Tag Archives: Ambient

Fatima Al Qadiri: “Battery”

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Brute (2016), esse é o nome do segundo e mais recente trabalho em estúdio de Fatima Al Qadiri. Dona de um dos grandes trabalhos lançados em 2014, o curioso Asiatisch, e também colaboradora no primeiro álbum do quarteto Future Brown, apresentado em 2015, Qadiri parece seguir um caminho ainda mais “agressivo” em relação aos últimos projetos. Percepção que se reforça não apenas no título do novo álbum, mas principalmente nos sintetizadores, batidas e entalhes eletrônicos de Battery.

Primeiro single do novo registro de inéditas da produtora, a composição que passeia por elementos dos filmes de Western, experimentos da década de 1980 e todo um catálogo de referências mostra uma sonoridade bem diferente daquela produzida em Asiatisch. Uma espécie de regresso aos dois principais EPs assinados pela artista, Genre-Specific Xperience (2011) e Desert Strike (2012). Na capa do disco (imagem acima), uma escultura assinada pelo artista plástico Josh Kline com o personagem Po, da série infantil Teletubbies, vestido como um policial.

Brute (2016) será lançado no dia 04/03 pelo selo Hyperdub.

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Fatima Al Qadiri – Battery

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Mogwai: “U-235”

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Se em Rave Tapes (2014) o Mogwai parecia viajar pelo cosmos e pelos experimentos eletrônicos da década de 1970, com a chegada de Atomic (2016), o grupo de Glasgow parece ir ainda mais longe. Até o Sol. Trilha-sonora do documentário homônimo que será produzido pela BBC, o registro de dez faixas traz de volta os mesmos conceitos atmosféricos testados pelo grupo há dois anos, revelando ao público um jogo de sons delicados e fórmulas instrumentais que crescem a partir do permanente uso de sintetizadores.

Escolhida para apresentar o novo álbum, U-235 resume com acerto parte do material produzido pela banda. Atos cíclicos de guitarras, batidas e pianos que dançam de acordo com os pequenos encaixes sintetizados da canção, íntimos do material apresentado em 2014. Um som essencialmente contido, mas que em nenhum momento oculta a imensa tapeçaria de detalhes e sobreposições que definem o trabalho da banda há mais de duas décadas.

Atomic (2016) será lançado no dia 01/04 pelo selo Rock Action.

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Mogwai – U-235

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Disco: “Presença”, Cássio Figueiredo

Cássio Figueiredo
Experimental/Ambient/Drone
https://cassiofigueiredo.bandcamp.com/

 

Microfonias, sons de carros, ruídos abafados, vozes, arranjos lentos e o riso torto que se repete de forma cíclica. Basta uma audição detalhada para perceber que a música de Cássio Figueiredo se alimenta de instantes. Fragmentos instrumentais (e cotidianos) que se movimentam lentamente, sussurrando e crescendo sem exageros, efêmeros, como peças que se encaixam de forma a reproduzir o curto acervo do delicado Presença (2016, Independente).

Quarto e mais recente registro de inéditas do músico de Volta Redonda, o disco de 12 faixas curtas parece seguir a trilha anteriormente explorada pelo músico no álbum Diário, de 2015, dançando uma valsa lenta de sobreposições minimalistas, sempre enevoadas. A diferença em relação aos últimos trabalhos de Figueiredo está na curiosa sensação de “acolhimento” criada pelo disco, conceito que se reforça pelo uso atento de melodias tímidas – marca de composições como Retorno e Laura.

Mesmo a tapeçaria soturna de músicas como Rua e Trajeto – porções “fantasmagóricas” do registro – em nenhum momento interferem na montagem delicada que sustenta parte expressiva da obra. Presença, como um típico trabalho de Figueiredo, é um a obra entregue ao curioso experimento de seu criador. Exemplo disso sobrevive nas maquinações etéreas de Entre coisas, um dos fragmentos mais curiosos do disco e uma espécie de “diálogo” do artista com o mesmo som obscuro de nomes como Balam Acab.

Ao mesmo tempo em que parece “confortar” o ouvinte em um cenário de regras preestabelecidas, o músico lentamente cria pequenas brechas e curvas bruscas que provocam a interpretação do ouvinte. Composições como a cinzenta Trajeto, uma climática sequência de ruídos sobrepostos, inicialmente branda, mas que colide em uma instável parede de ruídos nos instantes finais. Continue reading

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Disco: “新しい日の誕生”, 2 8 1 4

2 8 1 4
Vaporwave/Ambient/Experimental
http://hkedream.bandcamp.com/

 

No oceano de referências nostálgicas, estética irônica e sons reciclados que caracterizam a Vaporwave, 新しい日の誕生 (2015, Dream Catalogue) talvez seja um principais ponto de apoio e renovação para o estilo. Fruto da parceria entre t e l e p a t h テレパシー能力者 e o produtor britânico Hong Kong Express, o registro de oito faixas utiliza da lenta sobreposição de batidas, ruídos e bases eletrônicas como o estímulo para a rica tapeçaria de sons atmosféricos que conduzem o ouvinte pelo interior do trabalho.

Segundo registro do 2 8 1 4 lançado pelo Dream Catalogue – selo comandado por HKE e um dos principais expositores do gênero -, 新しい日の誕生 – algo como “o nascimento de um novo dia”, em português -, em nenhum momento parece ultrapassar um específico cercado instrumental apontado pela dupla. São sintetizadores, acordes diminutos de guitarras, batidas e até samples de chuva ou diálogos abafados que se encaixam lentamente. Não fosse pelo fade out ao final de cada canção, seria fácil encarar o disco como um imenso bloco de sons enevoados, parte de uma mesma faixa.

Talvez venha daí o estranho fascínio que álbum exerce sobre o ouvinte. Do momento em que 恢复 tem início, passando por composições extensas, como 悲哀 e テレパシー, até a chegada de 新しい日の誕生, faixa de encerramento do disco, todos os elementos se encaixam de forma a capturar o público. Uma coleção de temas brandos que se movimentam com extrema delicadeza, cercando e confortando o ouvinte antes mesmo que os primeiros 15 minutos do trabalho tenham se passado.

Longe de parecer um registro original, 新しい日の誕生 dialoga de forma criativa com uma variedade de obras – antigas e recentes – da música eletrônica. Enquanto faixas como 恢复 e 遠くの愛好家 parecem flutuar no mesmo campo etéreo de Selected Ambient Works Volume II (1994), segundo álbum de estúdio do irlandês Aphex Twin, sintetizadores cósmicos e até mesmo o uso pontual da voz como instrumento aos poucos aproximam o presente álbum dos discos registros produzidos pela dupla Boards of Canada. Continue reading

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Disco: “Mutant”, Arca

Arca
Experimental/Electronic/Ambient
http://www.arca1000000.com/

 

Alejandro Ghersi não poderia ter pensado em um título mais inteligente para o segundo álbum como Arca do que Mutant (2015, Mute). De fato, desde a estreia do produtor venezuelano, em 2012, a incerteza das batidas e imagens – assinadas pelo parceiro Jesse Kanda – servem de estímulo para cada composição produzida pelo artista. Uma permanente desconstrução ampliada durante o lançamento do álbum Xen, em 2014, mas que se revela de forma ainda mais assertiva e perturbadora nos mais de 60 minutos do presente álbum.

Livre da vitrine de possibilidades explorada no trabalho entregue há pouco mais de um ano, em Mutant, Arca conquista uma obra que mesmo torta, essencialmente instável, mantém firme a relação de similaridade entre as faixas. Em um explícito exercício de aproximação, cada música parece servir de estímulo para a composição seguinte, resultando em um registro que lentamente oculta as próprias lacunas e se completa.

São colagens eletrônicas (Sinner), vocais explorados como instrumentos (Anger) e até a interferência atípica de instrumentos, marca de Gratitud, 13ª faixa do disco e composição que parece extraída do clássico Endless Summer (2001), do produtor austríaco Fennesz. Observado de forma atenta, mais do que um exercício de criação, com o segundo álbum de inéditas, Arca se concentra em “homenagear” e resgatar o trabalho de diferentes nomes da música experimental – antiga ou recente.

Difícil não lembrar de Oneohtrix Point Never nos ruídos sobrepostos de En, uma típica canção do álbum Replica (2011). O mesmo vale para nomes como Tim Hecker, Laurel Halo, The Haxan Cloak e outros produtores que partilham da mesma essência musical que Ghersi e parecem dissolvidos no interior do trabalho. A própria relação de Arca como produtor de Vulnicura (2015), último registro de inéditas da cantora Björk, se reflete em músicas como Snakes e Soichiro, possíveis sobras do trabalho assinado em parceria. Continue reading

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Disco: “Garden of Delete”, Oneohtrix Point Never

Oneohtrix Point Never
Experimental/Electronic/Ambient
https://www.facebook.com/oneohtrix/

 

Poucas vezes antes um trabalho de Daniel Lopatin pareceu tão raivoso quanto Garden of Delete (2015, Warp). Oitavo registro de inéditas do produtor estadunidense, o álbum que segue a boa fase iniciada em Returnal, de 2010, talvez seja o projeto mais ambicioso e ainda assim honesto de toda a carreira do artista. Trata-se de um reflexo da própria adolescência do Lopatin e toda a influência de clássicos do Grunge e Heavy Metal na educação musical do artista.

Convidado a excursionar ao lado de Nine Inch Nails e Soundgarden em 2014, ocupando a vaga do temporariamente extinto coletivo Death Grips, Lopatin transporta para dentro do presente registro o mesmo som instável apresentado ao lado dos veteranos do rock alternativo no último ano. Um meio termo entre o rico catálogo de bases experimentais testados desde o fim da década passada e toda a massa de sons robóticos aplicados pelo produtor nas apresentações da última turnê. 

Ao mesmo tempo em que a essência climática do clássico Replica (2011) parece preservada em boa parte do registro, durante toda a produção da obra, Lopatin se concentra em bagunçar o esboço anteriormente apresentado em R Plus Seven (2013). De forma acelerada, crescente, faixas como I Bite Through It e Mutant Standard replicam com naturalidade o mesmo conjunto de elementos incorporados no disco lançado há dois anos. A diferença está nas constantes quebras e curvas bruscas assumidas pelos sintetizadores de Lopatin.

Enquanto composições como Boring Angels e Chrome Country, ambas do disco anterior, pareciam seguir um percurso “linear”, mesmo em meio a experimentos típicos da obra de Oneohtrix Point Never, em Garden of Delete, faixa, após faixa, Lopatin se concentra em bagunçar (ainda mais) a interpretação do ouvinte. Lidando com fragmentos resgatados de uma imensa lixeira virtual, o produtor recorta, adapta, encaixa e cola diferentes peças instrumentais que provocam o público até ruído final de No Good.   Continue reading

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Disco: “Deus Sabe”, Ceticências

Ceticências
Nacional/Electronic/Experimental
https://www.facebook.com/Ceticencias/
http://ceticencias.bandcamp.com/

A julgar pelo excesso de projetos colaborativos de Cadu Tenório, em 2013, quando lançou Issamu Minami, o Ceticências parece ser “apenas mais um” na crescente lista de inventos assinados pelo músico carioca. Curioso perceber nas canções do recém-lançado Deus Sabe (2015, Domina), segundo registro de inéditas ao lado do parceiro Sávio de Queiroz, um completo distanciamento e explícita maturidade em relação ao mesmo material entregue há pouco mais de dois anos.

Passo além em relação ao atmosférico Lua – um dos 50 melhores discos nacionais de 2013 -, Deus Sabe talvez seja o registro mais versátil e, ainda assim, “tímido” já apresentado pela dupla. Ao mesmo tempo em que a base instrumental do disco cresce em uma solução limitada de sintetizadores, vozes e batidas eletrônicas, faixa, após faixa, Tenório e Queiroz se concentram em detalhar um mundo de texturas que instantaneamente seduzem o ouvinte.

Composição escolhida para apresentar o disco, a inaugural Deus Sabe #2 dança em um mundo de ruídos e colagens que se fragmentam lentamente. São pequenos atos instrumentais que mergulham de cabeça em elementos típicos do Hip-Hop, sons “aquáticos” e todo um catálogo de encaixes minimalistas. Uma espécie de passeio não linear que esbarra em pessoas e ambientes urbanos como o clipe da canção – produzido pelo fotógrafo Felipe Barsuglia – parece indicar.

No restante da obra, uma delicada reciclagem de ideias. Sintetizadores invadem Virtual Sunrise; bases metálicas na curtinha Medusa; experimentos sujos, por vezes perturbadores na soturna Gás. Nada que se compare ao rico acervo de ideias que sustenta Drugs & Homossexualism. São quase oito minutos em que elementos testados pela dupla no antecessor Lua dialogam com clássicos da Ambient Music, caso de Selected Ambient Works (1992), do Aphex Twin, e Endless Summer (2001), do austríaco Fennesz. Continue reading

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Bibio: “Petals”

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Dono de uma extensa discografia marcada pela sutileza das vozes, batidas e bases instrumentais, o produtor britânico Bibio reserva para o final de novembro o relançamento de dois de seus trabalhos mais importantes. O primeiro é o delicado Fi, álbum de estreia do artista lançado em 2005. Já o segundo é o clássico Ambivalence Avenue, registro originalmente apresentado ao público em 2009 e a obra-prima do músico inglês até aqui.

Além da série de relançamentos – previstos para 27/11 -, Bibio acaba de anunciar o lançamento de um novo registro de estúdio. Ainda sem título e nem data de lançamento, o trabalho provavelmente de ser entregue ao público na primavera de 2016. Escolhida para apresentar o novo disco, primeiro álbum de inéditas desde Silver Wilkinson, de 2013, a econômica Petals reforça o completo fascínio do produtor pela música psicodélica dos anos 1960, resultado explícito no curioso diálogo do artista com a música lançada há cinco ou mais décadas.

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Bibio – Petals

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Arca: “Vanity”

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Em um sentido oposto ao material apresentado em Xen (2014), quando convidou Jesse Kanda para produzir o “personagem” virtual que serviria de símbolo para o projeto, Alejandro Ghersi parece utilizar o próprio corpo como base para a sequência de vídeos que sustentam o novo trabalho como Arca, o aguardado Mutant (2015). Jogando com elementos fetichistas, marca dos antecessores En e Soichiro, Ghersi apresenta agora o clipe de Vanity.

Enquanto a música segue em um labirinto de ruídos e curvas marcadas pelo completo experimento, visualmente, Ghersi e o parceiro Daniel Sannwald investem no uso de imagens provocantes, quase eróticas em determinados momentos. Planos filmados em uma cama escura ou mesmo embaixo d’água, mas que acabam replicando o mesmo visual disforme, perturbador, assinado por Kanda durante a produção do registro passado.

Mutant (2015) será lançado no dia 20 de novembro pelo selo Mute.

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Arca – Vanity

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Mark McGuire: “Son of the Serpent”

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A busca por um som grandioso, épico, parece orientar o trabalho do norte-americano Mark McGuire no ainda inédito Beyond Belief (2015). Oficialmente apresentado há poucas semanas, durante o lançamento do extenso single “Earth: 2015” – com mais de 10 minutos de duração -, o álbum que chega para ocupar o lugar de Along The Way (2014), último registro em estúdio do músico norte-americano em um dos 50 melhores discos internacionais de 2014, acaba de contar com uma nova composição: Son of The Serpent.

Confortada em uma base de arranjos crescentes, a canção lentamente abre espaço para a inserção de vozes, um elemento raro dentro dos trabalhos do multi-instrumentista. Difícil não lembrar dos primeiros trabalhos de Anthony Gonzalez no M83, como Dead Cities, Red Seas & Lost Ghosts (2003), ou até mesmo obras recentes, caso do eletrônico Saturdays = Youth (2008).

Beyond Belief (2015) será lançado no dia 13/11 pelo selo Dead Oceans.

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Mark McGuire – Son of the Serpent

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