Tag Archives: Alternative

Disco: “Faith in Strangers”, Andy Stott

Andy Stott
Experimental/Electronic/Techno
https://soundcloud.com/modernlove/

Por: Cleber Facchi

A simples incorporação de vocais e novas estruturas melódicas durante o lançamento de Numb, em setembro de 2012, serviu como alerta para a mudança de direção no trabalho de Andy Stott. Em um intervalo de poucos meses, o produtor britânico havia abandonado a estrutura rústica incorporada em Passed Me By e We Stay Together, ambos de 2011, para mergulhar em um som reconfigurado, leve, princípio para os conceitos que seriam ampliados com a chegada de Luxury Problems, do mesmo ano. Ao apresentar Violence, há poucos meses, Stott – mais uma vez -, parecia anunciar uma nova direção.

Inicialmente branda, a faixa segue com as experiências lançadas no registro anterior, entretanto, basta que Alison Skidmore – colaboradora desde o álbum de 2012 – apareça para que toda a estrutura assinada pelo produtor desmorone. Enquanto regressa ao espaço autoral tecidos nos EPs de 2011, todo um novo jogo de referências confortam a canção, reforçando um palco de pequenas novidades. Ruídos metálicos, vozes sombrias e isolamento. Uma fração dos temas ampliados em essência com Faith in Strangers (2014, Modern Love).

Talvez reflexo de recentes inventos do artista, com o segundo registro oficial, Stott busca se esquivar da produção de um conteúdo homogêneo. Grande parte das experiências ampliadas pelo registro nascem como uma natural extensão do som entregue há poucos meses pelo Millie & Andrea, projeto paralelo dividido com Miles Whittaker, do selo Modern Love. Perceba a maior flexibilidade dos temas em Demage, uma representação do lado “comercial” do britânico.

Como explícito no interior de Science And Industry e demais faixas cortadas pela voz de Skidmore, em Faith in Strangers, pela primeira vez, Andy Stott ressalta a “mensagem” e não apenas o “som”. Mais do que levantar imensos paredões ambientais, como em Luxury Problems, com o presente álbum pequenas desilusões sentimentais são condensada no interior dos versos, completos pela rústica interferência de ruídos eletrônicos que parecem vindos de algum lugar no começo dos anos 1990. Continue reading

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Jamie XX, Four Tet, Koreless e John Talabot: “Continuum”

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Embora parceiros esporádicos há bastante tempo Jamie XX, Four Tet, Koreless e John Talabot nunca estiveram envolvidos em um mesmo projeto colaborativos. Pelo menos até agora. Parceira do baterista e principal produtor do The XX durante o clipe de Sleep Sound, Sofi Mattioli e a colaboradora Rebecca Salvadori acabam de apresentar um novo curta-metragem chamado Continuum. Para a trilha sonora do vídeo de quase nove minutos – assista via Nowness -, Sofi convidou o quarteto de produtores.

Originalmente, todo o extenso material se divide em quatro composições distintas. Sunrise de Jamie XX, Dew do veterano Kieran Hebden, Horizon de Koreless e Aim do espanhol Talabot. No site Stereogum você pode baixar cada uma das versões isoladas das faixas. Abaixo, a edição completa do material, também disponível para download.

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Jamie XX, Four Tet, Koreless e John Talabot – Continuum

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Disco: “Roupa Linda, Figura Fantasmagórica”, Séculos Apaixonados

Séculos Apaixonados
Indie/Lo-Fi/Experimental
https://soundcloud.com/seculos-apaixonados

Por: Cleber Facchi

Banda Séculos Apaixonados, a banda mais romântica do Rio“. Os versos que cortam o interior da faixa Um Totem do Amor Impossível são a base para o trabalho da carioca Séculos Apaixonados. Narrados por uma voz empostada, como um fragmento extraído de alguma rádio romântica da década de 1980, a cômica apresentação funciona como passagem para o refúgio caricato explorado pelo quinteto ao longo de todo o primeiro álbum de estúdio, o empoeirado Roupa Linda, Figura Fantasmagórica (2014, Balaclava).

Solos de saxofone facilmente encontrados nos primeiros discos do Kid Abelha, vocais indecifráveis e um estranho clima sensual que curiosamente prende o ouvinte. Ainda que seja impossível mergulhar e absorver cada fragmento lírico exaltado por Gabriel Guerra (ex-Dorgas; voz e guitarra), toda a estrutura montada pelos parceiros Lucas de Paiva (Pessoas que eu conheço; teclado e saxofone), Felipe Vellozo (ex-Mahmundi; baixo), Arthur Braganti (Letuce; Teclado e Voz) e João Pessanha (Baleia; bateria) encanta sem dificuldades. Como o estranho hábito de reviver o sofrimento de qualquer cantor romântico em busca da própria libertação sentimental, a estreia do coletivo é uma obra tomada por confissões tão particulares, quanto próprias do ouvinte.

Rima brega em Punhos Da Perseverança (“Abra os braços / feche os portões / esculacho aceito / mas conversa não“), Peixe Peixão e sua tragicômica carta de amor(“…eu ainda sou o suplente de seu afeto“), o desespero instalado em Só no Masoquismo (“Eu sou um trem atrás de você”). Quando disse buscar inspiração em Waldick Soriano e outros nomes do romantismo brega, Gabriel Guerra não poderia ter sido mais honesto. Todavia, longe adaptar estes mesmos conceitos do “gênero”, como Pélico em Que Isso Fique Entre Nós (2011) e outros românticos recentes, todos os esforços da banda estão em sugar e copiar referências, transportando com acerto o ouvinte para alguma transmissão de rádio perdida há três décadas.

Mesmo que a semelhança com o último trabalho do Dorgas também seja inevitável, considerar as oito canções do álbum como um (novo) experimento isolado de Gabriel Guerra seria um erro. Pela forma como Ralenti as batidas do coração entrega os sintetizadores e todo o acervo da temas nostálgicos espalhados pela obra, muito do que direciona o movimento disco parece fruto dos ensaios de Lucas de Paiva com o Mahmundi. De fato, grande parte do registro sobrevive das mesmas ambientações empoeiradas da década de 1980 antes testadas em Efeito das Cores, de 2012. Contudo, enquanto ao lado de Marcela Vale o músico buscava refúgio no pop caricato da época, em RLFF é o clima soturno que invade teclados e até mesmo o saxofone melancólico incorporados a cada nova faixa.   Continue reading

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A$AP Ferg: “Talk It” (Prod. Clams Casino)

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A interpretação positiva de público e crítica em relação ao debut Trap Lord (2013) serviu para aproximar A$AP Ferg de uma série de novos colaboradores. Do encontro bem sucedido com as meninas do HAIM – na nova versão lançada para My Song 5 -, passando pela eletrônica densa (e perturbada) de Voices in My Head - no último álbum do SBTRKT -, quem acompanhou o trabalho do rapper nos últimos meses não teve do que reclamar.

Com o lançamento de Ferg Forever (2014), nova mixtape do artista nova-iorquino e sucessora da ótima Lords Never Worry (2012) – ainda com o A$AP MOB -, as parcerias de Ferg são reforçadas mais uma vez. Convidado para produzir a música, Clams Casino espalha sintetizadores lentos, batidas comportadas e toda uma atmosfera distinta quando comparada dentro da série Instrumental Mixtape. Ferg Forever conta com estreia agendada para o dia 28 de novembro, durante a Black Friday.

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A$AP Ferg – Talk It (Prod. Clams Casino)

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Hannah Diamond: “Every Night”

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De todos os (estranhos) artistas que abastecem o selo PC Music, Hannah Diamond talvez seja a única capaz de produzir um som minimamente comercial. Responsável pela construção de uma das melhores faixas lançadas em 2014, Attachment, a produtora britânica segue em busca de uma particular interpretação do pop, abandonando temporariamente os temas melancólicos ressaltados na última criação para abraçar um conceito “dançante” no novo single.

Vocal robótico, sintetizadores plásticos e batidas dinâmicas: seja bem vindo ao ambiente eletrônico de Every Night. Entre variações do mesmo trabalho apresentado anteriormente pelos parceiros Lipgloss Twins e QT, Diamond mais uma vez tropeça no pop caricato dos anos 1990, adaptando os principais clichês, acertos e exageros da época ao próprio material. Um som estranho, porém, grudento.

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Hannah Diamond – Every Night

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Will Butler: “Take My Side”

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Com o encerramento da turnê de Reflektor (2013), último álbum do Arcade Fire, os integrantes do grupo canadense devem aproveitar o tempo livre para investir nos próprios projetos. Em se tratando de Will Butler, irmão caçula do vocalista Win, mesmo em um ambiente particular, a relação com o coletivo está longe de ser rompida. Em Take My Side, faixa de apresentação do primeiro trabalho solo do músico, Policy (2015), o diálogo com o último invento do grupo de Montreal é bastante nítido.

Guitarras sujas, voz acelerada e versos simples. Em pouco mais de três minutos todos os elementos reforçados em Normal Person, You Already Know e outas faixas rápidas de Reflektor são prontamente recuperados. Arranjos orquestrais? Baroque Pop? Por enquanto, o interesse de Butler é outro. Com distribuição pelo selo Marge Records, Policy conta com lançamento previsto para o dia 10 de março do próximo ano.

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Will Butler – Take My Side

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Disco: “Seeds”, TV On The Radio

TV On The Radio
Indie Rock/Alternative
http://www.tvontheradioband.com/

Por: Cleber Facchi

Passado o lançamento de Dear Science, seguido do hiato breve que silenciou a banda em 2009, não é difícil imaginar que grande questionamento perturbava os integrantes do TV On The Radio: “para onde vamos agora?”. Em uma sequência crescente de obras cada vez mais complexas e ainda acessíveis ao público, o grupo nova-iorquino parecia ter alcançado o último estágio do exercício iniciado no debut Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (2002), explorando toda e qualquer lacuna criativa dentro do próprio trabalho.

Mesmo sem uma direção definida e hoje sobrevivendo da constante reciclagem dos próprios conceitos, em Seeds (2014, Harvest) a banda mostra que está longe de parecer acomodada. A julgar pelas batidas rápidas e ritmo frenético imposto em grande parte das canções, é possível afirmar que o grupo corre desperto, sem tempo para descanso. O destino ainda parece incerto, mas o material apresentado ao longo do percurso agrada com naturalidade.

Em uma manobra sutil, o quarteto resume no próprio título da obra – em português, “sementes” – o explícito desejo de renovação. Semeando novas referências e preparando o terreno para os futuros lançamentos, cada música apresentado no decorrer do disco se transforma em um nítido ato de experimento. Não por acaso, Seeds é o disco em que a banda mais se afasta do som consolidado em Return to Cookie Mountain (2006) e estendido até Nine Types of Light (2011), último trabalho antes da morte de Gerard Smith, baixista do grupo.

Com experimental Quartz instalada na abertura do disco, uma estranha sensação de conforto invade a mente do ouvinte. Mais uma vez somos convidados a explorar o ambiente particular do TV On The Radio. Mesmo que tal percepção seja mantida no decorrer do registro, ao atravessar os arranjos sorumbáticos de Careful You – um híbrido de Will Do e You, do álbum anterior – e bater nas guitarras de Could You, a direção do coletivo muda bruscamente. Continue reading

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Chromatics: “White Light”

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Quem segue o perfil Johnny Jewel no Soundcloud foi agraciado nas últimas semanas. Grande responsável pelo trabalho de bandas como Chromatics, Glass Candy e demais projetos relacionados ao selo Italians Do It Better, Jewel começou a publicar uma série de canções resgatadas do próprio acervo. Entre edições alternativas para músicas já conhecidas e até versões para o trabalho de outros artistas – vide o cover de Blue Moon -, são as canções inéditas que realmente despertam a atenção do público.

Além de The Last Dance, música assinada individualmente e publicada por Jewell há poucos dias, chega a hora de conhecer uma canção inédita do Chromatics: White Light. Naturalmente sutil, a econômica composição invade aos poucos o mesmo ambiente de Kill For Love (2012), último registro em estúdio do coletivo. Para ouvir os demais lançamentos de Jewell, basta uma visita ao soundcloud do músico.


Chromatics – White Light

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Hamilton Leithauser: “Room For Forgiveness”

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As boas melodias exploradas por Hamilton Leithauser em Black Hours (2014) funcionam como passagem para uma nova fase do cantor. Em uma extensão simples do material entregue no interior do primeiro registro solo, o músico apresenta agora a versão completa de Room For Forgiveness. Inédito, o single involuntariamente assume duas funções. A primeira delas, o reforço aos temas incorporados no recente debut do norte-americano; a segunda, o inevitável regresso e diálogo com o último trabalho ao lado dos parceiros do The Walkmen, Heaven (2012).

Letra acessível, vocais em coro e uma atmosfera simplesmente acolhedora. Em meio a arranjos nostálgicos e harmonias que visitam a década de 1960 – base para a obra final do The Walkmen -, Leithauser explora com acerto os limites da própria voz, tropeçando vez ou outra em elementos tão próprios, quanto íntimos de bandas como The Decemberists e The Shins no começo dos anos 2000.

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Hamilton Leithauser – Room For Forgiveness

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SZA: “Sobriety

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Mesmo que Solana Rowe tenha explorado uma sonoridade menos complexa ao longo do primeiro álbum de estúdio como SZA, Z (2014), encarar o trabalho da artista norte-americana como “comercial” seria um erro. Pelo menos até agora. Passados alguns meses desde o lançamento do disco pelo mesmo selo de Kendrick Lamar e Schoolboy Q, o Top Dawg Entertainment, Rowe está de volta com a inédita Sobriety, uma de suas composições mais sensíveis e, pela primeira vez, talvez próxima de alcançar o grande público.

Cercada por um assertivo time de produtores, incluindo Stephen Bruner (Thundercat), responsável pelas linhas de baixo e toda a ambientação nostálgica da faixa, Rowe cresce com naturalidade. Em um universo que poderia ser de Beyoncé no álbum 4 (2011), ou mesmo Portishead no clássico Dummy (1994), SZA espalha confissões, testa os limites da própria voz e ainda seduz com facilidade o ouvinte, hipnotizado até os últimos segundos da faixa.

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SZA – Sobriety

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