Artista: Blanck Mass
Gênero: Experimental, Eletrônica, Drone
Acesse: https://blanckmass.bandcamp.com/

 

A colisão de ideias, samples e ruídos sempre foi a base do som produzido pelo inglês Benjamin John Power. Mais conhecido pelo trabalho como uma das metades do Fuck Buttons, projeto dividido com o parceiro Andrew Hung, Power passou os últimos seis anos se aventurando na formação de uma obra ainda mais experimental e complexa em carreira solo. Um mundo de delírios e colagens instrumentais que cresce de maneira explícita nas canções de World Eater (2017, Sacred Bones).

Quarto e mais recente álbum de inéditas como Blanck Mass, o registro de sete faixas mostra a capacidade de Power em se adaptar e mudar de direção mesmo na curta duração de uma canção fechada. Em um intervalo de quase 50 minutos, o artista original de Worcester, Inglaterra, amarra diferentes ritmos – R&B, Pós-Rock, Hip-Hop, Techno e Noise – sem necessariamente perder o controle sobre a própria obra. Um imenso labirinto criativo.

Com John Doe’s Carnival of Error como faixa de abertura do disco, Power estabelece parte das regras que orientam o trabalho. Um sample explorado de forma cíclica, essencialmente climática, mas que acaba explodindo, como um convite a provar do restante da obra. Não por acaso, a canção acaba servindo de estímulo para a construção da extensa Rhesus Negative, música que dialoga com o mesmo som testado pelo Fuck Buttons durante a produção de Tarot Sport, em 2009.

De fato, parte expressiva de World Eater parece ancorada em conceitos originalmente testados pelo Fuck Buttons. Seja na reciclagem de samples e temas eletrônicos que marcam o excelente Slow Focus (2013) ou na desconstrução da inaugural Street Horrrsing (2008), delicadamente, Power colide velhos experimentos com a mesma ambientação versátil explorada no antecessor Dumb Flesh, de 2015. Um ziguezaguear de ideias que muda de direção a cada nova curva do disco.

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. Quem espera por um novo álbum da dupla Fuck Buttons não será atendido tão cedo. Passado o lançamento de Slow Focus, um dos grandes trabalhos de 2013, Andrew Hung e Benjamin John Power decidiram passar um tempo em seus próprios projetos autorais. O primeiro, Hung, deu vida ao recente EP Rave Cave (2015), obra lançada de forma independente e produzida apenas com o auxílio de um Game Boy como “instrumento”. Já o segundo, Power, deu continuidade ao projeto que vem desenvolvendo desde o começo dos anos 2010, o…Continue Reading “Blanck Mass: “Dumb Flesh””

. . Richard D. James, o eterno Aphex Twin, ficaria orgulhoso do trabalho da dupla britânica Fuck Buttons em Brainfreeze. Casamento assertivo entre som e imagem, o registro dirigido pelo próprio Andrew Hung faz do que poderia ser um simples jogo de efeitos de distorção visual – responsável por uma série de vídeos cômicos no Youtube – se converta em uma seleção de imagens angustiantes. Utilizando de parcos recursos, mas uma iluminação sombria e cenas trabalhadas de forma perturbadora, Hung e o parceiro Benjamin John…Continue Reading “Fuck Buttons: “Brainfreeze””

Fuck Buttons
Experimental/Electronic/Ambient
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Por: Cleber Facchi

Fuck Buttons

Uma avalanche de sons e experimentos impulsiona o trabalho de Andrew Hung e Benjamin John Power em Slow Focus (2013, ATP). Terceiro registro da dupla britânica com o Fuck Buttons, o novo álbum é ao mesmo tempo uma extensão e uma completa reformulação dos sons alcançados previamente pelos produtores. Ao passo que Street Horrrsing (2008) se posicionava como uma necessidade do duo em brincar com os ruídos em um estágio próximo da anarquia, Tarot Sport trouxe logo no ano seguinte um nítido alinhamento da métrica torta da dupla, revelando um planejamento que brincava com o Drone, a eletrônica e o pós-rock em um esforço de natureza crescente. Era apenas o princípio para as invenções agora solucionadas em totalidade.

Longe de se ater ao passado, a dupla assume com o novo disco um efeito visível de composição hermética. Enquanto os álbuns anteriores, mesmo resolvidos em uma estrutura específica, dançam pelos sons em uma carga intencional de multiplicidade, com a chegada de Slow Focus a aproximação entre os temas conduz com maior efetividade a estética da dupla. Um passo firme em relação ao composto melhor entendido de 2009 e um aproveitamento naturalmente adulto dos sons – principalmente na forma como os instrumentos surgem pelo novo disco. O experimento é constante e expressivo, porém, delimitado.

Com as canções apresentadas em um estágio pleno de relação musical, surge ao longo do disco um esforço de entender cada faixa como um ato isolado a ser alinhado. A julgar pela maneira como os sons crescem em um teor épico até a chegada da música de encerramento, Hidden XS, o disco incorpora de forma decidida a manipulação de um efeito temático, como se a dupla buscasse “contar uma história” até o fecho do disco. Isso fica evidente na maneira como cada música parece colada na canção seguinte, evitando respiros e resumindo o disco em uma faixa única, imensa. Slow Focus não é apenas um maior entendimento sob o trabalho do Fuck Buttons, mas sobre a própria obra em si.

Tratados em um estágio claro de limpidez, os sintetizadores deixam de guiar a estrutura musical do disco para se entregar ao percurso estipulado em totalidade pelas batidas. A escolha possibilita ao duo uma maior oxigenação dos sons, que arrastam a composição final do disco para um meio termo entre o Krautrock alavancado na década de 1970 (principalmente no trabalho de Can e Neu), e a eletrônica tribal que ocupou parte expressiva da década de 1990. Logo de cara, Brainfreeze indica quais são as novas escolhas da dupla britânica. Grandiosa, a composição orquestra nas batidas um princípio para o que é resolvido em maior acerto com Sentients e The Red Wing, esta última, música capaz de revelar o lado mais “pop” do projeto.

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. Há quatro anos quando Tarot Sport (2009) apresentou de fato o trabalho da dupla Andrew Hung e Benjamin John Power com o Fuck Buttons, a necessidade era de compactar imensas doses de sons em uma imensa massa ruidosa, quase homogênea. A julgar pelo que abastece a quase comercial The Red Wing, a proposta do duo inglês parece ser completamente outra. Valorizando com maior atenção os detalhes e pequenas manifestações sonoras, a nova composição abre as portas para Slow Focus, terceiro registro em estúdio da…Continue Reading “Fuck Buttons: “The Red Wing””