra do Peaking Lights. Continue reading

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Majical Cloudz: “Your Eyes”

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Em atuação desde o fim da última década, autor de faixas em parceria com Grimes e boas composições avulsas, Devon Welsh só apareceu de fato para o grande público no último ano, durante o lançamento de Impersonator (2013). Mais recente trabalho em estúdio do músico canadense à frente do Majical Cloudz – projeto dividido com Matthew Otto -, o álbum parece ser a direção para o som e sentimentos incorporados por músico.

Como já havia revelado em Savage, composição entregue no fechamento de 2013, Welsh e o parceiro continuam acomodados no mesmo ambiente minimalista e sofredor do último disco, estímulo para a recém-lançada Your Eyes. Tão confessional e melancólica quanto os recentes versos do compositor, a nova faixa sufoca imediatamente o ouvinte. Quatro minutos em que sentimentos amargos, declarações e arranjos sujos são costurados aos vocais fortes do vocalista. Apresentada no soundlcoud da banda, a música alimenta as expectativas de um novo disco de inéditas em 2015.

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Majical Cloudz – Your Eyes

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Aperitivo: Crystal Castles

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Um novo disco a caminho? Aquele artista que você tanto gosta vai lançar um projeto inédito nas próximas semanas? Quer apenas relembrar o trabalho de uma banda? Então se delicie com o nosso Aperitivo. São 15 composições – autorais, remixes, mixtapes – ou mesmo versões criativas de faixas de outros artistas que resumem o trabalho daquela banda ou produtor que você tanto gosta. Nada de ordem, preferência ou classificação aparente. Apenas um conjunto de músicas capazes de resumir a proposta do artista selecionado.

Três registros bem sucedidos, algumas das melhores (e mais insanas) composições da última década e um fim precoce. Ainda que a saída de Alice Glass do Crystal Castles não seja traduzida como um encerramento nas atividades da banda, parece estranho imaginar um novo lançamento de Ethan Kath sem a ex-parceira como responsável pelas vozes das canções. Depois de organizar os três álbuns de estúdio da (falecida) dupla canadense na seção Cozinhando Discografias, é hora de relembrar 15 composições essenciais do duo. Um acervo que vai da inaugural Alice Practice e se estende até o material lançado no disco de 2012. Continue reading

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TĀLĀ: “Alchemy”

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Não há como negar: o pop (felizmente) não é mais o mesmo. Ainda que diferentes fatores tenham contribuído para a construção de um som menos descartável, ainda que comercial, a boa repercussão sobre a obra de Haim, Charli XCX, Sky Ferreira e outros nomes de peso do último ano acarretou em uma carga de mudanças significativas dentro da produção recente. Mesmo Ariana Grande, Miley Cyrus e outros gigantes da música parecem lidar com uma série de referências adaptadas, flertando vez ou outras com os conceitos “alternativos” que ocupam parte da mesma cena.

O resultado está na presença cada vez maior de nomes como Allie X e Ryn Weaver, personagens tão íntimas do pop tradicional, como de arranjos sujos testados pela cena alternativa. É dentro desse mesmo universo que nasce o trabalho da cantora britânica TĀLĀ. Com um ótimo acervo já compilado no soundcloud, a artista londrina apresenta agora um novo invento: Alchemy. Meio termo entre FKA Twigs, M.I.A. e grande parte dos nomes acima citados, a faixa entrega as experiências que a cantora reserva para o próximo EP, trabalho reservado para o dia 17 de novembro e que chega em complemento ao antecessor The Duchess EP.

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TĀLĀ – Alchemy

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Disco: “Carne Doce”, Carne Doce

Carne Doce
Brazilian/Alternative/Psychedelic
http://carnedoce.com/

Por: Cleber Facchi
Fotos: Beatriz Perini

Carne Doce

Sertão e cidade. Delicadeza e selvageria. Doce e salgado. No universo particular da banda Carne Doce, os contrastes vão muito além do nome/receita que representa o coletivo. Fruto da interação entre o casal Salma Jô e Macloys Aquino, o grupo nascido na cidade de Goiânia em 2012, há muito parece distante do tom confessional emoldurado nas canções do EP Dos Namorados (2013). Longe dos sussurros românticos e temas explorados no curto álbum, a dupla goiana, hoje acompanhada de João Victor Santana (guitarra e sintetizador), Ricardo Machado (bateria) e Aderson Maia (baixo), deixa de lado o próprio isolamento para tratar do primeiro álbum de estúdio como um mundo aberto. Um imenso cenário em que vozes, arranjos e temas dicotômicos se cruzam com naturalidade, prontos para seduzir o ouvinte.

Da mesma árvore que As Plantas Que Curam (2013), disco de estreia do grupo conterrâneo Boogarins, o homônimo álbum usa do passado como uma ferramenta de natural diálogo com o presente. Da voz instável de Salma Jô, íntima de Gal Costa no clássico Fa-Tal – Gal a Todo Vapor (1971), passando pelo acervo de fórmulas que ressuscitam Secos e Molhados (Passivo), Novos Baianos (Fruta Elétrica) e Clube da Esquina (Amigo dos Bichos), cada peça do registro é uma essencial brecha nostálgica. Velho e novo. Recortes e referências que em nada ocultam as próprias imposições da banda.

Exemplo convincente disso mora nos versos explorados pela vocalista ao longo do trabalho – peças atrativas pelo parcial ineditismo dos temas. Discussões culturais/sociais logo na inaugural Idéia (“Gente que troca mas por mais“); referências bucólicas em Sertão Urbano (“O progresso é mato“) e Amigo dos Bichos (“E vai ter que morar no alto da mangueira”); sexo (explícito) em Passivo (“Vem Me Fuder“) e todo um arsenal que escapa da despretensão carioca ou do sentimentalismo plástico da cena paulistana. Mesmo o romantismo enquadrado em Canção de Amor, Fetiche e Benzin parecem distantes do óbvio em se tratando de outras obras próximas. Se existem receitas e fórmulas prontas, nas mãos do grupo, tudo é desconstruído.

Por vezes “isolados” em um ambiente próprio, perceba como a banda carrega para dentro do registro um elemento cada vez mais raro em outros lançamentos nacionais: o clima de festival. Ainda que as apresentações em concursos regionais, performances em teatros e espaços separados das principais casas de show do país sirvam de estímulo para esse resultado, é dentro de estúdio que a herança referencial do grupo brilha e cresce de maneira assertiva. Seja na voz contorcida de Salma Jô, pisando no solo fértil de Elis Regina e Baby do Brasil, ou nas guitarras de Aquino e bateria firme de Machado, íntimas de Caetano Veloso no fim dos anos 1960, nítida é a postura do grupo em construir uma obra intensa, centrada no espetáculo, na ovação e diálogo aberto com o público. Continue reading

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Lupe de Lupe: “Ágape”

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As vozes e arranjos rústicos naturalmente assumidos pela Lupe de Lupe fazem da recém-lançada Ágape uma surpresa tão perturbadora quanto agradável. Em um sentido oposto ao som caótico incorporado durante o lançamento de Eu Já Venci, faixa apresentada no começo de agosto, o novo invento do grupo mineiro cresce como uma canção tomada pela leveza e melancolia precisa dos versos. Um bloco extenso de confissões sorumbáticas e pequenos fragmentos marcados em essência pelos sentimentos, conceito raro dentro da crueza que movimenta as composições do coletivo.

Com um pé no pós-punk da década de 1980 e outro no ambiente delineado desde o último EP, Distância (2013), Ágape entrega pistas convincente do material extenso (e versátil) que deve ocupar Quarup (2014), novo álbum da banda. Com 21 faixas e lançamento previsto para o dia 12 de novembro, o trabalho chega como o sucessor de Sal Grosso, a primeira grande obra da Lupe de Lupe e um dos principais lançamentos nacionais de 2012.

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Lupe de Lupe – Ágape

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Mark McGuire: “Noctilucence”

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O fim das atividades do Emeralds em nada parece ter prejudicado o trabalho de Mark McGuire em carreira solo. Ainda que os projetos individuais do músico/produtor norte-americano sejam marcados pela sutileza e criatividade no desdobramento dos arranjos, poucas vezes McGuire parecei tão seguro quanto no lançamento de Along The Way (2014), há poucos meses. É justamente dentro desse mesmo universo que nasce Noctilulence, mais nova e extensa composição do guitarrista.

Na trilha de The Instinct, For The Friendship e demais composições longas da obra, a canção transporta o ouvinte para um cenário tão climático e doce, quanto psicodélico e marcado pela provocação natural de McGuire. São 12 minutos em que sintetizadores, batidas eletrônicas e efeitos abstratos servem de estimulo para as guitarras do compositor, tão inventivo quanto no restante do material apresentado para a obra. Espécie de extensão, a canção serve de passagem para o novo EP de cinco faixas do músico. Trabalho que estreia no dia 11/11 pelo selo Dead Oceans.

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Mark McGuire – Noctilucence

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