Formado na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, o Congo Congo é um coletivo de rock alternativo/psicodélico que reúne alguns dos nomes mais importantes da cena local. Uma parceria entre os músicos André Travassos (Câmera, Invisível, M O O N S), Leonardo Marques e Pedro Hamdan (Transmissor), Yannick Falisse (Teach Me tiger), Victor Magalhães e Gustavo Cunha (Iconili) que resultou no primeiro álbum de estúdio do grupo.

São oito faixas inéditas, entre elas, a já conhecida Into The Breeze, música entregue ao público em janeiro deste ano. Surgem ainda composições como as delicadas Moon Moon, King Congo e Tomorrow is a Long Way, além de outras canções enérgicas, caso de The Original Congo, Tom Tom. Uma verdadeira colagem de diferentes ideias e referências que passa pelos trabalhos paralelos de cada colaborador de forma sempre curiosa, inventiva.

 

Congo Congo – Congo Congo

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No dia 11 de junho, a cantora, produtora e compositora britânica Charli XCX se apresenta em mais uma edição do Festival Cultura Inglesa. O evento, que é gratuito, acontece no centro da cidade de São Paulo, no Memorial da América Latina. Com a segunda passagem da cantora pelo país – em 2014 a artista se apresentou no Meca Festival –, aproveitamos para produzir uma seleção com dez músicas que resumem com naturalidade a rica produção de XCX.

São músicas como a pegajosa Boom Clap, composição lançada como parte do álbum Sucker, de 2014, porém, sucesso na trilha sonora do filme A Culpa É Das Estrelas, lançado no mesmo ano. Surgem ainda composições como Nuclear Seasons, You (Ha Ha Ha) e You’re The One, parte do primeiro álbum de estúdio da cantora, o elogiado True Romance (2013).

 

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Artista: Tibério Azul
Gênero: MPB, Alternativo, Indie
Acesse: http://tiberioazul.com.br/

 

Seja como integrante do grupo Mula Manca & A Fabulosa Figura ou nas canções assinadas em parceria com diferentes nomes da cena pernambucana, Tibério Azul sempre foi um artista que acreditou na força do coletivo. Basta uma rápida passagem pelo primeiro registro de inéditas do cantor, o colorido Badarra (2011), para perceber a força das ideias, ritmos e diferentes mentes criativas que circulam pelo interior do trabalho, proposta que volta a se repetir nas canções de Líquido ou a vida pede mais abraço que razão (2017, Joinha Records), segundo álbum e mais recente álbum do músico em carreira solo.

Longe da terra, árvores altas e outros elementos esverdeados da natureza que serviram de inspiração para o trabalho lançado há seis anos, o artista recifense encontra na temática da água, chuvas, corredeiras e mares o ponto de partida para a construção de parte expressiva das canções. Em parceria com o produtor Yuri Queiroga, uma fina coleção de músicas que reflete a composição mutável dos sentimentos, relações pessoais e conflitos que invadem a mente do cantor.

E se a chuva nunca chegar / A gente vai é chover por aí / Eu molhando tu / E tu molhando eu”, detalha em Chover, bem-sucedida parceria com a cantora e compositora Clarice Falcão e um doce retrato da poesia metafórica que sustenta o disco. Em Sem Ontem e Sem Amanhã, quarta faixa do álbum, o mesmo cuidado na composição dos versos. “A chuva corre em pedaços / As gotas formam o mesmo rio / Nos braços dessa correnteza / Tudo me trouxe para tu”, canta enquanto a viola de Rodrigo Samico se espalha lentamente ao fundo da canção.

O mesmo conceito “líquido” incorporado aos versos acaba se refletindo na sonoridade versátil do trabalho. São diálogos expressivos com o jazz (Faz Favor), experimentos que bagunçam diferentes aspectos da música regional (Nem A Pedra É Dura) e até canções que brincam com o passado de forma nostálgica (Dindim). Uma verdadeira sobreposição de melodias, gêneros e tendências musicais, proposta que encanta logo nos primeiros minutos do disco, na homônima faixa de abertura, e segue até o último acorde de A vida pede mais abraço que razão.

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Artista: Ryan Adams
Gênero: Rock, Alternativo, Folk
Acesse: http://paxamrecords.com/

 

Guitarras e batidas exploradas de forma crescente e dramática. Ao fundo da canção, o uso climático dos teclados, instrumento trabalhado como um complemento aos versos românticos que explodem de forma sempre exagerada, brega: “Você ainda me ama, bebê?”. Bastam os primeiros minutos de Do You Still Love Me? para que o ouvinte seja rapidamente transportado para dentro do novo (e melancólico) álbum de Ryan Adams: Prisoner (2017, PAX AM / Blue Note).

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor norte-americano desde o homônimo álbum lançado em 2014 e também sucessor da controversa adaptação do disco 1989 (2015), de Taylor Swift, Prisoner é, como grande parte dos trabalhos de Adams, um doloroso registro de separação. Trata-se de uma coleção de memórias ainda recentes e versos sorumbáticos que refletem todo o processo de distanciamento do artista e sua ex-esposa, a cantora e atriz Mandy Moore.

A principal diferença em relação a outros trabalhos produzidos pelo músico, caso do melancólico Gold (2001) e Love Is Hell (2004), está na forma como Adams abraça de vez o rock dos anos 1970/1980 como um estímulo para a construção de toda a atmosfera do disco. Difícil não lembrar de Bruce Springsteen, Dire Straits e Fleetwood Mac à medida que o álbum avança, efeito do evidente diálogo do músico com toda uma geração de representantes do famigerado “Dad Rock”.

O som ecoado das batidas e vozes, arranjos eletroacústicos e versos que se espalham em meio a delírios românticos, angústias e pequenas confissões. “Eu poderia esperar mil anos, meu amor / Eu esperaria por você / Eu poderia ficar em um só lugar, meu amor / E nunca me mover”, canta em Doomsday, uma dolorosa síntese do som amargo que preenche o disco. Instantes em que os sentimentos mais profundos de Adams se transformam em um retrato das desilusões de qualquer ouvinte.

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Seis anos se passaram desde o lançamento de Bandarra (2011), primeiro álbum de Tibério Azul (Mula Manca & a Fabulosa Figura) em carreira solo. De lá para cá, o cantor e compositor pernambucano vem se revezando em uma série de apresentações do disco, além, claro, na composição do segundo registro de inéditas. O resultado desse longo período de gestação está nas nove músicas de Líquido ou a vida pede mais abraço que razão (2017).

Com produção de Yuri Queiroga, o trabalho se abre para a chegada de um imenso time de instrumentistas da cena pernambucana. Na composição dos versos, músicas assinadas em parceria com artistas como Zé Manoel, Vinícius Sarmento e Vítor Araújo, este último, responsável pelo belíssimo Levaguiã Terê, de 2016. O disco ainda conta com a participação de Clarice Falcão, responsável pela voz em Chover, e Pedro Luis, convidado a ocupar os versos de Nem a pedra é dura.

 

Tibério Azul – Líquido

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Desde o último ano, os integrantes da Luziluzia vem trabalhando em uma série de três EPs marcados pela experimentação. Intitulado EP 1​/​3 (concerto pra caixas pequenas), o registro de quatro faixas – uma delas com mais de 11 minutos –, se espalha em meio a ruídos, vozes desconexas e ambientações caseiras, sujas, proposta que volta a se repetir dentro do segundo e mais recente trabalho da banda: EP 2​/​3 (autofarra – trilha pra uma festa boa) (2017).

Em um intervalo de apenas cinco faixas – Caverninha, Provador, Temporada 2014, Love co n5 e Rufião, à espera da festa boa –, a banda forma por integrantes do Boogarins e Carne Doce parece jogar com o uso de fragmentos musicais vindos de diferentes sessões. Retalhos musicais que se completam com o uso de temas eletrônicos. Assim como o trabalho lançado pela banda em 2016, o novo EP pode ser baixado gratuitamente no perfil da Luziluzia no Bandcamp.

 

Luziluzia – EP 2​/​3 (autofarra – trilha pra uma festa boa)

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Artista: Lambchop
Gênero: Alt. Country, Indie, Alternativo
Acesse: http://www.lambchop.net/

 

Lançado em outubro de 2008, OH (Ohio) deu ao Lambchop a possibilidade de se reinventar em estúdio. Entre melodias eletrônicas e temas minimalistas, a voz sublime de Kurt Wagner, dono de uma poesia essencialmente intimista, romântica. Longe de parecer um exercício isolado, o registro acabou servindo de base para um novo catálogo de obras, proposta explícita no lançamento do delicado Mr. M, em 2012 e, principalmente com a chegada de Flotus (2016, City Slang / Merge Records).

Mais recente trabalho de inéditas do coletivo de Nashville, Flotus – o título é uma abreviação da frase “For Love Often Turns Us Still” –, segue exatamente de onde o grupo parou há quatro anos. São versos confessionais, medos, confissões românticas e pequenos tormentos existencialistas que se espalham em cima de uma fina tapeçaria instrumental. Uma fuga constante do som produzido pela banda em clássicos como How I Quit Smoking (1996) e Nixon (2000).

Apresentado ao público durante o lançamento da extensa The Hustle, música de encerramento do disco e um minucioso ato com quase 20 minutos de duração, o álbum de 11 composições inéditas funciona dentro de uma medida própria de tempo. Sem pressa, Wagner e os parceiros de banda detalham arranjos econômicos de guitarras, batidas eletrônicas, sintetizadores e vozes sussurradas, conduzindo o ouvinte pelos corredores de um imenso labirinto musical.

Íntimo da mesma ambientação explorada por nomes como Justin Vernon (Bon Iver, Gayngs) e Matthew Houck (Phosphorescent), Wagner faz de cada composição ao longo do disco uma curiosa visita ao passado. Músicas como Directions To The Can e In Care Of 8675309, conceitualmente próximas da sonoridade produzido por Burt Bacharach e outros veteranos do Easy Listening. Canções tão delicadas e sensíveis que parecem se desfazer durante a audição.

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Artista: Bruno Souto
Gênero: Alternativo, Indie, Romântico
Acesse:  https://www.facebook.com/brunosoutooficial

 

Romântico. Três anos após o lançamento do primeiro registro em carreira solo, Estado de Nuvem (2013), o cantor e compositor pernambucano Bruno Souto, está de volta com um novo álbum repleto de composições inéditas. Em Forte (2016, Deck Disc), cada canção presente no interior do trabalho se projeta como um precioso exercício confessional. Memórias e fragmentos sentimentais que incorporam o que há de mais doloroso, sensível e honesto na poesia do artista.

Claramente inspirado pelo mesmo romantismo de Odair José, Amado Batista e outros gigantes do cancioneiro popular, Souto faz de cada música um doloroso registro intimista. São declarações de amor movidas pela provocação (Forte), faixas corrompidas pela temática da separação (Muito Além de Nós) e ciúme  (Amor Demais). Uma delicada extensão do material produzido não apenas no primeiro álbum do cantor, mas em grande parte da discografia da Volver, antiga banda de Souto.

Menos “hermético” em relação ao som produzido pelo artista há três anos, Forte reflete o claro fascínio de Souto pela música pop. Da forma como os versos parecem projetado para grudar na cabeça do ouvinte — “É amor mas não dá mais / Não dá mais / Porque é amor demais”—, sempre pegajosos, passando pelo uso de uma estrutura melódica que envolve, seduz e provoca com leveza, difícil passear pelas canções do trabalho e não ser atraído logo em uma primeira audição.

A cada nova composição, um jogo de versos e melodias sempre envolventes. “Teu medo que se dane / No canto da tua boca escorre o meu prazer / Vem correr perigo / Sei que vale o risco de se arrepender”, canta logo nos primeiros minutos do álbum, indicando parte do charme ardiloso que alimenta grande parte das canções. Um romantismo nostálgico, empoeirado, por vezes íntimo do mesmo som produzido por Bárbara Eugênia, em Frou Frou, e Rafael Castro em Um Chopp e um Sundae, ambos de 2015.

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Artista: Teenage Fanclub
Gênero: Indie, Power Pop, Alternativo
Acesse: http://www.teenagefanclub.com/

 

Com intervalos cada vez maiores entre um trabalho e outro, o Teenage Fanclub faz de cada novo álbum de estúdio um verdadeiro objeto de desejo por parte do público. Seis anos após o lançamento do último registro de inéditas, o ótimo Shadows (2010), o quinteto de Bellshill, Escócia está de volta com mais um álbum marcado pela leveza das vozes e arranjos. Em Here (2016, Merge Records), 10º exemplar da carreira do grupo, uma madura continuação de tudo aquilo que a banda vem produzindo desde o começo dos anos 1990.

Típico registro do grupos escocês, o álbum de 12 faixas e pouco mais de 40 minutos de duração deliciosamente concentra todos os elementos que fizeram do coletivo um dos mais queridos do rock europeu. Do romantismo escancarado em I’m in Love, passando pela psicodelia acolhedora em Steady State e guitarras melódicas de I Have Nothing More to Say, o quinteto segue exatamente de onde parou há seis anos.

São letras marcadas pelo caráter essencialmente intimista dos versos, arranjos manipulados de forma sutil pelo uso de efeitos e melodias de vozes que dialogam de forma explícita com a obra de grupos como The Kinks e Beach Boys. São mais de cinco décadas de referências que se encontram com naturalidade no interior da obra, como se para além da própria herança e obras icônicas como Bandwagonesque (1991) e Grand Prix (1995), a banda continuasse a explorar novas sonoridades.

Os teclados em constante diálogo com os versos de With You, a melancolia explícita nos arranjos e vozes em coro de The Darkest Part of the Night, o rock nostálgico que escapa de Thin Air. Durante toda a construção da obra, diferentes paisagens instrumentais se espalham ao fundo do disco, fazendo de cada composição no interior de Here um fragmento que merece ser explorado com verdadeira atenção. Um mundo de pequenos segredos, texturas instrumentais e vozes posicionadas de forma a encantar o ouvinte logo na primeira audição do disco.

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Em um ano que apresentou nomes como Silva e Cícero (Canções de Apartamento) e ainda ainda alavancou a carreira de outros como Criolo (Nó na Orelha) e Wado (Samba 808), a curitibana Stella-viva fez do álbum Deus Não Tem Aviões (2011) um delicado registro de estreia. Fruto da geração pós-Los Hermanos, o registro – 30º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2011 –, ganha em breve uma continuação, Aprendiz do Sal (2016), segundo álbum de inéditas do grupo paranaense.

Antes da chegada do novo álbum, a apresentação de duas canções que abastecem o trabalho: Vigília e Tempestade Anunciada. Enquanto a primeira brinca com o samba e passeia por versos carregados de referências políticas, a segunda mostra o crescimento do grupo. Um jogo de vozes, movimentos rápidos das guitarras e batidas que se entrelaçam de forma instável, revelando ao público uma letra sufocada pelo isolamento, abandono e tormentos que consomem a mente do eu lírico.

Aprendiz do Sal (2016) será lançado em outubro via Matraca Records e YB Music

Stella Viva – Vigília

Stella Viva – Tempestade Anunciada

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