Tag Archives: Alternative

Blue Hawaii: “Agor Edits Mixtape”

.

Raphaelle Standell não teve tempo para descanso nos últimos meses. Em turnê para a divulgação do álbum Flourish // Perish (2013), segundo registro em estúdio ao lado dos parceiros do Braids, a musicista canadense percorreu grande parte da América do Norte e Europa, reservando o (precioso) tempo livre para se aproximar de outros projetos, vide a delicada parceria com o produtor britânico Jon Hopkins em Form By Firelight. Mas e o trabalho com o Blue Hawaii?

Com o inevitável distanciamento de Standell, passada a divulgação do debut Untogether (2013), todos os esforços do projeto acabaram nas mãos de Alex “Agor” Cowan, essência da recém-lançada mixtape Agor Edits (2014). Em meio a pequenas adaptações de músicas lançadas pelo casal desde o começo da parceria, em 2010, Cowan aos  poucos ultrapassa a zona de conforto do Blue Hawaii, reforçando as bases eletrônicas para incorporar elementos do Hip-Hop e Balearic Beat.

Disponível para download gratuito, o material ainda conta com All Of My Heart, composição inédita da dupla.

.

Blue Hawaii – Agor Edits Mixtape

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Jonny Greenwood, Gaz Coombes & Dany Goffey: “Spooks” (Feat. Joanna Newsom)

.

Em entrevista recente ao site Dazed Digital, Joanna Newsom afirmou que vem trabalhando em um novo projeto de estúdio, o primeiro desde a chegada de Have One on Me, de 2010. Parte da influência para o “registro” vem da própria participação da cantora no recente filme de Paul Thomas AndersonInherent Vice (2014), trabalho onde desempenha o papel de narradora da película e se diz tocada pelo constante uso da expressão “violação dos direitos civis”, talvez mote para um novo registro da artista – previsto para o próximo ano.

Enquanto nenhuma informação concreta sobre o trabalho foi liberada, pelo menos é possível se contentar com a passagem da artista em Spooks, uma das canções que integram a trilha sonora de Inherent Vice e faixa dividida entre Jonny Greenwood, Gaz Coombes (Supergress) e Dany Goffey. Segundo informações do próprio Greenwood, esta é a primeira composição do Radiohead desde o lançamento de The King Of Limbs, em 2011, porém, acabou abandonada pelos próprios parceiros de banda, Colin Greenwood, Ed O’Brien, Philip Selway e Thom York, responsáveis pela versão original da música. (Via Stereogum)

.

Jonny Greenwood, Gaz Coombes & Dany Goffey – Spooks (Feat. Joanna Newsom)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , ,

Twin Shadow: “Turn Me Up”

.

George Lewis Jr. passou o ano de 2014 apresentando uma série de composições avulsas – como To The Top -, versões para o trabalho de grandes artistas – de Bruce Springsteen a U2 -, além de faixas assinadas em parceria com outros produtores – caso de Lost You, com a dupla Zeds Dead. Entretanto, quem esperava por novo álbum de estúdio do cantor norte-americano não teve o desejo realizado. Até agora. Como uma pequena mostra do material que deve aparecer em 2015, Jr. revela ao público a inédita Turn Me Up, uma espécie de extensão (ou sequência) do som incorporado até o último trabalho do músico, Confess (2012).

Em direção aos R&B dos anos 1990, Twin Shadow perfuma todo o ambiente da canção com uma dose extra de melancolia e romantismo exagerado, esbarrando involuntariamente em um material similar ao encontrado no último disco de Drake ou mesmo nos primeiros trabalhos de The Weeknd. Agora protegido pelo selo Warner Bros., Lewis deve apresentar o novo disco ainda no primeiro semestre de 2015, reservando algumas novidades ao longo da recém-anunciada turnê pelos Estados Unidos.

AtualizaçãoTurn Me Up é parte do terceiro álbum solo de Twin Shadow, Eclipse (2015), trabalho que será lançado no dia 17 de março do próximo ano. Abaixo, além da canção, você encontra o clipe dirigido por Alex Turvey.

.

Twin Shadow – Turn Me Up

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

JMSN: “JMSN (The Blue Album)”

.

Interessado no uso de arranjos instrumentais complexos e bases eletrônicas minimalistas, Christian Berishaj parece incorporar uma sonoridade diferente com o lançamento do novo álbum à frente do JMSN. Apelidado “The Blue Album”, o trabalho expande lentamente não apenas a estrutura musical de todas as 14 canções presentes no registros, mas principalmente a voz do artista, tão próximo de Justin Timberlake no ótimo The 20/20 Experience (2012), como ambientado aos primeiros anos em estúdio e faixas densas como The One.

Além da pop Addicted, apresentada há poucos dias, JMSN reserva uma sequência de faixas tão comerciais quanto complexas, caso de Need U, Street Sweaper e demais composições orientadas pela melancolia do compositor. Com lançamento físico pelo selo n WhiteRoom, por onde Berishaj apresentou os últimos trabalhos, “The Blue Album” pode ser apreciado na íntegra no player logo abaixo

.


JMSN – JMSN (The Blue Album)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

California X: “Red Planet”

.

Poucos artistas replicam com tamanho acerto (e certa dose de originalidade) o mesmo rock sujo lançado ao final dos anos 1980 quanto a banda California X. Responsável por um dos trabalhos mais intensos e divertidos de 2013, o grupo de Amherst, Massachusetts reserva para o começo do próximo ano a chegada de mais um novo álbum de estúdio: Nights In The Dark (2015). Ainda habitantes do mesmo cenário desenvolvido para o registro de estreia, o quarteto sustenta na recém-lançada Red Planet um aperitivo saboroso do material que chega completo no próximo mês.

Acelerada, a faixa de três minutos logo invade o território de Bob Mould, mergulha em arranjos típicos do Dinosaur Jr e ainda flerta com uma série de artistas veteranos sem necessariamente escapar do ambiente bêbado projetado pela banda. Riffs sujos, ruídos e vozes berradas: uma boa síntese do trabalho apresentado há poucos meses. Com lançamento previsto para o dia 13 de janeiro, Nights In The Dark conta com distribuição pelo selo Don Giovanni.

.

California X – Red Planet

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Disco: “Quarup”, Lupe de Lupe

Lupe de Lupe
Alternative Rock/Indie Rock/Shoegaze
http://lupedelupe.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Quarup (2014, Independente) é uma obra imensa. São 21 canções inéditas e estruturalmente sujas, quase artesanais. Fragmentos divididos em atos curtos de dois ou três minutos – PKA Prefácio, Minha Cidade Em Ruínas -, até blocos extensos de ruídos densos, longas formações distorcidas capazes de ultrapassar os dez minutos de duração – Jurupari, Carnaval. Todavia, não são os 110 minutos do (ambicioso) registro que fazem dele a peça mais grandiosa já projetada pela mineira Lupe de Lupe. Em um cenário torto, “podre” e caótico, talvez o mesmo Reino de Minas Gerais desconstruído em Sal Grosso (2012), o quarteto lentamente expande os limites do próprio universo, desenvolvendo um dos retratos mais honestos da música (e sociedade) brasileira recente.

Longe do romantismo melancólico que corrompe grande parte do rock nacional, cada segundo do álbum (duplo) ultrapassa os limites acolhedores do eu lírico de forma a explorar um cenário arquitetado em torno dos indivíduo – sejam eles personagens reais ou fictícios. Da declaração partidária/ideológico em O Futuro É Feminino (“Meu coração é brasileiro/ Pois o futuro é feminino/ Minha presidente é uma mulher“), ao descritivo ambiente desbravado no interior de Carnaval, Quarup é uma obra que se esquiva da comodidade óbvia do “amor” e “dor”, reforçando no uso de temas sociais um exercício provocativo, temperado pela crueza.

Ainda que esse mesmo conceito seja evidente desde o primeiro trabalho da banda, o curto Recreio, de 2011, parte substancial das composições nascem como fruto de uma transformação recente do quarteto. Desde o lançamento de Distância EP, no último ano, faixas como Os Dias Morrem e Areia Suja parecem reforçar o lado “crítico” da banda, hoje ampliado em canções amargas como Você é Fraco e Eu Já Venci – esta última, uma das melhores e, talvez, mais acessíveis faixas da Lupe de Lupe.

De fato, grande parte do conteúdo entregue no decorrer do presente registro cresce como uma extensão inteligente dos conceitos apresentados no último ano pelo grupo, postura evidente não apenas no discurso “social” imposto em boa parte das canções, mas principalmente no aspecto caótico que guia os sentimentos de cada um dos vocalistas – Renan Benini, Gustavo Scholz e Vitor Brauer, este último, também produtor do disco.

Mesmo nos instantes de maior delicadeza (Gaúcha) e humor (Esse Topper Foi Feito Para Andar), há sempre um tempero extra de desespero, condimento que aos poucos sufoca e perturba a mente do ouvinte – arremessado em todas as direções. Como uma bomba relógio, tensa, Quarup amarra desilusões, cacos aleatórios de um coração partido e fragmentos vindos de diversos relacionamentos fracassados. Um agregado de experiências amargas, base para faixas curtas como Moreninha (RJ) (“Por que tanta mágoa assim nesse mundo que é só seu?“) ou mesmo peças extensas aos moldes de Querubim (“Houve um tempo/ Em que o céu era azul pra mim também“). Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

JMSN: “Addicted”

.

Quem acompanha o trabalho do cantor/produtor Christian Berishaj sabe que nunca houve um limite específico dentro da obra do artista – pelo menos não à frente do JMSN. Ainda que o R&B seja a principal base para o trabalho do músico de Detroit residente em Los Angeles, cada novo lançamento – álbum ou mesmo EP – aproxima o ouvinte de um novo universo de tenências líricas, sonoras e principalmente visuais, concepção explícita durante o lançamento do perturbador vídeo da faixa The One, em janeiro deste ano.

Curioso perceber em Addicted, mais novo lançamento do produtor, uma completa desconstrução dessa mesma concepção. Em um exercício melódico e acessível, Berishaj transforma os quase cinco minutos da faixa em uma detalhada colagem de beats rápidos e vozes abertas ao grande público, flertando abertamente com o pop. Como um encontro entre Justin Timberlake, S O H N e How To Dress Well, a nova música aponta a direção para o inédito registro homônimo que estreia no dia nove de dezembro pelo selo WhiteRoom.

.

JMSN – Addicted

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , ,

Disco: “Não Pare Pra Pensar”, Pato Fu

Pato Fu
Alternative/Pop/Electronic
http://patofu.com.br/

Por: Cleber Facchi

Vocais brandos, melodias encorpadas pela leveza e serenidade. Longe da euforia exposta no primeiro álbum de estúdio, Rotomusic de Liquidificapum (1993), com o lançamento do álbum Daqui Pro Futuro (2007), o Pato Fu parecia sustentar o ato final de um extenso processo de amadurecimento e filtragem dentro dos próprios conceitos. Não por acaso, passado a entrega do oitavo registro da carreira, todos os esforços da banda foram apontados para fora, em projetos paralelos – como os discos solo de Fernanda Takai e Ricardo Koctus -, um álbum de versões – Música de Brinquedo (2010) -, e até mesmo no diálogo de John Ulhoa com a produção de outros artistas. O evidente encerramento de uma jornada.

Em um exercício elétrico, como um reboot, ao pisar no território instável de Não Pare Pra Pensar (2014, Rotomusic), nono e mais recente álbum de inéditas do grupo mineiro, todo o “descontrole” incorporado na década de 1990 volta a movimentar o trabalho da banda. Colagens eletrônicas, guitarras insanas e a tradicional desconstrução do pop convencional. Ainda que a voz de Takai pareça tão macia e confortável quanto no debut solo Onde Brilhem os Olhos Seus (2009), em se tratando dos arranjos e temas a direção é outra.

Síntese perfeita de todo o material pensado para o disco, a inaugural Cego Para As Cores apresenta a “nova” direção assumida pelo reformulado quinteto – ex-baterista, Xande Tamietti agora dá lugar ao “novato” Glauco Nastacia. Enquanto as bases eletrônicas se aproximam das referências lançadas pós-Isopor (1999) – um som meio Trip-Hop, meio Drum’n’Bass -, a guitarras e baixo da música invadem o mesmo espaço de obras como Televisão de Cachorro (1998) e Gol de Quem? (1994). Intencional ou não, a ordem aqui é brincar com as possibilidades.

Feito um pequeno livro de recortes, há espaço para tudo, como se cada canção partisse de uma direção específica. Sertanejo em Eu Era Feliz, o rock dos anos 1970 em You Have To Outgrow Rock’n Roll, e até uma colisão de todos os elementos em Ninguém Mexe Com o Diabo, uma das melhores composições já assumidas pelo vocal de Ulhoa. A jugar pela constante quebra entre as faixas, não seria um erro encarar o presente disco como um irmão bastardo da sequência de obras lançadas pela banda há duas décadas. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , ,

Disco: “Faith in Strangers”, Andy Stott

Andy Stott
Experimental/Electronic/Techno
https://soundcloud.com/modernlove/

Por: Cleber Facchi

A simples incorporação de vocais e novas estruturas melódicas durante o lançamento de Numb, em setembro de 2012, serviu como alerta para a mudança de direção no trabalho de Andy Stott. Em um intervalo de poucos meses, o produtor britânico havia abandonado a estrutura rústica incorporada em Passed Me By e We Stay Together, ambos de 2011, para mergulhar em um som reconfigurado, leve, princípio para os conceitos que seriam ampliados com a chegada de Luxury Problems, do mesmo ano. Ao apresentar Violence, há poucos meses, Stott – mais uma vez -, parecia anunciar uma nova direção.

Inicialmente branda, a faixa segue com as experiências lançadas no registro anterior, entretanto, basta que Alison Skidmore – colaboradora desde o álbum de 2012 – apareça para que toda a estrutura assinada pelo produtor desmorone. Enquanto regressa ao espaço autoral tecidos nos EPs de 2011, todo um novo jogo de referências confortam a canção, reforçando um palco de pequenas novidades. Ruídos metálicos, vozes sombrias e isolamento. Uma fração dos temas ampliados em essência com Faith in Strangers (2014, Modern Love).

Talvez reflexo de recentes inventos do artista, com o segundo registro oficial, Stott busca se esquivar da produção de um conteúdo homogêneo. Grande parte das experiências ampliadas pelo registro nascem como uma natural extensão do som entregue há poucos meses pelo Millie & Andrea, projeto paralelo dividido com Miles Whittaker, do selo Modern Love. Perceba a maior flexibilidade dos temas em Demage, uma representação do lado “comercial” do britânico.

Como explícito no interior de Science And Industry e demais faixas cortadas pela voz de Skidmore, em Faith in Strangers, pela primeira vez, Andy Stott ressalta a “mensagem” e não apenas o “som”. Mais do que levantar imensos paredões ambientais, como em Luxury Problems, com o presente álbum pequenas desilusões sentimentais são condensada no interior dos versos, completos pela rústica interferência de ruídos eletrônicos que parecem vindos de algum lugar no começo dos anos 1990. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , ,

Jamie XX, Four Tet, Koreless e John Talabot: “Continuum”

.

Embora parceiros esporádicos há bastante tempo Jamie XX, Four Tet, Koreless e John Talabot nunca estiveram envolvidos em um mesmo projeto colaborativos. Pelo menos até agora. Parceira do baterista e principal produtor do The XX durante o clipe de Sleep Sound, Sofi Mattioli e a colaboradora Rebecca Salvadori acabam de apresentar um novo curta-metragem chamado Continuum. Para a trilha sonora do vídeo de quase nove minutos – assista via Nowness -, Sofi convidou o quarteto de produtores.

Originalmente, todo o extenso material se divide em quatro composições distintas. Sunrise de Jamie XX, Dew do veterano Kieran Hebden, Horizon de Koreless e Aim do espanhol Talabot. No site Stereogum você pode baixar cada uma das versões isoladas das faixas. Abaixo, a edição completa do material, também disponível para download.

.

Jamie XX, Four Tet, Koreless e John Talabot – Continuum

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , ,