Black Alien
Nacional/Hip-Hop/Rap
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Poucos trabalhos foram aguardados com tamanha expectativa e ampla cobertura da imprensa nacional nos últimos dez anos quanto a segunda parte de Babylon By Gus. Desde o lançamento do clássico O Ano Do Macaco, em 2004, cada nova participação, clipe ou anúncio de Black Alien foi recebido com olhos (e ouvidos) bem abertos, efeito da bem-sucedida estreia solo do ex-Planet Hemp. Depois de um intervalo de 11 anos, diferentes conflitos e prazos adiadas, um respiro aliviado e a estreia oficial de Babylon By Gus – Vol. II: No Princípio Era O Verbo (2015, Independente).  

Longe de parecer uma continuação da obra entregue em 2004, com o presente registro, álbum de 12 faixas e pouco mais de 40 minutos de duração, o rapper lentamente parece assumir um novo percurso lírico. Depois de diversas batalhas contas as drogas, passagens por clínicas de reabilitação, depressão e até tentativas de suicídio, como detalhou em entrevista à Rolling Stone – “Eu já tentei me matar, já enchi o carrinho do supermercado de álcool e fui beber tudo…” -, a sobriedade explícita em cada versos faz do novo álbum uma obra regida pela esperança.

De proposta intimista, por vezes autobiográfico, Babylon By Gus – Vol. II soa como um passeio musical por diferentes fases e cenários da vida de Gustavo de Almeida Ribeiro, verdadeiro nome de Black Alien. Logo na abertura do trabalho, a introdução 1972 costura várias histórias de diferentes gerações da família do rapper fluminense, criando uma espécie de linha conceitual que se estende até a faixa de encerramento Cidadão Honorário, uma extensão desse mesmo universo e reflexo da presente fase do artista – “Tenho alguns esqueletos no armário / A luta, contínua, continua e não tem páreo“.

No interior da obra, melodias descomplicadas abrem passagem para uma seleção de faixas comerciais, voltadas ao pop, sempre íntimas do grande público. A julgar pela estrutura doce de músicas como Somos o Mundo, parceria com a cantora Céu, ou Quem é Você?, colaboração com o veterano Luiz Melodia, não seria um erro encarar o atual registro como um trabalho muito mais voltado à MPB do que ao Hip-Hop. Do jogo de rimas lançadas há uma década, pouco parece ter sobrevivido, transformação que amplia o domínio das vozes e cantos durante toda a obra, estímulo para a construção de músicas como Falando do Meu Bem, Identidade e Homem de Família.

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Todo mundo tem que crescer uma hora, inclusive a Respect, que agora vai pra uma das casas de show mais famosas de São Paulo, o Cine Joia. Para nossa doce estreia, reservamos um especial ao Rei do Pop, Michael Jackson que tem hits inúmeros e que fazem todo mundo querer dançar com passinho ou não. Marque na agenda: sexta, 15 de maio, a noite vai ser quente no Cine Joia, logo ali ao lado do Metrô Liberdade. Nas pick-ups desta edição, o melhor dos oldies escolhidos…Continue Reading “RESPECT Especial Michael Jackson”

Por: Cleber Facchi

Um ano de clássicos. Marcado pela diversidade de gêneros e o nascimento de obras essenciais para a construção da cena musical do novo século, o ano de 2004 veio acompanhado de uma avalanche de grandes discos. Do nascimento de gigantes como Arcade Fire, Kanye West e Franz Ferdinand, à consolidação de veteranos, caso de Brian Wilson, Björk e Air, quem se aventurou pela produção musical durante o ano se deparou com uma série de registros imediatamente tratados como clássicos. No Brasil, a construção de um novo cenário independente fez nascer registros de expressivo valor para a música nacional, posto sustentado com destaque por novatos como Mombojó, Gram e diversas outras bandas hoje extintas do repertório brasileiro. Como uma rápida passagem pela produção musical gerada há dez anos, selecionamos 30 discos de 2004. Obras que completam uma década de lançamento, mas permanecem tão atuais e influentes, quanto na época em que foram apresentadas.

Menções honrosas: Rilo Kiley, Scissor Sisters, Danger Mouse, The Futureheads, Iron and Wine, Death From Above 1979, Fennesz, The Libertines, Ryan Adams, TV On The Radio, Drive-By Truckers, Wilco, The Music, Gwen Stefani, Dizzee Rascal, M.I.A, The Streets, Cocorosie, Isis, Of Montreal, Sonic Youth, Morrissey, Ghostface e China.

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Black Alien
Brazilian/Hip-Hop/Reggae
http://www.myspace.com/blackalienbr

Por: Cleber Facchi

Com o fim das atividades do Planet Hemp em 2001, qualquer tipo de expectativa relacionada aos trabalhos do grupo se voltariam aos integrantes da extinta banda e seus respectivos trabalhos solo. Marcelo D2 que já havia lançado sua estreia em 1998 com o álbum Eu Tiro é Onda reservaria para 2003 sua obra-prima, o conceitual A Procura da Batida Perfeita. No mesmo ano BNegão aliado aos Seletores de Frequências apresentaria ao mundo sua impactante estreia, o também excelente Enxugando Gelo. Entretanto, o melhor ainda estava por vir.

Embora não fizesse parte do Planet Hemp em sua primeira formação, Black Alien esteve ao lado do grupo desde que ele foi montado no começo dos anos 90, participando ativamente da construção do primeiro disco da banda, Usuário (1995) e mais tarde adentrando oficialmente a formação do grupo. A partir do álbum Os Cães Ladram, Mas a Caravana não Para (1997), Alien (nascido Gustavo de Almeida Ribeiro) já seria uma das principais mentes do grupo, algo que talvez só se comprovaria anos mais tarde, com o lançamento de seu primeiro álbum solo.

Se mantendo dentro dos limites propostos pelo hip-hop, mas passeando livremente pelos ritmos do Reggae, Dancehall, Funk, Dub e Grime, Babylon By Gus Volume. 1 – O Ano do Macaco (2004, Deckdisc) estreia do rapper traria uma profunda contribuição para dentro do cenário brasileiro, proporcionando um tipo de medida poucas vezes vista dentro do estilo em lançamentos nacionais. Instrumentalmente bem conduzido e não poupando na hora de construir seus versos, o carioca  nascido em São Gonçalo faz de seu debut um trabalho criativo e instigante.

Climático, o registro abre em meio a samplers de macacos e uma musicalidade oriental, meras bases para o apanhado de versos ora cantados em inglês, ora em português que viriam com a faixa Mister Niterói. Passeando por entre versos ácidos (Umaextrapunkprumextrafunk e America 21), algumas doses de romantismo (Como Eu Te Quero), um olhar sobre sua origem (Estilo de Gueto e Babylon By Gus), além de um vasto apanhado de composições esculpidas com cuidado, sempre tomadas de despojo, alguns toques de ironia, seriedade e também bom humor.

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