Tag Archives: Alternative

Skylar Spence: “I Can’t Be Your Superman”

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Parece difícil escapar de cada nova canção apresentada por Skylar Spence nos últimos meses. Primeiro veio a “daftpunkniana” Can’t You See, uma explosão de vozes e arranjos pegajosos, acessíveis e dançantes, típicos de qualquer gigante da música pop. Em Affairs, a busca por um som levemente “contido”, típico do trabalho de Ryan DeRobertis – responsável pelo projeto – com o paralelo Saint Pepsi. Com a chegada de I Can’t Be Your Superman, uma espécie de encontro entre esses dois universos musicais que regem a obra do jovem músico.

Ainda que as guitarras, batidas e vozes dançantes se aproximem do mesmo “clima de discoteca” do single de estreia, abraçando de vez a década de 1970, colagens e pequenos experimentos ao fundo da canção encaixam DeRobertis no mesmo som caseiro testado por diferentes nomes da Chillwave. Lembrar de Toro Y Moi e do ótimo Underneath the Pine (2011) é algo mais do que esperado, entretanto, Chaz Bundick afunda e vozes enevoadas, Skylar Spence mantém firme a limpidez dos vocais, arrastando o ouvinte de vez para as pistas. Assim como os dois últimos singles do artista, a nova faixa é parte do esperado debut Prom King (2015).

Prom King (2015) será lançado no dia 18/09 pelo selo Carpark Records.

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Skylar Spence – I Can’t Be Your Superman

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Pictureplane: “Technomancer”

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Quatro anos se passaram desde que Travis Egedy entregou ao público insano e nostálgico Thee Physical (2011). Último registro de inéditas do Pictureplane, o trabalho repleto de batidas sujas e clima típico da eletrônica dos anos 1990 pode até ter servido de base para a sequência de obras lançadas pelo produtor, caso da mixtape THE ALIEN BODY ou mesmo do recente single Hyper Real, entretanto, está longe de servir de inspiração para o novo registro em estúdio do norte-americano: Technomancer (2015).

A julgar pela autointitulada composição escolhida para apresentar o novo disco, Egedy parte agora em direção aos anos 1980. Sintetizadores, bateria eletrônica e a voz empoeirada, todos os elementos se articulam de forma a indicar o novo universo musical do produtor. Nos versos e no próprio título da faixa, uma clara referência ao clássico Neuromancer (1984), obra literária que definiu o gênero Cyberpunk e parece servir de base para o novo álbum do Pictureplane.

Technomancer (2015) será lançado no dia 30/10 pelo selo Anticon.

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Pictureplane – Technomancer

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Disco: “What Went Down”, Foals

Foals
British/Alternative/Rock
http://www.foals.co.uk/

O caminho assumido pelos integrantes do Foals em Total Life Forever (2010) ainda está longe de ser abandonado pelo grupo. Cada vez mais distante do Math Rock incorporado no primeiro álbum de estúdio, Antidotes (2008), casa de músicas como Cassius e Olympic Airways, Yannis Philippakis, vocalista e líder da banda, encontra no peso das guitarras, sintetizadores e vozes carregadas de efeito um novo cenário a ser explorado com o dinâmico What Went Down (2015, Transgressive / Warner Bros.).

Quarto trabalho de inéditas do coletivo de Oxford, o álbum de 10 faixas e quase 50 minutos de duração talvez seja a obra mais coesa comercialmente dentro da curta trajetória do Foals. Na trilha do antecessor Holy Fire, de 2013, Philippakis e os parceiros de banda finalizam um disco marcado pela serenidade e constante explosão. Uma sequência de faixas ora agressivas e dominadas pela crueza das guitarras, ora brandas e musicalmente sombrias, naturalmente íntimas de diferentes referências do pós-punk britânico no começo dos anos 1980.

Logo na abertura do disco, dois golpes certeiros. O primeiro deles, a enérgica faixa-título. Pouco mais de cinco minutos em que vocais, instrumentos e batidas lançadas pela banda parecem crescer de forma descontrolada. A mesma energia expressa pelo grupo durante o lançamento de Inhaler, primeiro single do último disco, porém, em uma execução ainda mais insana. Na sequência, Mountain At My Gates. Típica composições do Foals, a faixa repleta de ondulações e arranjos “suingados” tropeça vez ou outra no clássico Blood Sugar Sex Magik (1991) do Red Hot Chili Peppers, confessa influência do grupo britânico e banda com quem o Foals vem excursionando desde o trabalho passado.

Em Birch Tree, Give It All, Albatross, Snake Oil e Night Swimmers, a clara interferência do produtor James Ford. Mais conhecido pelo trabalho com o Simian Mobile Disco, Ford, músico que já trabalhou com artistas como Florence and the Machine, Arctic Monkeys e Klaxons parece investir no minimalismo das batidas e arranjos eletrônicos, resgatando o mesmo encaixe robótico dos instrumentos e vozes criados por Dave Sitek (TV On The Radio, Yeah Yeah Yeahs) no primeiro álbum de estúdio do Foals. A própria  Night Swimmers é uma faixa que já parece ter nascido “remixada” pelo produtor. Continue reading

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Disco: “Poison Season”, Destroyer

Destroyer
Canadian/Indie Rock/Alternative
https://www.facebook.com/pages/Destroyer

Poison Season é um verdadeiro espetáculo. Atos marcados, instantes de euforia, recolhimento e explosão. Quatro anos após o lançamento do jazzístico Kaputt (2011), obra que apresentou o trabalho de Dan Bejar a uma nova parcela de ouvintes, o artista canadense encontra no décimo registro de inéditas do Destroyer um espaço para explorar conceitos adormecidos desde a estreia com We’ll Build Them a Golden Bridge, em 1996. Um acervo de faixas marcadas por referências literárias, personagens históricas e sentimentos que abraçam a mesma sonoridade arrojada e interpretação cênica dos últimos trabalhos do grupo.

Questionado sobre a estrutura e conceito que rege o novo álbum, Bejar respondeu ao The New York Times: “Eu passei a ouvir mais discos de jazz“. De fato, o Jazz ecoa em todas as canções do novo disco. Do time de instrumentistas que acompanham o cantor – Ted Bois (piano), Nicolas Bragg (guitarra), David Carswell, (guitarra), JP Carter (trompete), John Collins (baixo), Joseph Shabason (saxofone) e Josh Wells (bateria) -, o uso de arranjos sofisticados e faixas que se completam, Bejar passeia pelo disco como um verdadeiro crooner, resgatando a essência de nomes como Frank Sinatra – personagem reverenciado pelo artista em diversas entrevistas recentes.

Como explícito durante toda a construção do disco, Sinatra está longe de parecer a única referência de Poison Season. Dos musicais da Broadway – como Oliver – aos trabalhos da brasileira Clarice Lispector, de clássicos do Cinema Noir ao diálogo com a música dos anos 1970, Bejar e os parceiros de banda conseguiram criar um verdadeiro mosaico de temas e essências musicais sem necessariamente perder a própria identidade musical. Uma obra que mantém a mesma graciosidade explorada pela banda em Kaputt e, ao mesmo tempo, resgata uma série de elementos lançados no enérgico Destroyer’s Rubies, de 2006.

O que mais surpreende nisso tudo? A capacidade de Bejar em costurar todos esses elementos e ainda se manter íntimo da música pop. Dream Lover, Girl In a Sling, Midnight Meet The Rain e Times Square, poucas vezes antes o Destroyer presenteou o público com um catálogo de faixas tão acessíveis quanto em Poison Season. Mesmo nos instantes mais complexos e naturalmente intimistas da obra, caso da climática Archer On The Beach ou Bangkok, faixa que parece extraída de algum filme de investigação policial dos anos 1960, Bejar encaixa uma série de versos e arranjos capazes de fisgar o ouvinte. Continue reading

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Destroyer: “Times Square” (VÍDEO)

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Não é preciso muito esforço para perceber que a direção assumida por Dan Bejar em Poison Season (2015) é completamente distinta em relação ao caminho percorrido com Kaputt (2011). Ainda que as guitarras explosivas e clima acelerado exposto em Dream Lover tenha servido como eficiente indicativo para essa transformação por parte da banda, são os arranjos descomplicados, melodias pop e a voz solta do músico canadense na recém-lançada Times Square que define ainda mais essa ruptura entre um trabalho e outro.

Oficialmente a terceira canção de Poison Season a ser apresentada ao público, Times Square é uma faixa que resume toda a complexidade e ainda leveza do Destroyer. Nos versos, as tradicionais alegorias e referências de Bejar, compositor capaz de colidir trechos da bíblia com uma fina dose de romantismo sem parecer exagerado. Nos arranjos, um clima sedutor, conceito orquestrado pelo uso “quente” das guitarras e batidas, instrumentos que lentamente começam a cercar o ouvinte.

Música mais “pop” de Poison Season (2015), álbum que será lançado no dia 28/08 pelos selos Merge/Dead Oceans, Times Square ganha um clipe metade stop motion, metade focado no vocalista e líder Dan Bejar. A direção do clipe ficou por conta do diretor David Carswell.

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Destroyer – Times Square

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Boogarins: “Avalanche”

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A maior demonstração de propagação do ser é o eco / Com ele o meu grito tem forças pra derrubar todos os prédios“. Praticamente um mantra, um grito espirituoso ou um trecho extraído de algum livro de autoajuda, o verso que abre a inédita Avalanche – primeira canção do aguardado álbum Manual (2015), segundo disco da Boogarins -, indica um completo amadurecimento da banda goiana em relação ao antecessor As Plantas Que Cura (2013). Vozes, arranjos e pequenas doses de distorção harmonicas. Um som melódico, polido, livre do conceito “artesanal” que orienta músicas como Doce e Lucifernandes.

Escolhida para apresentar o novo álbum, Avalanche, uma das 11 faixas inéditas que abastecem o trabalho, revela de forma sutil que a essência da banda ainda permanece a mesma, porém, levemente remodelada. Nomes como Os Mutantes, Caetano Veloso, Clube da Esquina, The Beatles, Tame Impala e Unknown Mortal Orchestra ecoam por todas as partes. Referências fragmentadas, mais do que um alicerce, o estimulo para nascimento de um som autoral, marcado pelo frescor e naturalmente dominado pelas guitarras e pequenos embates melódicos de Fernando Almeida e Benke Ferraz.

Manual (2015) será lançado no dia 30/10 pelo selo Other Music.

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Boogarins – Avalanche

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Petite Noir: “MDR”

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Enquanto The King Of Anxiety EP (2015) acabou passando despercebido por muita gente, talvez efeito do caráter “experimental” de algumas faixas, La Vie Est Belle / Life Is Beautiful (2015) concentra todos os elementos para se transformar em uma das grandes estreias do ano. Prova disso está no acervo de canções melódicas, lentamente extraídas do álbum e apresentadas ao público. Faixas como a urgente Best, transformada em clipe há poucas semanas, além da recém-lançada MDR.

Tão dançante e provocativa quanto os últimos trabalhos de Petite Noir, a inédita composição talvez seja a faixa que mais aproxima o músico belga dos nova-iorquinos do TV On The Radio. A julgar pela forma como vozes e batidas se relacionam, é fácil perceber em MDR uma espécie de continuação de faixas como Crying e todo o material apresentado no clássico Dear Science (2008). A diferença está no caráter confessional do novato, capaz de transformar a recente faixa uma delicada e acessível canção de amor.

La Vie Est Belle / Life Is Beautiful (2015) será lançado no dia 11/09 pelo selo Domino.

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Petite Noir – MDR

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Small Black: “No One Wants It To Happen To You”

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Nunca antes os membros do Small Black produziram um som tão dançante e acessível quanto em No One Wants It To Happen To You. Nada contida em relação ao último single da banda, Boys Life, a canção dominada pelas batidas e sintetizadores crescentes reforça a transformação assumida pela banda em Best Blues (2015), terceiro álbum de inéditas do grupo e obra que parece dar sequência ao material apresentado no “pop” Limits Of Desire, de 2013.

Com quase quatro minutos de duração, a faixa incorpora quase três décadas de referências e elementos típicos de diferentes artistas. De veteranos como Depeche Mode e New Order ao trabalho de artistas que se destacaram na última década, como LCD Soundsystem e Hot Chip, diferentes retalhos instrumentais são costurados pelo som empoeirado do grupo nova-iorquino.

Best Blues (2015) será lançado no dia 16/10 pelo selo Jagjaguwar.

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Small Black – No One Wants It To Happen To You

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Disco: “Depression Cherry “, Beach House

Beach House
Dream Pop/Alternative/Indie
http://www.beachhousebaltimore.com/

Victoria Legrand e o parceiro Alex Scally passaram os últimos dez anos garimpando novidades dentro do mesmo cercado criativo que apresentou o Beach House. Da sonoridade obscura explorada em Devotion (2008), passando pelo ápice melódico em Teen Dream (2010) e o flerte com o pop em Bloom (2012), vozes, versos e arranjos partilham de um mesmo catálogo de referências ancorados no Dream Pop dos anos 1980/1990. Um instável zona de conforto, sempre trêmula e prestes a se romper no interior de Depression Cherry (2015, Sub Pop).

Quinto registro de inéditas da banda de Baltimore, Maryland, o álbum de apenas nove faixas levanta a questão: para onde vamos agora? Fruto da explícita repetição de ideias que abastece a obra do casal, cada faixa do novo disco incorpora e adapta o mesmo catálogo de elementos explorados desde a maturidade alcançada no começo da presente década. Uma rica tapeçaria de sintetizadores, guitarras maquiadas pela distorção, bateria eletrônica e a densa voz de Legrand, da abertura ao encerramento do disco, encarada como um poderoso instrumento.

Isso faz de Depression Cherry é um trabalho “repetitivo”? Muito pelo contrário. Ainda que o casal jogue com o mesmo arsenal de temas explorados desde a estreia, em 2006, difícil encarar o presente álbum como uma obra redundante, penosa. Prova disso está nas guitarras e experimentos que crescem no interior de Sparks. Ao mesmo tempo em que a essência da banda é preservada, nítida é a passagem criada por Scally para o começo dos anos 1990, transformando a canção em um fragmento íntimo de clássicos como Heaven or Las Vegas (1990) do Cocteau Twins ou Loveless do My Bloody Valentine (1991).

A própria base lançada por Legrand nos sintetizadores transporta o ouvinte para um cenário marcado pelo ineditismo. Enquanto a primeira metade do trabalho confirma a busca do casal por um som de natureza (ainda mais) pop – vide Space Song e 10:37 -, para o eixo final do disco, novos ritmos e ambientações nostálgicas alteram os rumos da obra. Tanto Wildflower como Bluebird investem no recolhimento dos vocais e arranjos, posicionando o registro em um meio termo entre o Soft Rock de artistas como The Carpenters e as confissões melancólicas do Mazzy Star. Continue reading

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SEXWITCH: “Helelyos”

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Quem estava torcendo pelo anúncio de um novo álbum do Bat For Lashes vai ter que esperar um pouco. Três anos após o lançamento do último registro de inéditas da banda, o excelente The Haunted Man (2012), Natasha Khan deixa de lado o som sereno incorporado desde a estreia com Fur and Gold (2006) para investir em um novo projeto, o SEXWITCH. Uma parceria entre Khan, o produtor Dan Carey e os britânicos do TOY, banda que já havia trabalhado com a cantora no single The Bride, de 2013.

Para o autointitulado primeiro álbum do coletivo, Khan e os parceiros montaram uma seleção com seis faixas “esquecidas” da cena Folk, Psicodélica e World Music dos anos 1970. Canções vindas de diferentes países e adaptadas ao som obscuro do grupo. É o caso de Helelyos. Faixa escolha para apresentar o novo projeto, a composição de origem iraniana sustenta quase cinco minutos de gritos, vocais sobrepostos e batidas tribais, reforçando o caráter ritualístico do SEXWITCH.

Sexwitch (2015) será lançado no dia 25/09 pelos selos Echo/BMG.

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SEXWITCH – Helelyos

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