Artista: Tibério Azul
Gênero: MPB, Alternativo, Indie
Acesse: http://tiberioazul.com.br/

 

Seja como integrante do grupo Mula Manca & A Fabulosa Figura ou nas canções assinadas em parceria com diferentes nomes da cena pernambucana, Tibério Azul sempre foi um artista que acreditou na força do coletivo. Basta uma rápida passagem pelo primeiro registro de inéditas do cantor, o colorido Badarra (2011), para perceber a força das ideias, ritmos e diferentes mentes criativas que circulam pelo interior do trabalho, proposta que volta a se repetir nas canções de Líquido ou a vida pede mais abraço que razão (2017, Joinha Records), segundo álbum e mais recente álbum do músico em carreira solo.

Longe da terra, árvores altas e outros elementos esverdeados da natureza que serviram de inspiração para o trabalho lançado há seis anos, o artista recifense encontra na temática da água, chuvas, corredeiras e mares o ponto de partida para a construção de parte expressiva das canções. Em parceria com o produtor Yuri Queiroga, uma fina coleção de músicas que reflete a composição mutável dos sentimentos, relações pessoais e conflitos que invadem a mente do cantor.

E se a chuva nunca chegar / A gente vai é chover por aí / Eu molhando tu / E tu molhando eu”, detalha em Chover, bem-sucedida parceria com a cantora e compositora Clarice Falcão e um doce retrato da poesia metafórica que sustenta o disco. Em Sem Ontem e Sem Amanhã, quarta faixa do álbum, o mesmo cuidado na composição dos versos. “A chuva corre em pedaços / As gotas formam o mesmo rio / Nos braços dessa correnteza / Tudo me trouxe para tu”, canta enquanto a viola de Rodrigo Samico se espalha lentamente ao fundo da canção.

O mesmo conceito “líquido” incorporado aos versos acaba se refletindo na sonoridade versátil do trabalho. São diálogos expressivos com o jazz (Faz Favor), experimentos que bagunçam diferentes aspectos da música regional (Nem A Pedra É Dura) e até canções que brincam com o passado de forma nostálgica (Dindim). Uma verdadeira sobreposição de melodias, gêneros e tendências musicais, proposta que encanta logo nos primeiros minutos do disco, na homônima faixa de abertura, e segue até o último acorde de A vida pede mais abraço que razão.

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Depois de muita expectativa e quatro composições excelentes – Keep Your Name, Little Bubble, Up in Hudson e Cool Your Heart, parceria com Dawn Richard –, o novo álbum de estúdio do Dirty Projectors está disponível para audição. Sucessor de Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o registro conta com nove composições inéditas e uma série de referências que passam por diversos aspectos da carreira do grupo.

Produzido ao longo de 2016 pelo próprio vocalista e líder da banda, Dave Longstreth, o autointitulado lançamento reflete o distanciamento entre o músico e Amber Coffman, ex-integrante do Dirty Projectors e antiga parceira de Longstreth. Repleto de curvas, manipulações vocais e flertes com o R&B, o novo disco talvez seja o registro mais revolucionário da banda desde o elogiado Bitte Orca (2009), obra responsável por catapultar o trabalho do coletivo nova-iorquino.

 



Dirty Projectors – Dirty Projectors

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Como indicado durante o lançamento da inédita Hot Thoughts, em janeiro deste ano, os integrantes do Spoon parecem incorporar uma nova sonoridade em relação material produzido para o antecessor They Want My Soul – 21º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014. Entre experimentos e temas eletrônicos, cada uma das dez composições do novo álbum de estúdio da banda devem aportar em um território marcado pelo parcial ineditismo dos elementos.

Um bom exemplo disso está na recém-lançada Can I Sit Next To You. Sexta faixa de Hot Thoughts (2017), a canção de quase quatro minutos se espalha em meio a mistura louca de gêneros, samples e referências. Um rock eletrônico funkeado e levemente dançante, à la The Rapture, como uma complexa desconstrução de todo o acervo de obras que o grupo norte-americano vem produzindo desde o elogiado Ga Ga Ga Ga Ga, de 2007.

Hot Thoughts (2017) será lançado no dia 17/03 via Matador.

 

Spoon – Can I Sit Next To You

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Em mais de um mês de atuação, a coletânea Our First 100 Days, projeto de enfrentamento à política retrógrada do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu vida a uma série de composições de peso. Entre os artistas que já passaram pelo trabalho, nomes como Angel Olsen, The Range, Dntel, Peter Silberman (The Antlers) e Toro Y Moi, este último, responsável por uma das melhores composições do projeto, a pop Omaha.

Convidados a integrar a série de lançamentos, o grupo norte-americano Speedy Ortiz apresenta ao público a inédita In My Way. Típica composição da banda, a faixa delineadas por versos e temas melódicos parece saída diretamente dos primeiros discos do coletivo, como o excelente Major Arcana – um dos grandes discos de rock lançados na presente década e 40º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013.

 

Speedy Ortiz – In My Way

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Formado em 2004 na cidade de Baltimore, Maryland, o Beach House é um projeto de Dream Pop comandado pela dupla Victoria Legrand e Alex Scally. Entre referências ao trabalho de gigantes como This Mortal Coil, Cocteau Twins, The Zombies e The Beach Boys, a dupla faz de cada novo álbum de inéditas uma obra marcada pelos sentimentos, ponto de partida para a formação de músicas como Master of None, Walk In The Park e Myth. Apontado como um dos principais nomes do gênero, o duo acumula uma sequência de grandes obras como Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012), trabalhos organizados do “pior” para melhor lançamento em mais uma edição da seção Cozinhando Discografias.

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No começo da semana, os integrantes do Animal Collective anunciaram a chegada de um novo EP. Intitulado The Painters (2017), o registro que conta com distribuição pelo selo Domino segue exatamente de onde a banda parou no último ano, durante o lançamento do fraco Painting With. Como indicado durante o lançamento de Kinda Bonkers, parte expressiva do trabalho flutua entre a eletrônica e o pop psicodélico, base de grande parte dos álbuns recentes da banda.

São três composições inéditas – Kinda Bonkers, Peacemaker e Goalkeeper –, além de uma versão para a faixa Jimmy Mack, composição eternizada pelo grupo de R&B/Soul Martha & The Vandellas. Conceitualmente, o trabalho mantém firme a essência do disco lançado em 2016, apresentando ao público um som 9inspirado pelos principais movimentos artísticos de vanguarda no começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo.

 

Animal Collective – The Painters

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You Tried (2017), esse é o título do primeiro álbum de estúdio da banda sueca Hater. Com uma sequência de boas composições em mãos, caso de Mental Heaven e, mais recentemente, Had It All, o grupo original da cidade de Malmö segue com a divulgação do ainda inédito lançamento. Em Cry Later, terceiro e mais novo single do grupo formado por Caroline Landahl, Måns Leonartsson, Adam Agace, e Lukas Thomasson, uma explosão de boas guitarras e melodias sujas.

Enquanto a voz doce de Landahl detalha o mesmo aspecto sofredor dos últimos dois singles, musicalmente, o quarteto se desdobra na construção de um som intenso, base de grande parte do trabalho produzido pela banda em diferentes singles e EPs apresentados nos últimos anos. O mesmo garage rock pegajoso de artistas como Best Coast, Alvvays e demais coletivos que encontraram em clássicos de diferentes décadas o estímulo para um som autoral.

You Tried (2017) será lançado no dia 10/03 via PNKSLM

 

Hater – Cry Later

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Dono de um imenso catálogo de singles, remixes, mixtapes e ótimos EPs, o produtor canadense Jacques Greene anuncia para o começo de março a chegada do primeiro álbum da carreira. Intitulado Feel Infinite (2017), o registro deve manter a mesma essência dançante incorporada pelo artista no lançamento de You Can’t Deny, música apresentada em agosto do último ano e uma das 11 composições que abastecem o aguardado registro.

Semanas após o lançamento de Real Time, música que dialoga com todo o universo da cena eletrônica no começo dos anos 1990, Greene está de volta com uma nova composição. Em To Say, o destaque são os sintetizadores vintage que o produtor detalha ao fundo da canção, estabelecendo um pequeno embate entre as melodias eletrônicas e o vocal sampleado que salta logo nos primeiros minutos da faixa, conceito bastante similar ao trabalho de Jamie XX em In Colour (2015).

Feel Infinite (2017) será lançado no dia 10/03 via LuckyMe.

 



Jacques Greene – To Say

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Mais conhecido pelo trabalho como Lee Bannon, Fred Warmsley decidiu dar vida a um novo projeto em meados do último ano. Sob o título de Dedekind Cut, o produtor responsável pelo som de artistas como Pro Era e Joey Bada$$ deu vida ao atmosférico $uccessor (ded004) – 49º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos de 2016. Um jogo de melodias, samples e ruídos controlados que volta a se repetir dentro do novo single do artista: Lil Puffy Coat.

Livre do conceito “etéreo” explorado no último disco, a faixa de quase cinco minutos parece feita para bagunçar a cabeça do ouvinte. São bases densas, captações sujas e sintetizadores marcados que transportam o ouvinte para dentro de um território ritmado, quase dançante. Uma espécie de remix anárquico dos últimos trabalhos de Oneohtrix Point Never e Tim Hecker, artistas que partilham dos mesmos conceitos de Warmsley.

 

Dedekind Cut – Lil Puffy Coat

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Do pouco que se ouviu de Sick Scenes (2017) já é possível ter uma boa noção do som produzido pelos integrantes do grupo britânico Los Campesinos!. Entre canções levemente explosivas, como I Broke Up in Amarante e atos de profunda leveza seguidos de versos políticos, como em 5 Flucloxacillin, o coletivo inglês parece ter encontrado na pluralidade dos elementos a fonte para um dos principais registros produzidos pela banda.

Em The Fall of Home, um novo e delicado capítulo dentro de Sick Scenes. Enquanto os versos refletem o desligamento das cidades que todas as pessoas deixam para trás em algum momento da vida, musicalmente, a faixa de arranjos contidos encanta pela profunda sutileza dos elementos detalhados do primeiro ao último instante. Sintetizadores, violinos, xilofones e outros elementos percussivos que se espalham em cima da base acústica da faixa.

Sick Scenes (2017) será lançado no dia 24/02 via Wichita.

 

Los Campesinos! – The Fall of Home

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