Tag Archives: Beach House

Clipping.: “Work Work” (Feat. Cocc Pistol Cree)

Clipping.

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Parece difícil traduzir com exatidão o trabalho do trio californiano Clipping. Com uma sonoridade que atravessa a década de 1990 e estaciona nas experiências eletrônicas do Death Grips, o som orquestrado por Jonathan Snipes, William Hutson e Daveed Diggs ultrapassa sem dificuldades os limites tradicionais do Hip-Hop, encontrando na colagem de referências um terreno isolado. Em Work Work, faixa que anuncia o primeiro álbum do grupo, CLPPNG, todas as tendências do projeto não apenas são apresentadas, como reforçam a proposital incapacidade em buscar por conforto.

Acompanhados pela rapper Cocc Pistol Cree, a canção vai desde a obra do De La Soul até o presente estágio do gênero em um efeito de íntima comunicação com o público. Uma massa de sons que acolhe rock e IDM em um mesmo universo. Com previsão de lançamento para o dia 10 de junho, o trabalho (curiosamente) chega pelo selo Sub Pop, casa de bandas como Beach House, METZ e Shabazz Palaces – estes últimos, muito próximos da sonoridade lançada pelo trio de novatos.

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Clipping. – Work Work (Feat. Cocc Pistol Cree)

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Beach House: “Saturn Song”

Beach House

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Depois de surpreender com a obra-prima Bloom (2012), qual direção a dupla Beach House deve seguir? A julgar pela recém-lançada Saturn Song, o espaço parece ser a próxima parada do duo, que brinca com as emanações etéreas na nova criação. Parte da coletânea The Space Project, trabalho que já apresentou ótimas composições de Youth Lagoon e Spiritualized, a recente faixa brinca com as possibilidades da banda.

Marcada pela colagem de pequenos ruídos, a composição usa da bases de sintetizadores e a voz de Victoria Legrand como um mecanismo de aquecimento para o que se mantém de forma estável até os instantes finais da música. Com um pé na década de 1980 e outro na Ambient Muisc, a canção abre espaço para o que pode vir a orientar o trabalho da dupla nos próximos meses, afinal, será que a banda vai seguir a própria ordem, lançando um novo disco a cada dois anos? Espero que sim.

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Beach House – Saturn Song

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Woman’s Hour: “I Need You”

Woman's Hour

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A delicadeza dos arranjos parece ser a principal matéria-prima do grupo Woman’s Hour. Brincando com sintetizadores, batidas compactas e vozes em uma medida sempre estável, o grupo londrino surgido no último ano parece melhor a cada novo lançamento. Depois de uma sequência de faixas apresentadas ao longo dos meses, chega a vez da quentinha I Need You mais uma vez reforçar a boa forma do grupo.

Pacata em totalidade, a canção mantém na atmosfera cômoda dos arranjos um mecanismo de fácil relação com o ouvinte. São harmonias minimalistas, quase inaudíveis, proposta que engrandece a presença da vocalista, quase um instrumento de orientação para a música. Lembrando em alguns aspectos as primeiras criações do Beach House, a canção aos poucos se esfarela nos ouvidos do espectador, quase um sussurro.

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Woman’s Hour – I Need You

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ANTHEMS: “Up In Mine”

Anthems

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Com os dois pés na Balearic Beat dos anos 1990, e a cabeça totalmente nas nuvens, os integrantes do ANTHEMS parecem encontrar todas as referências que precisam. Cruzando temperos musicais que atravessam décadas e gêneros em um princípio de extrema leveza, o misterioso projeto usa da suavidade como um mecanismo imediato de aproximação com o ouvinte. Sem nomes, nem integrantes – por enquanto -, o projeto parisiense assume na primeira canção, Up In Mine, toda a base para a construção da própria identidade.

Apresentada pelo selo francês 25 Years & Running, a canção mais parece um encontro entre a lisergia da dupla jj e os instantes mais pacatos do Beach House. Etérea, a faixa praticamente se desfaz nos ouvidos do espectador, que em poucos instantes mergulha nas batidas compactas, vozes enevoadas e toda a trama sintética da música. Simplesmente encantadora.

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ANTHEMS – Up In Mine

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Woman’s Hour: “Thunder”

Woman's Hour

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A melancolia parece ser de forma bastante evidente o princípio para cada nova composição dos britânicos do Woman’s Hour. Convergindo marcas instrumentais que atravessam a década de 1980, principalmente o Dream Pop, até esbarrar em uma série de referências que lembram The XX e Beach House, a banda trouxe na amargura de Darkest Place há algumas semanas um dos exemplares mais dolorosos da produção musical de 2013. Em Thunder, lado B do mesmo single, a essência do grupo se expande. Ainda que simples perto do resultado anterior, a faixa sustenta por mais de três minutos uma faixa dividida melancolicamente em dois atos, marca para que guitarras, sintetizadores e a voz tímida da vocalista derrame uma letra impregnada pela saudade, reforçando o quanto manter as atenções na novata banda pode revelar algumas boas criações.

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Woman’s Hour – Thunder

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Disco: “Seasons of Your Day”, Mazzy Star

Mazzy Star
Dream Pop/Indie/Alternative
https://www.facebook.com/MazzyStarOfficial

Por: Cleber Facchi

Mazzy Star

No começo da década de 1990, a expansão do Rock Alternativo e o posterior fenômeno iniciado pelo Nirvana levaram diversas gravadoras e selos independente à caça. Todos queriam ter seu próprio exemplar desse novo universo musical que estava nascendo, efeito que fez a britânica Rough Trade (gravadora que apresentou os Smiths) e a norte-americana Capitol a investirem pesado no trabalho da dupla californiana Mazzy Star. Vieram assim os adoráveis She Hangs Brightly (1990) e So Tonight That I Might See (1993), obras que mesmo sob baixa repercussão do público e da crítica serviram para alicerçar a proposta de Hope Sandoval e David Roback, eixo do Dream Pop que só viria a ser compreendido em totalidade anos mais tarde.

Passados 17 anos desde que o duo apresentou ao público o último grande exemplar em estúdio, Among My Swan, de 1996, Sandoval e Roback voltam a se encontrar, favorecendo não apenas uma sequência nostálgica dos registros previamente expostos, mas possivelmente a melhor obra do Mazzy Star até aqui. De onde a dupla parou há quase duas décadas nasce Seasons of Your Day (2013, Rhymes of An Hour), obra que revive com delicadeza sensações esquecidas dentro do cenário alternativo, ameniza com maturidade a lírica melancólica da dupla e conduz o espectador por mais um passeio sombrio, idêntico ao exercício iniciado pelo casal no fechamento da década de 1980.

Mais do que assumir a difícil tarefa de reposicionar o duo californiano no cenário atual, com o novo disco o Mazzy Star bate de frente com uma série de outros projetos nascidos da própria essência. Afinal, teria o casal a capacidade de confrontar o trabalho de “novos gigantes” à exemplo de Beach House, Cults e Lotus Plaza? Artistas visivelmente abastecidos pelos mesmos princípios do casal, mas que conseguiram ir além dos próprios limites da dupla de Santa Mônica? A julgar pelo posicionamento compacto dos arranjos, vozes e sons, o recolhimento, assim como em idos dos anos 1990, parece ser a principal aposta do casal, que ao estabelecer um reinado musical próprio e intencionalmente tímido não rivaliza e nem esbarra nas composições de ninguém.

Com ares de obra acústica, Seasons of Your Day é um trabalho que talvez passe despercebido para quem apreciar o álbum com pressa. Diluído em um efeito econômico, em que vozes e instrumentos fazem de tudo para se comportar ao longo da obra, o álbum não apenas exige tempo, como é a chave para entender a proposta que há mais de duas décadas orienta a estética do casal. Assim como So Tonight That I Might See levou anos até ser redescoberto e estabelecido como obra essencial, com o presente disco não é diferente. Produzido em uma medida de tempo que parece conhecida apenas pela dupla, o registro espalha vozes, sintetizadores e acordes tímidos de guitarra com suavidade preguiçosa. É como se o duo praticamente obrigasse ao ouvinte regressar inúmeras vezes ao trabalho, como se em cada audição um novo detalhe fosse apresentado. Continue reading

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Woman’s Hour: “Darkest Place”

Woman's Hour

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A música pop parece encarada de forma sombria e hipnótica dentro do trabalho do grupo Woman’s Hour. Projeto londrino que brinca com o R&B, o Soul e a música pop apresentada no meio da década de 1990, a banda entrega agora em Darkest Place, mais novo single, um princípio de construção lenta e envolvente dos sons. São vozes abrandadas dançando em cima de sintetizadores cinzas, algo muito próximo do que o trio London Grammar testou com o primeiro disco, mas em um cenário menos recluso e musicalmente ampliado. Toques de The XX, uma passagem pela obra do Poliça e até Beach House parece fluir dentro do repertório da banda, que além do novo single, acumula uma boa soma de canções em sua página no soundcloud.

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Woman’s Hour – Darkest Place

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Disco: “Kiss Land”, The Weeknd

The Weeknd
Canadian/R&B/Electronic
https://www.facebook.com/theweeknd

 

Por: Fernanda Blammer

The Weeknd

Sabe a sensação de piscar, perceber que um disco inteiro passou e você não conseguiu extrair nada dele? Assim é Kiss Land (2013, Republic/XO), novo álbum do The Weeknd. Representação genérica do mesmo cenário doloroso/erótico da trilogia – House of Balloons, Thursday e Echoes of Silence – que apresentou o produtor canadense em 2011, o aguardado “debut” mais parece uma extensão de tudo o que Abel Tesfaye vinha promovendo, mas em uma versão ausente de brilho. Reaproveitamento de temas, versos e bases sonoras arrastadas, o disco não apenas tropeça no mais do mesmo, como afunda por completo na preguiça e ausência de inspiração.

Teria o artista gasto toda a capacidade em compor e produzir com a trilogia inicial? A sequência aprimorada de grandes faixas lançadas em um curto espaço de tempo teriam exaurido a criatividade do produtor? A julgar pela incapacidade do canadense em prender o ouvinte ao longo do novo disco, a sensação é exatamente essa. Mesmo quem chega agora, sem ter espiado o catálogo de emanações sombrias da trinca inicial de álbuns, vai se deparar com o óbvio. The Weeknd virou Chris Brown, Tyga ou qualquer outro nome tão desgastado dentro do gênero, que pode facilmente ser confundido. A voz é dele, mas todo o resto não é.

Afundado em drogas, sexo, melancolia e desespero, Tesfaye trouxe há pouco tempo faixas como The Morning, Thursday e Wicked Games, canções que mais parecem desequilibrar a fórmula do R&B tamanho o detalhismo que acompanha os versos e, principalmente, os sons. Imerso em samples de Beach House, Aaliyah, Cults e Cocteau Twins, o produtor encontrou um cenário musical isolado, efeito que abasteceu criativamente até a obra de outros artistas centrados no mesmo estilo. Mesmo ao brincar com Dirty Diana, clássico de Michael Jackson, a identidade de Tesfaye é tamanha que a faixa simplesmente deixa as mãos do “Rei do Pop”, para se transformar em um invento do canadense. Em Kiss Land você não encontra nada disso.

Tão plástico quanto os trabalhos assinados pelo produtor para outros rappers, o novo álbum parece fluir como um bloco previsível de sons, pronto para consumo. Basta comparar a parceria com o conterrâneo Drake, em Live For, com a mesma colaboração firmada na faixa The Zone, do disco Thursday. Enquanto no álbum de 2011 a música carrega vocalizações precisas e crescentes, uma base atmosférica alicerça com parcimônia a chegada do convidado. Tudo é preciso, cuidadosamente posicionado. Agora, vozes, sons e rimas se aglomeram em uma massa densa, indistinta, efeito que pasteuriza toda a extensão do álbum. Do sample de Machine Gun (Portishead) em Belong To The World, ao texto ensaiado que inaugura o disco, com Professional, tudo faz converter a obra do canadense em um jogo atento de ideias repetidas e fáceis de serem antecipadas. Continue reading

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White Poppy: “White Poppy”

White Poppy

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Guitarras carregadas de leveza, vozes que praticamente flutuam pelos ouvidos, cores, sons e texturas, tudo parece se agrupar de forma tímida no interior do primeiro registro em estúdio do White Poppy. Encabeçado pela guitarrista/vocalista canadense Crystal Dorval, o projeto tem o autointitulado primeiro disco anunciado para o dia três de Setembro, mas acaba de ter a obra disponibilizada na íntegra para audição no Soundcloud. Trata-se de um registro acolchoado pelo Dream Pop, psicodelia e toda uma carga açucarada de ruídos que parecem confortavelmente assentados pela artista. Dez pequenas composições que parecem cruzar a instrumentação do Beach House dos primeiros discos com os vocais etéreos de Grimes, efeito que preenche cada uma da canções. O registro conta com lançamento oficial pelo selo Not Not Fun e é altamente indicado para quem se interessou pelo trabalho das garotas do No Joy ou qualquer obra recente calcada no Noise Pop.

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White Poppy – White Poppy

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Disco: “VPI Harmony”, Mood Rings

Mood Rings
Indie/Lo-Fi/Dream Pop
https://www.facebook.com/MoodRings

 

Por: Fernanda Blammer

Mood Rings

Desde o lançamento do álbum Before Today (2010), obra-prima do Ariel Pink’s Haunted Graffiti, brincar com os sons alicerçados na década de 1980 passou a ter novo significativo. Nada de se apoiar em sintetizadores desgastados e versos fáceis que ocuparam boa parte dos anos 2000, a busca por um som de natureza homogênea e composições melódicas parecia ser um princípio natural ao gênero. Alimento para toda uma nova geração de artistas, que encontraram no arsenal do grupo norte-americano um ponto de ruptura e novidade, a obra de Ariel Rosenberg volta a se repetir na estreia do Mood Rings, banda que encontra na mesma proposta dos veteranos um espaço autoral para crescer.

Desenvolvido em cima de vozes e sons acomodados em uma mesma frequência instrumental, VPI Harmony (2013, Mexican Summer), estreia do grupo, abre as portas para o cuidadoso cenário flutuante que acomoda as canções da banda – original de Atlanta, Georgia. Como se todos os sons fossem sobrepostos em um bloco denso de melodias, o trabalho encontra na essência de Rosenberg um princípio, nunca o todo. Dessa forma, é possível viajar pelo Dream Pop tímido do quinteto sem esbarrar em possíveis redundâncias, resultado autêntico que a banda cerca até os últimos instantes do trabalho.

Desenvolvidos como uma espécie de instrumento, os vocais de William Fussell ocupam toda a extensão do registro, uma espécie de guia voluntário aos recém-chegados. Sempre brandas, as vozes se esparramam de forma a encontrar nos sintetizadores um tecido uniforme, base que parece esticada da faixa de abertura, Dark Flow, até o encerramento grandioso de Charles Mansion. Uma espécie de linha temática que acompanha o ouvinte de forma controlada e ao mesmo tempo impede que o álbum se perca em exageros climáticos, como os que a banda até busca apresentar em diversos momentos do registro.

De maneira voluntária – ou não -, VPI Harmony parece dividido em dois blocos bastante específicos de músicas. O primeiro diz respeito ao uso de sons naturalmente lentos e vocalizações confortáveis. É o caso de faixas como Get Lost, que se fosse lançada há alguns anos passaria facilmente despercebida como uma canção esquecida do Deerhunter no álbum Halcyon Digest (2010). O mesmo vale para a delicada The Line, composição que parece confortar Chairlift e Beach House em um mesmo cenário instrumental, substituindo os vocais femininos de Caroline Polachek e Victoria Legrand pela voz suave de Fussell. Continue reading

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