Tag Archives: Ambient

Quays: “Tres”

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O trabalho do produtor nova-iorquino Quays sobrevive de forma evidente dos detalhes. Depois de caminhar pelo terreno da ambient music em Physisicks – faixa inicialmente apresentada em uma ligação telefônica -, o misterioso artista assume na recém-lançada Tres uma continuação doce da faixa apresentada há poucas semanas. Entretanto, mais do que investir no resgate de velhas ideias, a nova faixa entrega em elementos do R&B um mecanismo leve de transformação.

Construída lentamente, Tres abre em meio bips eletrônicos, revela uma dose tímida de sintetizadores e, aos poucos, dissolve o principal elemento da nova criação de Quays: a voz. Claro que nada ultrapassa o teor abstrato já apontado pelo artista, que parece ao mesmo tempo se isolar e crescer com o passar da faixa. A canção é parte de uma série de lançamentos que o artista vem arquivando no Soundclod. Só não esqueça de ouvir com fones de ouvido.

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Quays – Tres

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Gouveia Phill: “Therd´ominia”

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Responsável por algumas das composições mais viajantes que surgiram nos últimos meses, o paraibano Gouveia Phill surge agora com mais uma faixa guiada pelo delírio. Com quase oito minutos de duração, Therd´ominia brilha como uma expansão dos arranjos e bases instaladas nas antecessoras Salvat’oria e Serena, espalhando em ambientações versáteis a abertura para um território novo dentro curta obra do músico.

Dividida em três partes, a canção abre em meio a flertes com o pós-rock, se acomoda em uma atmosfera tímida e encerra de forma hipnótica, com Phill espalhando de forma sutil guitarras e vocais enevoados. Menos “acústica” que as demais criações do músico, Therd´ominia se sustenta pelos detalhes, obrigando a completa atenção do espectador.

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Gouveia Phill – Therd´ominia

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Disco: “Celestite”, Wolves in the Throne Room

Wolves in the Throne Room
Ambient/Drone/Instrumental
http://www.wittr.com/

Por: Cleber Facchi

A lenta transformação iniciada pelos irmãos Nathan e Aaron Weaver em Celestial Lineage, de 2011, atinge somente agora seu estágio final. Em Celestite (2014, Artemisia), quinto trabalho em estúdio do Wolves in the Throne Room, toda imposição caótica lançada nos primeiros anos da banda se organiza por completo. Completa desarticulação do Atmospheric Black Metal antes testado pelo duo, o novo álbum é a passagem para um cenário delicado e etéreo, trazendo na leveza o novo acervo instrumental do grupo.

Da mesma forma que os discos que o antecedem, o presente registro articula em atos lentos a estrutura de cada nova composição. Livre dos vocais, a dupla se concentra no uso apurado de texturas harmônicas, fazendo com que mesmo Bridge of Leaves, a canção mais curta do álbum, cresça substancialmente, como uma imensa colagem de ideias. Toda essa transformação vem da nova estrutura da banda, parcialmente livre das guitarras e investindo pesado no uso de sintetizadores – a principal “arma” do trabalho.

Mais do que substituir um instrumento por outro, ao entrar no território do quinto disco, o público mais uma vez é apresentado a todo um novo catálogo de referências. Se antes a dupla norte-americana parecia trilhar com firmeza em um caminho sombreado do Black Metal, aqui ela flutua. São faixas que escapam do delineamento orgânico e terreno – bem representado na capa do último disco -, para seguir em direção ao cosmos. Não por acaso Celestite carrega este título, um resumo das pequenas adequações da banda rumo ao espaço.

Espécie de trilha sonora para algum clássico da ficção científica nos anos 1970 – talvez Solaris (1972) ou Logan’s Run (1976) -, o novo álbum WITTR é uma obra que sobrevive de pequenas adaptações de conceitos – grande parte delas lançadas há três ou mais décadas. Há desde referências ao trabalho de veteranos da New Age, como Vangelis em Turning Ever Towards the Sun, até flertes com o Krautrock, relação escancarada no diálogo com o Tangerine Dream em Celestite Mirror. Continue reading

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Cozinhando Discografias: Kraftwerk

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Vale ressaltar que além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado da lista muito mais democrático e pontual.

Fruto de um dos períodos mais criativos da música germânica, o Kraftwerk talvez seja a melhor representação de toda a variedade de tendências que ocuparam a produção musical nos anos 1970. Inicialmente centrado na lisergia do Krautrock, o grupo comandado por Ralf Hütter e Florian Schneider não custou a alcançar o terreno da música eletrônica, revelando em arranjos minimalistas uma série de conceitos pioneiros para o gênero. Dona de um catálogo de clássicos como Autobahn (1974), Trans-Europe Express (1977) e The Man-Machine (1978), a banda é a nova escolhida da seção, tendo cada um dos dez registros de estúdio organizados do pior para o melhor exemplar. Continue reading

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Disco: “Reality Testing”, Lone

Lone
Electronic/IDM/Hip-Hop
https://www.facebook.com/magicwirelone

Por: Cleber Facchi

Lone

O teor frenético encontrado por Matt Cutler há dois anos, em Galaxy Garden (2012), parece longe de orientar a presenta fase do produtor como Lone. Ainda que a relação do artista inglês permaneça sustentada pela eletrônica dos anos 1990 – House, Ambient ou os experimentos da IDM -, em Reality Testing (2014, R&S), mais recente invento do artista, o resultado passa a ser outro. Menos “conceitual”, o disco se manifesta como uma verdadeira colagem de essências, fórmula que está longe de fugir da precisão estética dos últimos álbuns.

Talvez com exceção da faixa de abertura, First Born Seconds, cada segundo dentro da obra se manifesta como uma readequação do Instrumental Hip-Hop. Ainda olhando para o passado – principalmente para o trabalho de J Dilla, Madlib e, de forma autoral, DJ Shadow -, Lone utiliza de cada criação do disco como uma doce adequação de velhas imposições. Nostálgico, mas não menos transformador – vide o diálogo com a cena Garage -, o novo catálogo de Cutler é uma obra de temas atmosféricos, abstratos, mas não menos desafiadores em relação aos antigos temas do produtor – ou mesmo suas influências.

Da mesma forma que o bem sucedido single Airglow Fires, de 2013, Reality Testing usa de sintetizadores atmosféricos (no melhor estilo Boards Of Canada) como uma delicada base instrumental para o restante do disco. Todavia, enquanto a canção apresentada há poucos meses alcançava o mesmo detalhamento entusiasmado do disco de 2012, abraçando as pistas em sua “segunda parte”, com o presente disco Lone mantém os beats densos, típicos do Hip-Hop.

Outro aspecto importante em relação ao novo cenário desenvolvido por Cutler, diz respeito ao uso de diálogos e vocalizações aleatórias no meio das faixas. Livre de qualquer caráter “gratuito” e dissolvidos ao longo do registro, os samples de vozes criam uma imposição ruidosa em proximidade ao efeito essencialmente límpido do álbum de 2012. Basta perceber como Restless City e Meeker Warm Energy gerenciam essa estrutura, expandindo o teor “urbano” que recheia o álbum. A medida parece vir como uma alternativa à ausência de rimas – instintivas em faixas como a arrastada 2 is 8. Continue reading

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Champions League: “Flaco”

Ebiza

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O selo 25 Years & Running parece ter se especializado no lançamento de músicas tratadas de forma acolhedora e emanações íntimas do movimento Balearic Beat. Casa de um dos projetos mais doces de 2014 – como o já mencionado por aqui ANTHEMS -, o selo francês surge agora com mais uma criação inédita da dupla parisiense Champions League, Flaco, mais uma doce fração do Ebiza (olha a homenagem) EP.

Lembrando, obviamente, parte das experiências lançadas na cena de Ibiza, há duas décadas, a nova faixa ecoa vozes etéreas e batidas que parecem se fragmentar aos poucos no ouvido do espectador. Na trilha de veteranos do gênero, como jj, Ceo, além do extinto Air France, a canção é uma das faixas mais hipnóticas que surgiram da cena europeia nos últimos meses. São pouco menos de quatro minutos de duração, tempo mais do que suficiente para ser sugado para dentro do ambiente mágico explorado no decorrer da canção.

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Champions League – Flaco

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Quays: “Physisicks”

Quays

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Quays é um produtor nova-iorquino que encontrou um método bastante peculiar para divulgar suas composições. Para ter acesso aos primeiros singles do artista, o ouvinte deveria ligar pelo Skype para o número 917-410-6948. Após alguns segundos de espera, uma voz robótica apresentava a canção – tão misteriosa quanto o artista. A estratégia acabou atraindo uma centena de sites de música e ouvintes, que agora já podem se deliciar com as poucas criações do produtor em seu perfil no Soundcloud.

Dando sequência ao projeto – 917-410-6948 é na verdade o título da próxima mixtape de Quays -, é hora de ser hipnotizado pela delicada Physisicks. Mais novo single do norte-americano, a canção usa das batidas lentas e sintetizadores brandos como uma passagem para a obra do artista. Lembrando uma versão desacelerada da canções do também excêntrico Arca, a nova faixa de Quays atravessa a Ambient Music até encontrar no Hip-Hop uma ferramenta de manipulação, logo, é difícil não ser convencido pelo trabalho do produtor.

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Quays – Physisicks

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Disco: “The Moon Rang Like A Bell”, Hundred Waters

Hundred Waters
Indie/Electronic/Dream Pop
http://www.hundred-waters.com/

Por: Cleber Facchi

Desde o lançamento do primeiro disco, em 2012, o quarteto Hundred Waters fez da sonoridade emanada pelas próprias canções uma passagem envolvente para o etéreo. Cruzando referências que vão do Folk aos arranjos eletrônicos, passando pela psicodelia proposta na década de 1970 e o Drem Pop em 1980, a banda de Gainesville, Florida está longe de encontrar conforto dentro de uma atmosfera específica. Posicionamento que o recém-lançado The Moon Rang Like A Bell (2014, OWSLA), segundo álbum de estúdio, revela em meio a colagens de sons tão mágicas, quanto realistas e desafiadoras.

Distante da homogeneidade que parecia alcançada no bem recebido debut, o novo álbum é uma obra de possibilidades. Do momento em que Show Me Love inaugura o disco até a chegada de No Sound, no encerramento da obra, cada passo dado pelo quarteto – Nicole Miglis, Trayer Tryon, Paul Giese e Zach Tetreault – evidencia transformação e ruptura. Com um pé na realidade e outro no plano astral, o disco se desmancha como uma nuvem doce de colagens e essências, ambiente exato para a hipnose coletiva que o grupo expande com o passar das músicas – sempre aproximadas, como um bloco único de sons.

Um pouco mais “sintético” que o álbum de 2012, The Moon Rang Like A Bell evita a proliferação de arranjos acústicos, mergulhando o ouvinte em um agregado de essências quase irreais, distantes da nossa realidade. Das batidas que ecoam o trabalho de Björk na década de 1990 ao diálogo com o Pós-Rock, dos flertes vocais com o R&B ao agregado denso do Dream Pop, cada canção autoriza o grupo a provar de pequenas tendências. Se em segundos o disco soa como o Múm em boa fase, logo nos minutos seguintes alguma diva da música negra parece arrastada para o mesmo ambiente de Julia Holter.

Livre de certezas, a presente obra do Hundred Waters aposta unicamente no invento e na desconstrução das ideias. Dessa forma, cada música cresce como um objeto isolado dentro do álbum. Enquanto Out Lee brilha em virtude dos argumentos eletrônicos dentro de uma formação mística, Innocent, logo em sequência, surge fria, matemática em determinados pontos. Uma constante sensação de que as experiências lançadas em músicas como Thistle, do disco passado, não apenas foram ampliadas, como encontraram novo significado nas mãos e exigências do grupo. Nada que prejudique a coerência do registro, continuamente amplo e aproximado esteticamente na mesma medida. Continue reading

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Disco: “A U R O R A”, Ben Frost

Ben Frost
Experimental/Ambient Dark/Noise
https://soundcloud.com/benfrost

Por: Cleber Facchi

Ben Frost

A inexatidão obscura dos ruídos e fórmulas “instrumentais” sempre foi encarada por Ben Frost como um mecanismo básico para cada registro em estúdio. Curioso pensar que em A U R O R A (2014, Mute/Bedroom Community), mais recente obra do australiano residente em Reykjavík, Islândia, a premissa seja outra, quase opositiva. Parcialmente linear, o disco usa das tradicionais ambientações do artista como um princípio de movimento entre as faixas, gerando uma obra que mesmo complexa e etérea em suas definições, reflete uma linha temática que praticamente padroniza e orienta as canções.

Sequência (quase) imediata ao exercício lançado em By the Throat, de 2009, o novo álbum é uma obra de perversão em se tratando dos conceitos limitadores da Ambient Dark. Longe de promover um registro minimalista e hermético, como boa parte dos trabalhos do gênero, Frost parece inclinado a desconstruir a essência do estilo – além, claro, da própria discografia. Do momento em que tem início, em Flex, até a canção de encerramento, A Single Point Of Blinding Light, o músico usa dos ruídos para “contar uma história”. Um resumo caótico pré ou pós-apocalíptico, mas que revela sua essência mesmo sem esboçar palavras ou mínimas emanações vocais.

Sujo e intenso, o álbum é praticamente uma resposta ao ambiente compacto de algumas das grandes obras do estilo lançadas nos últimos anos – principalmente em 2013. Enquanto Excavation, de The Haxan Cloak, ou Virgins, de Tim Hecker (velho parceiro de Frost) se acomodam em sobreposições pacatas e atmosféricas, cada minuto de A U R O R A tende ao exagero. Praticamente uma obra dissidente do recém-lançado To Be Kind, do Swans – influência confessa do músico -, o presente álbum cresce durante todo o tempo, não economiza nas batidas e ainda transporta a mente do ouvinte para um cenário tão desconcertante, quanto hipnótico, difícil de ser evitado.

Parte desse exercício vem do uso assertivo da percussão desenvolvida para a obra. Com assinatura de Greg Fox, ex-integrante do Liturgy e atual baterista do Guardian Alien, as batidas orgânicas exterminam qualquer instante de calmaria que possa minimizar o funcionamento do disco, dando ao ouvinte – mesmo os não interessado em obras do gênero – um motivo para se manter atento durante toda a formação do álbum. Seja em composições montadas lentamente, caso de Venter, ou em faixas abastecidas pela desordem, vide Nolan, Frost e Fox desenvolvem um labirinto de sons essencialmente mutáveis, perfeitos para instigar o público. Nada de clamaria ou prováveis instantes de ruídos alongados, típicos do drone, em A U R O R A prevalece a imposição caótica dos argumentos. Continue reading

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Wolves In The Throne Room: “Celestite Mirror”

Celestite

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Poucas são as bandas capazes de administrar a dualidade da própria sonoridade de forma tão incrível quanto a norte-americana Wolves In The Throne Room. Brincando com os contrastes, o grupo de Washington comandado pelos irmãos Nathan e Aaron Weaver vai da Ambient Music ao Black Metal em arranjos bem diluídos – coesos mesmo em suas diferentes direções. Faixas breves ou extensas que encontraram sua melhor forma em Celestial Lineage, de 2011. Ou pelo menos era isso que aprecia entendido antes da recém-lançada Celestite Mirror e o anúncio do novo álbum da banda: Celestite (2014).

Com mais de 14 minutos de sintetizadores etéreos e bases cósmicas sobrepostas, a nova composição transporta o ouvinte para um ambiente paralelo totalmente brando – isso até a chegada dos primeiros ruídos, aos 10 minutos de faixa. Ainda sem dizer uma só palavra, os irmãos Weaver conseguem instigar sem dificuldades, ocultando do espectador a real essência do trabalho que só será apresentado no dia oito de junho. Só um aviso: não se surpreenda com futuras vozes guturais e o natural contraste sonoro da dupla nas próximas semanas. Acima, a capa onírica do trabalho.

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Wolves In The Throne Room – Celestite Mirror

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