Tag Archives: Ambient

Gouveia Phill: “Sol de Oro”

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Duas músicas pelo “preço” de uma. Essa parece ser a melhor definição para o trabalho do músico paraibano Gouveia Phill na recém lançada Sol de Oro. Mais recente criação do artista de João Pessoa – uma das mentes aos comandos do Glue Trip -, a composição de quase sete minutos assume um caminho particular em relação aos últimos lançamentos do guitarrista – Salvat’oria, Serena e Therd´ominia -, dosando emanações psicodélicas em meio a arranjos típicos do Folk e Alt. Country.

Na primeira metade, um dedilhado doce coberto por ruídos eletrônicos e sons “matutinos”, um pequeno suspiro antes da chuva (literal) que separa os dois blocos da mesma canção. Em uma montagem/divisão abrandada, o uso de sons “fechados”, melancólicos e quase próximos do obscuro marcam o segundo ato da faixa, transportando o ouvinte para dentro de uma trilha sonora involuntária ou música de fundo para qualquer clássico do Western norte-americano nos anos 1950 e 1960.

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Gouveia Phill – Sol de Oro

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Devonté Hynes: “05/11/15″

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“Eu passei os últimos meses trabalhando na trilha de um filme, então fui demitido. Sem ressentimentos”. Depois desse “pronunciamento” no Twitter, Devonté Hynes presenteou o público com nada menos do que 45 minutos de ruídos abrandados, bases atmosféricas e pequenas ambientações instrumentais que escapam do universo do Blood Orange – ou mesmo de qualquer outro projeto paralelo que o músico/produtor tenha se envolvido nos últimos meses.

São harmonias tímidas de piano e toda uma variedade de texturas que se distanciam completamente do material assinado pelo artista para a trilha sonora de Palo Alto, filme de 2013 dirigido por Gia Coppola – também responsável pela direção do último clipe do Blood Orange,  You’re Not Good Enough. Produzida e musicada individualmente por Dev Hynes, a trilha “cancelada” ainda não conta com lançamento físico, porém, pode ser apreciada na íntegra pelo Youtube.

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Devonté Hynes – 05/11/15

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Cozinhando Discografias: Aphex Twin

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Três décadas de carreira, mais de 50 trabalhos lançados e um dos acervos mais influentes da história recente da música. Uma das figuras mais versáteis da cena eletrônica, Richard D. James não apenas conquistou o próprio território dentro do gênero, como também “apontou” a direção para uma série de outros artistas fora dele. De Radiohead a Boards Of Canada, de Skrillex a Calvin Harris, não foram poucos os que buscaram inspiração na obra do veterano. Mais conhecido pelo trabalho com o Aphex Twin, James também deu vida a uma série de projetos paralelos significativos – entre eles, AFX, Caustic Window e The Tuss -, obras e diferentes projetos organizadas do “pior” para o “melhor” em mais um especial da série Cozinhando Discografias. Continue reading

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Actress: “Bird Matrix”

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Darren J. Cunningham não para. Em uma série de três grandes discos produzidos desde o começo da presente década – Splazsh (2010), R.I.P. (2012) e Ghettoville (2014) -, o produtor britânico aproveitou o (pouco) tempo livre para investir em mais um novo projeto pelo Actress. Por enquanto, nada de um novo registro de inéditas, mas uma sequência de remixes, adaptações e versões para o trabalho de diferentes produtores dentro da série DJ-Kicks – projeto lançado pelo selo !K7 Records por onde passaram nomes como Four Tet, Gold Pand e Annie.

Em meio a passagens pelo trabalho de Autechre, Lorenzo Senni e outros produtores de sonoridade “similar”, Cunningham aproveitou para apresentar uma extensa e inédita criação: Bird Matrix. Com mais de 13 minutos de duração, a nova faixa parece seguir a trilha do último trabalho do artista, flutuando em meio a loops abafados, sintetizadores melancólicos e batidas sempre brandas. Com um total de 20 composições, o registro conta com previsão de lançamento para o dia quatro de maio deste ano. Ouça a nova composição de Actress:

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Actress – Bird Matrix

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Disco: “Levon Vincent”, Levon Vincent

Levon Vincent
Electronic/Techno/Deep House
http://uzurirecordings.com/

 

Claustrofóbico e, ao mesmo tempo, libertador. Assim é o trabalho desenvolvido no homônimo álbum de estreia de Levon Vincent. Em um diálogo preciso com a eletrônica de Berlin, onde estabeleceu residência nos últimos anos, o artista original da cidade de Nova York encontra nos experimentos da Deep House e Minimal Techno um jogo de pequenas ambientações tão acolhedoras, quanto capazes de provocar a mente do ouvinte. Uma manobra sutil, entalhada em cima de loops reciclados, porém, montados de forma a hipnotizar o ouvinte, lentamente seduzido pelas colagens do produtor.

Feito para ser ouvido sem pressa, o registro que conta com quase duas horas de duração, parece ocultar segredos de qualquer ouvinte afobado. Salve exceções, caso de For Mona, My Beloved Cat. Rest in Peace e Her Light Goes Through Everything, grande parte das canções espalhadas pelo álbum ultrapassam os seis minutos de duração, arrastando o espectador para um cenário de maquinações robóticas, bases minimalistas e beats tão flexíveis, que parece impossível fixar o trabalho de Vincent dentro de um único gênero ou cena específica.

De maneira geral, o autointitulado registro pode ser dividido em dois grupos de canções. Mesmo livre de uma separação temática calculada específica, faixas como Junkies on Hermann Street, H Woman is an Angel e Her Light Goes Through Everything utilizam da continua manipulação de ruídos como um alicerce para o campo experimental da obra. Sintetizadores sobrepostos, bases ecoadas e articulações que tropeçam de forma involuntária no mesmo Techno Dub de Andy Stott – principalmente no álbum Faith in Strangers (2014) -, além das bases densas de Darren J. Cunningham nos dois últimos discos como Actress – R.I.P. (2012) e Ghettoville (2014).

Entretanto, a beleza no trabalho de Levon se esconde nos instantes de maior “limpidez” da obra. Logo na inicial The Beginning, um resumo funcional de toda a projeção minimalista que rege parte do disco. Batidas limpas, sutis; sintetizadores aplicados de forma isolada, sem interferir no alicerce matemático das batidas; sobreposição lenta dos arranjos, como se cada elemento encaixado encontrasse um espaço para “respirar”. A mesma aplicação desse resultado se faz visível em peças como Phantom Power e Black Arm w/Wolf, músicas que crescem sem pressa, como se Vincent cercasse lentamente o ouvinte, imediatamente preso, impossibilitado de possíveis fugas. Continue reading

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Glass Candy: “Shell Game”

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Mesmo com Dear Tommy (2015), quinto álbum do Chromatics próximo de ser lançado, Johnny Jewel encontrou tempo na disputada agenda para apresentar uma nova composição pelo projeto Glass Candy: Shell Game. Quase um registro particular – a parceira Ida No foi deixada de lado na nova canção -, a faixa de apenas três minutos segue a linha “atmosférica” dos últimos trabalhos de Jewel, no último ano, envolvido com a produção da trilha sonora de Lost River (2014), filme dirigido pelo ator Ryan Gosling e a morada original da presente música.

Tão próxima das trilhas soturnas de John Carpenter na década de 1970 – ou do último álbum do músico/diretor -, como da eletrônica lenta de Kill For Love (2012) do Chromatics, principalmente na segunda metade do registro, Shell Game poderia ser facilmente encontrada em outro projeto também assinado por Jewell, a trilha sonora “involuntária” apresentada em Themes For An Imaginary Film (2011), do Symmetry.

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Glass Candy – Shell Game

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Disco: “Lost Themes”, John Carpenter

John Carpenter
Ambient/Synthpop/Instrumental
http://www.theofficialjohncarpenter.com/

John Carpenter não poderia ter escolhido uma composição mais assertiva para inaugurar Lost Themes (2015, Sacred Bones) do que a climática Vortex. Em uma espiral de sintetizadores obscuros – fazendo valer o título da própria criação, “vórtice” – o artista norte-americano soluciona não apenas a estrutura temática para o restante da obra – um compilado de peças avulsas, instrumentais e sempre atmosféricos -, como ainda estabelece uma espécie de ponte (sonora) para a extensa filmografia de terror/suspense assinada desde o início da década de 1970.

Diretor responsável por filmes como The Thing (1982), Christine (1983), além da franquia Halloween, Carpenter encontra no primeiro trabalho em carreira solo um diálogo transformador com o próprio acervo cinematográfico. Partindo da estilização soturna da faixa de abertura – um possível introdução para qualquer película apresentada pelo artista nas últimas quatro décadas -, o ouvinte é convidado a explorar faixas fragmentadas em pequenos atos (Obsidian), instantes de ascensão (Mystery) ou mesmo suspiros instrumentais orquestrados por bases climáticas (Wraith).

Embora já tenha assinado a trilha sonora de diferentes filmes ao longo da carreira – caso de Assault on Precinct 13 (1976) e The Fog (1980) -, este é o primeiro trabalho de Carpenter pensado inteiramente no uso dos arranjos, esquivo da natural relação do artista com as imagens. Entretanto, difícil passear pela estrutura delicada de Fallen, Purgatory e qualquer outra canção “soturna” da obra sem visualizar as tradicionais cenas de suspense que marcaram a carreira do cineasta. Sem ordem específica, como fragmentos de um filme bruto, não editado, Carpenter detalha uma história de natureza perturbadora ao ouvinte.

Entalhado em um cercado musical específico, Lost Themes acomoda melodias e batidas eletrônicas de forma comportada, como uma película de roteiro lento, porém, envolvente. A julgar pela imposição dos sintetizadores – base de toda a obra -, referências ao trabalho de Kraftwerk e outros gigantes da década de 1970 – quando começou o trabalho como diretor – surgem por todo o álbum. Também é possível estreitar os laços com uma série de produtores recentes, principalmente Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never), além dos ex-parceiros no Emeralds Steve Hauschildt e Mark McGuire. Continue reading

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Chromatics: “Yes (Love Theme)”

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Com exceção da capa, Johnny Jewel continua a manter segredo sobre o novo álbum do Chromatics, o esperado Dear Tommy (2015). Previsto para fevereiro, o registro parece dar sequência aos temas incorporados no último álbum da banda, Kill For Love, de 2012, referência explícita na lista de composições inéditas e versões apresentadas pelo grupo desde o último ano. Para aumentar a inda mais a expectativa em relação ao novo disco, Jewel e os parceiros de banda revelam ao público mais uma canção inédita: Yes (Theme Love).

Parte da trilha sonora de Lost River, filme dirigido pelo ator/músico/diretor Ryan Gosling, a composição pode não fazer parte do novo álbum do Chromatics, entretanto, preserva suas melhores características. Enquanto sintetizadores crescem no decorrer da faixa, Megan Louise (Desire), Ida No (Glass Candy) e Ruth Radelet (Chromatics) costuram uma delicada tapeçaria vocal, resgatando não apenas o clima do registro lançado em 2012, como de outra parceria (involuntária) entre a banda e o ator: a trilha sonora do filme Drive (2011).

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Chromatics – Yes (Love Theme)

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Shlohmo: “Emerge From Smoke”

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Foi um ano produtivo para Henry Laufer, o Shlohmo. Além do ótimo No More EP (2014), registro em parceria com o rapper Jeremih e Brain, single assinado de forma colaborativa com a cantora Banks, o artista californiano manteve uma agenda realmente lotada de apresentações, remixes esporádicos e faixas que naturalmente mergulham no ambiente de formas abstratas detalhadas pelo produtor. Para celebrar a passagem para o selo True Panther – casa de Tobias Jesso Jr. e Delorean, – Shlohmo apresentou a inédita Emerge From Smoke.

Sem fugir do ambiente conquistado no último ano com Laid Out EP (2013), Shlohmo continua a investir em faixas que se dividem entre as batidas lentas do R&B e o uso constante de sintetizadores sujos, emulando ruídos metálicos. Quase cinco minutos em que a essência do produtor se espalha confortavelmente, preparando o terreno para um novo álbum completo que deve aparecer nos próximos meses. Bad Vibes, o último disco oficial do produtor foi lançado em 2011.

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Shlohmo – Emerge From Smoke

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Jonny Greenwood, Gaz Coombes & Dany Goffey: “Spooks” (Feat. Joanna Newsom)

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Em entrevista recente ao site Dazed Digital, Joanna Newsom afirmou que vem trabalhando em um novo projeto de estúdio, o primeiro desde a chegada de Have One on Me, de 2010. Parte da influência para o “registro” vem da própria participação da cantora no recente filme de Paul Thomas AndersonInherent Vice (2014), trabalho onde desempenha o papel de narradora da película e se diz tocada pelo constante uso da expressão “violação dos direitos civis”, talvez mote para um novo registro da artista – previsto para o próximo ano.

Enquanto nenhuma informação concreta sobre o trabalho foi liberada, pelo menos é possível se contentar com a passagem da artista em Spooks, uma das canções que integram a trilha sonora de Inherent Vice e faixa dividida entre Jonny Greenwood, Gaz Coombes (Supergress) e Dany Goffey. Segundo informações do próprio Greenwood, esta é a primeira composição do Radiohead desde o lançamento de The King Of Limbs, em 2011, porém, acabou abandonada pelos próprios parceiros de banda, Colin Greenwood, Ed O’Brien, Philip Selway e Thom York, responsáveis pela versão original da música. (Via Stereogum)

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Jonny Greenwood, Gaz Coombes & Dany Goffey – Spooks (Feat. Joanna Newsom)

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