Tag Archives: Ambient

Percussions: “Digital Arpeggios”

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Mais conhecido pelo trabalho à frente do Four Tet, de tempos em tempos, Kieran Hebden presenteia o público com alguma canção inédita sob o nome de Percussions. Ainda que exista uma semelhança com os demais trabalhos e composições assinadas pelo artista britânico, são as colagens ambientais, uso restrito de vozes e sintetizadores que orientam o trabalho do produtor dentro do projeto paralelo, há poucos meses oficialmente apresentado com a coletânea 2011 Until 2014.

Em Digital Arpeggios, uma natural continuação desse mesmo universo de texturas minimalistas. Dividida em dois atos distintos, a canção de quase 10 minutos revela nos instantes iniciais o completo interesse de Hebden pela obra de veteranos como Brian Eno, Kraftwerk e outros nomes de peso da Ambient Music. No restante da faixa, batidas e sintetizadores que se encaixam como um típico exemplar do som produzido pelo artista no Four Tet.

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Percussions – Digital Arpeggios

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ODESZA: “Light” (Ft. Little Dragon)

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Um dos principais acertos de Harrison Mills e Clayton Knight no último álbum do ODESZA, In Return (2014), está na constante interferência de cantores e produtores convidados durante toda a obra. Novatos como Shy Girls, Zyra, Py e Jenni Potts, artistas responsáveis por completar as pequenas lacunas deixadas ao longo da obra, oficialmente, o segundo registro de inéditas do duo original de Seattle desde a estreia com Summer’s Gone (2012).

Agora, com o anúncio da edição Deluxe de In Return, Mills e Knight mais uma vez partem em busca de uma nova parceria, convidando a artista sueca Yukimi Nagano para assumir os vocais da inédita Light. Mais conhecida pelo trabalho com o Little Dragon, Nagano transporta para dentro do trabalho do ODESZA a mesma melancolia incorporada pela própria banda. Vozes e batidas exploradas com sutileza, sonoridade que atravessa a Ambient/Chillwave da dupla norte-americana e mergulha de cabeça no Trip-Hop-Pop da banda sueca.

In Return – Deluxe Edition (2015) será lançado no dia 18 de setembro.

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ODESZA: “Light” (Ft. Little Dragon)

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Disco: “A Year With 13 Moons”, Jefre Cantu-Ledesma

Jefre Cantu-Ledesma
Experimental/Ambient/Drone
https://jefrecantu-ledesma.bandcamp.com/
https://soundcloud.com/jefre-cantu-ledesma

A delicada ilustração que estampa a capa de A Year With 13 Moons (2015, Mexican Summer) traduz com acerto o trabalho do multi-instrumentista Jefre Cantu-Ledesma. Formas e arranjos coloridos, flutuando sem direção, passagem para um cenário marcado pela montagem abstrata dos temas. Pequenas pinceladas de ruídos que mesmo entregues em um contexto torto, sujo e experimental, aos poucos parece confortar o ouvinte, costurando temas como amor, separação e isolamento sem necessariamente fazer uso das palavras.

Original da cidade de São Francisco, Califórnia, Cantu-Ledesma passou as últimas duas décadas flertando e se envolvendo com diferentes projetos espalhados por todo o território norte-americano. Coletivos como a banda de Pós-Rock Tarentel – em atuação desde 1995 -, ou mesmo trabalhos assinados em parceria com diversos nomes da cena experimental – caso de Liz Harris (Grouper), Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Keith Fullerton Whitman. Nada que sintetize tamanha beleza e melancolia quanto o presente registro do músico.

Inspirado pelo divórcio do artista, A Year With 13 Moons é uma coleção de faixas alimentadas pela tristeza. Ainda que a faixa de abertura, The Last Time I Saw Your Face, brinque com a colagem de ruídos de forma irregular, arremessando o ouvinte para diferentes direções, quanto mais passeamos pelo disco, mais Cantu-Ledesma detalha ao público o próprio sofrimento. Confissões que surgem como pequenas pistas no título de cada faixa – Love After Love, At the End of Spring, Dissapear – e crescem na manipulação amargurada das melodias.

Autor de uma coleção de contos sentimentais, Cantu-Ledesma assume um caminho isolado em relação ao trabalho de outros representantes da Ambient Music. Nada de atos extensos ou composições penosas, excessivamente longas. Salve a extensa canção de abertura – com mais de oito minutos de duração – A Year With 13 Moons mantém firme a busca do multi-instrumentista pela construção de faixas rápidas. Composições aos moldes de Interiors e Remembering, incapazes de ultrapassar os dois minutos de duração. Continue reading

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Morly: “And Sooner Than We Know It…”

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Já imaginou como seria uma versão “mais pop” do mesmo trabalho de artistas como Grouper e Julianna Barwick? A resposta talvez esteja confortavelmente instalada dentro das composições de Katy Morly. Com um EP de quatro faixa a ser lançado pelo selo Cascini nas próximas semanas – In Defense of My Muse (2015) -, é hora de ter acesso à uma das criações mais delicadas e comoventes já compostas pela jovem artista: And Sooner Than We Know It….

Utilizando de sintetizadores pueris, um coro de vozes angelicais e uso controlado das batidas, Morly apresenta ao público um som tocado pela sutileza dos temas. Como o próprio selo definiu no texto de apresentação do EP: “experimentos Lo-Fi em um espaço de transição entre a tristeza e a felicidade“. Enquanto o novo trabalho de Morly é apresentado oficialmente ao público, uma boa dica é correr atrás de faixas lançadas pela musicista nos últimos meses, caso de Maelstrom, produzida especialmente para o selo Secret Songs, de Ryan Hemsworth.

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Morly – And Sooner Than We Know It…

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Mark Barrott: “Sketches From An Island 3”

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Responsável por um dos melhores (e menos comentados) discos do último ano, Sketches From An Island (2014), Mark Barrott continua a investir na mesma sonoridade tropical registro para apresentar o terceiro “capítulo” da mesma série: Sketches From An Island 3. Trata-se de um compilado com quatro faixas que acabaram de fora do último trabalho do artista, ainda confortável nas emanações litorâneas de Ibiza, cenário temático de todo o último disco.

De um lado, o uso de sintetizadores, batidas eletrônicas ponderadas e todo um arsenal de referências íntimas da Ambient Music. No outro, o diálogo atento com a Balearic Beat de jj, Air France, Boar Club e toda a recente safra de artistas. Abaixo você encontra um compilado com cada uma das quatro faixas do novo trabalho de Barrott – Right 4 Me, The Mysterious Island Of Dr Nimm, Cirrus & Cumulus e Der Stern, Der Nie Vergeht -, além do primeiro registro completo do músico.

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Mark Barrott – Sketches From An Island 3

Mark Barrott – Sketches From An Island

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DJ-Kicks: 10 Discos Essenciais

Lançada em 1995 pelo selo germânico !K7 Records, a série DJ-KiCKS é de longe um dos projetos mais importantes (e versáteis) da música eletrônica atual. Originalmente pensada como um resumo da cena Techno/House que se espalhava pela Europa na década de 1990, a seleção de obras lentamente expandiu seus conceitos, absorvendo diferentes panoramas, gêneros e preferências musicais em mais de 20 anos de produção. Entre trabalhos assinadas por produtores (Four Tet, Carl Craig), músicos (Erlend Øye, Annie) e até mesmo bandas (Hot Chip, Chromeo), a série acaba ter o 50º registro apresentado ao público. Para celebrar a sequência de lançamentos, um resumo com 10 discos essenciais do catálogo DJ-KiCKS. Continue reading

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Dolphins into the Future: “Songs Of Gold, Incandescent”

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Sons extraídos da natureza, ruídos projetados por animais, o barulho do vento, ondas, crepitar das chamas e trechos de músicas produzidas por diferentes culturas espalhadas pelos quatro cantos do globo. Essa é a base do recém-lançado Songs Of Gold, Incandescent (2015), mais novo trabalho do produtor belga Lieven Martens dentro do projeto de ambient music Dolphins into the Future.

Dono de uma vasta coleção de obras disponíveis para download pelo Bandcamp, o artista transforma o novo álbum em um passeio por um imenso paraíso tropical. São captações ambientais que passeiam pelo sul de Portugal, visitam ilhas ao longo de todo o Oceano Pacífico e até ruídos Lo-Fi que parecem resgatados de alguma fita VHS dos anos 1980. Faixas que convertem o som de água fervente em música (A Treatise on Hot Water, Version), ou mesmo canções que “adaptam” o canto de antigas comunidades espalhadas pelo Hawaii (Sweeten the Mango).

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Dolphins into the Future – Songs Of Gold, Incandescent

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Disco: “Sympathy”, GABI

GABI
Experimental/Chamber Pop/Ambient
https://www.facebook.com/officialGABI
http://www.gabi-music.com/

A voz parece ser o principal instrumento de Gabrielle Herbst. Mesmo com formação erudita em piano e clarinete, são os atentos coros de vozes, sobreposições delicadas e pequenas manipulações orquestrais que garantem vida, movimento e beleza ao ambiente criado para o primeiro disco solo da compositora nova-iorquina, Sympathy (2015, Software).

Filha do musicólogo Edward Herbst, interessada em ópera, dança balinesa e  profunda conhecedora da música de câmara, Herbst, aqui apresentada pelo nome de GABI, parece brincar com a própria formação musical – familiar ou acadêmia. Em uma montagem precisa, essencialmente detalhista, cada composição assume um conceito específico, revelando desde elementos da música sacra (Hymn), como referências extraídas do trabalho de Kate Bush (Falling), Björk (Da Void) e demais representantes do Art Pop .

Mesmo dominado pelas vozes e sentimentos entristecidos da musicista, Sympathy está longe de parecer uma obra hermética, fruto do total isolamento de Herbst. Com produção de Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Paul Corley (Tim Hecker, Ben Frost), o álbum lentamente se entrega ao domínio e parcial interferência do seleto time de colaboradores formado por Matthew O’Koren (percussão), Rick Quantz (viola), Josh Henderson (violino) e Aaron Roche (guitarras, trombone).

Perceba como os sintetizadores de Lopatin crescem ao fundo da obra. Um fino tecido sonoro, quase imperceptível, porém, essencial para a composição do ambiente sombrio que define Sympathy. Aaron Roche é outro que interfere ativamente na formação do disco. Para ocupar as pequenas lacunas de voz deixadas pela cantora, o guitarrista espalha imensos blocos de ruídos, pilares para o fortalecimento de faixas extensas como Home. Continue reading

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Owen Pallett: “The Phone Call”

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Com o lançamento de In Conflict (2014), Owen Pallett deu início a uma nova fase dentro da própria carreira. Nitidamente influenciado por Brian Eno, um de seus colaboradores no último álbum, o músico canadense continua a brincar com a música orquestral da “era” Final Fantasy, porém, cada vez mais interessado no uso de arranjos e experimentos eletrônicos, conceito reforçado com a recém-lançada The Phone Call.

Parte do acervo 2015 da coletânea de singles Adult Swim – que este ano conta com nomes como Chromatics, Shabazz Palaces e SOPHIE -, a composição pode até seguir a trilha do último álbum de Owen, entretanto, assume uma estrutura ainda mais complexa. De um lado, maquinações e ruídos sombrios, típicos da obra de Oneohtrix Point Never, no outro, a construção de bases etéreas, tão próximas de Eno como de gigantes da New Age nos anos 1970, principalmente Jean Michel Jarre.

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Owen Pallett – The Phone Call

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Nicolas Jaar: “Nymphs III”

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Nicolas Jaar não para. Um mês após o lançamento de Nymphs II, primeiro registro de canções inéditas desde o encerramento das atividades com o Darkside, o produtor nova-iorquino já está de volta com mais uma sequência de composições. Em Nymphs III, a sonoridade experimental de Jaar assume novo formato, escapando das ambientações minimalistas e temas reclusos do debut Space Is Only Noise, de 2011, para incorporar uma sonoridade quase “urgente”.

De um lado, os sintetizadores, ruídos instáveis e colagens atmosféricas de Swim, composição que mais aproxima o trabalho de Jaar de gigantes do Krautrock. No outro oposto, as batidas precisas e sonoridade dançante de Mistress, uma adaptação dos mesmos conceitos da Deep House explorados pelo artista no decorrer do primeiro álbum de estúdio. Com lançamento pelo selo Other People, o novo single é o segundo trabalho lançado por Jaar em um curto intervalo de tempo. Na última semana, a trilha sonora Pomegranates foi entregue ao público para download e audição gratuita.

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Nicolas Jaar – Swim / Mistress – Nymphs III

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