Tag Archives: Ambient

Disco: “Ruins”, Grouper

Grouper
Experimental/Ambient/Dream Pop
http://www.kranky.net/

Por: Cleber Facchi

O coaxar de sapos, bases atmosféricas e a constante interferência de ruídos ambientais. Ruins (2014, Kranky) não é apenas um disco, mas um refúgio. Abrigo detalhado de Liz Harris, a mais recente obra do Grouper nasce da desconstrução dos primeiros (e complexos) registros “de estúdio” da norte-americana. Voz doce, versos confessionais e um diálogo detalhado com o ouvinte. Ainda que isolada em uma floresta de sensações e experimentos próprios, cada brecha do álbum soa como um convite. A redescoberta de um espaço desbravado em totalidade pela musicista, porém, ainda curioso ao visitante.

Em um sentido de expansão do material apresentado em The Man Who Died In His Boat, de 2013, Harris detalha o presente invento como uma peça de possibilidades controladas. O experimento ainda é a base para a formação da obra, porém, diferente do alinhamento assumido em registros como A I A: Dream Loss e Alien Observer, ambos de 2011, formas harmônicas e versos “fáceis” interpretam o ouvinte como um convidado, e não um personagem a ser afastado pela obscuridade das canções.

A exemplo de Julianna Barwick em The Magic Place (2011), Ruins é uma obra detalhada pelo conforto e sutileza dos arranjos. Perceba como todos os elementos do álbum assentam lentamente, convidativos, como se Harris encontrasse um espaço exato para cada fragmento de voz ou tímida peça instrumental. Protagonista de uma história confidencial, Grouper detalha sussurros de forma linear, um conto breve, concepção talvez evidente no disco de 2013, porém, encarada de forma concisa dentro do bloco de formas harmônicas do presente invento.

Volátil, ao mesmo tempo em que preenche o interior da obra com detalhes sutis, límpidos, abraçando o ouvinte a seu próprio tempo, Harris em nenhum momento se distancia da gravação artesanal incorporada à própria discografia. Basta se concentrar na textura cinza de ruídos que cresce ao fundo das canções, ou no “bip” seco de microondas que rompe com a morosidade de Labyrinth. Um meio termo entre o cenário fantástico do disco e a inevitável aproximação da artista/espectador com o “mundo real”. Continue reading

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The Bug & Earth: “Boa”

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Em Angels & Devils (2014), último álbum do The Bug, Kevin Martin decidiu dividir o peso das próprias composições com um time imenso de convidados. Além de colaboradores antigos como Flowdan e Warrior Queen, nomes como Gonjasufi, Liz Harris (Grouper) e toda uma nova frente de produtores cortam os inventos do álbum de forma provocativa. Em Boa, parceria com o veterano Dylan Carlson, do Earth, Martin volta a repetir as mesmas experiências, porém, dentro de uma nova estrutura musical.

Com lançamento pelo selo Ninja Tune, o material é parte de um single exclusivo que será lançado pelo Record Store Day durante a Black Friday. Extensa, a criação resume parte do material que será completo com a inédita Cold. Uma coleção de ruídos sobrepostos, efeitos eletrônicos controlados, além, claro, das tradicionais guitarras de Carlson, presentes durante toda a formação da peça. Oficialmente a edição física do single estreia no dia 28 de novembro, mas a segunda metade do trabalho deve ser apresentada pelas próximas semanas.

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The Bug Vs. Earth – Boa

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Grouper: “Holding”

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Liz Harris parece, finalmente, ter aceitado a delicadeza da própria obra. Desde a mudança de rumo assumida em Foreign Body (2012), pelo projeto paralelo Mirroring, que a ambientação sombria incorporada pela musicista desembocou em um oceano de experiências sutis, versos confessionais e vozes essencialmente doces. Base para o material apresentado Call Across Rooms, há poucas semanas, as mesmas imposições servem de estímulo para a recém-lançada Holding, uma das últimas peças antes da chegada de Ruins (2014).

Explorando quase oito minutos de arranjos econômicos, voz atmosférica e lamentos costurados por bases de pianos, Harris reforça o mesmo exercício apresentado no último álbum de estúdio, The Man Who Died In His Boat (2013), convidando o ouvinte a dançar em um ambiente de formas lentas e acolhedoras. Com oito canções inéditas e lançamento pelo selo Kranky – de Tim Hecker e Lotus Plaza -, Ruins estreia oficialmente no dia 31 de outubro, halloween.

 final.

Grouper – Holding

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Cadu Tenório e Márcio Bulk: “Banquete”

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Depois dos esboço detalhista apresentado em Vozes (2014), há poucos meses, Cadu Tenório mostra que a incorporação de vocais dentro da própria obra está apenas começando. Ao lado do compositor Márcio Bulk, o músico/produtor carioca revela ao público o inédito Banquete (2014), peça colaborativa que mesmo íntima do recente acervo de Tenório, converte ruídos e experimentos antes “complexos” ao público médio em um material hipnótico, quase acessível.

Como explica no texto de apresentação, “Banquete é um projeto de Cadu Tenório e Marcio Bulk baseado na sonoridade característica explorada por Tenório sobre os poemas e letras de Bulk“. Para a construção das quatro faixas do álbum, nomes como Alice Caymmi, Bruno Cosentino, César Lacerda, Lívia Nestrovski e Michele Leal preenchem com delicadeza todas as lacunas de voz, atuando de forma a contrastar o som obscuro que orienta a atmosfera da obra. Abaixo, o trabalho na íntegra para audição. O álbum também está disponível para download gratuito no Banda Desenhada.

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Cadu Tenório e Márcio Bulk – Banquete

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Caribou: “Our Love”

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Com míseros três minutos de duração, Can’t Do Without You consegue ser mais expressiva do que muitos trabalhos inteiros lançados nos últimos oito meses. Primeira composição lançada pelo canadense Daniel Snaith para o novo álbum do Caribou – Our Love (2014) -, a quase transcendeste canção está longe de ser o único exemplar assertivo do disco recém-lançado.

Pouco mais extensa, a música que concede título ao sucessor de Swim (2010) mantém firme o caráter etéreo do single passado, confirmado a ambientação etérea do projeto. Em uma formatação similar, Our Love cresce lentamente, reservando para os últimos segundos todo um arsenal de ruídos sintéticos, samples e vozes tão acolhedoras quanto projetadas com eficácia para as pistas. Mais uma vez, sublime.

Com trabalhos ao lado de Alt-J, Major Lazer e Darkside, o diretor Ryan Staake é quem assina o clipe de Our Love.

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Caribou – Our Love

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Objekt: “Second Witness”

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“Techno”, “Minimal”, “Ambient”, “Dubstep” e até “Crunkstep”. Rótulos não faltam ao trabalho versátil do produtor germânico Brit TJ Hertz. Há muito atuante na cena eletrônica de Berlim, o produtor reserva para o dia 20 de outubro a chegada do aguardado Flatland (2014), o primeiro registro oficial à frente do Objekt, principal projeto de Hertz. Distribuído pelo selo PAN, o vinil duplo de 11 faixas acaba de ter sua primeira peça apresentada ao público: Second Witness.

Perfeita representação da sonoridade arquitetada pelo artista, a música de apenas três minutos funciona como um resumo sedutor para ouvinte que ainda desconhece a obra de Objekt – sempre conciso mesmo na extensa duração de faixas como Agnes Demise. Movida pelo encaixe certeiro de bips robóticos e bases carregadas de efeito, Second Witness serve de aviso, afinal, em um ano de Aphex Twin e Lone, alguns trabalhos ainda podem impressionar.

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Objekt – Second Witness

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Naïve Bar Miojo Indie

Estão prontos para mais uma invasão do Miojo Indie no Naïve Bar? Para a próxima edição da “festa”, Cleber Facchi recebe os convidados Douglas da Nóbrega (MARRA!) e Gabriel Rolim (MonkeyBuzz) em uma noite regada a cerveja, mojito e, claro, boa música. No cardápio, o melhor do R&B, Garage, Pop, Indie, Ambient, Glitch e Eletrônica em uma sequência de faixas que vão da década de 1970 ao cenário recente.

Durante toda a noite, nomes como Kendrick Lamar, How To Dress Well, Perfume Genius, Beyoncé, Jessie Ware, Flying Lotus, FKA Twigs e Caribou invadem a pista. Achou pouco? Que tal uma pitada de Charli XCX, Peaking Lights, Arcade Fire, Aphex Twin e The XX? Abaixo uma playlist de aquecimento com um pouco do que você vai encontrar por lá. Para mais informações, dê um pulo na página do Naïve no Facebook.

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Rollinos: “From Mars”

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Alguns anos atrás eu resolvi começar a fazer música. Há um ano eu fiz uma música. Um ano depois eu resolvi lançar da mesma forma que compus, melhor soltar do que guardar“.

O curto texto de apresentação de From Mars, mais recente invento do paulistano Gabriel Rolim, parece dizer muito sobre a leveza que define a “recente” criação. Novo lançamento do produtor dentro do projeto Rollinos, a faixa de seis minutos e 24 segundos é um verdadeiro passeio pelo cosmos sem que o ouvinte necessariamente tire os pés do chão.

Climática, porém, nunca arrastada, a extensa faixa é um encontro entre pequenos fragmentos de voz do astrônomo Carl Sagan e bases atmosféricas típicas da Ambient/IDM dos anos 1990. Um meio termo entre o Boards Of Canada do álbum Music Has the Right to Children (1997) e Aphex Twin no clássico Selected Ambient Works Volume II (1994), mas ainda assim, uma composição essencialmente autoral. Disponível para download gratuito, a faixa pode ser apreciada na íntegra logo abaixo.

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Rollinos – From Mars

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Korallreven: “Death Is Not For Us”

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Com o lançamento de Try Anything Once, há exatamente um ano, Marcus Joons e Daniel Tjäder (The Radio Dept.) confirmaram que o universo de formas letárgicas apresentado com o primeiro disco do Korallreven estava longe de ser encerrado. Três anos depois da excelente estreia com An Album by Korallreven (2011), o duo sueco finalmente rompe com o período de “férias” para anunciar mais um novo lançamento: Second Comin’ (2014).

Previsto para estrear no dia quatro de novembro pelo selo Cascine, o álbum resume nos quatro minutos da inédita Death Is Not For Us parte do som tropical que deve acompanhar a dupla pelos próximos meses. Batidas arrastadas, sintetizadores, vozes em eco e todo um conjunto de emanações tropicais. A mesma soma de experiências lançadas por jj, CEO e outros representantes do Balearic Beat projetado em parte da música sueca recente.

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Korallreven – Death Is Not For Us

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dd elle: “Tell Me”

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A identidade do misterioso dd elle ainda permanece uma incógnita. Desde que apresentou a sombria Kind 2 U há poucos meses, acompanhar o perfil do artista no soundcloud parece ser a chance de encontrar algum novo material inédito – caso Love Me Only. Depois de um período de silêncio, é pelo “selo” Secret Songs do produtor canadense Ryan Hemsworth que chega ao público o mais novo lançamento do artista: Tell Me.

Primeira faixa completa de dd elle, que até então havia apresentado apenas canções em versão demo ou mesmo músicas não finalizadas, a nova faixa resume com segurança tudo o que o artista lançou até aqui. Em um território dominado por nomes como Jai Paul e até com Tom Krell no primeiro álbum do How To Dress Well, Love Remains (2010), o produtor se aproveita tanto das vocalizações doces do R&B, como do clima sujo/letárgico da eletrônica recente, carregando o ouvinte por uma atmosfera ora melancólica, ora acolhedora.

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dd elle – Tell Me

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