Tag Archives: Alternative

Resenha: “Too Many Voices”, Andy Stott

Artista: Andy Stott
Gênero: Experimental, Electronic, Techno
Acesse: http://modern-love.co.uk/

 

Andy Stott sempre se manteve distante de uma provável “zona de conforto”. Ainda que o produtor original de Manchester, Inglaterra, tenha explorada com regularidade as texturas do Dub Techno nos últimos cinco anos – vide registros como We Stay Together e Passed Me By –, em mais de uma década de atuação, Stott em nenhum momento pareceu seguir um caminho previsível, monótono, percepção que se reforça com o lançamento de Too Many Voices (2016, Modern Love).

Terceiro e mais recente trabalho do produtor desde que foi oficialmente apresentado ao público, em 2011, o presente álbum mostra um som ainda mais complexo e propositadamente irregular em relação ao material entregue no antecessor Faith in Strangers, de 2014. São nove composições inéditas que se projetam como verdadeiros experimentos, independentes, preferência que leva Stott a mergulhar em novas ambientações e gêneros, entre eles, o R&B.

Registro mais acessível desde o bem-sucedido Luxury Problems, de 2012, Too Many Voices pode ser resumido na fluidez melódica de Butterflies. Segunda faixa do disco, a canção escolhida para apresentar o trabalho sustenta na lenta manipulação dos vocais – assumidos pela velha colaboradora Alison Skidmore – a passagem para um universo completamente novo dentro da obra do produtor. Batidas controladas, versos essencialmente leves, melancólicos, estímulo para o delicado vídeo em parceria com o coreógrafo Rafael Chinx Martin.

A mesma sutileza instrumental, íntima dos trabalhos de Dev Heynes (Blood Orange), parece replicada em composições como New Romantic e First Night. Enquanto a primeira despeja uma solução de versos acolhedores, como uma resposta ao som frio incorporado pelo produtor no trabalho de 2014, na canção seguinte, quarta faixa do disco, Stott resgata de forma adaptada o mesmo som arrastado, metálico, que ocupa grande parte dos trabalhos apresentados no final da década passada. Continue reading

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Todd Terje & The Olsens: “Baby Do You Wanna Bump” (Daniel Maloso Remix)

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The Big Cover-Up (2016), esse é o nome do mais recente trabalho do produtor norueguês Todd Terje. Trata-se de um EP de versões para “clássicos” assinados por Yellow Magic Orchestra, Martin Circus, Boney M e Vangelis, mas que também serão remixados por outros produtores próximos de Terje, caso de Daniel Maloso, Dan Tyler, Prins Thomas e Øyvind Morken. Para apresentar o trabalho, nada melhor do que a dançante e divertida Baby Do You Wanna Bump.

Originalmente lançada na década de 1970 pelo grupo alemão Boney M, Baby Do You Wanna Bump resume com naturalidade o som que deve orientar as oito verões/remixes do projeto. Sintetizadores pegajosos, batidas prontas para as pistas e uma coleção de vozes festivas, conceito que se reforça na letra “sedutora” e marcada de referências ao sexo que sustenta a composição.

The Big Cover-Up EP (2016) será lançado no dia 17/06 pelo selo Olsen Records.

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Todd Terje & The Olsens – Baby Do You Wanna Bump (Daniel Maloso Remix)

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Disco: “Sleep Cycle”, Deakin

Artista: Daekin
Gênero: Experimental, Psychedelic, Folk
Acesse: http://myanimalhome.net/

 

De todos os trabalhos produzidos pelo Animal Collective na última década, o presente Painting With (2016) talvez seja o mais raso, fraco. Arranjos e versos que replicam de forma pouco inventiva grande parte do material apresentado pelo coletivo em Merriweather Post Pavilion (2009) e Centipede Hz (2012). Uma possível alternativa para o recente trabalho do grupo de Baltimore? Sleep Cycle (2016, My Animal Home), estreia solo de Josh Dibb como Deakin.

Mais conhecido pela série de obras produzidas em parceria com os demais integrantes do Animal Collective, Dibb aproveita o primeiro registro autoral para revisitar uma série de temas e conceitos instrumentais que apresentaram o grupo norte-americano há mais de uma década. O mesmo folk psicodélico, colorido e essencialmente detalhista que orienta as canções originalmente apresentadas em Sung Tongs (2004) e Feels (2005).

Em produção desde 2009, o trabalho de seis faixas – boa parte delas com mais de sete minutos de duração – delicadamente estabelece um curioso pano de fundo psicodélico. Captações atmosféricas que se encontram com violões tímidos, vozes serenas que mergulham em uma piscina de melodias cósmicas. Da abertura do disco, com Golden Chords, até a chegada de Good House, no encerramento do disco, um mundo de detalhes que se abre para a chegada do ouvinte.

De um lado, composições como Shadow Mine, um respiro experimental que flutua de maneira independente no interior da obra. No outro, músicas extensas, caso de Just Am e Footy, longos ensaios psicodélicos que incorporam referências vindas da década de 1970, resgatam aspectos típicos da discografia do AC e lentamente tecem a identidade musical de Deakin em carreira solo. Continue reading

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White Lung: “Below” (VÍDEO)

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Resistir ao trabalho do White Lung nos últimos meses não tem sido uma tarefa fácil. Primeiro veio a desesperada Hungry, em fevereiro deste ano. Depois foi a vez de Kiss Me When a Bleed chegar até o público, despejando uma solução de guitarras melódicas, gritos e batidas que apresentaram a nova sonoridade da banda canadense. Agora é a vez Below, terceira e mais recente canção do aguardado Paradise (2016) ser oficialmente entregue ao público.

Musicalmente “comportada” em relação ao som agressivo incorporado nas duas últimas canções da banda, Below mostra a busca do White Lung por novas possibilidades. Uma colisão de guitarras sujas, crescendo como um pano de fundo para a voz perfeitamente esculpida de Mish Way, responsável pela sequência de versos sufocantes da faixa. Para o clipe da faixa, dirigido por Richard Bates Jr., uma “homenagem” da banda à atriz Marilyn Monroe.

Paradise (2016) será lançado no dia 06/05 pelo selo Domino.

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White Lung – Below

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Resenha: “Everybody’s Heart Is Broken Now”, Niki and the Dove

Artista: Niki and the Dove
Gênero: Indie Pop, Alternative, Synthpop
Acessehttp://www.nikiandthedove.com/

É difícil não se encantar pelo som produzido pela dupla Niki and the Dove. Da eletrônica colorida que marca o primeiro álbum de estúdio do casal, Instinct, de 2012, passando pelos versos sentimentais, sempre pegajosos, cada música assinada pela dupla Malin Dahlström e Gustaf Karlöf parece polida de forma sempre detalhista, pop e acessível, cuidado que se repete, porém, sob outra ótica em Everybody’s Heart Is Broken Now (2016, TEN Music Group).
Segundo e mais recente álbum de estúdio do duo sueco, o registro de 13 composições inéditas encontra no som empoeirado da década de 1980 uma espécie de novo alicerce criativo. Se há quatro anos Dahlström e Karlöf apresentavam uma versão “descomplicada” do mesmo som produzido pelos conterrâneos do The Knife, com o novo trabalho, vozes, guitarras, batidas e sintetizadores apontam para um universo parcialmente renovado.
Ponto de partida para grande parte das canções que abastecem a obra, So Much It Hurts detalha a busca do casal por um som enevoado, nostálgico, como se parte do material produzido há mais de três décadas fosse replicado de forma atenta no interior da obra. Instantes que ainda passeiam pelo mesmo R&B entristecido de Michael Jackson e Lionel Richie, base para a formação de músicas aos moldes de Everybody Wants To Be You e Miami Beach, duas das peça mais tristes do trabalho.
Perto das canções apresentadas em Instinct, Everybody’s Heart Is Broken Now acaba se revelando um registro musicalmente lento, tímido em grande parte das canções. Salve a explosão controlada que marca faixas como You Stole My Heart Away e Coconut Kiss, parte expressiva do trabalho mantem firme a relação entre as canções, resultando em um material homogêneo e controlado, como se uma mesma peça servisse de base para toda a formação da obra.

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Nite Jewel: “Kiss The Screen”

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Poucas vezes antes Ramona Gonzalez pareceu tão “pop” e acessível ao grande público quanto em Kiss The Screen. Mais recente single do novo álbum de inéditas da artista californiana como Nite Jewel, Liquid Cool (2016), a nova composição amplia de forma curiosa e dançante parte do material apresentado há quatro anos com o trabalho One Second of Love, de 2012. Uma versão “simplificada” do Dream Pop eletrônico que acompanha a artista desde final da década passada.

Menos complexa do que a antecessora Boo Hoo, composição apresentada ao público há poucas semanas, Kiss The Screen mostra o peso dos vocais e sintetizadores no trabalho de Gonzalez. Difícil não lembrar das canções produzidas por Caroline Polachek para o Chairlift e, em menor escala, no som dançante de Sprawl II (Mountains Beyond Mountains), música de encerramento do terceiro álbum de estúdio do Arcade Fire, The Suburbs (2010).

Liquid Cool (2016) será lançado no dia 10/06 pelo selo Gloriette.

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Nite Jewel – Kiss The Screen

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Band of Horses: “Casual Party”

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Why Are You OK (2016), esse é o nome do quinto álbum de estúdio do Band of Horses. Sucessor do mediano Mirage Rock, de 2012, o trabalho reserva ao público 12 composições inéditas e produção dividida entre Jason Lytle, vocalista e líder do Grandaddy, além do veterano Rick Rubin, responsável pela produção executiva do disco. Musicalmente, uma extensão do material apresentado pelo grupo desde o terceiro registro de inéditas, o acelerado Infinite Arms (2010), sonoridade explícita na recém-lançada Casual Party.

Do vocal característico de Ben Bridwell, passando pelo uso de guitarras essencialmente melódicas e todo um material que remete à discografia da banda, pouco parece ter evoluído nos últimos três anos de hiato da banda. Um refrão explosivo, a letra marcada por versos confessionais e a interferência direta de arranjos tão melancólicos quanto raivosos. Uma fórmula pronta, mas que deve agradar a massa de seguidores que há mais de uma década acompanham o trabalho do grupo.

Why Are You OK (2016) será lançado em junho pelos selos Interscope/American Recordings.

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Band Of Horses – Casual Party

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Disco: “The Hope Six Demolition Project”, PJ Harvey

Artista: PJ Harvey
Gênero: Rock, Alternative, British
Acesse: http://www.pjharvey.net/

 

Durante grande parte da década de 1990, PJ Harvey interpretou a si mesma como a protagonista da própria obra. Basta observar as canções de clássicos como trabalhos como Dry (1992) e Rid of Me (1993) para perceber isso. Já outros como Stories from the City, Stories from the Sea (2000) e Uh Huh Her (2004), uma inversão, a passagem para um novo universo, muitas vezes descritivo e impessoal, como se a compositora britânica explorasse diferentes cidade, seus personagens e histórias.

Em The Hope Six Demolition Project (2016, Island / Vagrant), nono trabalho na discografia de Harvey, e primeiro registro de inéditas depois de um hiato de cinco anos, uma expansão dessa curiosa visão de mundo da guitarrista. Versos que passeiam por regiões, detalham o cotidianos de povos e comunidades de forma sempre política, atual. Conceitualmente, um resumo das viagens da musicista pelo Oriente Médio, Leste Europeu e diferentes pontos dos Estados Unidos.

No discurso político de Harvey, cada vez mais agressivo, uma expressiva continuação do material explorado nas canções de Let England Shake, de 2011. Basta observar a faixa de abertura do disco, The Community of Hope, para perceber isso. Trata-se de um ataque direto da cantora britânica aos políticos de Washington e o completo descaso com a população local. Um diálogo com uma comunidade específica, mas que se adapta aos mais diferentes cenários e governos.

Sétima faixa do disco, The Orange Monkey talvez seja a composição que melhor sintetize a importância das viagens de Harvey dentro da presente obra “Você deve voltar no tempo / Tomei um avião para uma terra estrangeira / E disse: ‘vou escrever sobre aquilo que eu encontrar’”, canta a artista enquanto descreve de forma subjetiva paisagens e personagens que encontrou pelo Afeganistão. Um resumo breve do mesmo conceito também explorado em músicas como A Line in the Sand e Near the Memorials to Vietnam and Lincoln. Continue reading

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Olga Bell: “ATA”

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A cada novo movimento de Olga Bell, a herança de Björk se torna cada vez mais explícita. Em ATA, mais recente invento da cantora e produtora de origem russa, vozes e batidas tortas se encontram de forma a replicar o mesmo catálogo de sons produzidos pela veterana da música islandesa em obras como Debut (1993), Post (1995) e Homogenic (1997). Uma interpretação menos acelerada do mesmo material entregue há poucas semanas no enérgico clipe de Randomness, uma das canções do ainda inédito Tempo (2016).

Das vozes inicialmente tímidas, distribuídas em pequenas doses, passando pelo uso controlado de sintetizadores e ruídos eletrônicos, Bell lentamente se afasta do som apresentado no ótimo Край. Lançado em 2014, o trabalho reflete de maneira explícita a rica herança cultural da musicista, servindo como uma continuação do material produzido durante o curto período em que Bell atuou como integrante do Dirty Projectors.

Tempo (2016) será lançado no dia 27/05 pelo selo One Little Indian.

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Olga Bell – ATA

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Vitor Brauer: “História do Brasil”

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Vitor Brauer não para. Mesmo com o fim temporário das atividades da Lupe de Lupe, o cantor e compositor mineiro acaba de apresentar ao público mais um novo projeto. Trata-se de História do Brasil, uma coletânea virtual com 52 versões para o trabalho de diferentes artistas da cena alternativa brasileira. Dividido em três partes – a segunda e terceira partes serão lançadas respectivamente em outubro de 2016 e abril de 2017 -, o registro acaba de ter a primeira sequência de faixas disponíveis para audição e download no Bandcamp.

São 13 músicas originalmente assinadas por artistas como Boogarins (Cuerdo), Baleia (Breu), Ventre (Pernas), Nvblado (Angústia) e até pela dupla Cadu Tenório e Márcio Bulk (Estela). Utilizando apenas voz, pianos e violão, um resumo de toda a rica produção nacional nos últimos anos. O projeto contou com o estímulo de um time de apoiadores pelo https://apoia.se/vitorbrauer. Ouça:

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Vitor Brauer – História do Brasil

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