Tag Archives: Alternative

SZA: “Sobriety

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Mesmo que Solana Rowe tenha explorado uma sonoridade menos complexa ao longo do primeiro álbum de estúdio como SZA, Z (2014), encarar o trabalho da artista norte-americana como “comercial” seria um erro. Pelo menos até agora. Passados alguns meses desde o lançamento do disco pelo mesmo selo de Kendrick Lamar e Schoolboy Q, o Top Dawg Entertainment, Rowe está de volta com a inédita Sobriety, uma de suas composições mais sensíveis e, pela primeira vez, talvez próxima de alcançar o grande público.

Cercada por um assertivo time de produtores, incluindo Stephen Bruner (Thundercat), responsável pelas linhas de baixo e toda a ambientação nostálgica da faixa, Rowe cresce com naturalidade. Em um universo que poderia ser de Beyoncé no álbum 4 (2011), ou mesmo Portishead no clássico Dummy (1994), SZA espalha confissões, testa os limites da própria voz e ainda seduz com facilidade o ouvinte, hipnotizado até os últimos segundos da faixa.

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SZA – Sobriety

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Jacques Greene: “After Life After Party EP”

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Enquanto o esperado debut de Jacques Greene não é apresentado ao público, os constantes EPs prevalecem como a principal fonte com novidades sobre produtor. Terceiro e mais recente trabalho do artista canadense em 2014, After Life, After Party segue a trilha dos antecessores On Your Side EP e Phantom Vibrate EP, transportando o ouvinte para um cenário musical tão recente, quanto característico da década de 1990.

Além da versão original e dois remixes para a faixa-título, o presente trabalho de Green conta ainda com a inédita 1 4 Me. Na primeira canção, um típico diálogo do canadense com os elementos do Future Garage e Techno. Na faixa seguinte, um trabalho atento do produtor em adaptar diferentes conceitos, batidas e vocais íntimos do R&B ao material desenvolvido desde o último ano. Com lançamento pelo selo LuckyMe Records, o registro pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

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Jacques Greene – After Life After Party

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Disco: “pom pom”, Ariel Pink

Ariel Pink
Indie/Lo-Fi/Psychedelic Pop
http://ariel-pink.com/

Por: Cleber Facchi

Desde que abraçou um som mais acessível em Before Today (2010), Ariel Pink tem controlado a própria esquizofrenia musical. Diálogos com a década de 1980, diferentes tentativas em adaptar o Soft Rock ao cenário recente – como a versão para Baby de Donnie and Joe Emerson em Mature Themes (2012) – e toda uma variedade de temas psicodélicos extraídos de diversas obras clássicas. Depois de uma década de isolamento e incontáveis gravações caseiras, Pink finalmente encontrou a própria definição para a “música pop”.

Curioso perceber em pom pom (2014, 4AD) uma parcial ruptura desse conceito. Primeiro trabalho em “fase solo”, longe dos parceiros do Haunted Graffiti, o californiano interpreta o extenso “debut” como um misto regresso e desconstrução dos primeiros anos de produção. Ainda que continue a brincar com as principais referências conquistadas nos últimos discos – vide o romantismo aprimorado em Put Your Number In My Phone -, basta se concentrar no som fragmentado que rege o trabalho para perceber o leve descontrole do artista.

Em um sentido contrário ao detalhamento iniciado em Mature Themes – com sintetizadores, guitarras e vozes dentro de uma mesma estrutura -, Pink assume no presente álbum um constante ziguezaguear de tendências. Por vezes descontrolado, pom pom funciona como morada para faixas tão próximas da jovialidade exaltada em My Molly, parceria recente com Sky Ferreira, como para o ato confessional de Hang On to Life, dividida com Jorge Elbrecht; músicas interpretadas como atos aleatórios do músico nos últimos meses, porém, esboços e bases evidentes para os quase 70 minutos do novo projeto.

Ainda protagonista da própria obra, Pink continua a mergulhar em canções nonsenses (Plastic Raincoats in the Pig Parade), personagens distorcidos (Black Ballerina) e estranhos acontecimentos cotidianos (Picture Me Gone). Versos tão íntimos de uma mente corrompida pela lisergia, como habituada ao cenário de Los Angeles – cidade natal do compositor. Superficialmente, pom pom emula a limpidez aperfeiçoada em estúdio com o Haunted Graffiti; no interior, faixas caseiras, empoeiradas, como um resgate do acervo acumulado entre House Arrest (2002) e Scared Famous (2007).  Continue reading

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Séculos Apaixonados: “Roupa Linda, Figura Fantasmagórica”

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O som “estranho” apresentado pela carioca Séculos Apaixonados em Refletir é Inútil e Só no Masoquismo é apenas um fragmento do material explorado em essência com Roupa Linda, Figura Fantasmagórica (2014). Primeiro registro em estúdio da banda formada por Arthur Braganti (teclado e voz), Felipe Vellozo (baixo), Gabriel Guerra (voz e guitarra), João Pessanha (bateria) e Lucas de Paiva (teclado, saxofone e voz), o trabalho de oito canções já pode ser apreciado na íntegra pelo perfil do grupo no soundcloud ou no player abaixo.

Produzido, gravado e mixado pelos próprios integrantes entre fevereiro e outubro deste ano, o romântico debut ainda conta com lançamento nacional pela Balaclava Records – casa de Holger e Câmera – e distribuição em território lusitano pelo selo português Amor Fúria. Em entrevista recente ao IG, o vocalista Gabriel Guerra – ex-Dorgas e um dos produtores do trabalho – falou um pouco sobre a sonoridade do grupo e também influências como o cantor “brega” Waldick Soriano.

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Séculos Apaixonados – Roupa Linda, Figura Fantasmagórica

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Tyler, The Creator: “Diaper”

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Sempre produtivo em estúdio, Tyler, The Creator diminuiu o ritmo nos últimos meses. Passado o lançamento de Wolf (2013), último registro em carreira solo, além da produção/participação em algumas faixas de Doris (2013), trabalho do parceiro Earl Sweatshirt, Tyler relaxou. Salvo a constante postagem na própria conta do Twitter e, claro, diversas apresentações ao vivo, nenhuma grande composição inédita foi apresentada pelo rapper. Até agora.

Para celebrar a nova temporada de shows pelos Estados Unidos, o “líder” do Odd Future revela ao público uma faixa retirada do próprio acervo: Diaper. Lançada no Twitter e disponível para audição pelo Tumblr do OFWGKTA, a música parece seguir com naturalidade o som proposto por Tyler no último ano. Seguindo a lógica dos últimos lançamentos do rapper, o ano de 2015 não deve passar sem um novo disco ou “mínima” mixtape.

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Tyler, The Creator – Diaper

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Sleigh Bells: “That Did It” (Feat. Tink)

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Em 2013 Derek E. Miller e Alexis Krauss resolveram mergulhar de vez na música pop. Ainda que os ruídos preencham toda a extensão do mediano Bitter Rivals, terceiro álbum de estúdio da dupla nova-iorquina, são os constantes diálogos com o público médio, melodias acessíveis e bases delicadas que realmente movimentam a obra. Acerto ou erro, não importa, ao lado da rapper Tink o duo apresenta a “sequência” That Did It, uma espécie de expansão do material apresentado há poucos meses.

De um lado, os ruídos característicos da guitarra de Miller, no outro, a sutileza vocal de Krauss e Tink, esta última responsável pelos instantes mais acelerados que sustentam a composição. Construída a partir de retalhos de antigas músicas do SB, That Did It foi gravada em Nova York e apresentada pelo Red Bull Sound Select. Além do registro de 2010, a dupla ainda conta com dois ótimos álbuns, Treats (2010) e Reign of Terror (2012).

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Sleigh Bells – That Did It (Feat. Tink)

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Disco: “Holger”, Holger

Holger
Indie/Alternative/Tropical
http://www.holger.com.br/

Por: Cleber Facchi

Pouco parece ter sobrevivido da euforia gerada em Sunga (2010) e excessos concentrados no cenário tropical de Ilhabela (2012). Seguindo a lógica inaugurada em The Green Valley EP, de 2008, a banda paulistana Holger alcança o terceiro álbum de estúdio investindo com naturalidade em um som transformado e hoje parcialmente melancólico. Na contramão dos dois trabalhos que o antecedem – uma possível trilha para o final de semana -, a peça autointitulada aos poucos mergulha o coletivo em um ambiente sóbrio, como o cenário típico de uma segunda-feira.

Obra de transição ou possível retrato do amadurecimento de cada integrante, o novo disco flui como uma natural representação das recentes transformações dentro da própria estrutura da banda. Com a saída de Arthur Britto – baterista que deixou o grupo para estudar nos Estados Unidos -, cabe ao quarteto Bernardo Rolla, Marcelo Altenfelder “Pata”, Pedro Bruno “Pepe” e Marcelo Vogelaar “Tché” assumir a total responsabilidade pelo trabalho, ocupando as pequenas lacunas deixadas pelo parceiro.

A interferência das batidas e bases de percussão pode ser menor, porém, a julgar pelas letras dissolvidos pela obra, explícito é o crescimento do grupo. Versos confessionais em Café Preto, desilusões amorosas ao longo de Boca Suja, reflexões tímidas espalhadas por toda Monolito. Quem esperava por uma possível continuação dos temas festivos de Let’em Shine Below e Tonificando vai esbarrar apenas em composições banhadas pelo recolhimento. Da abertura ponderada que direciona Trapaça ao manuseio econômico dos arranjos em Tão Legal, são justamente essas amarguras, fragmentos cotidianos e sentimentos tão comuns que despertam a atenção do ouvinte.

Mesmo que exista um maior “recolhimento” por parte do grupo, difícil encarar o presente disco como uma obra essencialmente triste ou talvez arrastada. Basta se concentrar no cômico caso de amor que orienta os versos de Jurema – a faixa mais “Novos Baianos” já laçada pela banda -, ou mesmo o descompromisso que rege Cama Dura e Preguiça – esta última, um novo diálogo do quarteto com a Axé Music dos anos 1990. Entre instantes breves de melancolia, o Holger ainda continua tão divertido e jovial quanto nos primeiros discos. Continue reading

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Tobias Jesso Jr.: “Hollywood”

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Quem se encantou pelas melodias simples e essencialmente tocantes de Tobias Jesso Jr. em True Love pode celebrar. Com lançamento pelo selo True Panther – Delorean, King Krule – e produção assinada por Chet “JR” White (ex-Girls), Patrick Carney e Ariel Rechtshaid (Sky Ferreira, Haim), o aguardado debut do músico norte-americano deve chegar ao público ainda no primeiro semestre de 2015. Em um (novo) exercício de apresentação e natural aquecimento para o registro, Jesso revela agora mais uma de suas peças melancólicas: Hollywood.

Tão confessional e dolorosa quanto os últimos trabalhos do músico, a inédita criação arrasta o ouvinte por mais de seis minutos de pianos densos, voz limpa e versos que passeiam pelo cenário obscuro de Los Angeles. “I think I’m gonna die in Hollywood“, entrega o compositor em determinado momento da faixa. Na mesma trilha do Girls em Father, Son, Holy Ghost (2011) e até Radiohead na clássica Life In A Glass House - vide os instantes finais da música -, Jesso parece resumir as principais referências do material que vem produzindo há meses tanto dentro como fora de estúdio.

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Tobias Jesso Jr. – Hollywood

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Perfume Genius: “Thing”

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O ambiente sombrio e confessional explorado por Mike Hadreas no decorrer de Too Bright (2014) está longe de chegar ao fim. Em um exercício de continuação do material apresentado ao público há poucos meses, o músico norte-americano mergulha ainda mais fundo nos próprios medos, solucionando a base para apresentar a inédita Thing, uma das peças que acabaram de fora da edição final do terceiro álbum como Perfume Genius.

Entre pianos arrastados e sintetizadores obscuros que incorporam lentas variações do drone, Hadreas não poupa esforços para assustar o ouvinte. Harmonias sujas que lembram o trabalho de The Haxan Cloak, a voz (incialmente) minimalista do cantor, ruídos que lembram pássaros ou mesmo pessoas cantarolando ao fundo da criação. Como nas canções do último disco, Hadreas primeiro espalha as peças, montando cada fragmento lentamente.

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Perfume Genius – Thing

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Cozinhando Discografias: Talk Talk

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A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Poucos artistas brincaram tanto com os próprios limites em estúdio quando a banda britânica Talk Talk. Com apenas dez anos de carreira e cinco registros oficiais, o grupo formado em 1981 na cidade de Londres, Inglaterra, atravessou o som pegajoso da New Wave para mergulhar em temas densos e experimentais, antecipando uma série de conceitos que sustentariam o Pós-Rock. Aos comandos do vocalista e principal compositor Mark Hollis, Lee Harris, Paul Webb e Simon Brenner sustentaram a obras tão comerciais (It’s My Life), quanto complexas (Laughing Stock), trabalhos agora organizados do pior para o melhor lançamento em mais uma seção Cozinhando Discografias. Continue reading

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