Tag Archives: Ambient

Caribou: “Our Love”

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Com míseros três minutos de duração, Can’t Do Without You consegue ser mais expressiva do que muitos trabalhos inteiros lançados nos últimos oito meses. Primeira composição lançada pelo canadense Daniel Snaith para o novo álbum do Caribou – Our Love (2014) -, a quase transcendeste canção está longe de ser o único exemplar assertivo do disco recém-lançado.

Pouco mais extensa, a música que concede título ao sucessor de Swim (2010) mantém firme o caráter etéreo do single passado, confirmado a ambientação etérea do projeto. Em uma formatação similar, Our Love cresce lentamente, reservando para os últimos segundos todo um arsenal de ruídos sintéticos, samples e vozes tão acolhedoras quanto projetadas com eficácia para as pistas. Mais uma vez, sublime.

Com trabalhos ao lado de Alt-J, Major Lazer e Darkside, o diretor Ryan Staake é quem assina o clipe de Our Love.

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Caribou – Our Love

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Objekt: “Second Witness”

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“Techno”, “Minimal”, “Ambient”, “Dubstep” e até “Crunkstep”. Rótulos não faltam ao trabalho versátil do produtor germânico Brit TJ Hertz. Há muito atuante na cena eletrônica de Berlim, o produtor reserva para o dia 20 de outubro a chegada do aguardado Flatland (2014), o primeiro registro oficial à frente do Objekt, principal projeto de Hertz. Distribuído pelo selo PAN, o vinil duplo de 11 faixas acaba de ter sua primeira peça apresentada ao público: Second Witness.

Perfeita representação da sonoridade arquitetada pelo artista, a música de apenas três minutos funciona como um resumo sedutor para ouvinte que ainda desconhece a obra de Objekt – sempre conciso mesmo na extensa duração de faixas como Agnes Demise. Movida pelo encaixe certeiro de bips robóticos e bases carregadas de efeito, Second Witness serve de aviso, afinal, em um ano de Aphex Twin e Lone, alguns trabalhos ainda podem impressionar.

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Objekt – Second Witness

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Naïve Bar Miojo Indie

Estão prontos para mais uma invasão do Miojo Indie no Naïve Bar? Para a próxima edição da “festa”, Cleber Facchi recebe os convidados Douglas da Nóbrega (MARRA!) e Gabriel Rolim (MonkeyBuzz) em uma noite regada a cerveja, mojito e, claro, boa música. No cardápio, o melhor do R&B, Garage, Pop, Indie, Ambient, Glitch e Eletrônica em uma sequência de faixas que vão da década de 1970 ao cenário recente.

Durante toda a noite, nomes como Kendrick Lamar, How To Dress Well, Perfume Genius, Beyoncé, Jessie Ware, Flying Lotus, FKA Twigs e Caribou invadem a pista. Achou pouco? Que tal uma pitada de Charli XCX, Peaking Lights, Arcade Fire, Aphex Twin e The XX? Abaixo uma playlist de aquecimento com um pouco do que você vai encontrar por lá. Para mais informações, dê um pulo na página do Naïve no Facebook.

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Rollinos: “From Mars”

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Alguns anos atrás eu resolvi começar a fazer música. Há um ano eu fiz uma música. Um ano depois eu resolvi lançar da mesma forma que compus, melhor soltar do que guardar“.

O curto texto de apresentação de From Mars, mais recente invento do paulistano Gabriel Rolim, parece dizer muito sobre a leveza que define a “recente” criação. Novo lançamento do produtor dentro do projeto Rollinos, a faixa de seis minutos e 24 segundos é um verdadeiro passeio pelo cosmos sem que o ouvinte necessariamente tire os pés do chão.

Climática, porém, nunca arrastada, a extensa faixa é um encontro entre pequenos fragmentos de voz do astrônomo Carl Sagan e bases atmosféricas típicas da Ambient/IDM dos anos 1990. Um meio termo entre o Boards Of Canada do álbum Music Has the Right to Children (1997) e Aphex Twin no clássico Selected Ambient Works Volume II (1994), mas ainda assim, uma composição essencialmente autoral. Disponível para download gratuito, a faixa pode ser apreciada na íntegra logo abaixo.

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Rollinos – From Mars

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Korallreven: “Death Is Not For Us”

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Com o lançamento de Try Anything Once, há exatamente um ano, Marcus Joons e Daniel Tjäder (The Radio Dept.) confirmaram que o universo de formas letárgicas apresentado com o primeiro disco do Korallreven estava longe de ser encerrado. Três anos depois da excelente estreia com An Album by Korallreven (2011), o duo sueco finalmente rompe com o período de “férias” para anunciar mais um novo lançamento: Second Comin’ (2014).

Previsto para estrear no dia quatro de novembro pelo selo Cascine, o álbum resume nos quatro minutos da inédita Death Is Not For Us parte do som tropical que deve acompanhar a dupla pelos próximos meses. Batidas arrastadas, sintetizadores, vozes em eco e todo um conjunto de emanações tropicais. A mesma soma de experiências lançadas por jj, CEO e outros representantes do Balearic Beat projetado em parte da música sueca recente.

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Korallreven – Death Is Not For Us

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dd elle: “Tell Me”

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A identidade do misterioso dd elle ainda permanece uma incógnita. Desde que apresentou a sombria Kind 2 U há poucos meses, acompanhar o perfil do artista no soundcloud parece ser a chance de encontrar algum novo material inédito – caso Love Me Only. Depois de um período de silêncio, é pelo “selo” Secret Songs do produtor canadense Ryan Hemsworth que chega ao público o mais novo lançamento do artista: Tell Me.

Primeira faixa completa de dd elle, que até então havia apresentado apenas canções em versão demo ou mesmo músicas não finalizadas, a nova faixa resume com segurança tudo o que o artista lançou até aqui. Em um território dominado por nomes como Jai Paul e até com Tom Krell no primeiro álbum do How To Dress Well, Love Remains (2010), o produtor se aproveita tanto das vocalizações doces do R&B, como do clima sujo/letárgico da eletrônica recente, carregando o ouvinte por uma atmosfera ora melancólica, ora acolhedora.

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dd elle – Tell Me

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Aphex Twin: “Minipops 67 [120.2][Source Field Mix]“

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A explosão do Dubstep, MAXIMALISM, Instrumental Hip-Hop, Space Disco, UK Garage, Chillwave e Pós-Dubstep. Caribou, Nicolas Jaar, The Field, Flying Lotus e Oneohtrix Point Never. The Warning do Hot Chip ou The Knife com Silent Shout em 2006; LCD Soundsystem e Sound of Silver, Justice com e Burial com Untrue em 2007. Four Tet, James Blake e Andy Stott. Muitas coisas aconteceram nos 13 anos em que Richard David James (hoje com 43 anos) resolveu tirar férias do mundo, ou melhor, silenciar temporariamente o Aphex Twin. Entretanto, basta uma reflexão rápida para perceber como a essência do produtor irlandês sobreviveu em grande parte dos trabalhos lançados na última década.

Próximo de romper o hiato de estúdio iniciado no álbum Drukqs (2001), James resume na inédita Minipops 67 [120.2][source field mix] parte do material reservado para SYRO (2014), a obra que marca o retorno oficial do artista como Aphex Twin. Em exatos quatro minutos e 47 segundos, toda a discografia do produtor é revisitada, revelando desde as vocalizações sintéticas que recheiam parte da obra do artista, até sintetizadores ambientais, fórmulas musicais quebradas e toda a atmosfera que transformou o irlandês em um gigante da eletrônica nos anos 1990. Com 12 faixas inéditas, SYRO estreia no dia 23 de setembro pelo selo Warp. Acima, a capa do álbum.

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Aphex Twin – Minipops 67 [120.2][Source Field Mix]

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CFCF: “Prisma”

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Por mais que as composições de Michael Silver pelo CFCF partam de uma mesma base atmosférica, cada trabalho lançado pelo produtor/música canadense se transforma em surpresa. Temporariamente longe dos vocais, o artista de Montreal reserva para o dia 23 de setembro a chegada de Driftless Ambient 1 (2014), um pequeno arsenal de faixas serenas e instrumentais arquivadas ao longo dos anos.

Com lançamento pelo selo Driftless, o sucessor de Outside carrega na sutileza de Prisma um sussurro do que Silver reserva para o material. Tricotada por sintetizadores lentamente sobrepostos, a canção foge dos temas tropicais antes lançados pelo artista, assumindo em detalhe a Ambient Music de Brian Eno (nos anos 1970), como de Aphex Twin (na década de 1990). Quem conheceu o artista pelo ótimo Exercises, de 2011, provavelmente vai se encantar pela nova música.

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CFCF – Prisma

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Disco: “Mundotigre”, M. Takara

M. Takara
Electronic/Experimental/Ambient
https://soundcloud.com/mtakara

Por: Cleber Facchi
Foto: Rodrigo A Hara

Quem já experimentou qualquer registro em estúdio – ou apresentação ao vivo – de Maurício Takara sabe da “incerteza” que ronda o trabalho do músico/produtor. Seja na extensa discografia ao lado dos parceiros da Hurtmold, ou mesmo em projetos paralelos, caso do São Paulo Underground, a pluralidade de temas, gêneros e sonoridades sempre frescas prevalece como uma dinâmica ferramenta criativa para o artista, por ora voltado à sutileza eletrônica de Mundotigre (2014, Desmonta).

Mais recente projeto solo do músico, o álbum lançado pelo selo Desmonta é uma obra que se divide com naturalidade entre a expansão e o isolamento quando comparada com outros trabalhos de Takara. Ao mesmo tempo em que abraça o som jazzístico lançado há uma década no primeiro disco solo, grande parte dos ensaios sintéticos do novo álbum revelam uma sonoridade quase oculta na obra produtor, voltado à eletrônica apenas no ambiente hermético do disco Conta, de 2007.

Observado com bastante atenção, grande parte dos conceitos lançados em Mundotigre ainda são os mesmos do trabalho apresentado há sete anos. Ruídos eletrônicos aprisionados em loops tímidos (Portão), bases minimalistas acumuladas em pequenas doses de eco (Aaawww), além do uso detalhado e naturalmente incerto das batidas (Pra tnick poder dançar), preferência que reforça a completa maturidade e desafios autorais lançados pelo próprio Takara quanto baterista.

A principal diferença em relação ao disco de 2007 está na composição essencialmente sintética escolhida para o disco. São bases, batidas e até mesmo samples que parecem “esculpidos” artificialmente pelo produtor – único responsável pelas gravações, mixagem e masterização do álbum. Não por acaso o disco projeta com naturalidade a imagem de um artista isolado, sentado em frente a um MacBook pincelado virtualmente suas criações. Basta se concentrar na serena Te Chamando ou no encaixe tímidos das batidas de Linhas para sentir isso. Continue reading

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Disco: “Angels & Devils”, The Bug

The Bug
Electronic/Hip-Hop/Dubstep
http://ninjatune.net/us/artist/the-bug

Por: Cleber Facchi

Poucos trabalhos resumem de forma tão expressiva a cena britânica da última década quanto London Zoo. Terceiro álbum de estúdio de Kevin Martin à frente do The Bug – um dos inúmeros projetos paralelos do artista -, o registro lançado em julho de 2008 se espalha como uma verdadeira colcha de retalhos instrumentais. Dub, dancehall, dubstep, grime e Hip-Hop; referências ainda presentes na assinatura musical do produtor, porém encaradas sob novo detalhamento no recente Angels & Devils (2014, Ninja Tune).

Natural continuação da sonoridade lançada por Martin em Filthy EP, de 2013, o novo álbum cresce como um registo voltado em essência no Hip-Hop, costurando aleatoriamente os temas ressaltados anteriormente pelo produtor. Trata-se de uma obra feita para desbravar territórios, capaz de dialogar com diferentes cenas/tendências urbanas ao redor do globo, porém, sem escapar das imposições autorais do próprio criador.

Parte dessa pluralidade reside na busca de Martin por colaboradores alheios à cena britânica – posição ressaltada no zoológico de espécies locais do trabalho passada. São representantes de peso da música norte-americana (Death Grips, Gonjasufi), germânica (Inga Copeland), além, claro, de parceiros que marcaram presença em grande parte do álbum de 2008 – caso específico de Warrior Queen e Flowdan. Curiosa também é a inclusão de nomes como Liz Herris (Grouper) e outros instrumentistas externos ao ambiente “natural” do artista, forçando ainda mais o aspecto amlpiado da obra.

Musicalmente ponderado em relação ao campo imenso explorado em London Zoo, Angels & Devils é uma obra que mantém sob controle toda a estrutura dos arranjos e bases assinadas por Martin – ou mesmo seus colaboradores. Grande parte das composições parecem impulsionadas por uma mesma concepção rítmica, sonoridade explícita no uso das texturas ainda mais densas, sobrepostas ao uso de batidas limpas, além do expressivo espaço para os vocais. Entretanto, como a dualidade do próprio título resume, dois espaços distintos crescem no interior do trabalho. Continue reading

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