Tag Archives: Alternative

Resenha: “Sketches From An Island 2”, Mark Barrott

Artista: Mark Barrott
Gênero: Ambient, Balearic Beat, Electronic
Acesse: http://sketchesfromanisland.com/

 

Mark Barrott passou grande parte da década de 1990 e começo dos anos 2000 explorando a música eletrônica de forma sempre atmosférica, levemente experimental, estímulo para grande parte da discografia produzida sob o título de Future Loop Foundation. Também responsável pelo selo International Feel — casa de produtores como CFCF e José Padilla —, no início da presente década o produtor de origem inglesa partiu em busca de novas sonoridades, encontrando na essência litorânea da música produzida em  Ibiza a base para a série Sketches from an Island.

Cantos de pássaros, sons extraídos de fenômenos naturais, sintetizadores, ruídos eletrônicos, guitarras sempre contidas e climáticas, além do uso descompromissado de temas psicodélicos. Dois anos após o lançamento do primeiro “capítulo” da série de obras, Barrott regressa ao mesmo ambiente ensolarado que surge impresso na capa de cada registro para apresentar ao público o inédito Sketches from an Island 2 (2016, Internacional Feel).

Movido pelo uso de temas lisérgico-tropicais, Barrott faz do presente álbum uma coleção de ideias marcadas pela completa delicadeza dos arranjos. Logo na abertura do disco, Brunch With Suki, composição que vai do reggae à música disco em um exercício de puro descompromisso, como a trilha sonora para um fim de tarde à beira mar. Batidas e colagens tímidas, precisas, um aquecimento para o som deliciosamente acolhedor que marca a canção seguinte Over At Dieter’s Place.

Longe de parecer confortado em uma preguiçosa zona de conforto, reciclando conceitos anteriormente explorados no primeiro registro da série, Barrot aproveita do álbum para buscar por novas sonoridades e temas eletrônicos. Quarta faixa do disco, Winter Sunset Sky talvez seja a melhor representação desse resultado. Ao mesmo tempo em que dialoga com toda a sequência de composições do disco, a música de quase seis minutos cria uma delicada passagem para o final dos anos 1980, efeito do enquadramento nostálgico dos sintetizadores. Continue reading

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Of Montreal: “My Fair Lady”

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Há tempos Kevin Barnes não apresentava uma composição tão pegajosa quanto It’s Different For Girls. Entregue ao público no começo de junho, a faixa que fala sobre as diferentes formas de opressão sofridas pelas mulheres cresce em umas espiral de sons psicodélico-tropicais, como um novo respiro criativo dentro da extensa carreira da banda. A canção, posteriormente transformada em clipe, anuncia a chegada de um novo álbum de inéditas do grupo norte-americano: Innocence Reaches (2016).

Com 12 canções inéditas, o trabalho inspirado em artistas como Jack Ü, Chairlift e Arca acaba de ter mais uma de suas faixas liberadas, a psicodélica My Fair Lady. Assim como a música que a antecede, a nova criação de Barnes parece crescer lentamente, sem pressa, alavancando o uso de sintetizadores, batidas, guitarras e vozes que explodem nos instantes finais da faixa, revelando um som tão colorido quanto em clássicos como Satanic Panic in the Attic (2004) e Skeletal Lamping (2008).

Innocence Reaches (2016) será lançado no dia 12/08 pelo selo Polyvinyl.

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Of Montreal – My Fair Lady

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Hamilton Leithauser & Rostam: “A 1000 Times”

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Em 2013, quando deu início ao processo de gravação do primeiro álbum em carreira solo, Black Hours (2014), Hamilton Leithauser, também integrante do The Walkmen, decidiu convidar Rostam Batmanglij, na época integrante do Vampire Weekend, para a produção do trabalho. O resultado está na construção de faixas essencialmente melódicas, íntimas do pop explorado entre os anos 1960 e 1970, base da recém lançada A 1000 Times, mais recente composição da dupla.

Diferente do trabalho apresentado Alexandra, antiga colaboração entre os músicos, a nova faixa parece crescer lentamente, esbarrando em conceitos típicos do Vampire Weekend. Da batida seca que se espalha ao fundo da composição, passando pelo uso dos sintetizadores íntimos de toda a série de canções recentes de Batmanglij, todos os elementos se agrupam de forma a dialogar com o trabalho do grupo nova-iorquino, se abrindo para a melancólica interferência vocal de Leithauser.

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Hamilton Leithauser & Rostam – A 1000 Times

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Poolside: “And The Sea”

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Com o verão tomando conta de todo o Hemisfério Norte, Filip Nikolic e Jeff Paradise não poderiam deixar de presentear o público do Poolside com uma canção inédita. Entregue poucos meses após o lançamento da ótima Contact High (2016), mais recente mixtape produzida pela dupla californiana, a nova faixa revela ao público o que existe de melhor no trabalho dos dois produtores, flutuando em meio a vozes etéreas e batidas deliciosamente dançantes.

Típica composição do Poolside, a canção de quase cinco minutos de duração parece estabelecer uma ponte para o primeiro registro em estúdio da dupla, o ótimo Pacific Standard Time (2012), efeito das guitarras econômicas e ambientações etéreas que crescem ao fundo da canção. A própria capa do presente single (imagem acima) parece pensada como um fragmento da ilustração pensada para apresentar o trabalho lançado há quatro anos.

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Poolside – And The Sea

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Resenha: “Ó”, Juliana Perdigão

Artista: Juliana Perdigão
Gênero: Nacional, MPB, Rock
Acesse: https://www.facebook.com/perdigaoju/

 

Juliana Perdigão passou os últimos cinco anos pulando de um trabalho para outro. Em meio ao processo de divulgação do primeiro registro em estúdio, Álbum Desconhecido, obra entregue ao público em 2011, a cantora e compositora mineira criou pequenas brechas criativas, colaborando com diferentes nomes da música brasileira, caso de Maurilio Nunes, em Choro Doce (2013), Matheus Brant no recente Assume Que Gosta (2016) e até na coletânea Mulheres de Péricles (2013), um disco/homenagem ao músico Péricles Cavalcanti que ainda contou com nomes como Céu e Mallu Magalhães.

Com a chegada de Ó (2016, YB), segundo álbum de estúdio de Perdigão e obra que conta com a produção de Romulo Fróes, a cantora revela ao público uma delicada extensão de toda a sequência de parcerias, experimentos e conceitos musicalmente explorados nos últimos anos. São 17 faixas em que a artista converte em música fragmentos de poemas cotidianos, apresenta versões para o trabalho de outros compositores e ainda finaliza uma série de canções inéditas.

Acompanhada de perto pelos integrantes da banda Os Kurva — coletivo formado por Chicão (piano e teclados), Moita (guitarra e baixo) João Antunes (baixo, guitarra e violão) e Pedro Gongom (bateria e percussão) —, Perdigão parece testar os próprios limites. O samba encontra o rock de forma sempre curiosa, ruídos controlados esbarram em melodias íntimas do pop, temas atmosféricos que se abrem para a precisa interferência vocal da artista, também responsável pela flauta transversal e clarinete que costura o disco.

Dentro de uma estrutura que se desprende do óbvio, a cantora parece seguir uma trilha distinta em relação ao trabalho de outras representantes da música nacional. A cada nova faixa, um exercício isolado, como se diferentes retalhos fossem agrupados no interior do registro. Se em instantes Perdigão mergulha em temas semi-esotéricos, caso de Mãe da Lua, música que parece feita para o Secos e Molhados, no minuto seguinte, a cantora inverte a ordem do próprio trabalho, revelando canções marcadas pelo cenário urbano, caso da bem-sucedida adaptação de Pierrô Lunático. Continue reading

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Wild Beasts: “Celestial Creatures”

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A busca por um som cada vez mais dançante parece indicar a sonoridade assumida pelos integrantes do Wild Beasts dentro do quinto registro de inéditas da banda, Boy King (2016). Como indicado durante o lançamento de Get My Bang, em meados de maio, parte dos elementos e experimentos instrumentais testados nos antecessores Smother (2011) e Present Tense (2014) assumem um novo enquadramento, mudança também explícita na curiosa Big Cat e dentro da recém-lançada Celestial Creatures.

Enquanto as batidas indicam a busca por um som semi-tribal, vozes e sintetizadores minimalistas transportam o quarteto diretamente para os anos 1980, esbarrando com naturalidade na obra de artistas como David Bowie e, principalmente, Prince. Ao fundo da canção, um delicado catálogo de ruídos atmosféricos, colagens eletrônicas e guitarras sempre contidas, como se a banda ocupasse todas as brechas da canção com extrema delicadeza.

Boy King (2016) será lançado no dia 05/08 pelo selo Domino.

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Wild Beasts – Celestial Creatures

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Ablebody: “Backseat Heart” (VÍDEO)

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Mais conhecido pelo trabalho com guitarrista das bandas The Pains of Being Pure At Heart e The Depreciation Guild, o músico Christoph Hochheim decidiu em 2014 dar vida a um novo projeto autoral. Trata-se do Ablebody, um duo de Indie Pop assumido em parceria com o próprio irmão do cantor, colaborador em uma rápida sequência de faixas lançadas em 2013, dentro de All My Everbody EP, além do single After Hours, de 2014.

Passado um longo período de produção, a dupla está de volta com a nostálgica Backseat Heart, música que parece ter saído de algum estúdio no começo dos anos 1980. Longe de parecer um registro isolado, a canção de versos e melodias descomplicadas, íntima de artistas como Ducktails e Ariel Pink, foi a escolhida para anunciar o primeiro álbum de estúdio da banda, Adult Contemporaries (2016), um registro de dez composições inéditas.

Adult Contemporaries (2016) será lançado no dia 14/10 pelo selo Lolipop Records.

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Ablebody – Backseat Heart

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The Pooches: “Mulligan”

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The Pooches é uma quarteto de Indie Pop original da cidade de Glasgow, na Escócia. Inicialmente pensado como um projeto solo do cantor e compositor Jimmy Hindle, a banda criada em 2013 acabou crescendo nos últimos meses, encontrando no uso de melodias aprazíveis a base para o EP Heart Attack, lançado em janeiro deste ano. Quatro composições essencialmente acolhedoras que acabam servindo de base para a mais recente criação do grupo: Mulligan.

Em um meio termo entre os versos irônico do Belle and Sebastian e o som descomplicado de artistas como The Beatles, a nova faixa indica o caminho que deve ser explorado pela banda dentro do primeiro registro de inéditas. Uma obra homônima em que Hindle e os demais integrantes do projeto decidiram apresentar ao público os próprios sentimentos, histórias de amor e pequenos fracassos típicos de qualquer adulto.

The Pooches (2016) será lançado no dia 09/09 pelo selo Lame-O Records.

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The Pooches – Mulligan

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Resenha: “Vida Que Segue”, Não Ao Futebol Moderno

Artista: Não Ao Futebol Moderno
Gênero: Indie Rock, Alternative, Dream Pop
Acesse: https://umbadubarecords.bandcamp.com/

Foto: Tuany Areze

Dois anos após o lançamento do EP Onde Anda Chico Flores? (2014), obra que apresentou ao público o trabalho da Não Ao Futebol Moderno, pouco parece ter sobrevivido da essência triste que marca a sequência de seis canções produzidas pela banda gaúcha. Em Vida Que Segue (2016, Umbaduba), primeiro álbum de estúdio do coletivo de Porto Alegre, guitarras empoeiradas flutuam em meio a versos marcadas por relacionamentos tediosos, fracassos, personagens e conflitos típicos de jovens adultos.

Como indicado durante o lançamento de Cansado de Trampar, faixa escolhida para anunciar o novo disco, todos os elementos do trabalho parecem pensados de forma a emular um som parcialmente nostálgico. Se há dois anos o quarteto – formado por Felipe, Kílary, Pedro e Marco – apontava para clássicos do real emo – como a estreia do American Football e EndSerenading (1998), do Mineral –, hoje, a proposta é outra. Temas que resgatam o Jangle Pop/Pós-Punk dos anos 1980, porém, mantém firme o diálogo com o presente cenário, explorando a obra de Mac DeMarco, Real Estate e outros nomes fortes da cena norte-americana.

Um bom exemplo disso está em Janeiro. Sétima faixa do disco, a canção de guitarras e vozes arrastadas delicadamente parece confortar o ouvinte, transportado para o mesmo universo de obras recentes como Salad Days e Atlas – ambos lançados em 2014. “Olhar pra cama e ver você me faz enlouquecer / Viajar pra dentro de você / Para te conhecer melhor”, sussurra a letra enquanto a base “litorânea” da composição se espalha sem pressa, proposta também incorporada em Laços de Família.

Claro que a “mudança de direção” por parte da banda em nenhum momento interfere na construção de pequenos atos criativos que apontam para o registro apresentado há dois anos. Basta se concentrar na quinta faixa do disco, a dolorosa Saia. Enquanto os versos sufocam pela temática existencialista – “Eu sei que o que eu vou fazer vocês já fizeram antes de eu nascer / Eu só quero tentar” –, musicalmente a canção parece romper com a trilha psicodélica que inaugura o álbum, apontando de maneira explícita para o rock alternativo do final dos anos 1990. Continue reading

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