Tag Archives: Ambient

Mark Pritchard: “Under The Sun”

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Mark Pritchard decidiu apresentar o novo álbum de inéditas, Under The Sun (2016), em uma crescente de canções hipnóticas. Primeiro veio a atmosférica Sad Alron, com seus dois minutos de emanações ambientais e temas minimalistas. Depois foi a vez de Bautiful People, bem-sucedida parceria com o conterrâneo Thom Yorke e um verdadeiro salto em relação ao material originalmente apresentado pelo produtor inglês.

Com a chegada da faixa-título de Under The Sun, um novo salto criativo. São quase sete minutos em que um sample picotado dança delicadamente em cima da base etérea incorporada por Pritchard. Uma lenta colisão de vozes, sintetizadores e pequenos ruídos eletrônicos que instantaneamente criam uma espécie de ponte para o trabalho apresentado anteriormente pelo produtor.

Under the Sun (2016) será lançado no dia 13/05 pelo selo Warp

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Mark Pritchard – Under The Sun

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Harrison: “Vanilla” (ft. Ryan Hemsworth)

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Tudo que passa pelas mãos do produtor canadense Ryan Hemsworth se transforma. O resultado? Algo normalmente “fofo”, delicado, como se tivesse saído de alguma animação japonesa para crianças. Em Vanilla, mais recente trabalho do norte-americano Harrison, não poderia ser diferente. Uma canção dominada por sintetizadores e batidas quebradas que acaba mergulhando em um som essencialmente doce, pueril, efeito da bem-sucedida colaboração com Hemsworth.

Parte do novo registro de inéditas de Harrison, a canção também conta com distribuição pelo selo Secret Songs, do próprio Hemsworth. Entre os artistas que já contribuíram para a série de singles, nomes como Disasterpeace (responsável pela excelente trilha do filme It Follows), a neo-zelandesa Madeira (também integrante do Yumi Zouma), além de outros produtores como Mister Lies, o rapper Rome Fortune e dd elle.

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Harrison – Vanilla (ft. Ryan Hemsworth)

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Disco: “Love Streams”, Tim Hecker

Artista: Tim Hecker
Gênero: Experimental, Drone, Ambient
Acesse: http://sunblind.net/

 

Mesmo responsável por uma sequência de obras que marcaram o começo dos anos 2000, caso de Haunt Me, Haunt Me Do It Again (2001) e Harmony in Ultraviolet (2006), Tim Hecker passou os últimos seis anos se reinventando de forma tão criativa quanto em início de carreira. São trabalhos lançados em parceria com Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) – Instrumental Tourist (2012) -, além de uma sequência de obras maduras – Ravedeath, 1972 (2011) e Virgins (2013) – que se completam com a chegada de Love Streams (2016, 4AD / Paper Bag).

Terceiro “capítulo” da série de registros gravados no Greenhouse Studios, em Reykjavík, Islândia, o álbum tecido por ruídos, distorções e sobreposições etéreas lentamente afasta Hecker do som produzido até o último registro de inéditas. Trata-se de uma passagem para um cenário marcado pelo uso de vozes e ambientações eletrônicas, uma edição condensada de grande parte do material produzido pelo músico na última meia década.

Obra de segredos e encaixes minimalistas, detalhes que flutuam ao fundo da onda de distorções que cobre o disco, Love Streams, diferente dos dois últimos discos de Hecker, encontra na interferência restrita dos vocais um poderoso componente. Junto do produtor, Kara-Lis Coverdale e Grímur Helgason, colaboradoras desde Virgins, espalham uma corredeira de vozes que se movimentam de acordo com as exigências de Hecker. Um canto sombrio, por vezes operístico, como se um novo “instrumento” fosse explorado ao longo da obra.

Em Castrati Stack, oitava faixa do disco e composição escolhida para apresentar Love Streams, uma perfeita síntese do canto experimental que se projeta ao longo da obra. Canção mais intensa do disco – junto de Music of The Air -, a peça de quatro minutos encolhe, cresce, passa por um labirinto de sintetizadores, ruídos claustrofóbicos e estática até desembocar em uma solução de vozes atmosféricas, semi-angelicais, como o remix de um canto fúnebre gravado dentro de uma igreja. De fato, a temática religiosa se revela em grande parte do disco. Uma confessa extensão do mesmo conceito assumido por Kanye West em 2013, durante o lançamento do álbum Yeezus. Continue reading

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Disco: “Capsule’s Pride”, Bwana

Artista: Bwana
Gênero: Electronic, Experimental, Ambient
Acesse: http://luckyme.net/bwana/

– Nós ainda não temos o poder
– Mas um dia teremos
– Por que já começou

Ainda que a frase de encerramento de Akira, filme de 1988 dirigido e criado por Katsuhiro Ôtomo, se relacione diretamente com a trama apresenta na obra, difícil não perceber a evolução do trabalho – película ou mangá – como um poderoso fenômeno cultural. Uma ativa herança conceitual que se manifesta em diferentes produtos midiáticos – como séries, filmes e livros -, alcançando no recente Capsule’s Pride (2016, LuckyMe) um de seus melhores exemplares.

Produzido pelo canadense Nathan Micay – que aqui se apresenta sob o título de Bwana -, o registro de nove composições “inéditas” nasce como uma inteligente reciclagem de grande parte da obra apresentada há quase três décadas. Diálogos, ruídos, efeitos e até mesmo trechos extraídos da trilha sonora original do filme – assinada pelo coletivo japonês Geinō Yamashirogumi – se transformam em instrumentos nas mãos do artista de Toronto.

Em uma estrutura linear, seguindo de perto a sequência de eventos que marcam a animação de 1988, Micay brinca com grande parte da obra assinada por Ôtomo de forma instável, criando uma espécie de ponte para um território dançante, particular. Da abertura do disco, com The Capsule’s Pride (Bikes), passando por faixas como Failed Escape (Where you Belong) e The Colonel’s Mistake, The Scientist’s Regret, cenas e diálogos são cuidadosamente adaptados em um poderoso remix.

Nomes de personagens – “Akira”, “Tetsuo”, “Kaneda” e “Kei” – e até cenas inteiras que se repetem de forma cíclica dentro das batidas e temas eletrônicas do canadense, alimentando a base urgente que conduz o álbum até o últimos instante. Mesmo a trilha sonora de Geinō Yamashirogumi surge de forma picotada no interior obra, como se Micay extraísse apenas o que há de mais marcante no trabalho – vide a reciclagem das vozes em coro e toda a percussão “futurística” pensada para a película. Continue reading

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Disco: “A Cosmic Rhythm With Each Stroke”, Vijay Iyer & Wadada Leo Smith

Artista: Vijay Iyer & Wadada Leo Smith
Gênero: Jazz, Ambient, Experimental
Acesse: http://vijay-iyer.com/

 

A tristeza corrompe cada nota apresentada em A Cosmic Rhythm With Each Stroke (2016, ECM). Trabalho desenvolvido em parceria entre o pianista e compositor nova-iorquino Vijay Iyer e o trompetista Wadada Leo Smith, um dos veteranos do avant-garde jazz norte-americano, a obra de ambientação sorumbática se espalha lentamente, revelando uma imensa colcha de retalhos marcada por temas intimistas, profundamente sombrios e emocionais.

Em um movimento conjunto que vai da abertura do registro, com Passage, e segue até a execução da extensa Marian Anderson, no encerramento da obra, Iyer e o parceiro de estúdio trocam confissões e sentimentos que sutilmente ocupam o interior do trabalho. Uma espécie de canto silencioso, por vezes perturbador, capaz de ocupar os pequenos respiros deixados pelo trompete de Smith e a imensa base instrumental que o pianista detalha até o último instante do álbum.

Extensão cuidadosa do mesmo material produzido em obras como Solo (2010) e Accelerando (2012) – este último, lançado como parte do projeto Vijay Iyer Trio -, A Cosmic Rhythm… vai além de uma longa composição atmosférica, íntima de toda a série de registros assinados pelo pianista norte-americano. Trata-se de uma obra conduzida pela emoção, como se o “canto” melancólico despejado pelo trompete de Smith fosse capaz de interferir na tapeçaria que flutua em faixas como Labyrinths e A Divine Courage.

Ainda que seja fácil lembrar de obras assinadas por veteranos como Miles Davis e outros gigantes do Jazz norte-americano, durante toda a construção da obra, Iyer e Smith tentam estabelecer um conjunto de regras próprias. São instantes de isolamento rompidos por inserções crescentes de piano e gritos melancólicos que escapam do instrumento de Smith. Segunda canção do disco, All Become Alive sintetiza com acerto essa permanente estrutura montada para o álbum. Pouco mais de nove minutos em que os arranjos se alteram de acordo com as orquestrações da dupla. Continue reading

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Julianna Barwick: “Same” (ft. Mas Ysa)

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Ainda que a voz continue servindo como principal “instrumento” de atuação para Julianna Barwick, desde o lançamento de Nephente, em 2013, a cantora e compositora norte-americana vem buscando por novas possibilidades em estúdio. Prova disso está na apresentação de Nebula, primeiro single do novo álbum de estúdio da artista, Will (2016), e um evidente recomeço dentro da carreira de Barwick, cada vez mais íntima do som etéreo e experimentos que abasteceram a música ambiental dos anos 1970.

Em Same, composição também pensada para o novo álbum de inéditas, Barwick e o convidado Thomas Arsenault, do projeto canadense Mas Ysa, criam uma faixa que parece crescer lentamente, carregada de detalhes e nuances de vozes. Uma sobreposição de ruídos, bases atmosféricas e sintetizados que tentam delicadamente ocultar uma letra marcada por sentimentos obscuros e os tradicionais versos alongados que marcam a carreira da cantora.

Will (2016) será lançado no dia 06/05 pelo selo Dead Oceans.

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Julianna Barwick – Same (ft. Mas Ysa)

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Brian Eno: “The Ship”

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Lux (2012), último registro solo de Brian Eno, trouxe de volta a mesma atmosfera arquitetada pelo músico britânico em toda a série de clássicos da música ambiente no final da década de 1970. Obras como Ambient 1: Music for Airports (1978) e Apollo: Atmospheres and Soundtracks (1983) que continuam a servir de inspiração para o trabalho do veterano, base da recém-lançada The Ship, faixa-título do novo álbum de inéditas de Eno e uma delicada composição com mais de 20 minutos de duração.

Uma das duas faixas que abastecem o novo disco – Fickle Sun, a outra canção, beira os 30 minutos -, The Ship abre em meio a sintetizadores atmosféricos, administra a inserção de ruídos eletrônicos e lentamente abre espaço para a chegada de um conjunto de vozes lentas, propositadamente arrastadas, como uma espécie de instrumento complementar dentro do longo invento do compositor.

The Ship (2016) será lançado no dia 29/04 pelo selo Warp.

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Brian Eno – The Ship

 

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Tim Hecker: “Black Phase”

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Responsável por uma das mais belas composições apresentadas nos últimos meses, Castrati Stack, o produtor canadense Tim Hecker continua revelando ao público pequenos fragmentos que estarão no oitavo álbum de inéditas da carreira, Love Streams (2016). Em Black Phase, mais recente criação do produtor, vozes e ruídos se entrelaçam delicadamente, expandindo com naturalidade a presença do canto nórdico, principal “instrumento” dentro do novo trabalho de Hecker.

Ao mesmo tempo em que os arranjos e bases seguem a mesma atmosfera sufocante ressaltada em Virgins, de 2013, as vozes pontuais de Kara-Lis Coverdale e Grímur Helgason, colaboradores desde o último disco de Hecker, criam pequenos respiros dentro da massa de ruídos lançados pelo canadense. Um ato único, seis minutos em que sintetizadores e distorções arrastam o ouvinte, detalhando bases fúnebres e encaixes sempre minimalistas.

Love Streams (2016) será lançado no dia 08/04 pelo selo 4AD.

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Tim Hecker – Black Phase

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Mark Pritchard: “Beautiful People” (ft. Thom Yorke)

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Para anunciar o lançamento de Under the Sun (2016), novo álbum de inéditas, o produtor britânico Mark Pritchard decidiu brincar com o suspense. Mesmo acompanhado de Thom Yorke, Bibio, Linda Perhacs e Beans em grande parte das composições, foi com a delicada e ambiental Sad Alron que o artista inglês presenteou o público, abrindo passagem para o aguardado registro, agora parcialmente exposto com Beautiful People, parceria entre Pritchard e o líder do Radiohead.

Típica canção de Brian Eno em obras como Another Green World (1975) e Before and After Science (1977), a faixa de versos tímidos parece crescer delicadamente em meio a batidas e sintetizadores cíclicos, espalhando a voz robótica, parcialmente abafada, de Thom Yorke. Três atos minimalistas e um sutil crescimento nos instantes finais. Um claro indicativo da completa serenidade e permanente que conduz o novo álbum produzido por Pritchard.

Under the Sun (2016) será lançado no dia 13/05 pelo selo Warp.

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Mark Pritchard – Beautiful People (ft. Thom Yorke)

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Julianna Barwick: “Nebula”

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Longe da atmosfera bucólica que deu vida ao álbum The Magic Place (2011), em 2013, a cantora, compositora e produtora norte-americana Julianna Barwick fez do delicado Nephente um novo passo dentro da própria carreira. Com produção assinada por Alex Somers, marido de Jónsi, vocalista do Sigur Rós, o registro parece apontar a direção para o novo álbum de inéditas de Barwick, Will (2016), um trabalho de nove composições que se apresenta na recém-lançada Nebula.

Mais uma vez tendo a voz como principal “instrumento” de trabalho, Barwick cria uma faixa que lentamente autoriza a interferência de novos elementos. Do sintetizador crescente ao uso de pequenos arranjos que se projetam ao fundo da canção, mais uma vez o ouvinte é transportado para dentro de um imenso labirinto de detalhes, vozes ecoadas e plena sutileza, marca de toda a série de registros produzidos pela cantora desde o fim da década passada.

Will (2016) será lançado no dia 06/05 pelo selo Dead Oceans.

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Julianna Barwick – Nebula

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