Sia, Charli XCX, Joan Jett, Nick Valensi (The Strokes), Johnny Marr (ex-The Smiths) e Dave Sitek (TV On The Radio), esses são alguns dos artistas convidados a integrar o mais novo trabalho de inéditas do grupo nova-iorquino Blondie. Intitulado Pollinator (2017), o registro anunciado ao público no começo de fevereiro, durante o lançamento da enérgica Fun, acaba de ter mais uma composição inédita apresentada pela banda: Long Time.

A faixa, inspirada pelo clássico Heart of Glass, de 1979, conta com a assinatura do cantor e produtor britânico Dev Heynes (Blood Orange). Longe de parecer uma novidade, a parceria entre Heynes e os integrantes do Blondie vem desde o último ano, quando o artista inglês convidou Debbie Harry para cantar em E.V.P., uma das faixas do elogiado Freetown Sound – 1º colocado na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

Pollinator (2017) será lançado no dia 05/05 via BMG.

 

Blondie – Long Time

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Inspirado pela série de acontecimentos que levaram à morte trágica da norte-americana Sandra Bland dentro de uma prisão, em outubro de 2015, Dev Hynes deu vida a uma de suas composições mais tocantes: Sandra’s Smile. “Fechamos os olhos por um tempo / mas eu ainda vejo o sorriso de Sandra”, canta o músico britânico enquanto detalha uma sequência de versos que dialogam com a temática do racismo, os abusos cometidos pela polícia estadunidense e a opressão sofrida pela população negra nos Estados Unidos. Um suspiro melancólico, talvez isolado na época em que foi lançado, mas que acaba servindo de base para o terceiro álbum de estúdio do Blood Orange, Freetown Sound (2016, Domino).

Sucessor do elogiado Cupid Deluxe (2013), trabalho em que Hynes explora o cotidiano de diferentes marginalizados da cidade de Nova York – como desabrigados e membros da comunidade LGBT –, com o presente álbum, o cantor, compositor e produtor inglês amplia ainda mais o campo de alcance da própria obra. São músicas que analisam diferentes aspectos da comunidade negra, dialogam com referências da cultura africana, resgatam conceitos do R&B dos anos 1980/1990, além de estreitar a relação com o universo feminino, efeito da ativa interferência de um time de mulheres durante a construção do álbum. Leia o texto completo.

Uma das últimas músicas do excelente Freetown Sound (2016), I Know foi a composição escolhida para se transformar no mais novo clipe do Blood Orange. Dirigido pelo parceiro de longa data Tracy Antonopoulos, o trabalho mostra um encontro e a complexa coreografia produzida entre Dev Heynes e a bailarina russa Maria Kochetkova.

Blood Orange – I Know

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Artista: Solange
Gênero: R&B, Pop, Soul
Acesse: http://www.solangemusic.com/ 

 

Acompanhada de perto pelos produtores Dev Heynes (Blood Orange) e Ariel Rechtshaid (Haim, Sky Ferreira), além, claro, de um time seleto de instrumentistas e compositores, em 2012, Solange Knowles deu vida ao maduro True EP. Uma delicada seleção de sete faixas cuidadosamente polidas pela voz firme da cantora, pela primeira vez, livre de possíveis comparações ao trabalho da irmã mais velha, a cantora Beyoncé, e dona de uma verdadeira coleção de músicas essencialmente pegajosas como Losing You e Lovers on Parking Lot.

Quatro anos após o lançamento do elogiado registro, Knowles está de volta não apenas com um novo álbum de inéditas, mas com uma extensão aprimorada do mesmo material anteriormente testado em estúdio. Pouco mais de 20 canções — parte expressiva composta por vinhetas e interlúdios atrelados ao núcleo central da obra —, ponto de partida para o político A Seat at The Table (2016, Saint / Columbia), uma fuga declarada do som comercial anteriormente explorado nos iniciais Solo Star, de 2003, e Sol-Angel and the Hadley St. Dreams, lançado em 2008.

Feito para ser ouvido sem pressa, saboreado, efeito do imenso catálogo de referências instrumentais, fragmentos de vozes, personagens e depoimentos que surgem no interior da obra, o álbum, assim como Lemonade (2016), da irmã Beyoncé, nasce como um profundo diálogo de Knowles com a comunidade negra dos Estados Unidos. Entre arranjos minimalistas e melodias que dialogam com o R&B/Soul dos anos 1970, versos que escancaram a crueza do racismo (“Eu tentei mudar isso com o meu cabelo”) e a opressão sofrida diariamente pelas mulheres (“Pensei que um vestido novo melhoraria as coisas”).

Não toque no meu cabeloEles não entendem / O que isso significa para mim”, canta em Don’t Touch My Hair, uma delicada parceria com cantor e compositor britânico Sampha e um reflexo das pequenas agressões sofridas diariamente pelas mulheres negras dentro de qualquer ambiente machista e opressor. Um complemento poético ao interlúdio assumido pela mãe da cantora, Tina Lawson, minutos antes em Tina Taught Me, gravação que discute os privilégios dos brancos, o cômico discurso do “racismo reverso” e as conquistas do povo negro.

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Inicialmente previsto para o primeiro semestre de 2013, aproveitando o sucesso em torno do ótimo True EP (2012), o terceiro álbum de inéditas de Solange Knowles acabou levando mais tempo do que o previsto até ser oficialmente lançado. Intitulado A Seat at The Table (2016), o novo álbum conta com nada menos do que 21 canções – parte delas são vinhetas e fragmentos instrumentais –, além de um time imenso de novos colaboradores.

Entre os artistas que integram a composição do disco, nomes como Dev Hynes (Blood Orange), Lil Wayne, Kelly Rowland, Sean Nicholas Savage, Devon Welsh (Majical Cloudz), David Longstreth (Dirty Projectors), Raphael Saadiq e Rostam Batmanglij (ex-Vampire Weekend). Com pouco mais de 50 minutos de duração, o registro segue uma direção contrária ao material apresentado nos iniciais Solo Star (2003) e Sol-Angel and the Hadley St. Dreams (2008), estreitando a relação de Knowles com o Soul/R&B dos anos 1970.

 

Solange – A Seat at The Table

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Artista: Blood Orange
Gênero: R&B, Soul, Alternative
Acesse: http://bloodorange.nyc/

 

Inspirado pela série de acontecimentos que levaram à morte trágica da norte-americana Sandra Bland dentro de uma prisão, em outubro de 2015, Dev Hynes deu vida a uma de suas composições mais tocantes: Sandra’s Smile. “Fechamos os olhos por um tempo / mas eu ainda vejo o sorriso de Sandra”, canta o músico britânico enquanto detalha uma sequência de versos que dialogam com a temática do racismo, os abusos cometidos pela polícia estadunidense e a opressão sofrida pela população negra nos Estados Unidos. Um suspiro melancólico, talvez isolado na época em que foi lançado, mas que acaba servindo de base para o terceiro álbum de estúdio do Blood Orange, Freetown Sound (2016, Domino).

Sucessor do elogiado Cupid Deluxe (2013), trabalho em que Hynes explora o cotidiano de diferentes marginalizados da cidade de Nova York – como desabrigados e membros da comunidade LGBT –, com o presente álbum, o cantor, compositor e produtor inglês amplia ainda mais o campo de alcance da própria obra. São músicas que analisam diferentes aspectos da comunidade negra, dialogam com referências da cultura africana, resgatam conceitos do R&B dos anos 1980/1990, além de estreitar a relação com o universo feminino, efeito da ativa interferência de um time de mulheres durante a construção do álbum.

Longe de parecer o protagonista do disco, Hynes atua apenas como um condutor para que um grupo de vozes e compositoras femininas se encontrem no interior do trabalho. Responsável por uma série de canções produzidas para nomes como Solange (Losing You), Sky Ferreira (Everything Is Embarrassing) e, mais recentemente, Carly Rae Jepsen (All That), Hynes faz do presente disco um ponto de encontro para diferentes vozes, ampliando o conceito anteriormente testado em em Cupid Deluxe, trabalho em que firmou uma série de parcerias com Caroline Polachek (Chairlift) e Samantha Urbani (ex-Friends).

Do pop pegajoso de Best of You, bem-sucedida parceria com Empress Of, passando pela melancólica Hadron Collider, já conhecida colaboração com a cantora Nelly Furtado, Hynes cria pequenas brechas para que representantes de diferentes campos da música brilhem com destaque no interior da obra. Nomes como Debbie Harry (E.V.P.), Kelsey Lu (Chance) e Carly Rae Jepsen (Better Than Me). Entretanto, o destaque acaba ficando por conta da ativa interferência da novata Ava Raiin. Cantora e compositora nova-iorquina, a jovem artista se revela como uma espécie de protagonista da obra, assumindo os versos de faixas como By Ourselves, Augustine, Juicy 1-4 e Thank You.

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. Cercado por um time de vozes femininas, Dev Heynes deu vida ao aguardado sucessor de Cupid Deluxe (2016). Intitulado Freetown Sound (2016), o álbum que conta com lançamento pelo selo Domino mostra a construção de um ambiente imenso controlado lírica e musicalmente pelo produtor norte-americano. Uma coleção de ideias que atravessam o soul/R&B dos anos 1980 e chegam até o presente em faixas como a delicada Augustine, bem-sucedida parceria com a cantora Ava Raiin, voz predominante em grande parte do disco. Segunda faixa do disco, Augustine…Continue Reading “Blood Orange: “Augustine” (VÍDEO)”

. Dev Heynes está de volta. Três anos após o lançamento do delicado Cupid Deluxe, uma das obras mais complexas da presente década e um dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013, o cantor, compositor e produtor de origem inglesa faz de Freetown Sound (2016) o terceiro álbum de inéditas como Blood Orange. Originalmente previsto para o dia 01/07, o novo registro já pode ser apreciado em diferentes plataformas digitais. São 17 composições repletas de parcerias, vozes e rimas assinadas por diferentes nomes da música negra norte-americana. Entre os destaques do…Continue Reading “Blood Orange: “Freetown Sound””

. Ao final de 2015, a cantora Nelly Furtado e o cantor, produtor e compositor Dev Hynes (Blood Orange) se juntaram para uma série de shows beneficentes. No meio dessa parceria, o lançamento da inédita Hadron Collider, faixa que conta com a assinatura dos dois artistas, mas que ficou restrita apenas ao público que teve acesso ao lançamento físico do material – disponível apenas em fita cassete. Graças ao site Disco Naïveté, a canção pode finalmente ser apreciada online. Trata-se de um típico produto de Blood…Continue Reading “Blood Orange & Nelly Furtado: “Hadron Collider””

. Você pode nunca ter ouvido o nome Ariel Rechtshaid, mas provavelmente já escutou uma música produzida por ele. Produtor, engenheiro de som, multi-instrumentista e compositor, o artista nascido em 1979, na cidade de Los Angeles, talvez seja um dos principais produtores em ascenção dentro da presente cena californiana. Entre os artistas com que Rechtshaid já trabalhou, nomes como Brandon Flowers (The Killers), HAIM, Sky Ferreira, Vampire Weekend, Madonna, Tobias Jesso Jr., Usher e, mais recentemente, a cantora britânica Adele. Dono de um rico acervo de faixas que…Continue Reading “Aperitivo: 10 Músicas Produzidas Por Ariel Rechtshaid”