Tag Archives: Alternative

Disco: “Trovões a Me Atingir”, Jair Naves

Jair Naves
Indie/Alternative/Brazilian
http://www.jairnaves.com.br/

Descrença, solidão, medo e morte; temas corriqueiros dentro do acervo poético de Jair Naves enquanto vocalista da extinta Ludovic, porém, um catálogo de experiências cada vez menos significativas no universo autoral que define a carreira solo do cantor. Se em 2006, quando apresentou o derradeiro Idioma Morto, Naves gritava a plenos pulmões, exaltando sentimentos e toda sua raiva em relação ao mês de janeiro – “o pior dos meses” -, curioso perceber no mesmo mês, data escolhida para o lançamento do segundo disco solo do músico, Trovões a Me Atingir (2015, Independente), uma completa oposição desse resultado.

Da capa iluminada aos arranjos suavizados, dos versos marcados pela esperança ao refrão vívido da faixa-título – “meu corpo volta a ter pulsação” -, difícil ignorar a transformação que define a presente obra do paulistano. Ainda que a melancolia tome conta de boa parte do trabalho, marca explícita nos instantes finais e respiros breves do registro, seria um erro não observar o conceito “sorridente” que sustenta a atual fase de Naves. As angústias e trovões – como indicado no título da obra -, ainda atingem o compositor, por todos os lados, entretanto o nítido senso de superação parece maior, raro quando voltamos os ouvidos para o contexto macambúzio do ainda recente E Você Se Sente Numa Cela Escura… (2012).

Diferente de outros registros individuais, ou mesmo da postura melancólica assumida desde a estreia com Servil (2004), quando atuava como vocalista/líder da Ludovic, durante todo o percurso, Naves se concentra na exaltação ao amor, crença e aspectos positivos da vida adulta. Doses amargas de sobriedade ainda são evidentes, contudo, ao buscar apoio em versos como “Minha solidão tem fim para mim, isso basta” e “Desejo assim eu nunca, nunca vi“, logo no começo do álbum, a direção assumida pelo artista passa a ser outra. Não seria um erro interpretar o novo trabalho de Naves como a obra mais esperançosa e feliz do cantor.

Tamanha alteração – lírica e principalmente instrumental – reforça um natural aspecto de renovação (ou ineditismo) quando comparado ao curto acervo do paulistano. Se em 2012 parecia fácil encaixar o primeiro registro solo de Naves em uma estrutura próxima ao trabalho de Joni Mitchell, The Walkmen e The Smiths, hoje, o senso de identidade e reforço criativo preenche toda a obra do músico. Ao lado de Renato Ribeiro (violão e guitarra), Thiago Babalu (bateria), Felipe Faraco (teclados) e Rafael Findans (baixo), Naves brinca com as possibilidades, conquistando um território musicalmente amplo, passagem livre para a interferência de convidados como Beto Mejía (Móveis Coloniais de Acaju), Camila Zamith (Sexy Fi) e Guizado. Continue reading

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Modest Mouse: “The Ground Walks, with Time in a Box”

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A expectativa em relação a Strangers To Ourselves (2015), novo trabalho do Modest Mouse, cresce e diminui a cada single inédito apresentado pelo grupo norte-americano. Em um exercício proposital – ou não -, Isaac Brock e colegas de banda se concentram na projeção de faixas tão melódicas e “cantaroláveis”, por vezes íntimas dos dois últimos álbuns de estúdio, como em peças arrastadas e musicalmente densas, evidência reforçada nos versos e temas “políticos” da extensa The Best Room.

Mudança brusca em relação ao último single da banda – talvez, correndo atrás do prejuízo -, com a chegada de The Ground Walks, With Time In A Box o coletivo de Issaquah, Washington entrega ao público seu exemplar menos complexo mais até “pop” do novo disco. Soando como uma possível “sobra” de We Were Dead Before the Ship Even Sank (2007), a composição de seis minutos equilibra boas guitarras e versos cantados/narrados por Brock, marca desde os projetos iniciais em estúdio.

Agendado para o dia 17 de março e distribuição pelo selo Epic, Strangers to Ourselves é primeiro trabalho de inéditas do grupo depois de um hiato de oito anos.

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Modest Mouse – The Ground Walks, with Time in a Box

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Cozinhando Discografias: Deerhunter

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Formado em meados de 2001 pelos amigos Bradford Cox e Moses Archuleta, e hoje completo com Lockett Pundt, Frankie Broyles e Josh McKay, o Deerhunter talvez seja o projeto mais representativo do Shoegaze/Dream Pop atual. Influenciada por veteranos como My Bloody Valentine, David Bowie, Sonic Youth e Stereolab, a banda de Atlanta, Geórgia acumula seis trabalhos de estúdio, entre eles, clássicos recentes como Microcastles (2008) e Halcyon Digest (2010). Continue reading

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Earl Sweatshirt: “Quest/Power” (Feat. Budgie & Samiyam)

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A ambientação soturna e versos pessimistas testados por Earl Sweatshirt no interior de Doris (2013) ainda servem de base para o trabalho do jovem rapper. Com algumas composições inéditas apresentadas desde o último ano, além dos boatos de que estaria com um novo registro em mãos, aos poucos o artista norte-americano e seus parceiros – do Odd Future ou além dele – continuam a explorar o mesmo universo obscuro reforçado há dois anos.

Em Quest/Power, mais recente e bem sucedido trabalho de Sweatshirt, o coro de vozes cíclico e ritmo quebrado das batidas dos produtores Budgie & Samiyam apresentam o ambiente perfeito para que as rimas do rapper resgatem a mesma estrutura lançada em 2013. Uma boa forma de passar o tempo antes que algum registro oficial seja de fato apresentado.

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Earl Sweatshirt – Quest/Power (Feat. Budgie & Samiyam)

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Disco: “Viet Cong”, Viet Cong

Viet Cong
Post-Punk/Art Rock/Indie Rock
http://vietcong.bandcamp.com/

Vozes parcialmente ocultas pela ambientação caseira das gravações; guitarras sujas, talvez extraídas de algum registro esquecido do pós-punk nova-iorquino. No interior das canções, o aproveitamento “matemático” das palavras, como se a sobreposição cacofônica dos versos servisse de estímulo para a tsunami de distorções que chega em ondas, corroendo a mente do ouvinte ao longo do registro. Descrição de alguma obra (clássica) do Swans, Suicide ou mesmo Sonic Youth no início de 1980? Não, apenas a estrutura caótica que alimenta o primeiro álbum de estúdio da banda canadense Viet Cong.

Nascido da separação do Women, em 2012, de onde vieram Matt Flegel (vocal/guitarra) e Mike Wallace (baterista), a banda completa por Soctt Munro (guitarra) e Daniel Christiansen (baixo) ecoa como natural surpresa mesmo para aqueles que acompanharam o trabalho do extinto coletivo de Calgary. Acomodado em um território (musical) amplo, tão íntimo da presente cena norte-americana como do rock sujo do final dos anos 1970, o quarteto brinca com as possibilidades em cada peça do autointitulado debut, transformando arranjos tão autorais em criações íntimas de gigantes do Art Rock.

Da estrutura lançada pelo grupo em “Cassette” EP, de 2014, todo um novo universo parece adaptado no decorrer do presente álbum. Se há um ano a fórmula “guitarra+baixo+bateria” parecia trabalhada em uma métrica simples, crua, como um passeio rápido pela cena punk de 1977, basta um mergulho na base “avant-garde” de Newspapper Spoons, faixa de abertura do disco, para perceber a ruptura e completa exposição de maturidade do quarteto canadense. Não apenas os instrumentos assumem um enquadramento reformulado, “adulto”, como vocais, versos e fórmulas instrumentais refletem maior refinamento.

Dentro desse jogo de pequenas adaptações e novos direcionamentos estéticos, Viet Cong (o disco) logo revela dois caminhos bem definidos. O primeiro se concentra no natural experimento da banda, uma possível continuação do mesmo ambiente desbravado por Flegel e Wallace nos anos finais do Women. Dos ruídos drone que imperam em March Of Progress ao detalhismo rústico da própria faixa de abertura, tudo flui como uma interpretação particular da obra de veteranos como This Heat, The Pop Group e outros nomes (quase) esquecidos do pós-punk inglês. Referências (ou adaptações) que em nada ocultam o caráter autoral do grupo. Continue reading

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Braids: “Miniskirt”

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Arranjos minimalistas, vozes comportadas e temas eletrônicos que parecem “esfarelar” na mente do ouvinte: se essa ainda é a sua interpretação sobre o trabalho da banda canadense Braids, talvez seja melhor pensar duas vezes. Longe do ambiente compacto explorado nos dois primeiros álbuns de estúdio, o grupo de Calgary, Canadá parece encarar o terceiro registro da carreira como uma obra de transformação, postura explícita nos quase cinco minutos de Miniskirt, primeira composição inédita do grupo desde o lançamento do ótimo Flourish // Perish, em 2012.

Primeiro exemplar do (ainda) inédito Deep In The Iris (2015), a nova composição talvez seja a melhor representação da essência musical do trio. Enquanto arranjos e batidas parecem dialogar com a obra de Aphex Twin, a voz de Raphaelle Standell-Preston assume um maior estágio de grandeza, esbarrando de forma natural no trabalho de Björk dentro de obras como Post (1995) e Homogenic (1997). Com previsão de lançamento para o dia 28 de Abril, o terceiro disco de inéditas do Braids conta com lançamento pelo selo canadense Arbutus Records.

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Braids – Miniskirt

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Disco: “Natalie Prass”, Natalie Prass

Natalie Prass
Indie/Alt. Country/Chamber Pop
http://natalieprassmusic.com/

Do momento em que tem início My Baby Don’t Understand Me, até o movimento final de It Is You, a sensação de fragilidade que preenche a obra de Natalie Prass é clara, perturbadora e ainda capaz de acolher o ouvinte. Protagonista da própria obra, a cantora e compositora estadunidense transforma o autointitulado primeiro registro de estúdio em um mundo aberto para confissões amarguradas e lamentos tão íntimos, que até parecem moldados para o ouvinte.

Ativa em diferentes núcleos da cena norte-americana, Prass atravessou a última década em meio a parcerias com notáveis da produção alternativa, caso de Jenny Lewis e Matthew E. White, posteriormente fixando residência na cidade de Nashville – o epicentro da música country. Com naturalidade, todo esse catálogo de “referências” se faz visível em cada ato do recente trabalho da cantora, tão próxima dos primeiros registros da “ex-Rilo Kiley” – principalmente no debut Rabbit Fur Coat (2006) -, como do recente trabalho de White – Big Inner (2012) -, parceiro desde a adolescência e produtor do álbum ao lado de Trey Pollard.

De natureza melancólica, como um sussurro alcoólico em uma noite de abandono, cada uma das nove composições do disco borbulham os sentimentos mais dolorosos (e confessionais) de Prass. Recortes essencialmente sensíveis, como os de My Baby Don’t Understand Me (“Nosso amor é como um longo adeus“) ou mesmo raivosos, caso de Your Fool (“Todas as promessas que eu fiz / E você me abandonou“), em que a cantora imediatamente conversa com gigantes da música Country – talvez Dolly Parton e Dusty Springfield -, além de artistas recentes do mesmo cenário, vide a herança explícita de Neko Case e Gilian Welch durante todo o trabalho.

Mais do que uma peça referencial, centrada no diálogo com diferentes fases (e nomes) do cancioneiro norte-americano, a homônima obra de Prass aos poucos sustenta o próprio cenário conceitual. Longe da redundância de bases acústicas e versos penosos – arrastados em excesso -, durante toda a obra os produtores White e Pollard encaixam arranjos de cordas bem resolvidos, estruturas melódicas de composição minimalista e acordes suavizados que se relacionam de forma inteligente com a voz compacta da cantora. Continue reading

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SIA: “Elastic Heart” (Clams Casino Remix)

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Clams Casino só precisa de alguns segundos até transformar qualquer grande exemplar do pop/Hip-Hop alternativo em algum invento de essência particular. Sem necessariamente romper com as melodias plásticas da australiana Sia no ótimo 1000 Forms Of Fear (2014), o produtor norte-americano transforma os versos de Elastic Heart em um instrumento autoral, marca para a nova versão que bem poderia ter escapado de algum registro assinado pelo produtor.

Composição mais “acessível” já lançada pelo artista desde a série de Mixtapes/EPs iniciada em 2011, a música de quase seis minutos não apenas preserva a essência da cantora pop, como busca conforto no universo autoral de Clams Casino. Vocalizações pop que tropeçam em meio a batidas quebradas, ruídos instáveis e todo o universo particular, típico de Casino.

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Sia – Elastic Heart (Clams Casino Remix)

 

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Disco: “Lost Themes”, John Carpenter

John Carpenter
Ambient/Synthpop/Instrumental
http://www.theofficialjohncarpenter.com/

John Carpenter não poderia ter escolhido uma composição mais assertiva para inaugurar Lost Themes (2015, Sacred Bones) do que a climática Vortex. Em uma espiral de sintetizadores obscuros – fazendo valer o título da própria criação, “vórtice” – o artista norte-americano soluciona não apenas a estrutura temática para o restante da obra – um compilado de peças avulsas, instrumentais e sempre atmosféricos -, como ainda estabelece uma espécie de ponte (sonora) para a extensa filmografia de terror/suspense assinada desde o início da década de 1970.

Diretor responsável por filmes como The Thing (1982), Christine (1983), além da franquia Halloween, Carpenter encontra no primeiro trabalho em carreira solo um diálogo transformador com o próprio acervo cinematográfico. Partindo da estilização soturna da faixa de abertura – um possível introdução para qualquer película apresentada pelo artista nas últimas quatro décadas -, o ouvinte é convidado a explorar faixas fragmentadas em pequenos atos (Obsidian), instantes de ascensão (Mystery) ou mesmo suspiros instrumentais orquestrados por bases climáticas (Wraith).

Embora já tenha assinado a trilha sonora de diferentes filmes ao longo da carreira – caso de Assault on Precinct 13 (1976) e The Fog (1980) -, este é o primeiro trabalho de Carpenter pensado inteiramente no uso dos arranjos, esquivo da natural relação do artista com as imagens. Entretanto, difícil passear pela estrutura delicada de Fallen, Purgatory e qualquer outra canção “soturna” da obra sem visualizar as tradicionais cenas de suspense que marcaram a carreira do cineasta. Sem ordem específica, como fragmentos de um filme bruto, não editado, Carpenter detalha uma história de natureza perturbadora ao ouvinte.

Entalhado em um cercado musical específico, Lost Themes acomoda melodias e batidas eletrônicas de forma comportada, como uma película de roteiro lento, porém, envolvente. A julgar pela imposição dos sintetizadores – base de toda a obra -, referências ao trabalho de Kraftwerk e outros gigantes da década de 1970 – quando começou o trabalho como diretor – surgem por todo o álbum. Também é possível estreitar os laços com uma série de produtores recentes, principalmente Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never), além dos ex-parceiros no Emeralds Steve Hauschildt e Mark McGuire. Continue reading

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Unknown Mortal Orchestra: “Multi-Love”

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Impressionante é o processo de transformação que inspirou o Unknown Mortal Orchestra desde a estreia com o autointitulado álbum de 2011. Partindo de um expressivo detalhamento na melodias, Ruban Neilson e os parceiros de banda conseguiram se esquivar da ambientação Lo-Fi montada para as primeiras canções, mergulhando de cabeça em uma sonoridade cada vez mais delicada, psicodélica e romanticamente inspirada pelo R&B, marca explícita logo no segundo álbum de estúdio do grupo, II (2012).

Em uma exposição ainda maior desse mesmo resultado, mergulhando de cabeça no uso de vocalizações brandas e temas psicodélicos empoeirados, o grupo localizado em Portland, Oregon ) reforça a própria evolução com a inédita Multi-Love. Como um fragmento musical extraído dos anos 1970, a música de quatro minutos se aconchega em um ambiente completamente nostálgico, reflexo não apenas do material conquistado pelo UMO nos últimos anos, mas em relação ao próximo álbum da banda, um registro homônimo que conta com lançamento pelo selo Jagjaguwar (Angel Olsen, Bon Iver) e lançamento agendado para 26 de maio.

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Unknown Mortal Orchestra – Multi-Love

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