Tag Archives: Alternative

Disco: “Ivy Tripp”, Waxahatchee

Waxahatchee
Indie/Singer-Songwriter/Alternative
http://www.waxahatcheemusic.com/

No universo criado por Katie Crutchfield não existem brechas para a construção de personagens, atos fantasiosos ou distorções poéticas capazes de ocultar a presença da cantora, guitarrista e personagem central da obra. Tudo gira em torno da mente perturbada e memórias nostálgicas da musicista, autora e protagonista de uma obra ampla, em pleno processo de montagem, mas que encontra em Ivy Tripp (2015, Wichita Recordings / Merge Records) um respiro leve, como um novo ponto de partida.

Para aqueles que acompanham o trabalho do Waxahatchee desde a estreia com American Weekend, em 2012, basta um passeio rápido pelo disco para perceber Ivy Tripp como um diálogo ainda mais expressivo com os sons, temas e referências explorados na década de 1990. Salve o reforço na utilização de arranjos mais “lentos”, quebrando a base enérgica do disco anterior, Cerulean Salt (2013), Crutchfield continua a brincar com a essência de Liz Phair, Kim Deal e outras veteranas de forma criativa, utilizando dessa temporária “desaceleração” como um estímulo para expandir ainda mais os próprios conceitos.

Dos versos iniciais, em Breathless – “Você olha para mim como se eu fosse uma rosa / Cantando uma canção que você não conhece” -, ao último suspiro da obra, com Bonfire – “Ele disse vá em frente / Eu digo vá em frente” -, Crutchfield não apenas reforça o papel de protagonista do trabalho, como ainda utiliza de cada canção espalhada como uma perturbadora ferramenta de confissão e exposição sentimental, detalhando desilusões amorosas, medos e tormentos recentes.

A julgar pela expressiva ausência de “linearidade” do disco, não seria um erro interpretar o presente álbum de Waxahatchee como uma coletânea de faixas ancoradas em toda uma variedade de pesadelos típicos de jovens adultos. Assim como em Cerulean Salt, obra também marcado pelo relato pessoal de Crutchfield, nada que ecoe de forma dramática. Mesmo nos instantes mais confusos e densos da obra, o apelo melódico das guitarras mantém a atenção do ouvinte em alta, sempre preso aos versos e arranjos acessíveis de cada canção. Continue reading

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Roses: “Quiet Time”

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Depois de apresentar quatro álbuns de estúdio bem-sucedidos, no começo de 2014 foi anunciado o fim das atividades do Abe Vigoda. Para a felicidade do público fiel, carente por um novo registo de inéditas do extinto coletivo, parte dos integrantes se juntaram para formar o Roses, projeto que pode não sustentar a mesma sonoridade “Punk-Tropical” de obras como Skeleton (2008) e Crush (2010), mas mantém parte da estética Lo-Fi da antiga banda, encontrando na estética dos anos 1980 uma inusitada forma de renovação.

Dando sequência ao ótimo Dreamlover EP (2014), o grupo formado por Marc Steinberg, Victor Herrera e Juan Velasquez apresenta a inédita Quiet Time. Uma das metades do Single 7″ lançado em parceria com a banda Moaning, com nova composição o trio reforça ainda mais a relação com a sonoridade projetada há mais de três décadas, carregando nos sintetizadores e versos extensos uma espécie de diálogo com o último álbum do também trio Future Islands, Singles (2014).

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Roses – Quiet Time

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Disco: “No Meu Peito”, Luneta Mágica

Luneta Mágica
Indie/Alternative/Indie Pop
https://www.facebook.com/bandalunetamagica

“Experimental”, “Alternativo”, “Eletrônico”, “Indie” e “Folk”. Esses são alguns dos rótulos escolhidos pelos integrantes da Luneta Mágica para definir a sonoridade produzida pela banda. Curioso perceber no segundo registro de inéditas do coletivo amazonense, No Meu Peito (2015, Invern Records), uma obra esquiva de toda essa pluralidade “restritiva” de conceitos. Como uma fuga de possíveis experimentos e bloqueios estéticos lançados no inicial Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida (2012), um caminho marcado pela leveza orienta de forma positiva os passos e referências do hoje renovado quarteto de Manaus.

Por vezes íntimo do pop “clássico”, o novo trabalho de Pablo Araújo (vocal e guitarra), Erick Omena (guitarra), Eron Oliveira (bateria) e Diego Souza (baixo e teclado) borbulha em meio a bases melódicas, vocais tratados de forma polida e versos que se espalham descomplicados, ocupando sem esforços a mente do ouvinte. Em um explícito exercício de maturidade, toda a soma de argumentos complexos lançados no álbum de 2012 é logo derrubada na primeira composição, resultando em uma corredeira de emanações acolhedoras, acessíveis aos mais variados públicos. Beatles e The Beach Boys surgem de forma quase instintiva, como pilares, entretanto, é na formação de som próprio da Luneta Mágica que reside o grande acerto da obra.

Inaugurado pela timidez da reclusa faixa-título, No Meu Peito logo explode em cores, acordes e vozes marcadas pela euforia. Basta um passeio pela efetiva trinca de abertura da obra – Lulu, Acima das Nuvens e Mônica – para imediatamente cair na arapuca melódica que o quarteto reforça até o último ato do trabalho. Canções capazes de resgatar o hoje esquecido conceito de “música radiofônica”, preferência que involuntariamente mergulha no mesmo ambiente acessível de gigantes como Skank – em Maquinarama (2000) e (2001) Cosmotron (2003) – e Los Hermanos – Ventura (2003) -, mas sem necessariamente interferir na construção de uma sonoridade autoral.

Rico catálogo de hits, mesmo abastecida pelo pop e melodias radiantes, No Meu Peito é uma obra que assume dois caminhos distintos. Na primeira metade do registro, uma coleção de versos sentimentais e arranjos ensolarados, como um diálogo leve da banda com toda uma nova frente de ouvintes. A partir de Preciso, sexta composição da obra, um completo deslocamento desse mesmo propósito. A julgar pelo uso de vocais e bases “sujas”, uma extensão simplificada do arsenal temático lançado no disco anterior. Conceitos que mergulham na psicodelia (Mantra), remontam velhas bases eletrônicas (Sem Perceber) e, pela primeira vez, refletem de forma provocativa o rótulo de obra “experimental” que a banda defende. Continue reading

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Mac Demarco: “The Way You’d Love Her”

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Mac DeMarco segue inspirado. Para anunciar a expansão da turnê pela Europa e América do Norte, o canadense decidiu presentear o público com uma composição que bem poderia ser encontrada em seu último (e elogiado) registro solo, Salad Days (2014). Acomodada em emanações brandas e confissões românticas, The Way You’d Love Her não apenas reflete o lado “romântico” do artista, como ainda garante os tradicionais solos de DeMarco, sempre descomplicado, capaz de prender o ouvinte sem dificuldades.

Já anunciada anteriormente, a composição faz parte do novo mini-LP do cantor, o aguardado Another One (2015). Com lançamento previsto para o dia sete de agosto pelo selo Carpark Records, o novo registro conta com nada menos do que oito criações inéditas do músico, entre elas, a recém-lançada The Way You’d Love Her, faixa escolhida para apresentar a sequência de novas canções espalhadas pela obra. Ouça:

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Mac Demarco – The Way You’d Love Her

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Cozinhando Discografias: Mogwai

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático. No cardápio de hoje: MogwaiContinue reading

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Nicolas Jaar: “NYMPHS II”

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Com o fim temporário das atividades do Darkside em 2014 – projeto em parceria com o músico/produtor Dave Harrington -, Nicolas Jaar deve (finalmente) se dedicar ao trabalho e composições em carreira solo. Passados três anos desde a estreia do último registro autoral do produtor, o excelente Space Is Only Noise (2011), Jaar transforma o recém-lançado single NYMPHS II em uma travessia para o universo de faixas e recortes musicais acumuladas nos últimos anos.

Possível base para o novo álbum do artista, previsto para 2015, o single lançado em vinil 12″ se divide em dois lados bem distintos. Na primeira metade, The three sides of Audrey and why she’s all alone now, uma climática faixa com quase oito minutos de duração em que Jaar estende parte dos ruídos e experimentos testados no álbum Psychic, de 2013. No “Lado B” do mesmo material, No one is looking at U, parceria com a cantora Lorraine e uma típica composição do selo Other Music, casa dos trabalhos de Jaar.

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Nymphs II
01. The Three Sides of Audrey and Why She’s All Alone Now
02. No One is Looking at U

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SOPHIE & Charli XCX: “Let’s Ride”, “Throw It Up” e “Make It Right”

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No último final de semana, o Pop Cube – um misto de festa e selo organizado na região do Brooklyn, Nova York – esteve aos comandos do coletivo britânico PC Music. Entre as atrações do evento, nomes como Hanna Diamond, A. G. Cook, QT, Danny L Harle e, claro, SOPHIE. Enquanto a primeira metade do grupo se concentrou na divulgação da primeira coletânea do selo, PC Music, Vol. 1 – registro apresentado oficialmente há poucos dias -, SOPHIE aproveitou o espaço para despejar nada menos do que três composições ao lado da cantora Charli XCX.

Parceria já conhecida desde a última passagem do produtor pelo SXSW de 2015, as novas composições se dividem com acerto entre o universo descomplicado de XCX e as excentricidades de SOPHIE. Por enquanto, nenhuma informação sobre o lançamento do material foi anunciada, entretanto, já é possível ouvir cada uma das três faixas – Let’s Ride, Throw It Up e Make It Right – no Youtube. Abaixo você encontra cada uma delas – aproveite antes que o material seja deletado.

 

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SOPHIE & Charli XCX – Let’s Ride

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SOPHIE & Charli XCX – Throw It Up

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SOPHIE & Charli XCX – Make It Right

 

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Disco: “1977”, Wado

Wado
Alternative/Indie/Nacional
http://wado.com.br/

Fotos: Pedro Ivo Euzébio

Desde os iniciais Manifesto da Arte Periférica (2001) e Cinema Auditivo (2002) que as guitarras não recebiam tanto destaque dentro de um trabalho de Wado como em 1977 (2015, Independente). Registro que carrega no título o ano de nascimento do artista catarinense/alagoano, o oitavo álbum de inéditas de Wado está longe de parecer uma obra nostálgica. Pelo menos dentro do universo particular do cantor. Em um diálogo rápido com o (punk) rock e todo o cenário montado no mesmo período, o músico sustenta em cada faixa do disco sua obra mais dinâmica e “raivosa”.

Fuga da atmosfera eletrônica reforçada entre Terceiro Mundo Festivo (2008) e Samba 808 (2011), além de um completo desligamento do som acústico de Vazio Tropical (2013), então último álbum de Wado, o presente disco mostra um artista (mais uma vez) reformulado, capaz de brincar com a própria essência de forma curiosa. Como define o próprio texto de apresentação do trabalho: “o norte sem norte: o não se repetir”. Mas será que tudo em 1977 é tão novo assim?

Mesmo que a parte inicial da obra autorize a entrada de guitarras sujas e distorcidas, raras dentro da (extensa) discografia do músico, durante todo o desenvolvimento do trabalho, resgates e pequenas adaptações dos últimos discos de Wado são reforçados de forma evidente. Dos pianos melancólicas em Menino Velho ao toque doce de Palavra Escondida – talvez sobras do último disco -, tudo se dissolve em uma ambientação acolhedora, como uma nova curva dentro da quebra brusca que abre o disco.

Não é preciso muito esforço para interpretar o novo álbum de Wado como um obra de dois lados bem definidos. Na primeira metade: a crueza. São faixas como Deita, Lar e Cadafalso – está última, faixa-título do último álbum de Momo. Instantes em que a “raiva”, esquiva no último disco do cantor, cresce com acerto e movimento para os versos. Na segunda parte: a leveza. Difícil não se emocionar com composições como Um Dia Lindo de Sol e Mundo Hostil, faixas que dosam descrença e esperança com uma naturalidade rara dentro do rico acervo do compositor. Continue reading

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Tame Impala: “Eventually”

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Let It Happen, Disciples e Cause I’m a Man; se parasse aí, os australianos do Tame Impala teriam um grande EP em mãos, mas isso é apenas o começo, a ponta do iceberg colorido que será apresentado em Currents (2015). Terceiro álbum de inéditas do grupo comandado por Kevin Parker, o registro de 13 faixas e lançamento mundial pelo selo Interscope acaba de ter sua data de lançamento (finalmente) divulgada ao público: 17 de julho. Para celebrar o anúncio, o grupo entregou mais uma faixa inédita: Eventually.

Nova fuga do som “pesado” de Lonerism (2012), último álbum de estúdio da banda, Eventually segue com naturalidade a base proposta na já conhecida Cause I’m a Man, equilibrando sintetizadores e toda uma variedade de elementos da década de 1980 em necessariamente fugir dos temas característicos do grupo australiano. Pequenos atos individuais, guitarras tímidas, pausas e encaixes precisos de voz que mais uma vez transportam o ouvinte para um cenário mágico.

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Tame Impala – Eventually

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Ben Khan: “1000 EP”

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Dono de um dos acervos mais interessantes da eletrônica britânica, além, claro, do ótimo 1992 EP, lançado no último ano, Ben Khan apresenta agora mais um novo registro de inéditas: 1000 EP. Ainda próximo do mesmo resultado e conceitos explorados no último ano, Khan passeia pelo R&B, pop e deferentes experimentos eletrônicos sem escapar de um resultado melódico, dançante, marca detalhada em cada uma das quatro composições do EP.

Já conhecidas do público fiel de Khan, músicas como Zenith e 2022 Zodiac continuam a reforçar o diálogo do produtor com a obra do conterrâneo Jai Paul, articulando canções de sonoridade “caseira”, mas não menos envolventes, íntimas das pistas. A principal diferença em relação aos últimos trabalho do artista britânico está na maior utilização de guitarras, preferência que quase isola os tradicionais sintetizadores testados até o último EP. Ouça:

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Ben Khan – 1000 EP

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