Tag Archives: Alternative

Parquet Courts: “Dust”

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Lentamente os integrantes do Parquet Courts se afastam do material essencialmente simplista, cru, apresentado pela banda dentro do debut Light Up Gold (2012). Ocupando essa lacuna, uma sonoridade cada vez mais complexa, recheada por novos instrumentos e íntima do Post-Punk – inglês ou nova-iorquino – apresentado no começo da década de 1980. A base de todo o terceiro registro de estúdio produzido pela banda, Human Performance (2016).

Em Dust, primeira composição que marca a chegada do álbum que sucede Sunbathing Animal – um dos 50 melhores discos internacionais de 2014 -, o claro amadurecimento da banda. Enquanto os versos nonsenses da faixa divagam de forma metafórica sobre problemas cotidianos, uma base de guitarras e sintetizadores cíclicos, típicos do krautrock, arrastam o ouvinte para dentro de um ambiente claustrofóbico, sujo e que cresce em pequenas doses. Uma explícita continuação da mesma “fórmula” aplicada pelo grupo há dois anos.

Human Performance (2016) será lançado no dia 08/04 pelo selo Rough Trade.

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Parquet Courts – Dust

 

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Cavern of Anti Matter: “Liquid Gate” (ft. Bradford Cox)

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Em mais de duas décadas de atuação dentro do Stereolab, Tim Gane e os parceiros de banda deram vida a um valioso acervo de obras. Clássicos como Mars Audiac Quintet (1994), Emperor Tomato Ketchup (1996) e Dots and Loops (1997). Com o grupo temporariamente em hiato, o músico britânico decidiu aproveitar o tempo livre investindo em um novo projeto “em carreira solo”. Trata-se do curioso Cavern of Anti Matter, projeto que conta com o primeiro álbum de inéditas, Void Beats / Invocation (2016), previsto para o dia 19 de fevereiro.

Entre as canções que abastecem o esperado registro, Liquid Gate, uma parceria entre Gane e Bradford Cox, vocalista do Deerhunter e um confesso apreciador da obra do Stereolab. Além de Cox, Sonic Boom, ex-integrante do Spaceman 3 e produtor do ótimo Panda Bear Meets The Grim Reaper, último registro de inéditas do Panda Bear, é um dos artistas confirmados para o disco.

Void Beats / Invocation (2016) será lançado no dia 19/02 pelo selo Duophinic.

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Cavern of Anti Matter – Liquid Gate (ft. Bradford Cox)

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Cat’s Eyes: “Chameleon Queen”

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Mais conhecido pelo trabalho produzido com o The Horrors, o cantor e compositor britânico Faris Badwan apresentou em 2011 o primeiro álbum como parte do projeto Cat’s Eyes. Produzido ao lado da musicista canadense Rachel Zeffira, o delicado registro funciona como um passeio pela música gótica de diferentes épocas, conceito que volta a se repetir dentro do segundo trabalho de inéditas construído pela dupla: Treasure House (2016).

Primeira das 11 faixas que integram o novo registro, a canção de versos lentos delicadamente resgata todos os elementos lançados pela dupla há cinco anos. O vocal sóbrio de Faris, os apoios vocais de Zeffira, a instrumentação precisa, adornada por elementos tão íntimos da década de 1980, quanto de obras clássicas do Chamber Pop produzidas nos anos 1960 e 1970.

Treasure House (2016) será lançado no dia 03/06 pelo selo RAF.

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Cat’s Eyes – Chameleon

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Cullen Omori: “Sour Silk”

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Ainda que pareça explorar uma sonoridade distinta em relação ao trabalho produzido com os ex-parceiros de banda do Smith Westerns, em carreira solo, Culen Omori parece manter firme a essência de obras como Dye It Blonde (2011) e Soft Will (2013). Uma colisão de temas instrumentais marcados pela delicadeza, guitarras sujas, vozes sempre acessíveis e acompanhadas de um canto melódico que sustenta os versos confessionais lançados pelo músico.

Em Sour Silk não poderia ser diferente. Mergulhada em uma solução de vozes em coro, alternações na voz de Omori e um conjunto de instrumentos arrastados, crescentes, a nova faixa parece seguir um caminho distinto em relação ao material apresentado em Cinnamon, seduzindo o público lentamente. São pouco mais de três minutos em que o ouvinte é arrastado para dentro do universo particular de Omori, tão íntimo do som produzido pelo Smith Westerns como de obras recentes assinadas por Ariel Pink e Ducktails

New Misery (2016) será lançado no dia 18/04 pelo selo Sub Pop.

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Cullen Omori – Sour Silk

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Disco: “Hymns”, Bloc Party

Bloc Party
British/Alternative/Rock
http://blocparty.com/

 

Há tempos o Bloc Party deixou de ser um projeto colaborativo para se transformar em uma extensão da carreira solo de Kele Okereke. Um meio termo entre o som incorporado pela banda nos ótimos Silent Alarm (2005) e A Weekend in the City (2007), mas que também passeia pela dobradinha autoral do vocalista em The Boxer (2010) e Trick (2014). Guitarras climáticas, versos cíclicos e temas eletrônicos que se movimentam de forma curiosa dentro do recém-lançado Hymns (2016, Vagrant / BMG / Infectious), quinto registro de inéditas do grupo britânico.

Entregue ao público dez anos após o lançamento do primeiro álbum do Bloc Party, Hymns inicialmente se projeta como uma obra de limites bem definidos. Longe dos experimentos que marcam as canções apresentadas em Intimacy (2008), ou mesmo da aceleração que movimenta o antecessor Four (2012), cada uma das 11 faixas do presente disco refletem o permanente controle da banda, hoje reformulada, com Justin Harris e Louise Bartle ocupando o lugar dos ex-integrantes Gordon Moakes e Matt Tong.

Ainda que carregue parte da essência eletrônica dos trabalhos de Okereke, vide a inaugural e dançante The Love Within, Hymns talvez seja o registro que melhor explora a essência do Bloc Party em tempos. São composições marcadas pela sensibilidade (Only He Can Heal Me) e conflitos pessoais de Okereke (So Real). Difícil ouvir a extensa Different Drugs e não ser arrastado pelo turbilhão emocional que sustenta a faixa. “Toda vez que eu volto para casa / Alguma coisa está errada, falta algo / Você está girando para longe de mim”, canta o vocalista naquela que é uma das melhores faixas já compostas pela banda.

Ao mesmo tempo em que encanta pela sutileza de determinadas músicas, não são poucos os momentos em que o Bloc Party tropeça em uma sequência de canções descartáveis. É o caso da balada Into The Earth e da “roqueira” The Good News. Enquanto a primeira apela para o mesmo sentimentalismo barato de grande parte dos grupos de pop-rock dos anos 1990 e 2000, com a segunda, Okereke e os parceiros de banda brincam de Arctic Monkeys, flertando com o mesmo som explorado pelo grupo inglês no álbum AM, de 2013. Continue reading

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Disco: “New View”, Eleanor Friedberger

Eleanor Friedberger
Indie/Alternative/Female Vocalists
http://www.eleanorfriedberger.com/

A cada novo trabalho em carreira solo, Eleanor Friedberger reforça o distanciamento em relação ao som produzido com o irmão Matthew Friedberger, do The Fiery Furnaces. Livre dos experimentos, curvas bruscas e temas psicodélicos que abasteceram obras como Gallowsbird’s Bark (2003) e Blueberry Boat (2004), são os arranjos e versos delicados, quase sempre confessionais, que caracterizam a curta discografia particular da cantora.

Com o recém-lançadp New View (2016, Frenchkiss Records) não poderia ser diferente. Terceiro registro em estúdio de Friedberger, o álbum de 11 composições inéditas parece seguir exatamente de onde a cantora parou há três anos, durante o lançamento do bem-sucedido Personal Record (2013). Trata-se de uma obra que detalha o cotidiano da artista de forma bem-humorada (He Didn’t Mention His Mother), explora conflitos pessoais (Never Is a Long Time) e lentamente mergulha em elementos sentimentais íntimos de qualquer ouvinte (A Long Walk).

A diferença em relação aos dois últimos trabalhos da cantora está na forma como Friedberger parece manter o completo domínio sobre a obra. Seja na montagem dos versos ou na estrutura musical tecida para o álbum, New View, diferente dos antecessores Last Summer e Personal Record, nasce como uma registro em que cada composição serve de estímulo para a canção seguinte. Uma lenta sobreposição de ideias e temas instrumentais que acompanha o ouvinte até os últimos instantes da obra.

Musicalmente, New View se projeta como o trabalho em que Friedberger mais investe em novas possibilidades, arranjos e instrumentos, escapando do som “contido” que marca dos primeiros discos. São pianos elétricos no interior da psicodélica Cathy With the Curly Hair, guitarras carregadas de efeito em Two Versions of Tomorrow e até arranjos que flertam com elementos típicos da música country, marca de composições como Open Season e Your Word. Continue reading

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Flowers: “Bitter Pill”

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Everybody’s Dying To Meet You (2016), esse é o nome do segundo álbum em estúdio da banda britânica Flowers. Responsáveis por um bom registro de estreia em 2014, Do What You Want To, It’s What You Should Do, o trio inglês parece manter firme a essência nostálgica das primeiras canções, estreitando ainda mais a relação com o Indie Rock britânico do final dos anos 1980. Uma obra que passeia pelo trabalho de nomes como The Smiths, The Pastels e até pelo trabalho do My Bloody Valentine em começo de carreira.

Mais recente composição lançada pela banda, Bitter Pill mostra a capacidade do trio comandado pela guitarrista Rachel Kenedy em brincar com o passado. São pouco mais de três minutos em que o trio destila sentimentos em meio a uma avalanche de ruídos controlados, sonoridade anteriormente reforçada durante o lançamento de Pull My Arm e, em menor escala, a apaixonada Ego Loss, canções que também abastecem o novo disco.

Everybody’s Dying To Meet You (2016) será lançado no dia 12/02 pelo selo Fortuna POP.

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Flowers – Bitter Pill

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Disco: “Moth”, Chairlift

Chairlift
Synthpop/Pop/R&B
http://chairlifted.com/

 

O pop se comporta de forma inusitada a cada novo álbum do Chairlift. Se em 2008, com o lançamento de Does You Inspire You, Caroline Polachek, Patrick Wimberly e o ex-integrante Aaron Pfenning seguiam a trilha de outros nomes do indie pop norte-americano, com a chegada de Something, em 2012, uma clara evolução tomou conta do trabalho assinado pela banda. Livre do som “inofensivo” do primeiro registro em estúdio, faixas como I Belong In Your Arms, Cool as a Fire e Amanaemonesia pareciam indicar um mundo de novas possibilidades – mesmo ancoradas em temas vindos da década de 1980.

Em Moth (2016, Columbia), terceiro álbum de inéditas da dupla nova-iorquina, cada faixa parece crescer dentro de um instável ambiente criativo. Um vasto catálogo de ideias, letras, sons e referências que passeiam por diferentes campos da música pop, ampliando o terreno explorado pela dupla em Something. Da abertura, com Look Up, ao fechamento, em No Such Thing as Illusion, fragmentos que utilizam dos sentimentos de Polachek como um instrumento para a formação de versos sempre confessionais e sensíveis.

Me desculpe por chorar em público deste jeito / Eu estou apaixonada por você / Me desculpe por fazer uma cena no trem / Eu estou apaixonada por você, eu estou apaixonada por você”, canta Polachek na melancólica Crying In Public, uma síntese da lírica conturbada que abastece grande parte do registro. Obra de exposições intimistas, Moth amplia a forte carga emocional reforçada pela dupla em trechos do álbum anterior, transformando composições como Polymorphing e Unfinished Business em músicas que dialogam diretamente com o ouvinte.

Co-autora de No Angel, uma das canções que abastecem o último álbum de Beyoncé, Polachek transporta para o interior de Moth uma série de referências que incorporam a música negra de diferentes épocas e tendências. São passagens bem-sucedidas pelo R&B/Hip-Hop dos anos 1980, manipulações vocais e batidas que distanciam a dupla do synthpop aplicado em Something. Um nostálgico jogo de possibilidades que visita a obra de Michael Jackson com Ch-Ching, passa pela música disco em Moth to the Flame e ainda dialoga com o presente cenário na comercial Show U Off, faixa que poderia facilmente ser encontrada nos últimos discos de Janelle Monáe. Continue reading

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Disco: “The Catastrophist”, Tortoise

Tortoise
Experimental/Alternative/Electronic
http://www.trts.com/

São mais de duas décadas de carreira e um bem-sucedido catálogo de obras que passeia pelo jazz (T.N.T.), pós-rock (Millions Now Living Will Never Die) e música eletrônica (Beacons of Ancestorship) de forma sempre provocativa, curiosa. Um constante ziguezaguear de referências que faz de The Catastrophist (2016, Thrill Jockey), primeiro álbum do Tortoise depois de um intervalo de sete anos, a base para um possível novo universo de descobertas instrumentais.

Trabalho de “reencontro”, o disco de 11 composições inéditas, sétimo na discografia da banda, parece pensado como um resumo torto de todo o vasto acervo de canções produzidas nos últimos 20 anos. Uma propositada ausência de linearidade que faz com que o ouvinte se pergunte em diversos momentos: “O que está acontecendo? O que o Tortoise está tentando me mostrar?”.

Salve a linha de sintetizadores que amarra músicas como Gopher Island, Gesceap e a própria faixa-título, durante toda a audição, The Catastrophist reforça a sensação de que o grupo – hoje formado por Dan Bitney, Doug McCombs, Jeff Parker, John Herndon e John McEntire – aponta para todas as direções. Em faixas como a climática Shake Hands With Danger, um acerto, resgatando parte da essência musical da banda. Já outras como Rock On, a permanente sensação de desconforto, como se o grupo emulasse o trabalho de outros artistas.

Mesmo que toda a discografia da banda seja planejada em cima de ondulações instrumentais propositadamente instáveis, em The Catastrophist o grupo parece simplesmente perdido, sem saber exatamente que direção seguir. Isoladas, cada canção parece seguir um caminho próprio. Não existem amarras ou estímulos que orientem com segurança o ouvinte até os instantes finais do disco. Todos os elementos se perdem em diversas curvas bruscas que o quinteto assume ao longo do caminho. Continue reading

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Rostam: “EOS”

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Mais conhecido pelo trabalho com o Vampire Weekend, Rostam Batmanglij passou os últimos cinco anos envolvido em uma série de obras significativas da cena norte-americana. Obras como o último álbum de Carly Rae Jepsen, Emotion (2015),  a estreia solo de Hamilton Leithauser (The Walkmen), Black Hour (2014), e até mesmo composições avulsas, caso de Water, parceria recente com a banda Ra Ra Riot. Nas horas vagas, um espaço para a composições autorais, caso da recém-lançada EOS.

Lembrando uma canção de encerramento do Vampire Weekend, a faixa de arranjos lentos, coros de vozes e batidas pontuais nasce como um produto do completo interesse de Batmanglij pela World Music dos anos 1970 e 1980. Ainda que a lembrança de Paul Simon seja quase imediata, Rostam parece seguir por um caminho isolado, a mesma estrutura originalmente apresentada em faixas como WoodsDon’t Let it Get to You, ambas de 2011.

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Rostam – EOS

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